novembro 30, 2005

bolina

Não raro a teimosia roça a estupidez. Outras vezes cinge-se a mera curiosidade. Nem sempre se escolhe por entre estas manifestações, apresenta-se consumada em decisão sumaríssima que ultrapassa a velocidade das decisões intencionais.

"Tenho-te procurado no bar; sempre em busca de mais partes tuas, de mais um bocadinho que possa assimilar."

'Cândido', Voltaire

Publicado por PmA em 06:47 PM | Comentários (6)

novembro 28, 2005

É assim... (XLIX)


Fim-de-semana de antípodas. Sexta ao frio e chuva; Bairro Alto, para variar. Sábado e Domingo no quente conforto dos lençóis. Chamam-lhe PDI...

"You say you've got to go home
cos he's sitting on his own again this evening.
I know you're gonna let him bore your pants off again.
Oh God, it's half past eight,
you'll be late.
You say you've never been sure,
though it makes good sense for you to be together.
Still you bought a toy that can reach the places he never goes.
Oh, now it's getting late.
He's so straight.
Do you remember the first time?
I can't remember a worse time.
But you know that we've changed so much since then,
oh yeah,
we've grown.
Now I don't care what you're doing,
no I don't care if you screw him.
Just as long as you save a piece for me,
oh yeah
You say you've got to go home.
Well at least there's someone there that you can talk to.
And you never have to face up to the night on your own.
Jesus, it must be great to be straight.
Do you remember the first time?
I can't remember a worse time.
But you know that we've changed so much since then,
oh yeah,
we've grown.
Now I don't care what you're doing,
no I don't care if you screw him.
Just as long as you save a piece for me,
oh yeah
"

'Do you remember the first time', Pulp

[nota do 'autor': aqui justifica-se letra completa]

Publicado por PmA em 01:35 PM | Comentários (5)

novembro 27, 2005

Boring...

«Um dia hás-de acordar para a vida.»
Só te podia responder com um bocejo.

Publicado por PmA em 04:47 PM | Comentários (4)

novembro 25, 2005

Docemente, a apologia da Incompreensão

É uma tolice absoluta. Ironicamente, porém, tenho sentido uma estranha urticária que me impele a escrever sobre isto mesmo. Sobre o quê? Sobre o que me ensinaste, derradeira lição que de ti retive, quando por fim te foste embora com um adeus que insinuou, e tem-lo sido, término completo. Quando por fim te foste embora, fincando toda a bagagem com que fiquei obrigatoriamente, sem poder decisório, pleno depositário. Não as coisas, acepção que tenderia a interpretação no plano objectal, mas as «coisas» que são aquelas que não adquirem forma nem se obtêm num suporte (meramente?) físico. Outras coisas, «coisas» que permanecem inculcadas e imunes à agressividade dos fenómenos erosivos; aquilo que está e assim está para ficar, explicando em moldes mais simples – ainda que igualmente, por via da mesma, vincadamente mais simplista. Sem contornos que se precisem, sem ocupação, por muito vadia que fosse, no espaço das coisas que não usam aspas nos seus extremos; impalpáveis, não matéria, inexpressivas à vista de quem não conhece sua existência.

Ensinaste-me, mais que tudo com a tua ausência e com a subsequente minha que de mim próprio sinto, a aprimorar a atitude calculista que sustentavas, inclusivamente, ostentar eu já em demasia; ou com um determinado e visível desregre. Ou assim quis eu aprender, irrelevante aqui se sim ou não pois que foste tu quem instruiu – limitei-me talvez ao papel passivo de instruendo, vinculando-me, gostasse ou não, à única matéria leccionada; a flexibilidade auferida por quem frequenta escola restringe-se e atrofia na instituição total, rigidez e autoritarismo dos curricula que participam do plano que suplanta a vontade do um versus sistema. Embebido pelas tuas avaliações vorazes em encontrar e apontar a dedo, porque não te deixava usar a caneta vermelha, todo o erro ou indício de, mecanizei as respostas que sabias (ou dizias saber) serem as correctas – mais que teus axiomas, teus dogmas: por maior a razão que te envolvesse, a tua exorbitância da mesma, displicência que acredito (quero acreditar?) que em ti não se consciencializou, rumava-a à perda de si por um «excesso de zelo» algo (para ser simpático) intransigente. Tolerância? Provavelmente esgotara-la; ou esgotara-ta eu.

A resposta mecânica, a contragosto mecanizada, peca pelo rigor que mitiga (n)a autenticidade. A autenticidade passa a simulação; ou, pior, a um simulacro intencionalmente edificado. E assim se tecem as teias do tecido inautêntico. Por ingerência do que exacerbavas e que, com sucesso, inculcaste com a minha tácita permissão, que o foi por estratégia de defesa em conformidade com esse presente bem como estratégia a ser orquestrada nos dias que virão, adaptei o nível de resposta ao que o outro pretende que seja em detrimento do que seria ditado pela autodeterminação. O objectivo, digo-te sem complacências, não é o mais filantropo; ao invés, o mais calculado na iniciativa da obtenção do propósito prosseguido – no plural também serve, a dinâmica é replicada só se aumentando em número fins ou propósitos. Uma sequência perversa de um “diz-me o que eu quero ouvir (independentemente de o sentires – natural, autêntico)”, saber escutar retorquindo no que «deve» ser dito e raramente o que devia sê-lo. Os hábitos conhecem-se, poucas vezes se afastando do limite de um desvio padrão…

Findo dirigindo-te uma palavra de apreço, agradecendo a dádiva. Outra a mim, afinal fui um bom educando – que em muito ultrapassa a fronteira de mero instruendo, pois que comporta ambas as dimensões.
Devias conhecer-me agora.


"You are condemned
I’ve put a spell on you
The smell of death
Has got all over you
Like a disease
I’ll control your mind
Get on your knees
You won’t survive the night
Hellraiser

You are possessed
I’m your living pest
Put you to rest
Tonight you’ll be my guest
You are oppressed
Abused on my request
Get ready for
The final inquest
Hellraiser
"

'Hellraiser', Suicide Commando

Publicado por PmA em 01:45 PM | Comentários (0)

novembro 24, 2005

Instantâneo (XXXVII)

As ilusões alimentam-se umas das outras. Processo em catadupa. No final, nada é que a ilusão primeira.

"i did join the race
hunting for success
selling dreams was all i knew
for the rising stars my important part
all my feelings are with you
where i am
where you are
(...)

and i walk up the hill
and i can't stand still
'till the day of our last rendez-vous
and the leaves turn red
and i bow my head
all my feelings they are with you
where i am
where you are
"

'Where You Are', Deine Lakaien

Publicado por PmA em 04:36 PM | Comentários (8)

novembro 20, 2005

É assim... (XLVIII)

Foi-se o equilíbrio entre produção e consumo.
Isso nota-se ao espelho.

"Something's wrong 'cause my mind is fading
And everywhere I look
There's a dead end waiting
Temperature's dropping at the rotten oasis
Stealing kisses from the leperous faces

Heads are hanging from the garbage man trees
Mouthwash jukebox gasoline
pistols are pointing
At a poor man's pockets
Smiling eyes ripping out of his sockets

Got a devil's haircut in my mind
Got a devil's haircut in my mind
"

'Devil's Haircut' Beck

Publicado por PmA em 08:59 PM | Comentários (2)

novembro 19, 2005

Roll on

Nada como uma festarola para desanuaviar tensões acumuladas.
E rever caras quase esquecidas pelo tempo, vozes há muito caladas.
Venha a música.

"from distant star
to this here bar
the me, the you
where are we now?
horray the blues
of everyone
allison

keeps a smile
around a while
he took no fright
and jettisoned
we'll go tonight
to hear him tell
«oh well»
allison
allison

and when the planet hit the sun
i saw the face of allison
allison
allison
"

'Allison', Pixies

Publicado por PmA em 03:01 PM | Comentários (2)

novembro 16, 2005

Come again?

Apetece-me lançar este disco pela janela. Não posso. É o único que tenho.

"Words playing me deja-vu like a radio tune I swear I've heard before
Chills is it something real or the magic I'm feeding off your fingers
Can't ever keep from falling apart at the seams
Can't I believe you're taking my heart to pieces
Lost in a snow filled sky we'll make it alright to come undone now
We'll try to stay blind to the hope and fear outside
Hey child stay wilder than the wind and blow me in to cry
"

'Come Undone', Duran Duran

Publicado por PmA em 12:39 PM | Comentários (0)

novembro 14, 2005

É o quê?!

Ando a abusar nalguma coisa. Só ainda não descobri no quê...


cocaine sniff

"Are you trying to put me on?
I turned around and it was gone.
Did I leave it in your car?
On a table in a bar?
Or in your bed between the sheets?
The places where we used to meet.
Wherever love has gone I need to know.

Cos she's a woman,
Oh yeah, she's a woman.
Ma Ma Ma Ma Ma Ma she's a lady.
And I just love the way she moves,
the way she moves, Watch her
"

'She's a Lady', Pulp

Publicado por PmA em 05:34 PM | Comentários (3)

novembro 13, 2005

Silence is golden (?!)

- Fazem-me falta os dias em que não me ignoravas; em que ainda te dignavas responder-me.
- ...

SKINROSE

"I'm running... through the fields
Laughing... dreaming...
I'm driving... through the mountains
Breathing... a new life

I don't mind what people say
No, I won't look back for another day
Wanna shed my skin and walk away...

I'm floating... through the river
Twisting... and turning...
Running through the suns
Searching... a new life
"

'Shed My Skin', D Note

Publicado por PmA em 10:10 PM | Comentários (0)

Get real!

Tudo é relativo. Convenha-se, porém, evitar relativizar em excesso.

silvertears...

"first time it hurt so bad
left alone - I´m feeling sad
remembering the words you said
empty words which make me mad
memories which come to mind
and I see that I was too blind
betraying myself like a little kid
with pictures of you which will never fit

I´m reaching out for the stars
too far away to get them
wasting time on unimportant things
like our lost relationship

you wanted everything but gave nothing in return
you´ve been the lesson I had to learn
you´ve been a headgame I don´t need
you´ve been the one making my dreams bleed
"

'Do Dreams Bleed?', Evil's Toy

Publicado por PmA em 02:32 PM | Comentários (2)

novembro 09, 2005

apontamento

Alguém um dia disse ter saudade de ter saudades...


"[...]
You were handsome
You were pretty
Queen of new york city
When the band finished playing
They howled out for more
Sinatra was swinging,
All the drunks they were singing
We kissed on a corner
Then danced through the night

The boys of the nypd choir
Were singing galway bay
And the bells were ringing out
For christmas day

You’re a bum
You’re a punk
You’re an old slut on junk
Lying there almost dead on a drip in that bed
You scumbag, you maggot
You cheap lousy faggot
Happy christmas your arse
I pray God it’s our last

I could have been someone
Well so could anyone
You took my dreams from me
When I first found you
I kept them with me babe
I put them with my own
Can’t make it all alone
I’ve built my dreams around you
"

'Fairytale of New York', The Pogues

Publicado por PmA em 04:57 PM | Comentários (3)

novembro 07, 2005

Nicola ou Café com Natas e um Maço de Cigarros

Não sei o que te hei-de dizer. Melhor, não sei o que te escrever. Talvez que tenham razão aqueles que asseveram que o tempo sana e sara. Talvez ainda que não lhes queira oferecer em bandeja essa razão, mas que a possuem na mesma. São circunstâncias estranhas não sentir alegria ou tristeza, euforia ou profunda mágoa. É estranho quando o que assola é uma apatia genérica e generalizada, semelhante, única metáfora que encontro, a uma inexistente formatação operada ao nível dos sentidos. Estranho, mesmo quando sei que os conceitos que uso para contigo me corresponder em monólogo são tão ironicamente comuns; linguagem partilhada, conceptualmente partilhada, a nossa. Creio mesmo ser a única partilha que não soçobrou a todos os exageros, creio ser a última – derradeira – e única – pela singularidade – partilha que mantemos: mantém-se, porém, sem que a nossa manifesta vontade interfira, é assim e nós dois sabemos porquê, sabemos por ser partilha que a distância não alvitrará vencer. Porque é conceptual, por sermos formados iguais. Até o diploma, consagração dessa vitória conceptual (nossa ou dos conceitos sobre nós?), comungou da mesma data, da mesma hora – o hiato maior poisou nos segundos – ao ser levantado como troféu: inerte, agora, algures por casa, olvidado; em lata própria de que o pó, cumulativo em camadas, fará residência. Como tudo é relativo, como os momentos se esgotam noutros a acontecer, como a soberba de um dia presumido inesquecível se esfuma até à invisibilidade no ar. É estranha esta impassibilidade, este desmaio promovido (despromovendo?) aos tais sentidos que mencionei; que a ti mencionei. Não os passados, ainda que a arte de esquecer intervenha sui generis sobre eles manter-se-ão para sempre intocáveis, mas os presentes que te “sentem” – sentir que aqui obriga a aspas – na indiferença de quem és, de quem serás, mais inquietante, de quem foste. São afinal os momentos ou somos nós, sapiens de latitude a latitude, quem tropeça, tropeço indelével, para a irrelevância? Não sei, nem ouso adiantar qualquer espécie de resposta provisória mesmo que prospectivamente pudesse ser manipulada de acordo com as dimensões do fenómeno – arrogante, dizias-me; sim, mas arrogância não é estupidez, ou pelo menos dessa que se vislumbra à mais ténue luz do dia, e estúpido não me apetece sê-lo agora (mais do que).

É essa falta de formatação, a apatia, a indiferença ou impassibilidade, escolhe tu, impus-te já demasiadas vezes o meu “mui nobre” ponto de vista, que foi conducente ao primeiro passo de quem tem novas rotinas em construção. É essa falta de ou excesso de que me fez questionar o porquê de manter o telemóvel ligado durante toda a noite, quando na realidade o motivo – seria calunioso mencioná-lo – se esgotou na inexistência, apartado para a intemporalidade que nos não é acessível: vivemos tempos, espaços, acções e não acções – que são per si o mesmo. O telefone não vai tocar, e tu percebes bem o que digo. Desligado agora porque não me interessa. Ou, então, ocorre o contrário, ligado apenas quando certo de que me vai servir; ainda que apontando fins que se executam noutra escala de grandeza, desde já condenados à impossibilidade da aferição. Um princípio que se podia tomar por risível, este que te aponto. Porém, e como fomos fustigados com isso, as aparências não devem ser assumidas como real verdade, desconfiar, com desconfiar de raposa astuta, dos pré-conceitos envolventes. Aceite-se que os factores de mudança não são a maior parte das vezes e por maioria de razão fenómenos imediatos. Há sempre um início; risível, se ainda assim depois do que te disse o considerares; um estado nascente, a reboque das palavras de Alberoni, mesmo que tímido e parcimónio, já gerado e em concepção crepuscular – feto anódino que busca enformar-se; em busca, talvez, de um quê ou vários por onde se identifique, da amálgama de credos e valores que o façam ser extirpando-o ao vazio do vácuo que é coisa alguma senão vontade de vir a ser. Sendo, apatia ou não – pelo que não me permito sustentar que tenho pena; nem o inverso. Inércia esta que será então ser e parco existir. As mudanças são transversais, “brincam” com os demais esquemas existentes, tocando-os a todos; vamos, por isso, com calma – sem abdicar de ir indo: desenvolvimento sustentável?, questiono-te mais em galhofa infantil do que em seriedade adulta. Postergo da tua resposta; outra vez, desconfio fortemente da reacção que te acometeria.

Não interpretes estas minhas tolas palavras como testamentário de quem apresenta o seu adeus; o que aqui encontras não é uma carta de despedida. Nada tenho que me incompatibilize com despendidas, antes as considero como factos francamente normais. Mas nada indicia a que o seja: como ser despedida do que não é? Evitemos, por ora que uso e abuso deles, o paradoxo e as suas relações que tanta vez fazem crer que o paradoxo anula o paradoxo, esquemática muito moriniana que ficará aqui por explorar. Antes são palavras de memória. De memória absurda. De memória irrelevante neste presente dada a inconsequência que a tal apatia – insensibilidade? – traduz. De memória neutra, que é a pior que se pode ter: amorfa, noutro plano, em igualdade com a apatia, insensibilidade, inconsequência… já te pedi, escolhe tu – por uma vez a terminologia não será/ sairá imposta.

Todavia, atente-se às confusões: cuidado com essas trapaças, manhosas sempre a tentar enviesar a lógica e o raciocínio – porque pensas ter tido eu por norma assaz insistência em reagir apenas e depois de a cabeça ter tido tempo e espaço para se resfriar, retornar à temperatura e ao estado?; sou um convicto desconfiado das ditas reacções a quente, entra-se pela trapaça – estar baralhado, recordas? –, faz-se, diz-se, acontece-se por demais em respostas de efeitos perversos, pervertida que se encontra a mente, efeitos não desejados que com um pouco de esforço e trabalho se podem perfeitamente protelar ou mesmo escusar ao acontecimento (no) real.
Dizia, e lá me perco como é habitual nas minhas inconsequentes divagações, devaneios de quem não simpatiza nem pactua com o silêncio, dizia para se atentar às confusões. Que pretendo significar com esta sentença rabiscada como ordinário recado? Conseguirás induzir o que agora (não) te diria se estivesses à minha frente, em interacção directa? A minha convicção é que sim; ou que lá perto; ou que, pelo menos, o tu que conheci – seria preciso abrir nota para lembrar que não somos mais os mesmos? Que insinuo, que pretendo que não confundas (tu, tu contudo não só tu…)? Coisa simples, por quanto complexa igualmente o seja.
Impávido. Apático. Impassível. Desinteressado. Nesta inércia, (quase) imperturbável. Não te quero ver. Não quero que o acaso nos estampe situação face a face. Aqui reside a pouco modesta confusão, assente e sustentada por reacções a posterirori que se podem tão bem equacionar no evento do porvir. Não quero cruzar novamente o menor olhar de soslaio. Inventem todos o palavreado que lhes aprouver; a mim, digo, ocorre-me um único significado: profilaxia; e nenhum outro. Não me agradaria, sendo simpático, ficar sem jeito perante esse confronto árduo de negociar. Ficar sem jeito, palavras tuas; sempre as odiei em mim, soava-me mal, agredia-me o ouvido, soar-me-ia falso?; a ti, no entanto, em toda a tua meninice, calhavam-te, assentavam bem. Não confundas de igual forma o conteúdo destas pretéritas afirmações redigidas com o que pode aparentar rigidez ou, se quiseres extrapolar, agressividade controlada. Nem uma nem outra me ocupam mente ou intenções. Presumo estar a fazer a apologia da verdade se considerar que as nossas – discurso no plural, se mo permites – pretensões concorrem em igualdade de fins: longe do corpo, longe da mente, que sejamos ambos felizes; aliás, é corriqueiro pensar-se assim quando serenos. E é exactamente isso sem acrescentos nem retirares. Retomo o singular, o discurso na primeiríssima da primeira pessoa. Não é demasiado redutor assegurar que assim se monta agora o meu esquema mental; melhor, já seria mas vai-se enfaticamente impondo como paradigma. É da minha mais manifesta e pura (se isso ainda existe/ subsiste…) vontade que vivas feliz dentro das possibilidades e circunstâncias. Não acrescento qualquer outra adjectivação, redundaria na banalidade da lamechice (mais ainda?): não me conhecendo ainda conheces parte, daquela estrutural que, contava-te eu, poder ser passível de afinações mas impossível de reconstruir a partir do radical, portanto não me alongo em justificações – sou já pueril que baste, não hesitavas mesmo em mencioná-lo com alguma frieza cruel mal te vias em situação de. O se. Há-o inevitável, mesmo no que se diz perene, confirmado e re-confirmado pelos factos e empiria se caso disso, etc., etc., etc.; todos os et ceteras que jamais conseguiria deixar por escrito, inclusivamente imaginar...
Quase diria que havendo condição humana, esta decorreria logo em primeiro plano do se; outra caixa de Pandora, reserva talvez que sustenha a demasiado intensa arrogância pela qual teimamos em nos exprimir. Creio que o se “exigido” – nova obrigação em colocar aspas – não será excessivo nem ultrapassa os leitos do razoável. Porém, a dúvida permanecerá; o se, contudo, resiste. O meu se provavelmente assume mais os contornos da solicitação do que propriamente os da exigência – novo devaneio, mas já sabes que… Não nego que prefiro, que quero, que sejas de braço dado com essa coisa, felicidade. Que o sejas, sem dúvida, bem composta nela à distância do se que afinal nada mais é que do que a ausência absoluta de ti. Sê completa no seu colo, mas fora de mim e de todo o manancial que possa constituir o meu habitat, o meu meio, o meu espaço e tempo de circulação. Tudo isso e não menos: que sejas, sem que preciso que o veja ou tenha de co-viver; esse não é local que preconize habitar, esgotando portanto nesta premissa o tal se que, afinal, será assim tão escandaloso? Entronquemos, cada um, pelo seu território – é de facto mero assunto consubstanciado no território: e território são coisas, espaços vivido e a viver, pessoas, organizações, interesses. Esgoto igualmente o meu discurso.

Perceba-se sem prestidigitações vulgares que mesmo a insensibilidade, a apatia, o rol de todos esses conceitos por onde poderás escolher mais em conta, à tua maneira, o que melhor se te adequar, não é contudo – e entenda-se bem! – acrítica. Todos os estados estão sujeitos a dinâmicas impeditivas que se cristalizem ad aeternum. Conserva-se finalmente (?) este como o dominante. Assim permanecerá até que ‘convenha’ solver-se por entre nada como a areia que à força de mais força se esquiva com maior afinco.
As saudades que tinha de ir ao Nicola, puxar por meias-dúzias de cigarros, café quente, que até a estação convida, e ficar indiferente na irrelevância dos pensamentos que se atravessam, se criam, ou que simplesmente correm de passagem. Cinzeiro estreito aconchegado por filtros entrevados, chávena vazia, horas passadas… indiferentemente ponho-me a andar, baixa adiante. Súmula, parece que nada te contei; pouco importa, nem me lembro.

Publicado por PmA em 02:18 PM | Comentários (5)

novembro 03, 2005

É assim... (XLVII)


São de facto muitas vezes as pequenas diferenças que fazem toda a diferença.

Publicado por PmA em 12:36 PM | Comentários (4)

novembro 02, 2005

Estórias de um Outono


Voltou de novo o tempo de chuva. Impôs-se. Valente, com força. Molha quem quer e quem não quer. Há tanto a ser lavado…

Decidida, varre-me as janelas. Tocada por vento moderado, instrumentaliza-se pelas diferentes superfícies por onde em harmonia se estatela. Sem maestro, sinfonias orquestradas naturalmente com a perfeição que a Natureza invariavelmente demonstra. Apetece fechar os olhos escutando-a assim durante alguns segundos, concentração momentânea absoluta neste magistério; não ocorre por vontade de mero acaso que várias colectâneas se reúnem com exclusivas musicalidades naturais. Gosto de ti, chuva. Gosto de te ouvir.

Desktop a debitar mails como se o amanhã não voltasse a sê-lo. Laptop, teimosamente impregnado pelo cheiro a trabalho – há hábitos que não se mudam mesmo. Não fosse a secretária em L e como seria? Phones, o iTunes canta músicas que me fazem lembrar-te; e aos nossos dias de chuva, ao carinho que me distribuías infinitamente. Apagar, apagar, apagar; apagar mails de merda. Vê tu, até eu já estou viciado nestas coisas de apagar – antes isso que… e com (que) sucesso?, sei lá e saber não me preocupa o espírito.

Toca na mesma a música da tal água que cai do céu, indiferente ao restante; ou ao restante que aqui é o do humano. Cai. Quem sabe se não é só esse mesmo o segredo, cair. Cai, caindo em harmonia de imagem e som. És meiga, sabias? Tenho a música a piar baixinho para também te poder ouvir; se te percebesse, que dirias? Que estórias trarias dos teus périplos pelo mundo, que segredos poderia contigo partilhar em linguagem que ninguém conhecesse? Imperceptível, todavia. Como a linguagem do amor. Não careço de tradução, danem-se as sistémicas explicativas e/ ou compreensivas. É por si satisfação compreender a única compreensão que quero guardar, compreender que gosto das palavras que entoas em canção bandida – ou assim creio eu – natural como a Natureza. Que é da natureza do amor? Adormecida, estado hibernante, fica o “existe em potência”. Bem bom, doce dormência de membro há muito estático. O pior, esse fica para depois. O pior?...

Entupido por sinusite e alergia crónicas, ainda assim respiro a terra molhada. Tal como um início. Reinício. A história de ser a História cíclica. Conceptualização que me remexe as entranhas, por sentimento e por pseudo-cientificidade, ainda assim aceito porque sim que algumas parcelas pequenas o sejam. Circulares… repetidas na semelhança, jamais na igualdade – o princípio que nada sucede duas vezes de exacta maneira. Tu que cais fecundas o mundo, fecundas as ideias; o espírito das ideias. Importar-te-ás de as refrescar e a outros tantos do mesmo plano? Peço-te que sim. Premências de loucura extemporânea, assim no entanto ensejo. Fá-lo, fazes?

Os mails por fim terminaram. Megas de nada. Ou de quase nada: existe assim a presença do outro, do emissor que clama “estou aqui”; visto por esta perspectiva sorrio – apago-os quase todos na mesma. O desktop deve estar cansado, e também o msn que apresenta todos os contactos em marron. O portátil, esse, teima no seu gosto pelo intenso odor a trabalho, multiplicando janelas que mais ignoro que atento. Daí iniciar o browser da net. Navega-se a web por largos minutos, com alguma parcimónia. Canso-me. Não do cansaço, desse do físico – não. Canso-me, do próprio, de mim, de modos de ser no seu simples existir inelutável que refuta a desistência. Chamo pela cama quando devia ser ela a chamar por mim. Tu, chuva, persistes em cadência perfeita. Gotas mil precipitam-se do algures cósmico do céu que faz barreira à visão de distância: não há estrelas, não há luz; ou há, escondem-se, e porque não?, possivelmente exaustas de si e da sua holística maçadora.

À tua melodia quero adormecer, os afagos agora vêm de um exterior longínquo que não me é exclusivo. Conte-se, porém, que gosto de ti. Que gosto de adormecer ao teu embalo, no escuro. Até amanhã, conto (re)ver-te e (re)escutar-te quando o dia for outro; quando o dia for dia. Assim, para sempre – até que se perverta e logo se reverta.

Publicado por PmA em 01:19 AM | Comentários (6)

novembro 01, 2005

Por quem partiu

Fã que era do perfume dos teus beijos. Luzinha houve (qu)e te ofuscou, levando-mos.

Sol

Mas se até o Sol morre...


"Now that she’s back in the atmosphere
(...)
Tell me did the wind sweep you off your feet
Did you finally get the chance to dance along the light of day
And head back to the milky way
And tell me, did venus blow your mind
Was it everything you wanted to find
And did you miss me while you were looking for yourself out there
"

'Drops of Jupiter', Train

Publicado por PmA em 06:33 PM | Comentários (2)