Só fazem falta os momentos que parecem acontecer.

Anoiteceste. Ainda bem.
'There can be no transforming of darkness into light and of apathy into movement without emotion.', Carl Jung

"You say you wander your own land
But when I think about it
I don't see how you can
You're aching, you're breaking
And I can see the pain in your eyes
Says everybody's changing
And I don't know why
So little time
Try to understand that I'm
Trying to make a move just to stay in the game
I try to stay awake and remember my name
But everybody's changing
And I don't feel the same"
'Everybody's Changing', Keane
Depois de ti o silêncio. Há muito que não se fala, desprovidas as palavras.
"Like his dad you know that he's had
Animal nitrate in mind
Oh in your council home he jumped on your bones
Now you're taking it time after time
Oh it turns you on on now he has gone
Oh what turns you on now your animal's gone?"
'Animal Nitrate', Suede
Manso. Quieto no seu canto, sem mistérios da humanidade por resolver. Tão somente a esticar asas; o potencial sabe-se lá.
E amanhece húmido, chuvoso, lavado um mundo dos seus eternos pecados. O tímido sol faz-se brilho nas superfícies que agora espelham.
Ainda o mundo é mimoso.
"Qual é o primeiro amor? O da infância, o da pré-adolescência ou o da adolescência? Pois bem, agora temos a resposta: todos três. Não há um primeiro amor absoluto. A cada passagem crucial da nossa vida temos um novo amor. E, de todas as vezes, este nos parece mais importante, mais autêntico do que os precedentes.
(...)
Não há por isso uma idade na vida em que o enamoramento seja mais forte."
'O Primeiro Amor', Francesco Alberoni
Ambivalência existe quando um não não quer ser um não.
Ocorre que também a temperança se esvai. Daí ao extremo do exagero, segundos. Paroxista; e indiferente.
De quando em quando questiono-me se sou teimoso como um burro ou um burro teimoso...
"Many are stubborn in pursuit of the path they have chosen, few in pursuit of the goal.", Friedrich Nietzsche

É agradável sentirmo-nos incógnitos por meio de gentes. Por isso também a minha cumplicidade com esta urbe. Passar de permeio de rostos desconhecidos; que igualmente nos desconhecem – tanto fazia ser um calhau ou pessoa, mais uma, no furacão humano; furacão, que circula de todos e para todos os lados, fazendo crer-se fenómeno imparável fosse por que artifício humano fosse. Podemos estar acompanhados numa simultaneidade anacoreta perante os demais. Comunhão despretensiosa que permite a postura incógnita de quem não se quer reconhecido pelo íntimo. Porém, nas multidões, ainda que em acepção lata e pacífica, devem ser reconhecidas as suas vicissitudes e não somente a virtude que lhe extraí – que, aliás, não o é para todos.
Dada a impossibilidade de pôr em prática férias de si mesmo, são imperdíveis estes momentos em que pelo menos se roça por essa sensação; se não desconhecidos de nós mesmos, valha sermo-lo para a maralha que rodeia. Um truque de óptica com objectivo de distorcer a auto-percepção; podendo jogar-se ao fazer de conta de não sabermos também quem somos. O resultado, claro está, é parcial, limitado pela consciência de nós que castra a fuga; não deixa, contudo, de ser experiência gratificante que mitiga.
De retorno ao quotidiano, serenado, regressa-se de igual modo de si a si em toda a plenitude. Sereno, pacificado; reerguido. A história continua, o teatro de todos os dias cujo papel se representa com escassa e tímida margem de manobra. – escape? A demência da repetição, a busca interminável pela novidade que tão rara vez se manifesta, menos ainda se conquista – e se se conquista repete-se, quotidiana. Talvez a insatisfação e a busca sejam o rotor de todo este engenho que não é máquina porque é homem. Amanhã é outro dia, as sendas da – pela – humanidade infindáveis; página que se segue a outra que se dobra.

madona, edvard munch
“Lost in the depths, the depths of your eyes
I couldn't resist, why should I?
I want to relax, I want to feel free
I want to be you, you want to be me
look at you, I look at your face
Reach for my hand, just in case
Forever with you, you mourn i can see
Now I am you, do you want to be me?
Why are you always hiding?
Why are you always mourning?”
‘Mourn’, Apoptygma Berzerk
Há-de amanhecer escuro. E pensar-se-á então que ainda se está num sonho mau.
“caged in white rooms
another
day in my life has passed
i´ll never be the same
lost in my world
fooled by white light
forever
lost in my dance
and never...
i´ll never be the same
lost in my mind
i feel the white light
changing my whole life
static yearning
the tides are turning
for tonight”
‘White Lights’, TOY
O cansaço é um absoluto que chateia por demais.
"Saw you looking so sad
Like everything is gone
So you left them all
Just leave them all behind
Just realize the water is way over our heads
I don't worry much, cause I'm halfway dead"
'Love Never Dies (part III)', Apoptygma Berzerk