Tiradas as medidas, que a olho são suficientes e que baste, o mesmo mantém-se: inolvidável, impassível e imperturbável. A mudança opera-se tão lânguida que por pouco passa ao lado dos sentidos; e tão conservadora face ao vínculo previamente estruturado. Mais que mudança, sugere-se como sedimento que se acresce e avesso é a transformações, complementando em conformidade com o pré-existente; só para enganar a repetição, camuflá-la em tons aparentemente mais coloridos.
Vem um novo ano. Também vem um novo mês. Novo dia. Nova hora... A diferença é a (des)ilusão. Uma crença; ou nem isso, quando se duvida em acreditar. Novo ano. Relógio maior, aí reside a destrinça. O restante manancial pertence à mesmíssima ordem dos factos, mecanismo igual com outra potência em tamanho – e em tamanho apenas. Talvez a queda seja diferente, maior se prevê que seja: para quem crê e para quem não se cumpre. Precavido para as (não) diferenças, nada há então a temer. Ou nada há a temer que não seja o costumeiro. O Pai Natal não existe há muitos anos; e não vem nenhum pequeno substituir um velho de barbas. Por isso se sonha e os sonhos não se cumprem, evitando misturar-se com a banalidade endémica da realidade. Por isso se irá continuar a sonhar, vincando-se na crença que o é acreditar que estes nunca tomarão o lugar da vida que se vive. Por que isso é bonito. Só isso.
Ontem ia aqui escrever que sonhar às vezes dói...
Mas depois pensei e realmente não. Sonhar não dói nada!!
:)
Em geral as dores são bem reais. Talvez só após o sonho...
beijinhos.
Afixado por: PmA em dezembro 30, 2005 07:17 PM