Porque é que vou responder a isto permanecerá por uns anos pergunta sem resposta... se nem eu sei. Mas como o Maravilhas decidiu impingir-me esta coisa...
O que vale é que nem tudo precisa de ser verdade ou, como dizem alguns simpáticos seres, «com a verdade me enganas». Deixando as respostas mais em aberto do que as questões posso, então, prosseguir com toda a calma que tão terno assunto merece.
A começar:
1. Have you ever used toys or other things during sex?
Parece que quantos às other things a resposta é bastante óbvia: numa cama é normal a existência de lençóis, etc., etc; para não mencionar objectos que aparecem sempre a incomodar, mesmo quando não os víamos há um mês ou mais (tipicamente comandos de aparelhagem, televisão e mais recentemente dvd). Toys... e será que não podiam ser mais específicos? Conheço gentes que por si só entram na definição de brinquedo (traduzindo literalmente do inglês). Fica-se a saber tão somente que existem brincadeiras que levo bastante a sério.
Prossegue-se:
2. Would you consider using dildos or other sexual toys in the future?
Ah! Afinal os toys eram sexuais... não há mal, mantenho a última frase na minha resposta anterior; interessante, utilizo-a também para responder a esta questão. Acrescento, todavia, a celebrérrima sentença d’ «o futuro a Deus pertence» - o tempo ditará o que vier a acontecer (eu não!, sou demasiado tímido para discorrer sobre mim e potenciais parceiras – no pressuposto, dizendo parceiras, que permanecerei straight).
E caminha-se para o fim:
3. What is you kinkiest fantasy you have yet to realize?
É pá, para a próxima pode ser com uma moça de carne e osso?
Ou mais a sério, é má educação responder-se a uma pergunta formulando outra, enquanto houver imaginação há possibilidades. Mal seria se tivesse já esgotado a minha.
Acabando com:
4. Who gave you this dildo?
Afinando a pergunta, o tipo que me enviou este questionário. Fosse um dildo e provavelmente teríamos hoje findado a nossa amizade – do estilo, «pá, quem é que pensas que és/ sou?, ‘tás-te a insinuar?», etc., etc., etc. Bom, quem me fez perder tempo com esta bodega (sou muitíssimo ocupado, de agenda hiper-preenchida) foi mesmo o NR – coisa que não vou esquecer, topas?
E a querer passar o «testemunho» a outros:
5. Who are the ones to receive this dildo from you?
A bem dizer, por mim morre aqui. Não vou maçar ninguém (leia-se: a verdade é que não tenho amiguinhos... func, func...).
Quer dizer, talvez ao Pintelho – que é assunto dele – e ao caro Homem do Telhado – que gosta de opinar sobre tudo. Vamos ver...
Indicado para este post, quem sabe:
"Spy on me baby use satellite
Infrared to see me move through the night
Aim gonna fire shoot me right
Aim gonna like the way you fight
And I love the way you fight"
'Sex Bomb', Tom Jones
... então não me esqueci, no dia 27, de fazer este moço apagar a sua primeira velinha?
Ah, tão novinho e com tantos laivos de esclerose...
Para o ano prometo recordar-me, pá. Agora, se quiseres ainda a podes apagar - sendo que já fora de tempo, pois.
Mas eu gosto de ti na mesma. ;)
Isto é como as fases da Lua: ou se está numa, ou se está noutra; dúvidas, só mesmo quando não deixa entrever se está a ser assim ou assado; poucas vezes, mormente a facilidade com se constata a disposição lunar é de uma simplicidade digna de existência.
Como basicamente tudo, ou quase, é dinâmico, nunca se inquinando numa porta aferroada. Hoje cabe lugar a uma das fases, qual é que não sei; arrastar-se-á por uns dias – e passa-se a outra, permitindo que assim nenhuma delas se esgote. Hoje, então, viram-se atenções que se centram para ali; não preocupa, o outro lado fica como garantido lá para um dos restantes três quartos. Enquanto se aguarda pelo fenómeno da alternância, explora-se a vertente do agora ao máximo – recorde-se, sem o esgotar. Troca-se o quarto e deixa-se ir de férias aquele explorado: sem massacrar o tal agora, sem massacrar as consciências que se balizam com limites de paciência.
A lógica é produto criado pelo imaginário humano, logo flexível aos humores de quem deve a progenitura. Algumas horas mais para que a fase seja outra, propiciando um recomeço a partir do momento em que se ficara – sem mágoas, sem ressaca nem jetlag da variância. O anterior fica cristalizado, suspenso até ao retornar do seu devido tempo; nem se pensa nele, perder-se-ia – nesse tempo – tempo que a dedicar sê-lo-á exclusivamente na investidura do que vai acontecendo.
A melancolia é natural durante o período de transição, até que se faça finca pé e o decidido se instaure: após a firmeza, arrancada do âmago cá dentro, segue o hábito – até nova e incontornável ruptura.
Por esta fase vou contando estrelas, ainda que a noite pouco dure, sem premências que corromperiam o belo, se as numerasse à velocidade do contar – se sequer as numerasse. São muitas, é o que me interessa; estão sempre lá, ou assim parece e me aparecem. São o que são, prescindindo de quem as toponimine e escale num bloco de notas ou de rascunho. É suficiente saber que estão, é suficiente saber que delas gosto; até à próxima, à fase que se seguirá.
Tenho saudades do mar, de o ver pintado desses borrões de luz que despertam fundos profundos que tão raro visito.

"He was caught in the middle of a desperate fight
And she couldn't find how to push through
The trees that whisper in the evening
Carried away by a moonlight shadow
Sing a song of sorrow and grieving
Carried away by a moonlight shadow
All she saw was a silhouette of a gun
Far away on the other side.
He was shot six times by a man on the run
And she couldn't find how to push through
I stay
I pray
I see you in heaven far away"
'Moonlight Shadow', Mike Oldfield
Submissas a quaisquer obrigações que não compreendo, coisas muitas pelas quais nutria especial simpatia vão-se extinguindo. Uma a uma, em momentos particulares escolhidos a dedo por um «alguém» que parece conhecer todos os meus passos, cirúrgico a extirpar-me desses agrados – que, enfim, não os contava como parcimónios: desarraigado e preciso bisturi, palerma incólume ao dano de outrem.
Desagrada constatar tanta veleidade. Fico em crer – querer – não participar dela, mas a certeza escorrega-me pelas mãos; é tão mais confortável acercar-se da desresponsabilização, quando se trata de içar o desagradável deixa-se o móbil ao outro. Simples, eficaz. Rápido e de consequência cognitiva nula. Não exige trabalho e bem célere que é em questão de tempo. Só vantagens. Menos para quem sabe poder denunciar a inverdade assim constituída, o próprio no seu íntimo. O extirpado mantém-se; ou melhor, por sê-lo, não se mantém. O vácuo outrora preenchido com algum aprumo relembra – em persistência contínua – que nem sempre o foi, que lá está a mais (consumado no a menos, sombra pintada num mural de ex-existência); como quando se abre uma porta, ressalta à vista a não presença, o que falta, enquanto que o confronto com o excesso não ultrapassa a medida do acessório.
A montante o que temos, a jusante o que somos. Mesmo sentado na sétima colina, como alvitrar o dono de facto, se o ser ou o que este vai carregando? Nem vale a resposta, não a há consistente: só a mescla promulgada pelo trilho menos cansativo, a que assere com arrojada prepotência ‘um pouco das duas coisas’. Não serve. Menos ainda justifica. Não convence porquanto não é convincente. Dita-se, então, que não releva conhecer – para quê conhecer, continua-se na mesma: não me importa se na ignorância, importa sobretudo, ou mesmo tudo, o já não se ter – na realidade, o único incómodo (não é o compreender o objecto de anseio, quer-se ter o que forçadamente foi apartado; quer-se ter o que não – mais – se tem).
Os olhos embaraçam-se na turva da ilusão pela luz; truques de óptica. Os vícios intrincados também não ajudam. Se a rotina quotidiana é por maioria de razão corrosiva, nem por isso surge manifesta vontade de dela se demarcar. A impossibilidade de inventar sucessivos momentos diferentes – de e na diferença – é coisa tacitamente reconhecida do real; mais, seria apenas outra forma de moldar a rotina – constância marcadamente vincada na vida de todos os dias: outra nomenclatura, outros conceitos, que afinal redundariam no mesmo – coisa igual.
A imagem reflecte ausência. Galardões e homenagens a tempo póstumo. Culpa da comunicação, excessivamente assíncrona – responsabilidades filiadas tanto em emissores como receptores. Ao porvir compete a tarefa – que não invejo – de ser subsidiário de quem, por parâmetros de limite, não pode – por um poder esgotado.
Desbravam-se trilhos à e para a interacção – as sociabilidades do quotidiano são a profecia que se cumpre por si mesmo; e assim será.
“te puedes vender,
cualquier oferta es buena
si quieres poder.
qué fácil es,
abrir tanto la boca para opinar
y si te piensas echar atrás
tienes muchas huellas que borrar
déjame, que yo no tengo la culpa de verte caer
si yo no tengo la culpa de verte caer.
pierdes la fe,
cualquier esperanza es vana
y no sé qué creer;
pepepepepero olvídame que nadie te ha llamado
y ya estás otra vez
déjame, que yo no tengo la culpa de verte caer
si yo no tengo la culpa de ver que...”
‘Entre dos Tierras’, Héroes del Silencio

©
(Ao professor Policarpo Lopes, pela mestria; a outrem, pelo que é devido.)
Para ti.
Aí ao fundo, mas não só. Um aquecedor ao lado. Ris-te quando nele me queimo. Mas não por mal, não por gozo.
Ainda escuto o teu riso, as tuas gargalhadas não contidas. A mão não me doi, nem doeu - foi mais o gesto brusco inabituado a um quente em demasia.
Pisco-te um olho, rio contigo.
Aborreces-me quando me fazes olhar para trás. Dispenso grandes cerimónias. Engata-se a primeira e arranca-se. Vidros fechados, música a silenciar o mundo lá de fora.
Pareces não conseguir decidir-te. Irrito-me ainda mais. Não se apercebe, a postura a mostrar é lição bem aprendida. Aborrecido, mas partir sem que os pneus sintam dissabores – basto eu, ninguém precisa de saber e o espectáculo é evitável.
Tudo isto são ninharias. Idiota é mesmo entrar-se num carro com a repetida mania de olhar no espelho, aquele do meio.
“Seems I’m not alone at being alone”
‘Message in a bottle’, The Police
Encarcerado em casa. E vão dois dias... Estúpido do bicho, se fosse chatear lá para o meio do espaço sideral fazia bem melhor.
Raios partam este «mircróibio» mutante. Basicamente, porém, julgo que se apresenta assim:

Ao que parece, pela epidemia de 1918, «limpou o sebo» a uns meros 20 milhões; coisa pouca, portanto. Os imunologistas vivem na dicotómica vontade de encontrar nova estirpe assaz resistente: por um lado, um belo “case study”; por outro, ninguém quer começar a abrir valas comuns.
Influenza, italiano, facilmente traduzível. Tinha-se em linha de conta que as doenças derivavam de «más influências»; na altura dos predecessores italianos, os malucos dos romanos, diria o Obélix, as «más influências» moravam no humor dos deuses. Hoje, num mundo do profano, tudo se torna absolutamente mais fácil: cada um de nós, uma vez «influenziado», é cabalmente «uma má influenza» para os restantes.
Cof, cof... acaba-se o post que a seguir enfia-se um Dafalgan pelas goelas abaixo, a (tentar) evitar a bela sintomatologia do costume e uma penosa ida ao senhor doutor – e com a esperança que não seja outra daquelas estirpes arraçadas de filhas de um cão que arraste mais não sei quantos (milhões, claro)...
Cuidado, o tipo anda por aí... (anormal!...)
... a caminho de uma instância formal de controle.
"A ponte é uma passagem,
p'rá outra margem"
'Ribeira', Jafumega
Só saberás dizer mal daquilo que eu gosto?
Isto há moças com condão mágico... irra.
Quando quase todos «falham» é curioso verificar que os que ficaram são exactamente aqueles com que(m) não contávamos.
Não se trata de ser somente curioso; é mais que isso, mas coíbo-mo e fica o dito por não dito.

©
“I like Cal and his dog Napalm
I like Ike and his itty-bitty A-bomb
Everybody got one, I want mine
You can order it up on Channel Nine
Meanwhile, in the Sheraton,
Doctor Jeep plays on and on and on”
‘Doctor Jeep’, The Sisters of Mercy
Se buscas o El Dorado, deixa a «prata» em casa.
[pegando-se por simpatia, o mesmo se sucede com anilhas]

©
“Down in a hole and they’ve put all
the stones in their place
I’ve eaten the sun so my tongue
has been burned of the taste
I’ have been gulty
of kicking myself in the teeth
I will speek no more
of my feelings beneath”
‘Down in a Hole’, Alice in Chains
Tudo tem um preço, o que não é novidade e escusava dizê-lo: apenas os plafons constituem critério de distinção – acusem-me, se entenderem, de pragmatismo excessivo: pouco ou nada me rala.
Há um tipo qualquer – que me desculpe a expressão, mas de facto não me recordo nem um pouco de quem é – que decidiu escrever um livreco intitulado ‘Viver Cansa’. Olha-se para aquilo, para o título em questão, e com um sorriso irónico, torcido e meio escondido, ainda se pensa ‘porra, que raio de título... ok, é giro – terá alguma razão de ser; mas, irra, há limites para pessimismos e coisa e tal’.
Valerá alguma coisa? Desconheço; não li e, sem desagravo para o autor, nem pretendo fazê-lo. Existe, quanto muito, uma presunção quanto ao que por lá é abordado – e, com alguma certeza, da forma «desanuviada» como é discorrido.
É inegável a existência de situações em que realmente viver cansa; e como isto de humores e paciência não caminha em absoluta «simpatia», acrescenta-se que cansa e cansa como o car... – não sendo o termo, meio censurado, «caraças». “Cool and stressing”... Gosto de cá andar, isso é facto ao qual nem sequer se postulam dúvidas. Recordo a imagem da minha aparelhagem, «bicho» arranjado por módulos: o raio dos decks têm botão de pause; o leitor de compactos idem; incrivelmente, até o prato, sem saudosismos quanto ao vinil, tem um qualquer sistema de pausa; os «vcr’s» pausa têm; mais recente, tecnologicamente, o dvd apresenta o mesmo botão com duas barras verticais, questionando “pause?”. Ora, devíamos poder fazer uso desta maravilha do hardware numa transposição para a vida real: a rapaziada cansa-se, então porque não, sem usos abusivos e indevidos, um «pause» quando esse mesmo cansaço se torna demasiado irritante e aborrecido? Diz que não, que não dá. Parece que os seres montados em carbono não têm essa capacidade. Nem vale perder tempo para queixumes do «é pena...», devia-se e há muito ter aprendido a vivenciar sem a pausa que em tanto ajudaria a recarregar «baterias»; as nossas invenções, humanas, pelo que nos asseguram, é que vêm distorcer o rumo do natural (outra expressão pela qual nutro aberta antipatia: “é a ordem das coisas”, “é natural assim ser”, seja como for que a mesma – mesmíssima – ideia se assuma formalmente).
Impossível que é recorrer aos subterfúgios do fast forward, rewind, pause e afins, a obrigação de nos tornarmos exímios gestores de carreira – da nossa, entendida como a vida que temos ou, redundantemente, que vivemos – com diversos ph.D na arte do ir sendo, vivendo, acontecendo, mais o diabo a sete, é fenómeno premente – abusivamente, aliás.
Cansa, sem direito a recurso, perscrutar pela invenção – que é mesmo inventar! – de estratégias de se ir andando, mais com a vontade plenamente deficitária. Estratégias de absurdos a fim de «queimar» momentos que de conteúdo só vácuo – paradoxo, talvez, isto de “conteúdos vazios”, mas recorrer ao paradoxo nem sempre é antitético.
Como o queixume a nada conduz – se excluirmos o graxista de sucesso – entende-se ser melhor ignorar, ou tentá-lo!, o circundante e aguardar por situação mais «feliz». Quem disse «carpe diem»? Irra, que raiva.
Cansado também de escrever tanta mer..., como a aqui presente, encerro o raio da publicação. E como, apesar de prós e contras, não sou habitualmente mal-educado (julgo eu...):
Cumprimentos,

©
"So, so you think you can tell
Heaven from Hell,
Blue skys from pain.
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?
And did they get you to trade
Your heros for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
And did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?
How I wish, how I wish you were here.
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears.
Wish you were here."
'Wish You Were Here', Pink Floyd
Surdo que nem uma porta. Há resmas de sons a não serem mais que poluição sonora. Então, hermeticamente, os ouvidos encerram-se. Toda uma complexa linguagem corporal muito informa, se bem atentarmos. Remete-se a maior fatia sensitiva para a visão. Fui assim tão ignorante que só agora perceba?
Alteram-se os cenários, com eles os gestos das diferentes gentes. No âmago, contudo, são da mesma massa, saídos da mesma forma praticamente equivalente a uma linha de montagem fordista. Flui por cada indivíduo um sopro de vida sistémico, sustentada por uma solidariedade universal não manifesta e que os molda pela uniformidade. Onde param as destrinças, a especificidade, que tornam cada um único? Não sei, talvez hoje o dia tenha corrido mal, se tenham momentaneamente esgotado as ideias, se tenha encerrado a torneira da fonte da originalidade.
Parece-me que não acordei muito bem disposto...
"go to the empire state and watch the city lights
hear the noise of millions struggle in the sprawl
stare into the sky we're few and far between
black eyes full of stars wide with memories
every street I ever walked
every home I ever had
is lost
every flower I ever held
every spring I ever had
has died
every man I ever knew
every woman I ever had
is gone
everything I ever touched
every thing I ever had
has died"
‘Like Tears in the Rain’, Covenant
Passeias-te devagar por sítios que tão bem sabes não poder andar. Encolhes os ombros, assegurando que pouco te importa: não seria a primeira vez a ficares detido, mesmo com medida de coacção primária, termo de identidade e residência. Não era o caso, escusado é entrar-se por aí. Simplesmente percorrias propriedade privada, desprovida de elos efectivos a ti: quanto muito fictícios, imaginados, ainda que no desgosto de facto inacessível.
O padrão não te é desconhecido, por que então sequer tentar negá-lo, desmenti-lo? Apoias-te numa mista forma de ser em que te fazes passar por desentendido, coisa concomitantemente acompanhada pela consciência, que tens, de ser prática ciente, estratégia de um estratega fugaz e fulminado pelas consecutivas perdas. Não te importas, basta-te passeares-te por esses sítios de pertença alheia; e devagar, dando outra – mais outra – oportunidade para que os sentidos se saciem, por muito – demasiado – volátil que esse adquirido seja.
Por entre sítios há os teus que fazem fronteira com os da terra de ninguém. Aí estarás descansado, ninguém te aborrecerá, a censura do outro retrata-se pela miragem distante. Sítios que te consomem, mais do que deles podes consumir. Daí que olhes mais longe, desejando aqueles sítios que despertam o apetite e a vontade: talvez mesmo por não te pertencerem, assentes no deslumbre do fruto proibido; e sabes por aí não poder andar... Como se fosse a proibição a fronteira, com os curtos vislumbres do que por lá está permite ver, o mote que assegura poder ser momentaneamente teu aquele aquilo unicamente capaz de te satisfazer.
Atravessas até ao outro lado, ignorando o facto de poderes vir a ser apanhado, evitando pensar na sanção que a ti poder-se-ia tornar aplicável: bastaria o ser-se visto para que as instâncias informais de controlo se fizessem pesar sobre os teus magros ombros; sem risco não há sentido que se constitua, é o teu juízo – e logo prossegues, a conquista de pequenos nadas eleva-se aos grandes tudos que levas garantido no teu portfolio.
Passeias-te devagar sem querer ver por detrás do ombro, importa o que para lá está e não o que te é anteriormente conhecido; o tempo escasseia, esvoaçando com as suas asas intemporais, o intuito é conhecer mais: quanto mais melhor, e sempre na diferença – cumulando capitais não repetidos (desses, repetidos, a necessidade é nula).
Não te importas, não queres saber – mesmo sem o manifesto conhecimento do porquê. Pouco te diz se faz sol ou chuva, calor ou frio; a ansiedade por tornares teu o que não o é supera qualquer possível hesitação: bem como tudo o resto, que te deixasse pendente. Não te faz espécie o escuro da noite, nem toda a clarividência que o dia providencia. O juízo de valor é apartado pelas variáveis das circunstâncias: saber o diferente, independentemente do pacote ou embrulho em que se faz apresentar.

©
“Came in from a rainy thursday on the avenue
Thought I heard you talking softly.
I turned on the lights, the tv and the radio
Still I can’t escape the ghost of you
What has happened to it all?
Crazy, some’d say,
Where is the life that I recognize?
Gone away...
But I won’t cry for yesterday, there’s an ordinary world,
Somehow I have to find.
And as I try to make my way, to the ordinary world...
I will learn to survive.”
‘Ordinary World’, Duran Duran
Antigamente, no Old Far West, resolviam-se questões e questiúnculas a tiro - ou pelo menos é o que dizem por aí à boca cheia.
Por cá, a tradição continua em vigor: paninhos quentes, qu'o futuro a Deus pertence.
Bah.

©
"... if every man says all he can,
if every man is true,
do I believe the sky above
is Caribbean blue...
... if all you told was turned to gold,
if all you dreamed were new,
imagine sky above
in Caribbean blue..."
'Caribbean Blue', Enya
... às voltas, às voltas, às voltas; fica-se tonto, acaba-se por cair.
O pior é sempre - voltar a - levantar.
"and one day I found the future held
no perfect place for me"
'Holding On', VnV Nation
Segue-se o sexo dos anjos: nem sim, nem não.
"No nothing makes sense
Nothing seems to fit
(...)
... don't let the bastards grind you down"
'Acrobat' - U2
(entre as melhores de sempre destes moços, sem dúvida)
[...and shiness can stop you from doing all the things in life you’d like to *]
(Please don’t ask me why I’m here – I don’t regret the choices that I’ve made **)
Olha-se, nunca se retira o olhar do outro: perde-se valor ao desviar ou baixar do rosto, com a consequente ruptura de contacto visual. Quem o faz, com desagravo para as suas «tropas», conta de imediato com uma crise de confiança; opostamente, o outro retrata-se simbolicamente superior, a equidade esfuma-se logo no momento: voltar a participar como igual na interacção requer uma árdua batalha, estratégias de ressarcimento que apenas a custo restabelecem paridade. Quem deixa pender os olhos... is taken for granted, débil – ainda que não o sendo – pois que a (escassa) auto-estima lhe castra a (potencial) personalidade, por quanto seja indivíduo determinado e bem definido.
Apresentar-se tímido, está bem. Com o cuidado, todavia, de ter presente em mente que o excesso avilta, permitindo uma deturpação do que eventualmente possa ser real. Perceber a destrinça entre o «engraçado» e o ridículo é essencial, sendo conceitos que se permeiam por fronteiras de ambíguo traçado, facilmente se pendendo sem perfeita noção por um ou por outro dos dois universos – fazendo, independentemente do restante, toda e mais alguma diferença.
Se a timidez é prudente, camuflando em tantos momentos alguma (até demasiada!) arrogância, converte-se – em circunstância de uso continuado – em efeito boomerang vitimando o próprio, se a ela se associarem carências de carácter decisivo ou mesmo na estrutura, percebida no campo postural, que devia o indivíduo (ser capaz de) personificar. Dada a importância assumida pelas primeira impressões, dir-se-ia que tal indivíduo ficaria, para o porvir, «queimado» – maculado no julgamento exercido pelo (outro) exterior.
Lâmina de dois gumes – que tanto desperta simpatia, como permite mover o desprezo.
Não é, contudo, na perspectiva do outro a que o efeito perverso se reduz. Outro, não menos considerável, exerce-se endogenamente: can stop you from doing all the things in life you’d like to. A «punição», assim tida, apresenta-se de si para si – limitando significativamente espectros de acção: o responsável, esse, resume-se ao próprio (curiosa e simultaneamente vítima e agressor, se assim se podem colocar os termos).
Bem medida, a timidez pode realmente despertar interesses (advindo de coisa que não compreendo, muito menos me sinto capacitado em explicá-lo) e curiosidade (algo mórbida, no meu entender, ainda que igualmente soturna e inexplicável à e pela razão). Precaveja-se perante a outra face da moeda, a irreversível queda no ridículo – única emoção que noutro se desperta além da transparência (social) a que se é remetido. Conducência com prudência é premente face a este fenómeno, projecto que porém se manifesta intrincado.
“I am so proud of what we were
(…) Eternity awaits
Grant me wings
That I might fly
(…) Something deeper brought me
That I need to remember”
(**) ‘Beloved’, VNV Nation
(“It seems so fitting, don’t you think?”)

©
[* ‘Ask’, The Smiths]
O primeiro deste ano.
Comprado, lido - sublinhado mais escrevinhado - e arrumado (por instantes).
Um pouco por toda a parte, como já se disse, a posse engendra o amor da posse. Não só se fazem sacrifícios por aquilo que se ama mas também o inverso: ama-se aquilo por que se faz sacrifícios.
'Fragmento Sobre o Amor e Outros Textos', Georg Simmel
(1.ª ed. Jun 04)
Sei que não serve de muito (de nadinha), mas cumpri os três minutos em silêncio - mal não faz, isso é garantido.
Se quase sempre nos «passa ao lado» todo o tipo de tragédias que atravessam diariamente o globo, que ao menos por uma vez - falo por mim - dediquemos alguma reflexão ao que é a pequenez da condição humana.
Neste caso específico, recordem-se as vidas ceifadas por um fenómeno «assassino» que, variando, não esteve às mãos da acção e vontade humanas.

(desconheço o autor da fotografia; fico-me por agradecer a quem ma enviou)
Quanto mais se avoluma silêncio, menor é o barulho e maior o ruído.
Ontem. Está um tipo sossegado na esplanada da FCSH, violentando os miolos a ler um autor americano em francês, para uma breve apresentação do mesmo num seminário do curso, olha para o lado e depara-se com um galo.
Bom, nada de muito anormal: antes havia, após as obras mantêm-se. Dois minutos, e o rafeirote de estimação, um cão meio encorpado de pelo castanho claro, persegue em correria o desgraçado do galo. O espanto seria menor tratando-se, ao invés, dum gato, todavia...
Ainda embrenhado na descodificação de um inglês passado para um francês (que mentalmente traduzia para português), agitam-se quatro moças na mesa que me fazia parceria. Irra, não é que o cão levava o galo, cadáver recente, na boca?
A situação só sossega com a intervenção, algo tardia – penso, dado todo o alvoroço da perseguição conduzida pelo canídeo! –, do senhor segurança que após violenta batalha se vira finalmente livre do jornal Record.
Anda tudo doido. Inclusive os bichos. Está bem que é a aquela faculdade em particular, mesmo assim...
Porém, ganhei o dia já que não cheguei a realizar a dita apresentação – adiada, embora à margem deste episódio que me baralhou todo.

©
Reencontrado, felizmente.
Quer se trate do sentido imediato ou simbólico, do sentido corporal ou espiritual, somos a todo o instante seres que separamos o que está ligado e que ligamos o que está separado.
Georg Simmel, 'Ponte e Porta' (in Simmel, 'Fragmentos Sobre o Amor e Outros Textos')
Uma das curiosidades que tenho quando se inicia um novo ano passa por ler o horóscopo onde os mais importantes acontecimentos do ano já vêm parcialmente desvendados. Quase podia dizer-se venha outro, que este já conheço: tenho um enorme respeito por esta rapaziada, com a sua capacidade super-humana de colocar em quinze linhas – dado ser anual obriga a ser mais extenso que o hábito – 365 dias, 8.760 horas, 525.600 minutos, 31.536.000 segundos, escolham um qualquer que dá o mesmo, com tamanha simplicidade e pragmatismo; é bom saber-se à partida aquilo com que contamos ou não. Fiquei portanto a compreender, entre uma panóplia de informações seguras (possivelmente em primeira mão), que os assuntos domésticos e relações pessoais serão os grandes temas da minha lista de prioridades para 2005. Também que as muletas externas uma vez desaparecidas do cenário ir-me-ão provocar o sentimento de pela primeira vez, sem o auxílio das duas rodas de segurança, estar a andar de bicicleta, devido, claro, a Urano e Neptuno estarem vagarosos nesta casa: ai, os preguiçosos... já me estão a entalar a vida nova (que começou há dois dias) por que esperava! Bom, nada que uma (conte-se, é melhor, com mais) consulta de € 90 não exorcize, se – olha a novidade – em casa (consultório?) própria: uma escolha razoável seria, e.g., a do espírito esclarecido que sentenciou, a mim e a todos do mesmo signo (ainda conseguem ser tão generalistas), o total da parcela de linhas que para aqui transpus. Fica uma ideia (nova, para mim) a executar por um destes dias, recorrer a um consultor (que no âmago acabam por o ser) do amanhã. (ou não, gaita!)
Com algum esforço e boa imaginação, consigo escutar os augúrios cantarolar:
“Listen to me now
I need to let you know
You don’t have to go it alone” (ao som de ‘Sometimes You can’t make it on Your Own’, dos U2.)
É pá, obrigadinho!
Porém, gosto mais de ser um gajo à antiga: deixem-se os horóscopos em paz – ou para quem gosta (desconfio se incluirá os que os redigem, hmmm...). Insultem, apupem-me de conservador, etc, mas retira-se a piada toda quando se conhece o presente mesmo antes de o abrir. Talvez por isso, prefiro escoicinhar pela aventura da descoberta (tchi, o gajo é aventureiro!...).
Por ora, ainda se vão curando as azias deixadas pelo ano pretérito: algumas, bem sei, são de árdua digestão. Um ano de encontros e desencontros, da novidade e seguida consumação, de emprego e desemprego; enfim, animadito mas, apesar de detestar e evitar fazê-los, com um balanço deveras aquém – é provável que com este agora em arranque seja(m) colmatado(s) o(s) omisso(s); ou, again, não...
Subordinado, como prefiro e gosto, à lógica do quotidiano vivido, do dia a dia, vou desvelando pouco a pouco o que me reservo e reservam. Há um dito estúpido, ao encontro do que refiro, que sustenta «devagarinho e sem dor»; bom, percebe-se a intenção daquilo que pretendi informar.
“As you enter this life
I pray you depart
With a wrinkled face
And a brand new heart”,
digo eu (recorrendo outra vez aos mesmos, ‘Love and Peace or Else’).
Um novo ano significa basicamente mais do mesmo, com nuances do inédito. Fenómenos acontecidos que se prolongam, outros destinados a cessar; projectos a redundar no fracasso, alguns ainda em aberto, uns poucos concluídos com relativo sucesso, mais por parir – com toda a certeza, confiando o traçado nas asas da imaginação (que é do melhor que temos – por si só movimenta-se em campo neutro, a sua aplicação é que nem por isso). Mudança, alternância, constância: definem, por mim o bastante, tudo o que é possivelmente expectável – a fórmula não complica, nós sim: e bastante (demais e em demasia, hábito insanável). Ninguém redefine parâmetros alegando mais três, seis, cinco dias: alicerçam-se, constroem-se, marcam-se, definem-se no acontecimento do banal (tendo piada acontecer no banal aquilo que se transforma no extraordinário – desde há muito que assevero não existir espaço para um extraordinário que não advenha do quotidiano, da vida de todos os dias: embora soe a pleonasmo, redundância de termos, tenho-a como verdade óbvia a mais das vezes inerreparada e deixada ao desleixo).
A hipérbole, como figura de estilo, tem uma perspectiva interessante: permite-nos o uso de terminologias que noutro caso seriam tomadas como foleiras, bimbas, clichés de maus fígados, idem, idem... ‘A Man and a Woman’:
“Little sister
I’ve been sleeping in the street again
Like a stray dog
Little sister
I’ve been trying to feel complete again
But you’re gone and so is God”
(U2)
Se os projectos que ainda se vão desenrolando alimentam, por outro lado não saciam. Há mais e tanto por (onde) explorar. O incansável preenchimento – do – impreenchível, a satisfação é coisa de momentos e a alma diz-se de eternidade; nem por isso a arma retorna ao coldre: se se perde, seja-o com honra; arma em punho até «não dar mais», ao cantar do cisne, nunca depondo.
Desde a era de Roma que terras (e Homens) de «França» tombam: ergue-se, porém, num continuado contar da sua história. Verifica-se, perscrutando em círculo, haver aliados num horizonte firmado por hostis. Quantas vezes há que fechar os olhos e correr no – pelo – vazio do desconhecido?
Como diz um estimado amigo, “A eles, car...!!!”.
Finaliza-se, passando por (quase todo) o ‘How to Dismantle an Atomic Bomb’, com o último verso da última música:
“Take this city
A city should be shinning on a hill
Take this city
If it be your will
Take this heart
Take this heart
Take this heart
And make it break”

©
* (‘A Man and a Woman’, U2)
Diz-se que se volta o disco e toca o mesmo; será, ou terá que ser assim? Pouco muda para além dos dígitos: que diferença faz ser outra hora, outro dia, outro mês, outro ano? Não há ruptura alguma, não há qualquer hiato – tudo foi conduzido em conformidade com as regras do tempo, escusa-se a ilusão de estarmos em tempo diferente, de uma inovação tipificada que afinal é mera continuidade com as pretéritas e derradeiras horas de um ano ultrapassado com o intuito único de se prosseguir com o instituído.
Bem falando, não se voltou o disco: ao invés, colocou-se outro da mesma espécie, feito da mesma matéria, formatado das – e pelas – mesmíssimas coisas; segue-se a lógica previamente consumada, alimenta-se a constituída estrutura funcional perfeitamente compatível com a alternância dos dígitos – ao dia segue-se outro; com os meses o mesmo; ao ano, o seguinte.
Ou mudamos por nós ou não creiamos que o correr dos tempos, só e per si, o faça por nosso turno: esse tem-no todo, pode deixar-se tentar pelo luxo da preguiça, quando lhe apetecer, se e quando!, talvez «mexa uma palha» e não muito mais. Incorrigíveis, deixa-se o mote a quem de facto possua a determinação de fazer – ou, talvez mais correcto, de agir. Confesso o pecado, o de padecer da mesma maleita: sou preguiçoso; muito mesmo.
Não se evaporará a instabilidade política em Portugal (num piscar de olhos, como é inevitável o ser político asseverar solenemente), a catástrofe asiática tende a um agravamento pós-traumático com o número de mortos a atiçar estatísticas (não mencionando a pobreza hiper-inflamada), o estado-polícia do planeta prosseguirá nas mãos de Bush e dos americanos, a Europa unida promete, sem o vir a ser, alcançar o estatuto de super-potência, a pedofilia a ser julgada em contornos aberrantes graças a um sistema judicial e penal praticamente falido em Portugal (e por todo o mundo ocidental?), enfim, todos demais eteceteras possíveis e passíveis de serem aqui colocados e acrescentado num rol (tipológico) de lista de compras.
Lições de moral não são, todavia, para aqui trazidas: basta a constatação do real no dia a dia, enformado num bolo conjunto pouco agradável à vista (aos restantes sentidos igualmente, julgo).
Raramente a mudança é coisa brusca. Há o que a precipite, sem dúvida: radicalmente, a situação pelos lados do Índico padecerá de alterações aceleradas (padecerá, disse, pois que a causa para os efeitos de mudança foi inegavelmente negativa, nada normal, obra de uma «patologia» da Natureza – que bem mostra estar-se a borrifar para nós, isto para quem pensa que estamos a pauperizar o planeta, único vencedor possível num confronto entre si e a espécie humana). Sabe-se, porém, que esta não é a regra que faz pautar uma normalidade. Mudança é coisa que se cristaliza devagar, sem pressas, dado nada nunca ser sempre o mesmo – acontece todos os dias, abstraindo-se de uma necessidade (demasiado humana) consubstanciada na visibilidade do facto; acontecer devagar, mas entroncando-se no seio de todo o sistema social (bem como no natural, claro).
As novas gerações têm um discurso sustentado numa predisposição para mudar; é mais fumo que fogo. Na realidade, as suas etapas e os seus objectivos iniciaram o seu traçado em gerações ascendentes. A resistência à mudança é maior do que a comummente aceite (não me apetece entrar aqui em discussões fundamentadas no conceito de identidade como justificação tácita dessa resistência) ideia erigida sobre estes conceitos; não quero com isto sustentar que assim é mau – ao invés, por ora defendo que nem é mau nem é bom, fazendo uso de uma complacência a que se resigna um observador independente, i.e., independentemente de juízos de valor. Poderão, as novas gerações, ter de facto uma propensão mais elevada face à novidade; mas esperemos que esta geração se institua: a ela seguir-se-ão outras mais jovens que ocuparão o seu lugar, e por aí fora no tempo... até, quem sabe, a uma (outra) alteração de elevada influência e rápida imposição.
Contudo, (mutatis mutandis, diria um professor que tenho) vive-se um (e só um) dia de cada vez – não há simultâneos e não me venham com histórias de hiper-realidade. Por assim dizer, concentremo-nos no presente deixando coisas distantes no seu local de pertença.
Certamente vários – e variados – serão os fenómenos a surgir como nova aparição (ainda que alguns camuflados num determinado déjà-vu que não reconhecemos, embora possa ser paradoxal à vista desarmada). Conto – e não conto, porque os desconheço – que aconteçam alguns, capazes em força e importância de alterar circunstâncias específicas: como se repete – e não só à porta de um novo ano – tanta vez, «agora é que é!» Será? A resposta virá por si, naturalmente, não é necessário forçá-la. Fica, contudo, a inesgotável réstia de esperança a pairar, crendo que talvez seja.
Forçando o argumento do musical «Cats» (look, a new day has begun), encerro com o título da publicação, ambiciosamente positivo em substância, «look, a new year has begun» e com um excerto de um novo álbum do antigo ano:
“Don’t look before you laugh
Look ugly in a photograph
Flash bulbs purple irises
The camera can’t see
I’ve seen you walk unafraid
I’ve seen you in the clothes you made
Can you see the beauty inside of me?
What happened to the beauty I had inside of me?
And I miss you when you’re not around
I’m getting ready to leave the ground
(…)
Blessings are not just for the ones who kneel… luckily”
“City of Blinding Lights”, U2 (How to dismantle an Atomic Bomb)