Certas existências são como um baralho de cartas. Vão crescendo, crescendo sempre com a ameaça do desmoronamento a pairar-lhes. Inevitavelmente, é o que ocorre. É uma mera questão de tempo. E talvez de sorte; ou azar. Não creio em destinos nem em pré-determinações instituídas, antes na construção da realidade no quotidiano. E algures nesse quotidiano surge firme a brisa que baste que desmorona o edificado; ou parte dele. (re)Inicia-se nova construção. Não linear, não obrigatoriamente cíclica. Sempre distinta na sua distinção mesmo por quantas proximidades possa partilhar com o acontecido pretérito.
A cada edificado que sucumbe, ou parte de si, uma nova ruptura. E nos seus interstícios a abertura que cimentará novas e talvez mais originais interacções. Sempre distintas, sempre de carácter próprio por cada um ser uno na sua individualidade. Quanto muito certos padrões, alguns déjà-vu que remetem para vividos anteriores, mas sempre com a novidade na experiência. Abnegadas, as experiências sucedem-se numa normalidade que quase ouso definir como rotineira. As existências, essas, ficam vincadamente marcadas, catatónicas pelas clivagens que se cumulam indeléveis.
Há sempre as incontornáveis pústulas que soçobram, heranças de acontecidos. Umas mais recônditas, escondidas da vista de quem sabe olhar, viscerais; outras à superfície do ser, estigmas que acompanham o próprio e o outro que delas toma conhecimento, concorrendo para que se promova o desencontro ou, por outras palavras, impossibilitando edificações estruturalmente estáveis.
No fundo da arca, todavia, a esperança; e a curiosidade.

he's real she's real, 1964, Allen Jones
E não é que concordo com quase tudo o que disseste? tirando um ou outro ponto, em que discirdo profundamente (como o das cartas que de desmoronam, porque acho que so caem se deixares...), e não acho que as edificações que não são estaveis podem sempre levar ferro, para fortalecer os pilares...:P
(p.s. gosto do allen jones... e da senhora, gd estilo:P)
Afixado por: chavininha em julho 6, 2005 02:03 AM:) Ainda bem!
No entretanto, não esquecer feitura de trabalhos... ;)
...talvez fosse melhor não estarem, não sei...
Afixado por: da. em julho 7, 2005 12:53 AMNem tudo o que cai é porque deixamos, Chavininha. Nem pensar. Ferro? E umas vitaminas, talvez.
Não vão ainda propriamente de vento em popa, Jacky; mas há-de-se lá chegar.
Podem estar; mas a opção de as utilizar é própria de cada um. Em alguns casos específicos deixei ambas de lado, da.
Afixado por: PmA em julho 7, 2005 03:53 AMFerro, vitaminas e afins... e se verificares o problema a tempo ha 70% de hipoteses de não cair, isso e calculos bem feitos... :P
Afixado por: chavininha em julho 7, 2005 04:31 AMCálculos menos bem feitos e vão conhecer o chão.
Errar é tão humano...
;)
Ou não,e a magia do inesperado acontece :P
Afixado por: chavininha em julho 11, 2005 07:19 PMMagia ou pura ilusão? ;p
Afixado por: PmA em julho 20, 2005 10:06 AM