Quando todas as teorias parecem erradas; ou pelo menos esgotadas. E se instala, instaurando, o pandemónio. A anomia; completa. Desarticulação total, vínculos quebrados num abrupto. Genética manipulada na perversão do desencontro; do descabido, desarticulado e desarticulante. Sombrio. Exalte-se, porém, a sombra.
Sucede-se ao prólogo descontinuado por sua ineficiência o miscelâneo caldeirão da arte profana. Antípodas que se complementam; que bem sem mal? E que desconcerto é militar-se do lado de quem nada prossegue, preenchendo existência com existência; sem rubro ou fulgor. Hipostasia, provavelmente.
Não há bela nem senão. A cidade e os seus vividos sublevam a realidade, imagem ctónica e frívola de vontades amontoadas em desregramento. Subnutridas, sub-vividas, subdesenvolvidas, sem que em vias de. Vox populi, enquanto ignorado na amálgama da multidão; Ortega seria menos simpático: massas.
Onde tudo se insinua como duplo replicado; simulacro e não simulação, tanto quanto possível. Preâmbulo sem contexto, a ignorar por que não se veicula sentido. Apenas ser na evidência de que se existe. Real que se ultrapassa, aos atropelos atropelando um qualquer quotidiano desenraizado que, torpe, se confunde.
No entanto o real só se compreende a posteriori, nem sempre conjugando o que é e o que se entende que deveria ser. Ainda me falam em apocalipses pós-modernos...
Todavia, o amor pelo mundo. Dóxa.
"And I’d give up forever to touch you
’cause I know that you feel me somehow
You’re the closest to heaven that I’ll
Ever be
And I don’t want to go home right now
And all I can taste is this moment
And all I can breathe is your life
’cause sooner or later it’s over
I just don’t want to miss you tonight
And you can’t fight the tears that ain’t
Coming
Or the moment of truth in your lies
When everything feels like the movies
Yeah you bleed just to know you’re alive
And I don’t want the world to see me
’cause I don’t think that they’d
Understand
When everything’s made to be broken
I just want you to know who I am"
'Iris', Goo Goo Dolls
Farto de [- parecer -] ser sério.

the serious client, 1879, Edgar Degas
Suspiros suaves de sonhos que não terminam.

les poseuses, 1886, Pierre Seurat
Escuta, ouves-me? Este silêncio é angustiante.
Um absurdo que enlouquece.
Tamanho ruído faz, que o pouco que o atravessa é tão pouco.
Escuta, gostava que me ouvisses.
Não queres, bem sei.
Sou teimoso, que queres? Não é de mal, aborrecer-te não tenciono.
Teimosia de morte, porque tolo.
E que semblante, o teu. E o meu. O nosso não volta a ser.
Escuta, consegues ouvir?
São as vozes ditas que falam por lá detrás.
Já tristes. Cansadas.
Árido desgosto que nos tornou selvagens.
Como feitiçaria que me fizeste, sendo que és cosmos para além de bem e mal. Sou como que surdo funcional, absorto cosmogónico na tua cosmoginia.
Não ligues, que não é mal; ou bem. És fonte primordial donde bebo.
Para ser o imperfeito que sou.
"I don't know how you're s'posed
to find me lately
An what more could you ask from me
How could you say that I never needed you
When you took everything
Said you took everything from me
Young at heart an it gets so hard to wait
When no one I know can seem to help me now
Old at heart but I mustn't hesitate
If I'm to find my own way out
Still talkin' to myself and nobody's home
(alone)"
'Estranged', Guns n' Roses
[O teu ódio de estimação...]
Devagar, devagarinho. Coisas feias, que não existem. Ou belas e por isso mesmo?... Rigores a estranhar, mordomias cósmicas essas mentiras cochichadas ao ritmo de verdade. E depois o silêncio das criaturas da noite.
De sono embargado; embarretado... assim não se sonha. Cai o véu que te chama; vergonha, embaraço. Mais o fim desprezado que ora rejuvenescido se clama. Ontem foi rápido; que nada se providencie que assim foi escrito. Sem pressa, qualquer pressa.

- É tão bom estar apaixonado...
- Não sejas idiota!

...
e escrever coisas que ninguém percebesse.
Mais vale ficar sossegado; bem quedo.
"I can’t seem to face up to the facts
I’m tense and nervous and i
Can’t relax
I can’t sleep ’cause my bed’s on fire
Don’t touch me I’m a real live wire
(...)
You start a conversation you can’t even finish it.
You’re talkin’ a lot, but you’re not sayin’ anything.
When I have nothing to say, my lips are sealed.
Say something once, why say it again?"
'Psycho Killer', Talking Heads
- Ansioso?
- Que não venhas para ficar...
"Panic on the streets of London
Panic on the streets of Birmingham
I wonder to myself
Could life ever be sane again ?
The Leeds side-streets that you slip down
I wonder to myself
Hopes may rise on the Grasmere
But Honey Pie, you're not safe here
So you run down
To the safety of the town
But there's Panic on the streets of Carlisle
Dublin, Dundee, Humberside
I wonder to myself"
'Panic', The Smiths

- Desculpa, já sei que vim tarde.
- Demais.
"every street I ever walked
every home I ever had
is lost
every flower I ever held
every spring I ever had
has died
every man I ever knew
every woman I ever had
is gone
everything I ever touched
every thing I ever had
has died"
'Like tears in the rain', Covenant

Contíguo aos muros circundantes um todo de promessas; que não se está circunscrito, que a amostra do lá de dentro mora como fragmento de uma extensão difusa de probabilidades elevadas ao expoente inimaginável; que muros só cobrem o que não pode ser desdito; que tudo é ilusão impingida por cidade fortificada.
A fé morta e de funeral feito. A esperança inacessível a quem deseje findá-la. Vem de onde não podes escolher, encima-te sem te procurar permissões; talvez a tua sorte, algum bom fado que te negou o encerramento em que te fizeras. Todavia, outra vez sem que optes. Não poderás arbitrar-te? Com calma, quem sabe se ajuizado e sem negar querer aprender, sorvendo ensinamentos que ficaram num quarto escuro de memória, surta entroncamento a que te caiba o deslize para um dos trilhos a caminhar.
Da cidadela se erguem, sobejas, as muralhas que amortalham. E no entanto tão simples de desmoronar, desmorones primeiro a soberba daquelas que em ti forjaste. Com calma, talvez seja este o primeiro dos teus arbítrios, daqueles que julgavas idos numa eternidade que não assoma – tens de o querer.
De facto, será o paradigma a seguir quem primordialmente alvitrará do porto de chegada; a que destino se caminhou.
“a billion words ago
the sailors disappeared
a story for the children
to rock them back to sleep
a million burning books
like torches in our hands
a fabric of ideals
to decorate our homes
(...)
a choir full of longing
will call our ships to port
the countless lonely voices
like whispers in the dark”
‘Call The Ships To Port’, Covenant

Não vale a pena tentar mudar o imutável; é só canseira. Digo-o, contudo sem perceber o significado. Em teimosia. Porque sou teimoso. Será mesmo teimosia, ou o alcance será já o da grosseria estúpida tanto quanto estupidificante? Escuso-me sequer a perder tempo nestas ponderações improdutivas...
O pensamento é forte, cantiga mole escutada desde os mais antigos. Não o suficiente, não trabalhado ainda, para que possa, em suas virtudes, demolir aniquilando paredes que circundam limites da possibilidade. Sintomático, no entanto, o processo que se repete em insistência. O que há fora, extrapolando o limite? Só de visita rápida, talvez em sonho, o viste – e que da memória se apartou, consumidas as vibrações ficando de novo o nada ou aquele pouco que é nada circundado pela cidadela que defende apenas do dentro para fora. Processo que se repete em insistência... Que fica da experiência senão a aprendizagem, que é o que conta? Aprendi que tenho que aprender; suspeito, sensação que vive e que não pode ser verdade, ter ficado tudo por aprender – ou não insistiria. Nem a aprendizagem, nem aprendi... – embora minta.
A ideia de que é merecido ou se pode possuir prossegue, vá-se lá saber porquê. Em latência, que a racionalidade não a permite à superfície onde tudo é percebido ou pode sê-lo. Logo, censura; acto de recalcamento tão grato aos curiosos e profissionais que se aprofundam nas intrincadas lógicas da mente – como se explica sem saber? Recalcamento racionalizado, doce modo asseverando a morbidez de um alcance minguado que minguei. Penso mais rápido que escrevo, deplorável cérebro que não se sintoniza. E a ideia de que é merecido ou se pode possuir. Asneirada, é o que é; sabia-lo se tivesses aprendido, se te tivesses dado ao trabalho de – mas não, o esforço era demasiado e a mostrar-se sem fundamento. Mas isso é o passado. Importa o agora; aqui e já para o após. Reprimidos então merecidos ou prováveis possuires; não existem.
Nada de novo a oeste, Remarque; ou a este, de norte a sul ou ao contrário. Não há senda mas paupério seguimento em sensaboria, destituído da excentricidade de quem é para além do estático existir por que se existe. De acordo com a norma, conformidade pouco aceite que o real é odiado. Aceite? Não carece de aceitação: está instituído. Abafado o levantamento insurgido, reergue-se o que se diz ânimo. Olhar em panorâmica, a cidadela, o universo dos possíveis. Esquece o resto. É aqui. Avém-te
Devia ser tudo bem mais que uma canção ordinária.

"Papers in the roadside tell of suffering and greed
Here today, forgot tomorrow
Ooh, here besides the news of holy war and holy need
Ours is just a little sorrowed talk
(just blown away...)"
'Ordinary World', Duran Duran
- Porquê?
- Disseram-me...
"Ai eu ja pensei,
Mandar pintar o ceu em tons de azul,
Pra ser original
Só depois notei,
Que azul ja ele é houve alguem,
Que teve ideia igual
(...)
Ja me persegui,
por becos e ruelas d'horror,
caminhos sem saida
até que me perdi
sozinha sem saber de que cor,
pintar a minha vida"
'O Anzol', Rádio Macau
- Cada um é dono do seu nariz.
- Qual? Este que tenho aqui na minha mão?
"Father gets up late for work
Mother has to iron his shirt
Then she sends the kids to school
Sees them off with a small kiss
She's the one they're going to miss
In lots of ways
Our house, in the middle of our street
Our house, in the middle of our ..."
'Our house', Madness
[quotidianos...]
- Não preciso de ti.
- Hahaha!... desculpa. Que belo mentiroso me continuas a sair...
"I hear you, I hear you, whispering such gorgeous stories
I see you, I see you, trying to break free
You liar, you liar, you can’t live the dreams you’re spinning
You liar, love to be deceived"
'P.S.', James
Lembrar deitar mais cedo; de preferência, antes do dia nasc...
(Zzzzzzz...)
- E é mau, de ter asas?
- Sim, quando se foge.

- Presente?
- Ausente.

man with crossed arms, 1899, Paul Cézanne
- E depois?
- Depois, nada. Não tenho nada para dizer. Esgotou-se.
"É mercenário quem como tal for considerado pelo direito internacional."
Artigo 238.º n.º 2, Código Penal (5ª Edição/ 2002)
- Amanhã onde vais?
- Não sei.
[diálogo em monólogo. Porque sim; é possível.]
- Tenho fome...
- Vai-te caçar alimento.
"O principal motor de mudança é sempre a equipa dirigente e mais particularmente o administrador-geral da empresa."
'A Empresa à Escuta', Michel Crozier
Não se devem dar os cantos da casa a conhecer.

- Viver a vida dos outros é muito feio.
- Eu sei...

Sossego. Demasiado sossego. Assim não pode ser, parece que estou de pazes feitas comigo. Ainda que seja, ninguém precisa de saber; nem mesmo a bicharada; muito menos eu.

"You were one, one of the three
One in three must find some peace
You were one, one of the three
I need proof before belief
Oh, well, you just knew they’d come for you
So it was suicide, suicide
Oh, well, now you got just what you want
I hope you’re satisfied"
'One of the three', James
- Então?
- Sim, calma!, já estava de saída.

"Se me amas
Se me queres
Não faças de mim palhaço
Não quero ser um fracasso
Nas tuas mãos
Já te disse toma cuidado
Que o amor quer-se bem passado
Quando chega a submissão
Quando chega a obrigação
Há por ai muitas damas
Se me amas
Se me amas
Se me queres
Não me faças nunca
Dizer que não
Se me amas se me queres
Não facas de mim palhaço
Não quero ser um fracasso
Nas tuas mãos..."
'Se me amas', Xutos e Pontapés
(Preferencialmente, versão de Bizarra Locomotiva)
Dois dias seguidos na praia. A maré não muda. Que chatice...
Sempre igual, não há modo de avançar; nem as ondas ajudam.
"I thought of stories
They told us long ago
Of how the world was a perfume garden
I haven't yet learned to tame the creature there
And that at least I think is something good
(...)
Well I hope now you know
That this isn't the bliss
That you thought you'd found"
'Perfume Garden', The Chameleons
- Que queres?
- Nada; nada que possas dar.
"Quando o social entra na fase humorística, começa o neo-narcisismo, último refúgio cerimonial de um mundo sem potência superior."
'A Era do Vazio', Gilles Lipovetsky
Do sol que se tapa ou das nuvens que faço existir?...

"I can take you there
I can show you
I can take you there
I'll be there
Gently catching you as you fall
Hearing you when you call
Smiling as we climb
Smiling or crocodiling?
(...)
It's pleasure and pain
No loss no gain
Pleasure and pain
Again and again
Pleasure and pain"
'Pleasure and Pain', The Chameleons
Longe só o impossível.
"My smile as real as hyena's
Burns an expression to my soul
But I'll stick myself together again
Spirit so low I no longer pretend"
'So Why - So Sad', Manic Street Preachers
De olhos postos no rio vê-se a outra margem. Entre elas, margens, atravessando o rio, duas pontes erguem-se, cada qual com o seu orgulho. Orgulho um tanto ou quanto tolo. Servem de passagem, ninguém lá fica. Orgulho tolo, daquilo que é plataforma a outro caminho. Transitório; de transição e tão somente. Erguem-se, alto ou longo, falando que sem o seu orgulho que digo qualquer coisa tolo não há; não há o outro lado, facilitam a travessia para outros de nós. Não, não é um orgulho assim tão tolo; ou qualquer coisa de tolo, nem tanto ou quanto. Orgulho enorme por serviço prestado. Estão lá, à disposição; entre todas as margens, aguardando que alguém se decida: a montante ou jusante, faça-se escolha. Sumidades da/ para a transição.
Não têm sono nem nunca dormem. Vivem das vidas que as atravessam, dessa míngua que demora correr-lhes a derme exposta aos corrupios desvairados das gentes; mormente – sempre? – indecisas. Delas vivem, a elas dão vida: ou significado, que desse galardão não se prescindem.
Momentos intercalares que participam a mediar outros mais duráveis – estáveis? estáveis não, que me faz rir esta prestidigitação do acontecer; estável, o que é estável senão só aquilo que ao conceito se limita? Tabelam destinos, urdem passagens: de sítios, de estados, de situações; e de realidades.
Declaram óbitos, despertam natividade. São futuro. O passado que foi que fique lá atrás.
Não são veleidade, sim parte que integra a substância do todo das partes.
Como em tudo, fazendo regra, o mas. Vírgula, mas. Inamovível, essência que não se extrai pois que subsiste irredutível. O mas excepção que confirma a regra de quem faz da ponte limbo sem sentido, agarrado nem à vida nem ao resto (qual resto?); vendo passar as marés de oportunidades desprezando-as no amorfo que se tornou. O mas excepção que confirma a regra de quem por infortúnio ou estupidez opta pela margem incorrecta ou absolutamente errada, perdendo paradeiro ao ganhar em desnorte; desculpe-se a ponte, que daqui a responsabilidade não se pode atribuir como sua.
Mais uma vez a escolha, optar ou não optar.

(porque com 'Unicorn' mos lembraste, quase na prateleira...)
"As we dwell inside the safe zones that we've made
Where nothing but earthly pleasures seem to matter
The only light we see is from the screens
No will to feel or explore the forgotten dimensions
Some day we'll catch a glimpse of eternity
As the world stands still, for a moment
And I guess we will be making history
When we all join hands just to watch the sky
(For a moment...)
Our selfish lives have made us all go blind
One day we'll awake by a bright light on the horizon
In one second every eye will see the same
And this blinding light will draw all our attention
Some day we'll catch a glimpse of eternity
As the world stands still, for a moment
For the very first time and it's meant to be
We'll forget about ourselves and share the moment
(For a moment...)"
'Eclipse', Apoptygma Berzerk
- A ti não te falta imaginação.
- Pois não; falta o resto.
"Só para dizer que te amo
Nem sempre encontro o melhor termo
Nem sempre escolho o melhor modo"
'Problema de Expressão', Clã
Saudosismo não é voltar atrás; é estar lá.
"Candles red I have a pair
Shadows dancing everywhere
Burning on the angry chair
Little boy made a mistake
Pink cloud has now turned to gray
All I want is to play
Get on your knees, time to pray boy
I don't mind, yeah
I don't mind, I
I don't mind, yeah
I don't mind, I
Lost my mind, yeah
But I don't mind, I
Can't find it anywhere
I don't mind"
'Angry Chair', Alice in Chains
Os demónios são criaturas pouco simpáticas; especialmente os meus.
"Pele yells, «We're outta here», Zina says, «Right on»
We're making moves and starting grooves before they knew we were gone
Jumped into the Chevy and headed for big lights
Wanna know the rest? Hey, buy the rights...
How bizarre
How bizarre, how bizarre"
'How Bizarre', OMC
Presente para sempre a ternura dos teus olhos.
'The Force will be with you, always', Starwars, ep. IV
Lutamos desiguais em briga semelhante. Desembainhamos espadas, de costas em costas fazendo-nos crescer em virtude; e força e grandeza - a estocadas de rapier.
Oh captain, my captain; and the musketeers and the others... and the same and the always.

Porque tu e os que de ti falam, lembrando, já dizem demais.
"Na perspectiva espinosiana, a pessoa invadida pela tristeza é separada do seu conatus, é separada da sua tendência natural para a auto-preservação."
'Ao Encontro de Espinosa', António Damásio
- Que queres?
- Nada; nada que possa ter.
"Todo o discurso sobre as necessidades assenta numa antropologia ingénua: a da propensão natural para a felicidade."
'A Sociedade de Consumo', Jean Baudrillard
Era uma vez uma sociedade em rede. Tu desenlaçaste o meu nó.

"Quando a rede desliga o self, o self, individual ou colectivo, constrói o seu significado sem a referência instrumental global (...)"
'A Sociedade em Rede', vol. I, Manuel Castells
- Hoje fui apanhar a vacina.
- ... A que propósito?
- Pretendo que não me infectes mais.

“When I am on a pedestal,
You did not raise me there.
Your laws do not compel me
To kneel grotesque and bare.
I myself am the pedestal
For this ugly hump at which you stare.”
‘Avalanche’, Leonard Cohen
- Desististe?
- Tiraste-me a esperança.

balcon, 1979, Maria Helena Vieira da Silva