setembro 28, 2005

Palavras

- Eu dizia-te...
- O que é escusado?

Publicado por PmA em 04:54 PM | Comentários (5)

setembro 27, 2005

Por - talvez? - merecer

Até as falanges de segunda linha têm a sua glória.


"The angry man will defeat himself in battle as well as in life."
(Máxima Samurai)

THE BATTLE AT PONS MILVIUS
the battle at pons milvius, 1520-24, Raffaelo Sanzio

Publicado por PmA em 12:04 AM | Comentários (8)

setembro 26, 2005

À desgarrada

Ah, a decadência... como tenho saudades tuas. Por ondes páras, asa da minha imaginação? Traz-me de volta o sopro da vida, quero novamente sentir-me homem.


"Decadence is a difficult word to use since it has become little more than a term of abuse applied by critics to anything they do not yet understand or which seems to differ from their moral concepts."

Ernest Hemingway

Publicado por PmA em 03:44 PM | Comentários (8)

setembro 22, 2005

Outono

Melancolia e chocolate quente...

CAMILLE PISSARRO

after the rain, autumn, Eragnyu, 1901, Camille Pissarro

Publicado por PmA em 04:19 PM | Comentários (11)

setembro 21, 2005

É assim... (XLIV)

Pensa-se que está tudo errado; porque simplesmente o que está certo não bate certo.

cortesia de CHAVININHA

Publicado por PmA em 11:33 AM | Comentários (3)

setembro 19, 2005

Certo

A próxima promessa é não fazer mais promessas.
Vislumbram-se, assim, excelentes probabilidades de sucesso; garantidamente.

Publicado por PmA em 09:42 AM | Comentários (8)

setembro 15, 2005

Hipoteticamente...

Acorda. O sol brilha e aquece. Serão os derradeiros dias deste ano com esse sorriso encantado, com mão invisível a acariciar num doce morno corpos que despertam numa serena e púdica volúpia. Acorda, arreda os teus sentidos da inércia a que te entregas, sem condição, pela dita vida de todos os dias. A rotina, digo-te eu, não é daqueles fenómenos que possamos impedir; acontece e pronto, constitui-se e é normalidade; tenta, ao menos, minimizá-la – isso podes, consegues se o pretenderes; acciona o mais belo em ti e desprende-te dessa devassa que consome tanto quanto destrói vidas, escapa-lhe – enganando-a, sem dúvida – de quando a quando: entregar-te-ás ao desbarato, abdicando de qualquer tentativa? Se assim for garanto-te, ainda que com embaraço que escassa legitimidade tão bem evidencia, que então já perdeste. Sei que já te cruzaste, algures por caminhos perdidos, com a felicidade; queres agora deixar de te importar? Poucos mais dias e o Outono; cinzento, as folhas amareladas que cobrem em manto os chãos, as roupas acumuladas umas por cima das outras subtraindo o frio ao corpo mas não ao espírito, a chuvas que choram lágrimas deixadas por derramar...

Prática reiterada com convicção de obrigatoriedade: o costume. É como os manuais jurídicos, talvez com discrepâncias pontuais aqui e ali, formulam a sua definição. Optaria por diferentes moldes, contudo é certo que pouco alteraria o seu significado – em profundidade, certamente; o âmago, inalterado. O costume inculca-se, raízes profundas nas entranhas, no pensar que logo se manifesta na praxis. Por mais razão que se distribua, mãos largas, ao sentimento de que são na sua maioria infrutíferas e transbordantes em efeitos nefastos não desejados, desgastantes e contrárias aos arquétipos do cuidado de si, raras vezes são excomungadas por um arbítrio equilibrado e desígnio próprios; diz-se que burro velho não aprende. Entrecortados por entre inabilidades e por razões mais sérias de saúde mental, irrompem congeminações assentes na plausibilidade, nas aparições do verosímil, na concórdia de frentes que se disputam, na derrota de batalha há muito inapelavelmente perdida; e a decisão de que costumes há proclamando por enterro em eterno sossego, permutando-se com outros em pacífica conformidade com a realidade do real.

Após a tormenta sucede-lhe a bonança. Ainda que dúvidas permaneçam, inevitáveis. Mas são frágeis, a sua consistência esgotada. Sabes, mesmo rabugento gostava de acordar, como tantas vezes se factualizou, contigo ao meu lado. Pelo que tu quiseres, por adorar, por segurança que se afirmava, ou simplesmente por te sentir e saber ali. Seria possível enumerar um rol imenso de motivações por entre as mais racionais às que em seu todo se pautam pelo seu contrário; aliás, o que importava isso? As escaramuças imiscuídas na ambivalência de pensares sentidos permanecem, patentes. Entroncam-se de permeio com e na ausência de vontade em crer, entrosadas numa memória avessa ao esquecimento ou até mesmo ao simples deixar ir. Clarifica-se invejavelmente, no entanto, uma perspectiva afirmativa, que de momento só quero e posso ficar comigo sem interferência nem intromissão. De momento preciso de mim. Por ora fico apenas eu. Harmonia na dissensão, enfim.


Don’t put that thing too close to my head
It took this long just to get ahead, he says
He knows for sure, but that he can’t decide
Between his decency an his matter of pride
So he’s growing up on time, he’s growing up in the middle...

And it burns, and it burns, the sun burns
Oh, now I can really feel it. How could you ever stand it?

R’ n R’, Faith no More

Publicado por PmA em 12:50 PM | Comentários (8)

setembro 11, 2005

Farol (de nevoeiro)

Sê bem vindo à cidade, rapaz; sei que vais gostar de a conhecer. O resto é ilusão de óptica.
Ganha-se, perde-se; perde-se, ganha-se. Ganha-se o que se perde, perde-se o que se ganha, tudo marinado em marasmo de confusões nada convincentes. O vinho tinto do outro dia era mau. E a cerveja era ruiva.
Cidade Fantasma novamente no início, deixar a Xana cantá-la do princípio ao fim. Fantasma… e não só a cidade.

Publicado por PmA em 05:12 PM | Comentários (8)

setembro 09, 2005

Foi em Setembro…

Dizem que nada dura pela eternidade, nem a gelada chuva dos meses de Novembro. Certo é que estamos mais próximos de Novembro; ou cada vez mais próximos; e que o verão não tarda a ser lenha para a memória consumir. Pouco releva. As primeiras gotas caíram. As que se seguem não tardarão muito mais. Consigo e/ ou ao seu lado, seja como for, surgirão os dias frios, cinzentos. A necessidade de calor tornar-se-á em evidência pura. Onde buscar esse conforto quente? Buscam-no em radiadores, buscam-no em ares-condicionados, buscam-no em lareiras crepitantes, buscam-no…

Não sei ao certo por que paragens se movimenta, esse calor que se assumirá entre contornos de exigência. Interessa saber? Importa antes a crença no acreditar que por aí anda, importa é a crença no seu existir e isso bem mais que a sua designação em local marcado em relatos gps. Se em chuva e frio sei que o guarda-fatos está preparado, o resto que se acomode o melhor que puder: azar. Pena só que passe a ficar mal andar de óculos de sol encavalitados na face. Apetecia enunciar uma frase muito rebuscada do ‘Dead Poets Society’, mas não. É continuar e ver, aguardando o dobrar de cada esquina. Anoitece mais cedo, gosto da lua – qualquer coisa que permanece bela (nem na sua unicidade – singular – alguém é único; ou é?!).


"When I look into your eyes
I can see a love restrained
But darlin' when I hold you
Don't you know I feel the same

'Cause nothin' lasts forever
And we both know hearts can change
And it's hard to hold a candle
In the cold November rain

We've been through this auch a long long time
Just tryin' to kill the pain

But lovers always come and lovers always go
An no one's really sure who's lettin' go today
Walking away

If we could take the time to lay it on the line
I could rest my head. Just knowin' that you were mine
All mine

So if you want to love me
then darlin' don't refrain
Or I'll just end up walkin'
In the cold November rain

Do you need some time...on your own
Do you need some time...all alone
Everybody needs some time...on their own
Don't you know you need some time...all alone

I know it's hard to keep an open heart
When even friends seem out to harm you
But if you could heal a broken heart
Wouldn't time be out to charm you

Sometimes I need some time...on my own
Sometimes I need some time...all alone
Everybody needs some time...on their own
Don't you know you need some time...all alone

And when your fears subside
And shadows still remain
I know that you can love me
When there's no one left to blame

So never mind the darkness
We still can find a way
'Cause nothin' lasts forever
Even cold November rain

Don't ya think that you need somebody
Don't ya think that you need someone
Everybody needs somebody
You're not the only one
You're not the only one
"

'November Rain', Guns n' Roses

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Publicado por PmA em 01:27 AM | Comentários (18)

setembro 06, 2005

Verde (cinza cimento, sff)

Sem sono, acordara cedo. Enfiara-se no escritório, única divisão de obras prontas no primeiro andar daquela casa de dois pisos. Rés de chão concluído, andar de cima a aguardar decisão ou ideia sobre o que dele fazer – excepto, claro, o escritório, exigência sua.
De férias, porque se levantara, acordado, tão cedo? Pensa que os horários são rotina difícil de esquecer, que o organismo lá se habitua a um certo rigor imposto e, afinal, isso do despertador orgânico não é disparate descabido. Férias, como explicar o seu impulso de subir àquela divisão e ligar o portátil mais os ficheiros de texto, estatísticas e mapas? Foi um duche rápido, costume de ter cada minuto contado ao seu pormenor, leite tragado em poucos e largos tragos, nada mais no estômago ainda intolerante a qualquer alimento sólido. Enquanto a máquina iniciava o seu sistema operativo, abria três ou quatro livros que assentava seguidamente na secretária numa lógica ordenada própria; outros mais empilhavam-se em equilíbrio inconstante a seu lado. File, open; esfrega os olhos, a manhã deve ter umas duas horas. O torpor do sono faz-se ainda sentir – já passa; como tudo, já passa.
No rádio da aparelhagem as notícias que fizeram este verão. Das labaredas que teimam em consumir floresta, as politiquices de um país que aponta querer regredir vinte anos, o lufa-lufa da bola da primeira liga mais as selecções, os comentários de comentadores de ocasião que se querem fazer ouvir, cansados de companheiras e companheiros que não lhes ligam peva ou de verem a sua cidadania esgotar-se nas datas de eleição, opinam sobre tudo sabendo de tudo um pouco. As estatísticas no monitor cansam. Acordaste cansado. E cansam igualmente as vozes saídas pelas colunas. Ao contacto com o comando responde com silêncio a aparelhagem. Volta a esfregar os olhos, desfolha umas quantas páginas em gesto mecânico de quem não presta atenção.

Da gaveta salta um cinzeiro. Do bolso, um maço vermelho e branco de papel amarrotado. Um cigarro um quê de encarquilhado e um tanto para o torto prende-se entre lábios. Não gosta de fumar em casa, o cheiro, o fumo... Já a teimosia faz disso prática corriqueira em jejum. Os médicos que sentenciam a toda a hora que é terrível fumar em jejum. Um sorriso sempre que a expressão é escutada. Não será fumar que é terrível? Outro livro. Os índices de população, as assimetrias regionais, as identidades que devem ser preservadas. Esfrega só um olho, não deixando de apoiar o queixo preguiçoso na palma de uma mão; a outra rabisca a caneta um papel branco, traços e linhas desprovidos de lógica ou de contextualização aparecem a preto, sempre a preto.
Já estás cá em cima?... impossível..., de voz sonolenta, acabada de vir do sono e de pessoa mal disposta logo pela manhã, substitui o bom-dia que diz o bom costume serem as primeiras palavras tanto a ouvir como a dizer. Já, foi a única e escusa resposta. Vara trémula pelo sono, ela volta-se para ir à sua vida, hesita, torna de novo. Finalmente, bom-dia. Lembrou-se. Para ti também, com os olhos colados num livro que não lia. Estás a fumar em casa? Definitivamente mal-disposta, vira costas e desaparece, não lhe caiu bem aquele parece que sim, que estou. Aos passos nas escadas juntou-se o som em jejum, de certeza. Também o cigarro fala, queimando ao rubro, puxam por ele.
Paulatinamente, o sol sobe. Sobre um exíguo cinzeiro de vidro alguns cadáveres repousam amontoados, esmagados após ter cumprido a sua função de entreter os humores e contribuir para o potenciar de uma panóplia de maleitas a quem os aspira com desregrada compulsão, mesmo que não saiba ao certo porque o faz. Sete janelas abertas competem entre si; do computador, não da divisão. Está mais calor. Pelos quatro vidros de janela firmada à sua direita, parte integrante na arquitectura da casa, contempla o campo, longínquo até onde a vista pode observar. Talvez uma mão cheia de tijolo e cimento, formatados em edifícios e na semelhança, humanizam, com modéstia, uma paisagem que lhe é agressivamente natural.
São ruídos que despertam o seu olhar deambulado. Lá em baixo, ao nível da terra e da relva, ela assoma. Já pronta para iniciar, agora sim, o seu dia. Saia de ganga que lhe passa o joelho, t-shirt larga por cima da pele, largo chapéu de palha, óculos de lente escura a protegerem do sol. Nasceu do campo e é do campo; por mais anos que viva na cidade assim sempre será. Ele não, é do cimento e do alcatrão que vive. Porque penso sempre nisto?, obrigando os mesmos pensamentos a apartarem-se de si. De cócoras, cuida do jardim que ela própria, paciente e contrariando adversidades, esquematicamente desenhara nas suas congeminações e mais tarde plantou, crescido a cuidados e mimos.

O semblante, seu, enrijece-se assumindo total ausência de expressão emotiva. De vontade férrea, firmara decisão; não fácil, todavia não adiável – adiar o inadiável com que intuito?, tudo seria pior, de uma violência mais sentida. O monitor perde toda a cor, domina o negro que dizem ser ausência de. Aos poucos, máquina desligada, extinguem-se os abafados ruídos e o teclado é tapado por tampa onde ainda há pouco moravam letras, números, linhas, uma qualquer espécie de vida em ilusão ou ilusoriamente viva. Operação automática coloca computador e livros, varridos por gesto de braço, no interior de velha pasta de couro clarinho; antiga, dos seus tempos de faculdade, oferta de pai babado por ter filho, outro, a frequentar ensino superior: especial carinho, então, conducente inclusive a vários reparos a desgastes impingidos por uso e tempo, especial carinho por mala ou pasta simples. Outro cigarro se acende, fumo a sair lento e pesado de boca e de objecto que em lume se consome lentamente. Em pé, estático, frente virada para janela de quatro vidros. Não pensa, não processa; conforma-se à sua ideia decidida, incontornável no quanto a impelia adiante. Desculpa-se estando a revitalizar forças, aguarda-o viagem de largos quilómetros. De fora, ao jardim, a imagem parece serena, movendo-se com candura e a terna paixão de quem cuida do que gosta. Vê-a assim, sempre a considerou melhor que ele, mesmo quando tendia em diminuí-la por se sentir ele próprio diminuído; ironias que a vida conjuga... Está de facto calor, porém o sol não está bravo. Apaga o cigarro meio fumado, despejando nele iras e frustrações acumuladas, exala o último sopro de fumo condensado nos pulmões. Devia deixar de fumar, dirigindo-se com vagar às escadas para o piso inferior, para a porta da frente.
Não volta, não vai voltar. Gostaria de ter certeza sobre quem, se ele ou ela. Quem partira primeiramente? A mão no bolso prime a chave. Pisca o seu carro, ao lado do dela, comunicando sem palavra que está pronto para que lhe abra a porta que bate devagar depois de confortavelmente sentado. É mais simples pôr a chave no canhão e rodá-la, outras que não tenciona reaver ficaram-se numa mesa alta e estreita logo à entrada. Embraiagem a fundo, marcha-atrás engatada, corpo torcido para o vidro traseiro, executa manobra simples, focinho do veículo direccionado à estrada que não é alcatrão nem pedra mas qualquer coisa. Próxima paragem em mente, Lisboa. Estaca um segundo, retoma a marcha: não lhe vou dizer nada, não é preciso. Voltar não, talvez um dia – só – para readquirir os livros votados a esquecimento momentâneo mas não ao abandono; conforta-se, eram demais para trazê-los agora.

No leitor de compactos um cd. Na consciência apenas leveza. Mike Patton ao vivo reclama “cause I’m still the same asshole and I still wet my pants every time I see your face; who are you?”



Publicado por PmA em 01:46 PM | Comentários (14)

Antípodas

- Eu vou.
- Hum. Nesse caso, fico.


"A blind illness of my anxiety
Endless hours in bed, no peace in this mind
No one knows the hell where innocence dies
Fragments crawling like cobwebs on stone
Blows away the safety only a sleeping pill knows
"

'Sleepflower', Manic Street Preachers

Publicado por PmA em 09:56 AM | Comentários (4)

setembro 05, 2005

Jurisdição

- Chato, entrega-te...
- ... só se for à polícia.

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Publicado por PmA em 09:28 AM | Comentários (6)

setembro 04, 2005

Invisível

Às vezes a confiança leva a um certo vazio.

CALVIN & HOBBES, BILL WATTERSON

Publicado por PmA em 11:59 PM | Comentários (5)

setembro 03, 2005

Instantâneo (XXXV)

A regra é ter-se saudade do que já se teve...


"Trago a Lua de outras cidades
p'ra te tocar
Tu tens as velas eu tenho as saudades
por apagar
até amanhã chegar

Se a manhã chegar..."

'Se a Manhã Chegar', Sétima Legião

Publicado por PmA em 10:16 PM | Comentários (2)

De caminho

- Fica...
- Contigo!?

STUDY AFTER 'THE MODELS'
study after 'the models', 1888, Pierre Seurat

Publicado por PmA em 04:41 AM | Comentários (2)

setembro 01, 2005

De má memória

Mas que raio, onde é que foi parar a porcaria da vacina?...

Publicado por PmA em 05:29 PM | Comentários (2)

Razões

Quando se gosta realmente de outro é também preciso saber deixá-lo ir.


"Restore my broken dreams
Shattered like a falling glass
I'm not ready to be broken just yet
A lesson once learned it's so hard forget

(...)

Never to be wrong
Never to make promises that break
It's like singing in the wind
Or writing on a surface of a lake
And I wriggle like a fish caught on dry land
And I struggle to avoid any help at hand
"

'Be Still My Beating Heart', Sting

Publicado por PmA em 02:26 PM | Comentários (7)