fevereiro 22, 2006

Azul (tracejado de amarelo vivo)


Onde pára essa coisa que gira enquanto entretém (enternece?) a razão? Em todas as estações e apeadeiros, talvez. Pausas que recuperam, recobrem, readquirem uma qualquer substância ou várias para que a viagem prossiga; não se sabendo bem para ou aonde, importa que continue – de norte a sul, sol a sol, pelos troços do real e do imaginário.

É um azul sem nuvens; claro aberto – dourado – ao colo do dia; pálido entrecorte a branco prata que descansa no abraço da noite. É azul que esconde horizontes perspectivando o infinito ao alcance de um beijo prolongado. Sempre, inevitável, lustroso pela definição que a luminosidade sem término alcança. Perdido, que de destino é incerto, ainda que encontrado no amplexo do conforto; celeste.

O tempo detém-se, imerso pelo espanto que o provoca: emprazamento de si próprio, efeito de espelho, reflexividade, da sua auto-contemplação; do que ele próprio, construindo, construiu. Dir-se-ia desaparecido, caldeado ou até mesmo dissipado por entre a serenidade que envolve cada facto vivido. Algo que não o incomoda, também ele sereno, ele que o tem a todo e mais algum se o aprouver; repousa de si, excentricidade que ele mesmo se pode permitir.

Nesse profundo azul que monta cenário, irradia o castanho de uns olhos. Meigo, mel, melaço que apropria corpo e mente – tranquilos, os dois; sedados como que por magia de um mundo encantado, dos que se dizem existir tão somente no mundo das estórias; e não é a história um remarque de estórias?, curiosa curiosidade… As promessas, essas, permanecem intocáveis, as mesmas: não há promessas. Porém, dita a vontade que não a há de parar; que largar não é agora uma opção. Há sim continuidade sem destino traçado, como união que singra pelo simples ser que o é. Incansável continuidade…

"Who can say where the road goes,
Where the day flows, only time?
And who can say if your love grows,
As your hearth chose, only time?

Who can say why your heart sights,
As your live flies, only time?
And who can say why your heart cries
when your love lies, only time?

Who can say when the roads meet,
That love might be, in your heart?
and who can say when the day sleeps,
and the night keeps all your heart?
Night keeps all your heart.....

Who can say if your love groves,
As your heart chose, only time?
And who can say where the road goes
Where the day flows, only time?

Who knows? Only time
Who knows? Only time
"

Only Time’, Enya

Publicado por PmA em 03:40 PM | Comentários (5)

fevereiro 01, 2006

Fenómenos (para o anormal...?)


Pareceu-me ter visto um raio de sol de permeio com a Lua e uma nuvem garrida, de cinzento carregado.
Ou o Sol brilha à noite; ou as lentes carecem de actualização premente; ou vou marcar um dia para o sr. doutor.

"I like pleasure spiked with pain and
Music is my aeroplane
It's my aeroplane
Songbird sweet and sour Jane and
Music is my aeroplane
It's my aeroplane
Pleasure spiked with pain

That motherfucker's always spiked with pain

Looking in my own eyes, hey Lord
I can't find the love I want
Someone better slap me
Before I start to rust
Before I start to decompose
Looking in my rearview mirror
Looking in my rearview mirror
I can make it disappear
I can make it disappear

Have no fear

Sitting in my kitchen, hey girl
I'm turning into dust again
My melancholy baby
The star of mazzy must
Push her voice inside of me
I'm overcoming gravity
I'm overcoming gravity

It's easy when you're sad to be
It's easy when you're sad, sad like me

Just one note
Could make me float
Could make me float away
One note from
The song she wrote
Could fuck me where I lay
Just one note
Could make me choke
One note that's
Not a lie

Just one note
Could cut my throat
One note could make me die

I like pleasure spiked with pain..."


'Aeroplane', The Red Hot Chili Peppers

Publicado por PmA em 11:12 PM | Comentários (7)