janeiro 31, 2006

'hesitâncias'...


Trabalho e trabalhos de escola tiravam-me e tiram-me bastante do meu tempo, ocupando-o. Queria ter mais. Ou tê-lo também ocupado por ti. Talvez um dia o ocupes, quem sejas. Talvez nunca mais, desalojado até ao terminar da história. Talvez também estejas ao meu lado e não tenha ainda dado conta. Talvez é uma palavra, em enormidade, indecisa. Talvez por isso faltem certezas, certezas que colmatem espaços vazios onde o preenchimento devia morar. Certezas que se procuram e querem, mas sempre com o talvez que ronda a fim de aproveitar circunstância em que. Nas suas manhas é confiar que o talvez um dia, carrasco de si, concretize o objecto de demanda. Nunca se sabe.


Oh, the heads that turn
Make my back burn
And those heads that turn
Make my back, make my back burn

The sparkle in your eyes
Keeps me alive
And the sparkle in your eyes
Keeps me alive, keeps me alive

The world
And the world turns around
The world and the world, yeah
The world drags me down

Oh, the heads that turn
Make my back burn
And those heads that turn
Make my back, make my back burn, yeah

The fire in your eyes
Keeps me alive
And the fire in your eyes
Keeps me alive

I'm sure in her you'll find
The sanctuary
I'm sure in her you'll find
The sanctuary

She Sells Sanctuary’, The Cult

Publicado por PmA em 04:35 PM | Comentários (2)

janeiro 30, 2006

kin

- Tenho medo.
- Do mesmo… a conversa de sempre.
- Não. Da novidade.

"Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar
"

'Na Terra dos Sonhos', Jorge Palma

Publicado por PmA em 10:13 PM | Comentários (8)

janeiro 27, 2006

um + um

Duas velas que se apagam. Em tão pouco tempo. Simultaneamente demasiado. Duas velas... tempo a mais para um blog que já não devia existir - esgotada a sua função, cumpridos objectivos, consumadas... Ainda assim cá está. 24 meses, mais de 700 entradas, seja o que for que isso signifique. Ainda assim se irá manter, logo se vendo por quantos dias, meses ou mais duas velas...
Publicado por PmA em 11:34 PM | Comentários (7)

janeiro 25, 2006

Moving on...


Tenho sono. Nem por isso – ou por isso mesmo – deixam de me atravessar a mente pensamentos demorados, em vagar, melosos. A cidade dorme. Pretendo fazer-lhe companhia. Fechar os olhos e saber que amanhã será ela a acordar-me. A alma esconde-se sob as janelas que cerradas acautelam e arrecadam para o universo do só seu, sem partilha; exclusiva para e a seu dono – pode não ser muito, é contudo tudo o que realmente se tem. Amanhã, novamente; outro amanhã; um dia o ciclo cumprir-se-á – e então dizer sem desditos que o amanhã chegou hoje; sem promessas, se bem que com a força da crença: é o que basta. Até amanhã o sono resguardará, manto morno e aconchegante, o que de mais precioso e inviolável existe. Sono que se instala em afagos e carícias. Sono desejado, até que amanhã possa asserir que o dia hoje nasceu radioso.


Tira a mão do queixo, não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota
Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém, não
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
E a liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo
Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

A gente vai continuar’, Jorge Palma

Publicado por PmA em 02:58 AM | Comentários (3)

janeiro 16, 2006

do not bark

- Porque rai...
- Shiuu! Não ladra.


"Hey Ah Na Na
Ignorance is over
Over

Hey Ah Na Na
Ignorance is spoken
Spoken

Confidence is broken
Broken

Sustenance is stolen
Stolen

Arrogance is potent
What I see is unreal
I've written my own part
Eat of the apple, so young
I'm crawling back to start

Hey Ah Na Na
A romance is fallen
Fallen
I repent tomorrow
Tomorrow

Is suspended my sorrow
Sorrow
Recommend you borrow
"

'Rotten Apple', Alice in Chains

Publicado por PmA em 11:18 PM | Comentários (6)

janeiro 14, 2006

Argonauta

Fazem crer que o céu está longe do mar. Mentira. Consigo tocá-lo.

Publicado por PmA em 10:41 PM | Comentários (2)

janeiro 13, 2006

Périplo

Esgotara a fúria de viver. Comprou um cão e emigrou.

Publicado por PmA em 01:22 AM | Comentários (4)

janeiro 11, 2006

Contracção

- Aos tropeções?
- Pode-se até cair; de joelhos é que não.

"I'm walking down the line
That divides me somewhere in my mind
On the border line
Of the edge and where I walk alone

Read between the lines
What's fucked up and everything's alright
Check my vital signs
To know I'm still alive and I walk alone

I walk alone
I walk alone

I walk alone
I walk a...
"

'Boulevard of Broken Dreams', Green Day

Publicado por PmA em 02:59 PM | Comentários (4)

janeiro 09, 2006

Convencer...

... que nem toda a raiva é destrutiva.

Publicado por PmA em 05:31 PM | Comentários (3)

janeiro 08, 2006

Instantâneo (XXXVIII)

Só a morte mata os medos.


"A vida funciona com a desordem, tolerando-a, servindo-se dela e combatendo-a simultaneamente, numa relação ao mesmo tempo antagonista, concorrente e complementar."

'O Homem e a Morte', Edgar Morin

Publicado por PmA em 10:03 PM | Comentários (6)

janeiro 07, 2006

Definições, take #2

- Não se explica…

- Talvez um punhado de neurónios se revolte; e se se desacople da restante massa.

SEPARATION
separation, 1900, Edvard Munch

Don't leave me, don't walk away
Stay beside me for another day
My love for you will never die

Don't leave me, don't go away
Stay near me for one more day
You know my love will never die

I will drown again
Into your arms tonight
Finally to close my eyes
And you to hold me tight

I will drown again
In your arms tonight
Finally to close my eyes
Forever in your arms

Love Never Dies Part 2’, Apoptygma Berzerk

Publicado por PmA em 07:47 PM | Comentários (2)

Definições

- … E que nome lhe dás?

- Não sei. Prefiro encará-lo como uma espécie de infecção no cérebro.

COMFORT
comfort, 1907, Edvard Munch

"Forever in your arms, you said, forever in my heart
My love for you will make us both climb higher
Driven by the power that is burning in our hearts
You know my faith in you will keep us together

Forever in your arms you said, forever in my heart
My love for you will make us both climb higher
I sense your presence in this room, I feel that you are near
You hold me close and whisper, «Love is forever»

Love is forever...
Love never dies...
"

'Love Never Dies', Apoptygma Berzerk


Publicado por PmA em 02:47 AM | Comentários (2)

janeiro 06, 2006

Águas em quarto crescente

A cautela insinua-se: chove teimosamente, chuva que pouco se permite intercalar com modestas abertas; como se folgasse para se retomar em cadência mais viril. Pouco mais que chuva cai do céu, todo o mais requer investimento, angústia e suor para quem deseja ver realizados os seus projectos pelos dias do quotidiano vivivo, que se vive, que se viverá; a recompensa, se vinda em sanção positiva, promove o reencontro com paz e serenidade de espírito – justificando per si o ‘contrato’ que o é a acção de investimento para com determinado objecto.

Quem em estado contemplativo, de mãos abertas a aguardar dádiva, contempla o céu confiando que este lhe é devedor, supondo que deste obterá o dom que almeja, vive nada mais que sonho (dementia) ficcionado pela sua mente; mesmo que desse céu ‘chovesse’, por hipótese, o objecto prosseguido saberia o sujeito dar-se conta do facto, dele se consciencializando, atribuir-lhe-ia algum valor? Não creio, a cegueira assoma a quem habituado está em tudo obter sem o devido crédito – noutras palavras, sem que ele próprio, sujeito, se tenha feito merecer.
Aplica-se a regra do potlatch, da dávida, mais correcto, do dom. Nem o céu está para milagres...

A aparência do fenómeno, a sua corrente ou movimento dinâmicos, apresenta-se simples. De facto, não o é. O dom é, ou deve sê-lo em princípio, oferenda desinteressada; mas obriga a retribuição, normativismo consuetudinário. Não existe paradoxo nem contradito, sendo antes que logo à partida o fenómeno se complexifica. E como escalpelizar não é oportuno, faça-se tão somente entender que o próprio dom deve ser percebido numa lógica que assenta no merecimento; merecimento que por si nunca é gratuito. É esta a única dádiva que se deve esperar, pela qual se devem tecer as proposições da expectativa.

Obedecendo a nenhumas regras que não as naturais, a chuva continua a precipitar-se – nesse seu sentido único, descendente, do topo para o rés. Há que buscar a oferenda, há que buscá-la fora do vocábulo popular “caído do céu”. Há que fazer-se merecedor dela mesma, há que retribuí-la porque sim mas também porque o ensejamos; há que retribuir, por interesse latente ou manifesto, por obrigação costumeira mas mais ainda pelo prazer que essa praxis permita; há que retribuir e manter, velada ou não, a esperança de que esse ciclo iniciado se multiplique... até onde os sentidos não se obstarem.
A história está marcada pela guerra, da mais abominável à mais nobre. Guerras que se operam reais ou simbólicas, pouco importa em qual dos planos. Não fomos moldados para desistir: e a alusão à história serviu apenas para confirmá-lo. Vacila-se, mas é bom que não se tombe. Interrogações que surgem, mas que não se esperem todas as respostas. A angústia pode parecer firme, mas o horizonte move vontades. E os tempos mudam... Gratificados pela dádiva ou não.

Publicado por PmA em 03:09 PM | Comentários (4)

janeiro 05, 2006

Será que faz sol à noite?

Há vidas que parecem filmes marados, acabados de sair do forno.
E hoje esteve um dia de sol.

"Look at the stars,
Look how they shine for you,
And everything you do,
Yeah they were all yellow,

I came along
I wrote a song for you
And all the things you do
And it was called yellow

So then I took my turn
Oh all the things I've done
And it was all yellow
"

'Yellow', Coldplay

Publicado por PmA em 03:07 AM | Comentários (11)