julho 20, 2005

Reflexos quotidianos

As horas passam. Já não se tem sono, já não apetece dormir. Desperta-se à luz da lucidez. À frente o reflexo quase meu nas janelas espelhadas de um edifício reerguido: reconstruído; rearranjado. Todavia o mesmo, sem o ser. Mexeram-lhe no ‘cérebro’, alteraram-lhe a identidade. Questiono-me se ele próprio se reconhecerá nas novas vestes que traja, empoeiradas pelos restículos originais remanescentes.

Assim seremos nós, acumulando trapilhagem nova sobreposta ao farrapo mais desgastado montando camadas de duplas peles; duplicidades de ser do ser. Cumulamos até ao irreconhecível, até que defronte da nossa imagem não reconheçamos mais do que projecção espectral pretérita, ida e acabada. Eu sou sempre um novo eu.

Publicado por PmA em julho 20, 2005 04:03 PM
Comentários