Ensinaste-me, mais que tudo com a tua ausência e com a subsequente minha que de mim próprio sinto, a aprimorar a atitude calculista que sustentavas, inclusivamente, ostentar eu já em demasia; ou com um determinado e visível desregre. Ou assim quis eu aprender, irrelevante aqui se sim ou não pois que foste tu quem instruiu – limitei-me talvez ao papel passivo de instruendo, vinculando-me, gostasse ou não, à única matéria leccionada; a flexibilidade auferida por quem frequenta escola restringe-se e atrofia na instituição total, rigidez e autoritarismo dos curricula que participam do plano que suplanta a vontade do um versus sistema. Embebido pelas tuas avaliações vorazes em encontrar e apontar a dedo, porque não te deixava usar a caneta vermelha, todo o erro ou indício de, mecanizei as respostas que sabias (ou dizias saber) serem as correctas – mais que teus axiomas, teus dogmas: por maior a razão que te envolvesse, a tua exorbitância da mesma, displicência que acredito (quero acreditar?) que em ti não se consciencializou, rumava-a à perda de si por um «excesso de zelo» algo (para ser simpático) intransigente. Tolerância? Provavelmente esgotara-la; ou esgotara-ta eu.
A resposta mecânica, a contragosto mecanizada, peca pelo rigor que mitiga (n)a autenticidade. A autenticidade passa a simulação; ou, pior, a um simulacro intencionalmente edificado. E assim se tecem as teias do tecido inautêntico. Por ingerência do que exacerbavas e que, com sucesso, inculcaste com a minha tácita permissão, que o foi por estratégia de defesa em conformidade com esse presente bem como estratégia a ser orquestrada nos dias que virão, adaptei o nível de resposta ao que o outro pretende que seja em detrimento do que seria ditado pela autodeterminação. O objectivo, digo-te sem complacências, não é o mais filantropo; ao invés, o mais calculado na iniciativa da obtenção do propósito prosseguido – no plural também serve, a dinâmica é replicada só se aumentando em número fins ou propósitos. Uma sequência perversa de um “diz-me o que eu quero ouvir (independentemente de o sentires – natural, autêntico)”, saber escutar retorquindo no que «deve» ser dito e raramente o que devia sê-lo. Os hábitos conhecem-se, poucas vezes se afastando do limite de um desvio padrão…
Findo dirigindo-te uma palavra de apreço, agradecendo a dádiva. Outra a mim, afinal fui um bom educando – que em muito ultrapassa a fronteira de mero instruendo, pois que comporta ambas as dimensões.
Devias conhecer-me agora.
"You are condemned
I’ve put a spell on you
The smell of death
Has got all over you
Like a disease
I’ll control your mind
Get on your knees
You won’t survive the night
Hellraiser
You are possessed
I’m your living pest
Put you to rest
Tonight you’ll be my guest
You are oppressed
Abused on my request
Get ready for
The final inquest
Hellraiser"
'Hellraiser', Suicide Commando
Publicado por PmA em novembro 25, 2005 01:45 PM