Não. Não faço parte da lista de prioridades: nem eu, nem ninguém (quanto sei).
“É para amanhã, deixa lá não faças hoje
É para amanhã, deixa lá tudo se há-de resolver”
‘É para Amanhã’, António Variações
Em voga está a onda do politicamente correcto; o que não corresponde com plenitude ou satisfação ao facto correcto. Manifestam-se modos de olhar aparentemente circunstanciais que tão somente o são a um raciocínio fugaz e desinteressado, percebendo-se de imediato – dadas as implicações - o quanto de ilusório têm. Grita-se vitória, mesmo que para nos consagrarmos com a derrota de outrem nos tenhamos que contentar – e enfrentar – com a nossa; é triste...
«- É isso que queres?
- É, pois. Se me quilhar... olha, logo se vê. [entre dentes: e o que sabes tu sobre quilhar, oh ser magnânimo?]
- Diz?...
- Nada, disse só que sim: que é.»
A felicidade tem um preço; é constante saber-se o ‘a que preço?’ com que latejamos a porcaria da tola com questões assim. Preço? Pois: investimento, tempo, paciência, oportunidades únicas que enfiámos de um só pensar na retrete, sonhos dos quais jamais nos sentíramos na vontade de abdicar... a lista continuaria, cansando qualquer um. E, mesmo assim, há quem tenha o descaramento de lançar no ar, como se o fizesse de forma inocente, o tal ‘pá, mas [sempre o «mas», prosa aliás incontornável] é isso que queres?’ A vontade diz que dever-se-ia responder à letra: ‘não, só estou aqui a gozar contigo’; o bom senso, esse prestável ente, contorna os instintos e lá sai um ‘pá, já sabes que sim e... [e reticências, para um discurso também igual e monótono, que poucas variantes conhece]’. Por muito que preze algumas amizade, e se prezo!, como se podem elas pronunciar se nem do que de há dez minutos atrás se lembram, o que... [novamente: reticências, que estas substituem muito] Damos o dito desconto; não estaremos nós próprios também cansados, que o raio do dia isto e aquilo, coisa que raramente corre bem, o dia, mesmo que a posteriori juremos a pé juntos que sim, que somos felizes e sempre o fôramos? Os amigos são para isso... e muito mais! [desta vez completando o branco que as reticências adivinhavam]
De cortinas veladas: é assim que muitas das vezes estes bichos, - aliás, raros: quanto sei -, pronunciam os seus juízos (ajuizares?). Velados, que o véu, à partida, os encobre da responsabilidade de comentários nunca expressos em palavras, sendo que daí se podem coibir de resmunguices nossas: é mesmo assim que o sistémico sistema funciona; quem quer, quer e quem não quer... Juízos façamos, mas ao largo que assim é mais confortável e evitam-se aborrecimentos desnecessários e indesejados (sarcástico, todavia aceita-se ou não o jogo que, logo de começo, se encontra viciado – extrapolando, parece que a verdade por si, sem a bem dita palmadinha nas costas, não satisfaz nem aparece como suficiente).
Um olhar retesado que mais busca censura para o dia seguinte do que compreensão louvada por um imaculado desinteresse respeitante a (potenciais e exigíveis) retornos. De facto, em prol de uma sociedade de consumo onde a troca é obrigação em detrimento do (da troca) desprendido(a).
Para quê cansarmo-nos para que o sistema se altere? Entremos nele, da cabeça aos pés, e que não se pense mais nisso. Afinal, «é assim mesmo, pá!».
“(...) E como surge a amizade? (...) A amizade começa como um acto sem continuidade, um salto. É um momento em que sentimos forte simpatia, um interesse, sentimos uma afinidade em relação a uma pessoa. (...)”
Francesco Alberoni, ‘A Amizade’
Sempre à espreita; animal que não descansa: olhos esbugalhados, prontos para avistar qualquer sinalização que lhe agrade.
Um tal doutor questionou-me se teria confiança; ora bolas, pensei: bom, sem confiança nada interessa, sem confiança para quê sequer tentar, dar ao trabalho, começar? A resposta foi pronta e convicta; aliás, sendo honesto, já nela, questão esta, me tinha debruçado – talvez daí advenha a prontidão de uma resposta a modos que condicionada.
Dizem que confiar é belo. Não. Confiar é a base, sem a qual só o nada se estrutura – e nada, portanto, cresce. Confiar, conceito indispensável de ser passado da teoria à prática: o que, por sua vez, lhe atribui o – todo – sentido.
Num tecido social e societal a confiança esbate-se, a reboque de jogos de compensação, de sanções aplicáveis quer de conotação positiva ou negativa.
Será que confio? Devo confiar? Humm, algo abala os alicerces, mas retenho a dúvida se terá, ou não, implicado igualmente um vacilo na pedra basilar.
“Cada um, afinal, pertence a todos os outros.”
Aldous Huxley, ‘Admirável Mundo Novo’
Como tudo com os seus ciclos, renovam-se ares. Tempos que foram, outros mais que aí vêm.
"Acordei com estrelas sobre o rosto. Subiam até mim ruídos campesinos. Aromas de noite, de terra e de sol refrescavam-me as têmporas. A paz maravilhosa deste Verão adormecido entrava em mim, como uma maré."
Albert Camus, 'O Estrangeiro'
Lá ao fundo a terceira dezena já espreita.
"Lights go out and I can’t be saved
Tides that I tried to swim against
Have bought me down upon my knees
Oh I beg, I beg and plead
Singing
Come out of things unsaid
Shoot an apple off my head
And a trouble that can’t be named
A tiger’s waiting to be tamed
Singing
You are
You are
Confusion that never stops
The closing walls and the ticking clocks
Gonna come back and take you home
I could not stop, that you now know
Singing come out upon my seas
Cursed missed opportunities
Am I part of the cure
Or am I part of the disease
Singing
You are,you are
You are,you are
You are,you are
You are,you are
And nothing else compares
And nothing else compares
And nothing else compares
And nothing else compares
You are,you are
Home, home, where I wanted to go
Home, home, where I wanted to go
Home, home, where I wanted to go(you are)
Home, home, where I wanted to go(you are)"
'Clocks', Coldplay
Dedicado a mim. E a todos os que me rodeiam, aos que se importam - a esses, obrigado.
Do brilho, que vai antecedendo o escuro.
Do sofrimento, que ele parirá do melhor.
Coisas, só coisas e conceitos vazios – alguns, apenas alguns.
A amizade é escassa na necessidade de alimento, mas padece pela fome em excesso.
A rotina extingue o puro belo. Com vaidade não quero mais.
Depois digo, só dou importância àquilo que perco. Lés a lés e são léguas. Só se dá importância ao que não mais se possui.
De noite escura. Um candeeiro de secretária projecta a única luz; as outras, do tecto, lá de cima, imitam uma Lua em fase nova. Cerram-se os dentes, aperta-se a alma. Descolo da rampa de lançamento para o teclado. Olho; e olho. Frenética, a batida de Future Pop, audível somente através dos headphones, convida-me a regressar ao blog: deixar mais uma marca, diz ela ou digo eu por ela; realmente não carece de importância de quem partira a decisão. Só escrever, qualquer porcaria prestará. É o que faço, sustentando que ainda estou vivo, ainda aqui estou; não duvidava desse facto, mas a rapaziada gosta disso, desse fenómeno, das certezas e, aqui o je, eu não sou diferente: quanto muito nas e pelas aparências.
Boa noite, neurose. Ou devo dizer bom dia? Não. Boa noite mesmo: ainda não me deitei: já vou.
O Outono aparece a gatinhar, chegou e quer-se ver tanto como ser visto. Pois bem, já sei que aqui estás, sei sempre quando chegas; penso que por me desequilibrares os níveis de serotonina. Paciência, sempre fui assim a fungar-te à distância. Permanece um tempo consideravelmente quente, os dias mais pequenos talvez sejam o primeiro indício; mas não me pregas tropelias, bem sei quando chegas e, quando der conta, as folhas das árvores ‘caducas’ começam a cair. Topo-te de longe, pá; escusas de te camuflar – de mim, enfim. O céu com as suas estrelas mantém-se desnudado, convite erótico para uma dança efusivamente abrasiva conquanto simultaneamente impossível. Fica para depois pá, essa história da dança.
A sonoridade electronicamente criada prolonga-se em constância: quem diria que do barulho, bem batido em tons graves, adviria o silêncio que agastado de pequenas reservas me deixa pensar... pensar ou qualquer bodega semelhante, tanto faz – chamar-lhe-ei pensar, generalizando para não confundir. A particularidade de uma discoteca privada é que podemos escolher a música que queremos, e que, àquele momento, também a nós nos quer; nada, com excepções, é assim: são circunstâncias, coisa de pouca dura dado a realidade ser, ela própria, bem diferente pois que a individualidade escolhe, à melhor das hipóteses, uma música que após tocada é substituída por outras, infinitas, dos restantes que nos rodeiam, ladeiam, estrafogam, consomem, etc, etc.
O dia nasce, ou nasceu há umas quantas horitas, deixando para mim uma síntese apenas: foi mais um. Amanhã será outro. Uns serão melhores, outros piores; verdade à La Palice. Como fariam os grandes ases, não o sendo eu, da I Grande Guerra, mais um traço vincado do lado de fora do cockpit simbolizando uma, e uma só, vitória. Enerva que assim seja, contudo vai-o sendo. Nada que apoquente, não tarda virá a manhã, o banho com os primeiros raios desse corpo celeste, manhã que entendo não dever ser reduzida à ideia de dia: analogia a fazer, então, para com a existência – o ciúme, todavia, subsiste quando tenho consciência que para o dia a manhã se encontra bem próxima e é facílimo deduzi-lo, já para a renovação de um estado de espírito não consigo avançar previsões.
A partida está preparada; o raio da nave, essa, nunca mais surge ao encontro do meu horizonte. Fico por cá, por agora. As estrelas sorriem, sem a arrogância de serem bem mais eternas, piscando o olho em sinal dum tudo bem; tudo vai lá, tudo se (re)compõe. Desce e aproveita.
Por falar nisto lembrei-me: dessensibilização. Será que resulta? Acreditas e queres? Depois da manhã vem o amanhã; deixa-o chegar, logo verás.
Por ti e para ti. Há expressões estranhas, como que se pudéssemos fingir que vivemos isolados numa ilha tão isolada quanto nós. Balelas. É sempre mais que isso. Por mim, para mim: sempre com, até o comigo.
“Only time will heal you say
Your word's not therapy
That half of me is gone
My dearest treasure torn away”
‘Until the End of the World’, Apotygma Berzerk
O céu está nublado. Dizem os entendidos, aqueles que vivem perto do mar e que dele vivem, aproximar-se tempestade. Ergo o sobrolho em desconfiança vincada por aquela sabedoria popular. em estupefacção erijo os olhos ao primeiro ribombo; e depois veio o segundo; e o terceiro e o quarto. Trovoada seca, já que não chove ainda; talvez mais longe: longe da minha vista.
Nunca prestei atenção aos ditos doutrem; devia-o. Devo-o fazer a partir de hoje.
A ela; dedicado. Cego e surdo como sempre, só depois.
... com vontade de mandar tudo - e todos - à merda.
Pois.
A sensação de movimentar-me por terrenos pantanosos é deveras desagradável e obriga-me a julgar-me como indivíduo ambivalente; os próprios humores se tornam inconstantes, variando com a facilidade de quem troca de meias – a psicologia tem um nome para isto, uma definição que agora não me ocorre.
Do banal. Tem vindo a ser constante a indecisão quanto à atitudes a tomar; presumo qual a mais correcta, mas é igualmente a que menos me apraz. Desta forma tenho apenas baralhado ainda mais os enredos que tomam lugar na minha mente, incapacitando-me de definir uma estratégia sólida que consiga seguir, ou prosseguir, com uma estabilidade ao menos mínima. A história não é nova, por isso a razão do banal com que decidi caracterizá-la. Paciência; mas a paciência, também ela, se esgota. Prometo-me ser melhor, limar as falhas de alguns traços pessoais menos agradáveis, mas se se vê o empenho demonstrado não surtir qualquer efeito, então, até por mim próprio, deixa de fazer sentido o esforço. Porque não é mais fácil aceitar a troca, se o é em termos racionais? Ser humano é ter que viver com estes hiatos, com estes truques de luz que o cérebro em emoção nos impinge, com contingências que não domino com o/ um pensar tranquilo.
Para o geral. Cansado com os ditos afoitos truques de luz, endurece-se o espírito e encerram-se portas. Estou quase a encerrá-las a todas, pelo menos as respeitantes aos ‘módulos’ cerebrais que controlam os afectos. Encerrá-las sem perspectivas de voltar a reabri-las por tempo bastante, embora indeterminado; para sempre, duvido – não há para sempre: nem de porta escancarada, nem de porta trincafiada a sete chaves (ou nove, ou dez). Encontro-me prestes a declarar guerra, isolar-me em certa medida de certos fenómenos; poupar-me a trabalhos, declarar momento de pausa à angústia e caminhar por mim e só para mim. Ser-se objecto passível de troca é uma realidade com a qual temos sempre que viver, mas desta forma tão manifesta... começo a sentir-me demasiado derrotado. Do geral porque feita a cisão, esta sê-lo-á não para alguém em particular mas sim para toda uma generalidade de. Se assim for, e muito não restará, então quero encontrar a minha conchinha e nela permanecer, encerrado e confortável, pelo tempo que durar, bem fundo na profundeza dum oceano.
A vantagem é ter tempo próprio e voltar a encontrar virtudes onde só encontro defeito, uma reconstrução de ser moral e societal, pronto para os recontros com o quotidiano como um todo e não com partes desse todo irredutível (só analiticamente se podem separar as partes, nunca vivencialmente). Assim seja, se assim for.
Da análise surgem circunstancialmente interferências contradizendo possíveis conclusões. Parar nessa encruzilhada e escolher, removidos preconceitos, o trilho da 'verdade' é saber viver; saber viver com qualidade. Para objectivar esse saber viver torna-se imperativo tomar decisões que implicam deixar cada coisa no seu correcto lugar.
Permaneço um educando nesta matéria, com demasiado a aprender.
"Sit here on the stairs
'Cause I'd rather be alone
If I can't have you right now, I'll wait dear
Sometimes, I get so tense
But I can't speed up the time"
'Patience', Guns n' Roses
Evito sempre utilizar a palavra jamais. Não aprecio dogmas e muito menos ainda estigmatizar o tempo com o tamanho carácter definitivo subjacente ao referido termo. Só em momentos ou estados de ignorância consigo proferir esta obscenidade do jamais (claro, rendamo-nos às evidências, refiro-me ao plano das probabilidades reais ou realísticas: jamais andar em Júpiter é normal para mim dizê-lo). O jamais, como se gosta de utilizar em política, é um daqueles sapos que nos vemos compelidos a engolir após o termos quebrado; é feito que por vezes acontece, por isso não o profiro.
Agora a contradição, porque a excepção faz a regra.
Muito é o que depende dos momentos, do que é vivido e sentido em cada circunstância particular. Daqui a perversão, daqui o móbil para que, de seguida, utilize a palavra jamais. Em simultâneo com o redigir destas palavras, jamais é um conceito que não consigo – nem pretendo – apartar da minha realidade. Novamente por ti. Por tua causa – não confundas: não é por tua culpa, mas sim minha dada a impossibilidade com que me deparo em te esquecer; ainda que nos braços de outro...
Por ti, devido a ti, jamais muita coisa.
Jamais te vou esquecer, conto-te como primeira e única. Jamais vou esquecer aquela vez em que te vi e logo te desejei. Jamais vou esquecer o nosso primeiro beijo, e onde, após prolongadíssimo e adorado abraço. Jamais vou esquecer o primeiro dia em que fizemos amor. Jamais vou esquecer o toque dos teus lábios e do teu peito. Jamais vou esquecer o teu cheiro, o teu calor, aquilo a que me sabias. Jamais me vou esquecer do dia em que nos despedimos nem da música que no teu carro tocava, muito menos dos teus olhos cor de sangue banhados em lágrimas. Jamais te vou esquecer e logo te reconhecerei quando te vir num Céu em que não acredito. Jamais, Gata...
Posfácio:
Jamais nunca – parece que o tempo trata de nos fazer esquecer, de fazer-te cair no esquecimento (ou esquecimentos, de quase tudo).
Com amor,
Mesmo ao lado. Ali no Monteiro Mor. Para mim um dos locais mais belos deste país, um parque que se julga ser só possível encontrar nos livros de fábula. Porém, mesmo aqui ao lado.
Mão dada e ouvido repousado dos ruídos metropolitanos. Tornava-se escusada a fala; andávamos e sentíamos, sentiamo-nos: para quê interromper um silêncio que tudo, em emoção, nos dizia para dentro.
Sentados com braços espraiados em ombros; duas mãos juntas e agarradas ternamente. Por vezes beijávamo-nos. Mas nada dizíamos, deixando a natureza falar as nossas mais puras palavras.
O final, mesmo assim, não foi de todo infeliz; apenas triste.
"Just a perfect day,
Problems all left alone,
Weekenders on our own.
It’s such fun.
Just a perfect day,
You made me forget myself.
I thought I was someone else,
Someone good"
'Perfect Day', Lou Reed
Há-as daquelas que nos deixam estarrecidos. Primeiro uma imagem global; depois são os flashes que nos cegam os sentidos, surgindo sem intermitência numa mente em derrapagem inescapável.
Somos construídos de pedaços, não sendo então espanto as quantas vezes saboreamos a sensação do ser despedaçado.
Dos pedaços (re)constrói-se o todo; e o ciclo precipita-se em repetição.
"It's time to pack my bag, it's time to just move on
She sang, Johnny, I'm gone, gone, gone
And she was gone
She was a schoolboy's dream, I was out my mind
She was lookin' fine
She said «You want to drive me home»
But what I didn't know...
I was dancing with the Queen of New Orleans
Dancing in the streets of New Orleans
Dancing cheet to cheek in New Orleans
It was almost like a dream
She was more than a girl, she was a cabaret star
I was a deer in the lights of a speeding car
Nothing's what it seems
She was a Venus de Milo in her sister's jeans"
'Queen of New Orleans', Bon Jovi
Cumpridos os ritos do costume ainda é difícil diferenciar o real de um inventado real imaginário e imaginado.
Toda a acção implica uma reacção. Contudo, a reacção tem o seu preço - ademais das vezes muito particular - e custoso.
Se um país recupera, uma pequena alma também se ergue: ninguém disse ser fácil!
"But I still love the smile in your face
But I still love everything about this place
I'm so happy I know I can never leave
There is a part of me that can never leave"
'Wattsville Blues', Manic Street Preachers
... de um certo tipo:
«Don't give me your problems»
Simples, mas tão eficaz quanto verdadeiro: bastam-me os meus.
Cumps. ;)
A distância e o tempo são o paliativo para o esquecimento.
Até lá percorrem-se os caminhos da realidade. Não interessa mais escapar-lhe. Em súmula, há que viver com o que há. Escapes risíveis e absurdos que conduzem a alienações temporárias não são solução.
É viver para crer, é querer viver.
"It's easy to feel, it's easy to feel
But it's not good enough even though it's real
Oh please stay away
And then we can drink some ocean spray
It's easy to laugh, it's easy to cry
To cry so so hard that it can't be denied
Oh please stay away
And then we can drink some ocean spray"
'Ocean Spray', Manic Street Preachers
... mais uma vitória.
"E nesses momentos as lágrimas desafiam qualquer esforço, jorram, desamparadas, em travesseiros órfãos de outra cabeça e desaguam em lençóis que o amor já não marca há muito tempo"
'Olhos nos Olhos', Júlio Machado Vaz
Como diz um certo amigo meu
Não são as vezes que cais que interessam;
São as vezes que te levantas.
Pois é...
Uma nova página da história se abre.
Outras se seguirão com toda a certeza.
"Gentlemen will walk but never run
Be yourself, no matter what they say"
'Englishman in New York', Sting
Shhh, vem aí o soninho.
Shhh, dorme bem meu amor.
Beijinho grande.
Dorme bem. [baixinho: ela chora.]
O amor não se mata;
manda-se embora
com bilhete de ida;
e com ele,
eu também.
14/09/2004
Acontece ser melhor deixar de importar, de dar importância.
Congela-se o tempo e aguarda-se que tudo sare.
"Don't try to think
don't think at all"
'Staring at the Sun', U2
... apócrifas.
Muitas vez é o que consigo atingir; não dá para ir mais longe.
Penso nas palavras epitáficas que quero gravar no topo da minha cama só.
"I want you to know
that you don't need me anymore"
'Kite', U2
Um scanner serve para muita coisa.
Definitivamente nunca pensei que o meu se prestasse a isto: cartões vários, várias datas - da mais recente à mais pretérita: ininterruptamente uns atrás doutros, com destino já pré-estabelecido sem excepção a apontar.
"If I fall along the way
pick me up and dust me off
and if I get too tired to make it
be my breath so I can walk
If I need some other love
give me more than I can stand
and when my smile gets old and faded
wait around I'll smile again
shouldn't be so complicated
just hold me and then
just hold me again
can you help me I'm bent
I'm so scared that I'll never
get put back together"
'Bent', Matchbox Twenty
Lisboa é uma cidade bonita. Passeei-me largas horas hoje pela tua pele, pele tua que me acariciava os humores.
Boa noite.
"I have nothing to declare except my genius."
Oscar Wilde
Começou a Feira da Luz.
Era hábito ir-se lá (nem que fosse pelo algodão doce).
"What does it matter if there's no one here to share
(...)
All I want is what you want
I'm always waiting for a red letter day
Like Christmas morning when you're a kid
Admit you love me and you always did
Baby, I'm hoping for that red letter day today"
'A Red Letter Day', Pet Shop Boys
O Épico não mais me seduz. Bastar-me-ia o rotineiro quotidiano.
"As I walk along
I wonder what went wrong
With our love, a love that was so strong.
And as I still walk on,
I think of the things we've done
Together, a-while our hearts were young.
I'm a-walkin' in the rain,
Tears are fallin' and I feel the pain,
Wishin' you were here by me,
To end this misery
And I wonder--
I wah-wah-wah-wah-wonder,
Why,
Why, why, why, why, why she ran away,
Yes, and I wonder,
A-where she will stay-ay"
'Runaway', Del Shannon
Já alguma vez pensaram seriamente quem queriam - mesmo - para mãe (pai) dos vossos filhos?
E tudo partilhar... e quando assiro tudo, assiro definitivamente tudo.
"Dance me to the children who are asking to be born
Dance me through the curtains that our kisses have outworn
Raise a tent of shelter now, though every thread is torn
Dance me to the end of love"
'Dance me to the end of Love', Leonard Cohen
Devemos ceder, cedê-la, ao inimigo?
"I want you to know, that I'm happy for you
I wish nothing but the best for you both
An older version of me
Is she perverted like me
Would she go down on you in a theatre
Does she speak eloquently
And would she have your baby
I'm sure she'd make a really excellent mother"
'You Oughta Know', Alanis Morrissette [adaptável a versão 'masculina']
Há momentos de amor e ódio; de paixão e raiva.
Raiva.
"(...) you've gotta see her
Go insane and out of your mind
Regina, Ave Maria
A million and one candle lights
Ooh, don't you wanna break her?
Ooh, don't you wanna take her home?"
'Maria', Blondie [Foste tu que mo deste, lembras-te? Por piada e sarcasmo.]
Olho para um cinzeiro e faço, quase de imediato, uma absurda e estúpida analogia.
Realmente ocorreu-me que um cinzeiro pode comparar-se a paixões que vão – não necessariamente a nossa. Surge como um depósito de detritos de sentimentos que um dia foram grandiosos, com a chamada chama a assumir um papel primordial. Quando acaba um cinzeiro limita-se a receber um resto, uma pequenice que ficou e que se encontra prestes a ser apagada, irremediavelmente apagada; se, por obra do acaso, a chama permanecer acesa basta aguardar mais uns segundos, mais ou menos longos, até que se esvaia sozinha numa solidão onde inexistem mãos amigas – muito menos a mão do objecto da paixão.
Então o que fica reduz-se a uma quantidade de beatas insignificantes, já sem o sopro da vida, o que tratei por chama da paixão, exalando um desagradável odor como o de uma paixão terminada e putrefacta.
Um cinzeiro é um depósito nosso ou de outros, de coisas idas – não mais se repetirão, não há lugar para recidivas. Um lugar onde outros enterraram perenemente a paixão que por nós experenciaram. O próximo passo é simples, deixar que o cinzeiro faça o que deve, e assim devemos esquecer. Isso sim, é o mais difícil.
"I know a girl
A girl called Party, Party Girl
I know she wants more than a party, Party Girl
And she won't tell me her name
I know a boy
A boy called Trash, Trash Can
I know he does all that he can, wham bam
And she won't tell me his name
When I was three
I thought the world revolved around me
I was wrong
But you can sing, sing along
And if you dance
Then dance with me
I know a girl
A girl called Party, Party Girl
I know she wants more than a party, Party Girl
I know a boy
A boy called Trampoline
You know what I mean
I think you know what he wants"
'Party Girl', U2
... "O Homem solteiro é um animal incompleto; o casado é um completo animal".
Há quem para lá caminhe; há quem já lá esteja.
É assim...
... é desistir.
De resto, para quê mesmo insistir?
Melhor é precaver e evitar.
Hediondo é não ter história.
Desistir ou resistir? Nenhum. Apenas continuar.
"You’re part
Of the after-life
Die! And quit!
Cry! And split!
One day we die
One day we quit
One day we cry
One day we split"
'White Light', Nebula H
... e de uma assentada.
... Fazer.
"Gave my heart an engagement ring
She left everything
Everything I gave her
Sweet sixteen
Built a moon
For a rocking chair,
Never guessed it would
Rock her far from here
Oh, oh, oh
Someone's built a candy castle
For my sweet sixteen.
Someone's built a candy house
To house her in.
Someone's built a candy castle
For my sweet sixteen
Someone's built a candy house
To house her in.
And I'll screw anything
For my sweet sixteen
Oh, I'll do anything
For little runaway child."
'Sweet Sixteen', Billy Idol (VH1 Storytellers vrsn)
Insaciável ao ponto de pretender entender.
Nada. Então de novo o silêncio: diz mais.
"There is no pain, you are receding.
A distant ship’s smoke on the horizon.
You are only coming through in waves.
Your lips move but I can’t hear what you’re sayin’.
When I was a child I caught a fleeting glimpse,
Out of the corner of my eye.
I turned to look but it was gone.
I cannot put my finger on it now.
The child is grown, the dream is gone.
I have become comfortably numb."
'Comfortably Numb', Pink Floyd
Percebemos não saber (compreender) o que há-de ser dito.
Por isso mais vale o silêncio, estarmos calados.
"There is no pain, you are receding.
A distant ship’s smoke on the horizon.
You are only coming through in waves.
Your lips move but I can’t hear what you’re sayin’.
When I was a child I had a fever.
My hands felt just like two balloons.
Now I got that feeling once again.
I can’t explain, you would not understand.
This is not how I am.
I have become comfortably numb."
'Comfortably Numb', Pink Floyd
..., dizem.
Não é só fumar que mata.
"Welcome to where time stands still
No one leaves and no one will
Moon is full, never seems to change
Just labeled mentally deranged
Dream the same thing every night
I see our freedom in my sight
No locked doors, no windows barred
No things to make my brain seem scarred
(...)
Keep him tied, it makes him well
He's getting better, can't you tell?"
'Welcome Home (Sanitarium)', Metallica
[shhh, porque também o silêncio fala (de) alto]
... porém por vezes traduz alguns significados. É assim.
"Yo, His palms are sweaty, knees weak, arms are heavy
There's vomit on his sweater already, mom's spaghetti
He's nervous, but on the surface he looks calm and ready
To drop bombs, but he keeps on forgetting
What he wrote down, the whole crowd goes so loud
He opens his mouth, but the words won't come out
He's chokin, how everybody's chokin now
The clock's run out, time's up over, bloah!
Snap back to reality, Oh there goes gravity
Oh, there goes Rabbit, he choked
He's so mad, but he won't give up that easy
No, he won't have it, he knows his whole back city's ropes
It don't matter, he's dope
He knows that, but he's broke
He's so stacked that he knows
When he goes back to his mobile home, that's when it's
Back to the lab again yo
This whole rap city
He better go capture this moment and hope it don't pass him
(...)
But hold your nose cause here goes the cold water
These ho's don't want him no mo, he's cold product
They moved on to the next schmoe who flows
He nose dove and sold nada
So the soap opera is told and unfolds
I suppose it’s old partner, but the beat goes on
Da da dum da dum da da
(...)
I was playin in the beginnin, the mood all changed
I been chewed up and spit out and booed off stage
But I kept rhymin and stepwritin the next cypher
Best believe somebody's payin the pied piper
All the pain inside amplified by the fact
That I can't get by with my 9 to 5
And I can't provide the right type of life for my family
Cause man, these goddam food stamps don't buy diapers
And it's no movie, there's no Makai Pfeiffer, this is my life
And these times are so hard and it's getting even harder
Tryin to feed and water my seed, plus
Teeter-totter caught up between trying to be a father and a pre-madonna
Baby mama drama's screamin on and
Too much for me to wanna
Stay in one spot, another day of monotony
Has gotten me to the point, I'm like a snail
I've got to formulate a plot or I end up in jail or shot
Success is my only mothafuckin option, failure's not
Mom, I love you, but this trailer's got to go
I cannot grow old in Salem's lot
So here I go is my shot.
Feet fail me not or not this may be the only opportunity that I got"
('Lose Yourself', Eminem)
Instintos básicos. Que repelente, mas...
;)