... banda de referência. Aliás, a música até já enjoa um pouco.
A letra, contudo, cativou-me.
"When you cried I'd wipe away all of your tears
When you'd scream I'd fight away all of your fears
And I've held your hand through all of these years
But you still have all of me"
('My Immortal', Evanescence)
Quando se conhecem coisas novas até os de espírito céptico são capazes de sorrir.
Sorri.
(Interessante como uma letra conjugada verbalmente no pretérito se pode projectar, com alguma facilidade, no futuro.)
"Young at heart an it gets so hard to wait
When no one I know can seem to help me now
Old at heart but I musn't hesitate
If I'm to find my own way out"
'Estranged', Gn'R
Ufa... acho que já passou...
"Sweetness is a virtue
And you lost your virtue long ago
You know I'd like to hurt you
But my conscience always tells me no
You could sell your body on the street
To anyone whom you might meet
Who'd love to try and get inside
And bust your innocence open wide"
'Complicity (Locomotive)', Gn'R
e porque sim.
"When there ain't enough of me
To go around I'd rather be left alone
But if I call you out of habit
I'm out of love and I gotta have it
Would you give it to me If I fit you needs
Like when we both knew we had it
But now the damage's done
And we're back out on the run
Fun how ev'rything was roses
When we held on to the guns"
'Breakdown', Gn'R
Ao dar uma volta pelos itens do archive folder do ms outlook, esta despertou-me particularmente a atenção:
'Que os que nos amam, continuem a amar-nos
E que os que não nos amam
Deus lhes mude a disposição
ou então que lhes torça os tornozelos
para que os reconheçamos quando coxearem.'
(merci, Checa - que, nas suas palavras, nos assevera ser sempre útil)
... é pá, tens a certeza?
Bolas, pá!
'Tá bem, aqui fica:
"Tira a mão do queixo, não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota
Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar
Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém, não
Somos todos escravos do que precisamos"
'A Gente Vai Continuar', Jorge Palma
Mas tens mesmo a certeza? Isto é fo#@&$, pá!
Lá sabes...
... é que a sabe toda, pá:
"Os serões habituais
E as conversas sempre iguais
Os horóscopos, os signos e ascendentes
Mais a vida da outra sussurrada entre dentes
Os convites nos olhos embriagados
Os encontros de novo adiados
Nos ouvidos cansados ecoa
A canção de Lisboa
(...)
E há quem diga que nunca foi boa
A canção de Lisboa
Mamã, mamã
Onde estás tu, mamã?"
'Canção de Lisboa', Jorge Palma
Pois é Jorge, pois é...
Histórias de vida, é o que é, pá!...
Um gajo que está tranquilo está fora, não tem chatices.
(obrigado, Zé Reinaldo)
A viagem de regresso a bordo de um Airbus da British Airways passei-a de nariz colado à janela. As únicas sensações decentes neste meio de transporte restringem-se à descolagem e à aterragem, onde os corpos são violentamente pressionados contra os assentos numa vertigem agradavelmente alucinante; de resto, soçobra a entediante paijagística por sobre as nuvens (também alguns solavancos que enjoam, estejam as condições atmosféricas desfavoráveis – mas acima de uma dada altitude tudo se perde, a realidade é aquele conjunto de pessoas por ali sentadas e algumas hospedeiras que mais se passeiam do que trabalham).
Heathrow tinha um sabor amargo, desde o primeiro momento do check-in. Na mangueira de embarque larguei o último olhar, em terra, para Londres (julgo, na verdade, não ser já Londres o local onde está ‘estacionado’ este aeroporto). O espírito acinzentara-se, imbuindo pela última vez as primeiras impressões que de Londres sustivera. Paciência, Portugal estava a umas horas apenas.
Forçado de encontro ao assento, aquando do último disparo dos reactores para a descolagem, espreitei pelo pequeno quadrado em vidro donde via a quase totalidade da asa esquerda, acompanhado o movimento dos flaps, o alcatrão a uma velocidade vertiginosa – dir-se-ia como o diabo a fugir da cruz –, uns concorde que lestamente desapareceram de vista, e um aeroporto em despedida – soturno como eu.
Enquanto a aeronave não atingia o seu tecto (e velocidade) de cruzeiro, aproveitei para fotografar na memória as derradeiras imagens daquela cidade que me deixara destroçado na pessoa de uma loira quase ruiva. Cá permanecem ainda com uma invulgar nitidez, embora decorridos já alguns, consideráveis, anitos. Ultrapassadas as nuvens, mantive um olhar de quem nada vê pela minúscula janela, onde uma asa abanava assustadoramente, na prática dir-se-ia que estava ávida por abandonar o corpo a que estava intimamente ligada, e as nuvens, visão rara, surgiam por debaixo dos meus pés.
Foi uma viagem cansativa, quer para o físico, quer mesmo mentalmente. Vislumbrei as primeiras imagens de Lisboa absolutamente esgotado. Enquanto permanecera em Londres jamais vira chuva nem o famoso fog londrino; Lisboa espelhava um estado de alma: mal iniciámos a descida para a Portela, descendo abaixo do nível das nuvens, e recebemos os primeiros pingos de uma chuva que caía ditosamente – era noite e tudo estava num negrume de pasmaceira.
Aterrámos, por fim. O aeroporto de Lisboa, em comparação com o anteriormente referido, assemelhava-se a uma miniatura construção em Lego. O meu irmão e a respectiva esposa aguardavam-me. Mangueiras de desembarque? O que é isso? Tecnologia desconhecida por estas paragens, é o que é. O transbordo para o edifício do aeroporto fez-se nuns mini autocarros da ANA; cada um tem o que pode, nem sempre o que quer: vicissitudes de um país (sempre) periférico. Nas chegadas lá estava ele, o JpA, meu irmão. Trocam-se cumprimentos e, com algum embaraço de quem leu qualquer sinal no meu semblante, questionou-me hesitante se a viagem tinha sido cansativa, asseverava que me encontrava com má cara. Retorqui com um não, brincando com um já viste se fosse do Rio de Janeiro ou Wellington, esta foi bem curta; mas o sorriso saiu amarelo e esforçado; tentei emendar com nova graçola, sustentando com um risível convicção que pá, se calhar tinham sido as noitadas – pareceu-me mais convincente e, de facto fui-o: esboçaram um sorriso já descomprometido, o meu mano e cunhada, descomprimindo o ambiente; a um foi porreiro, pá? anuí e perguntei pela Martita, a minha sobrinha mais velha, na época a única, vindo a saber que sim. Tratava-se da minha segunda ida àquela cidade – da primeira, acompanhado pelos meus pais, ainda a miúda não passava de uma aspiração que ia tomando contornos pela forma do desejo de se querer ser pai/ mãe.
Da segunda circular ao aconchego do lar, pelo qual desesperava numa ânsia gigantesca, são uns escassos minutos à velocidade de um carro. Ofereci-me ainda para pagar o parque – chegara, para mais, bem atrasado – ao que de pronto se fez ouvir és maluco.
No banco da retaguarda do dois volumes, muito perto do banquito da Marta, apontava o trabalho dos neurónios ainda para a cidade cinzenta, num turbilhão tal que era incapaz de encadear acontecimentos – penso inclusivamente que não os percebia: limitavam-se a estar numa moldura em que parecia que observava o exterior e não aquilo que só a mim pertence, ie, os volumosos arquivos cujo acesso só é permitido pelo eu próprio.
A chuva brotava dos céus impiedosamente, tendo o JpA que conservar o moderado quanto à velocidade a que nos deslocávamos: como resultado, demorámos mais que o razoável ou mediano para percorrer o dito percurso.
Em casa fui saudado pelo pai e pela mãe. Rapidamente aleguei cansaço, escusando-me às pidescas questões da mamã, e refugiei-me no porto de abrigo que tem servido para todas as tempestades: nada mais que o meu quarto. Despedi-me, desfazendo-me em agradecimentos, daqueles que por mim esperaram e só depois de estar em casa me abandonaram; enviei ainda beijinhos para a Martolas, a minha adorada sobrinha – por ela dou tudo, tudo mesmo: e continuo, orgulhosamente, assim: é como se uma filha ‘emprestada’ seja, aquele amor de rapariga.
Senti batidas na porta que me separa da restante casa. Não estava para conversas: apesar de ter dito entre, foi num ápice que voltei a ficar comigo e comigo apenas: reiterava o cansaço, a premente necessidade de um descanso restabelecedor. Na verdade, queria dedicar-me exclusivamente a escalpelizar a surreal aventura vivida a trezentas mil rotações por minuto. Obrigatoriamente seria tarefa a empreender sozinho, com o devido sossego e atenção que tanto exigia.
Sossegar, acalmar, ordenar a mente: tudo isto demorou o seu tempo e agora sentia-me verdadeiramente cansado; aliás, extenuado. Exigia-me, todavia, voltar a Londres, voltar atrás no tempo – tempo, esse bicho feio com que tantas vezes me embrulho numa luta desesperada, já que perdida a priori.
Aos poucos as memórias tomavam formas – mais que simples contornos, assumiam um pseudo-realismo, ou proximidade com o real, que podia afirmar estar a revivê-las numa segunda experiência. Regressavam as formas das pessoas, a arquitectura de todos os edifícios – históricos ou não – observados, as cores, os cheiros – o seu cheiro, dela, particularmente –, as baixas temperaturas no exterior que contrastavam com o calor – devido ao aquecimento central que a metrópole aufere – que se impunha no interior de cada local onde entrava, parecendo fronteiras delineadas a régua e esquadro; recordava uma azáfama no Harrods quando ela procurava uma qualquer peça de roupa especial que acabara por não encontrar (foram precisas umas três horas e tal para se assegurar de brilhante conclusão), o Thames onde passeámos a bordo de um barquito ranhoso, não melhor que o pior dos nossos cacilheiros, e rimos que nos fartámos; recordava toda a zona que cercava a Tower Bridge com toda a sua aparência medievalesca, recordava sobretudo a Tower Bridge, mais propriamente só a ponte, onde experimentei dos melhores momentos em Londres – e os piores, quando por fim dissemos adeus, para nunca mais – e aquele pequeno estúdio arrendado no limítrofe da cidade; também recordo com alguma piada quando decidiu mostrar-me o Madame Tussaud e o Museum of London após a hora de fecho – relacionava-se com alguns dos respectivos responsáveis – mostrando-me com entusiasmo, e muitos beijos aliados a mãos que se perdiam, os seus ‘bastidores’, o ‘backstage’ da acção, enfim, tudo aquilo a que o turista ou visitante mediano se vê vedado – e sentir um deslumbramento!...
Finalmente, as memórias! Duma limpidez pratica e dolorosamente (‘dores’ circunstanciais, específicas a determinados espaços e tempos) confundível com o presente, com o vivido aqui e agora.
Esforçava-me impiedosamente para recordar tudo ou tudo o que interessava. O resto, o resto podia ser uma pálida sombra – não subsistia em importância, não tinha relevo, substância, ‘sumo’.
Agora que recordo, à distância com o desmoronamento das claras evidências que por tão pouco permaneceram claras e incólumes, custa-me ter que aceitar, pois que da única opção se trata, que a este sucedido não caberá recidiva. Não voltarei a Inglaterra (recuso-me a dizer Reino Unido pois que a Escócia, sem a ver com olhos próprios, adquiriu parte do meu coração), não tenciono fazê-lo, dificilmente alguém alterará esta opção obtida de forma concertada pelas emoções e pela razão.
Custa-me, por isso também, continuar por ora este texto. A conclusão ficará para outro post: caramba, a parte mais difícil!, ainda por cima. Resta mesmo o enredo com a loira, quase ruiva que me despedaçou – e mantém despedaçado? Hmm, nem quero saber...
Termino só a confirmar que a jovem apareceu, como sustentara, naquela hora por ela mesmo ‘confidenciada’ no hotel que jamais perderei da memória até que o desgaste do tempo (ou da doença, quem sabe? E até só mesmo com a morte) se encarregue de, naturalmente ao longo deste processo natural, reformatar o cérebro e o conteúdo por lá, algures, alojado – conduzindo para a demência final, onde os ‘clusters’ deste disco rígido, irrecuperáveis, não permitam qualquer formatação adicional.
(a concluir)
Nesta longa senda pelo mato que é a vida, onde tudo o que temos tem que ser – quase sempre, quase por todos – conquistado a pulso, recordei-me de uma música de future pop:
“come lie next to me
know why you and
me are one”
‘Kathy’s Song’, Apoptygma Berzerk
... casa de banho, não é?
Mas foi na casa de banho que eleminámos os ingleses, ou não? Hum? Foi ou não?
Ai!...
Transsexualismo? A esta hora?
Será verdade que sou isto?
(e porque raio tinha de calhar-me um boneco ao estilo de manga?)
Olha, não penses mais nisso.
Fica, então, aquilo que os chineses me sentenciaram:

You are Dha-shi-zhi!
A female bodhisattva of Chinese Buddhism, whose
name means the Strongest. Through the power of
her love she managed to break the circle of
rebirth for everyone. In the heavenly paradise
the souls appear before her in the shape of
flowers.
Which Chinese Mythological Being Are You?
brought to you by Quizilla
“Por quem já não volta
Por quem eu perdi”
(‘Por quem não esqueci’, Sétima Legião)
Olha,
“I am sorry I am not here to tell a story or a lie
I just didn't want to say good bye
I am sorry I am not saying that you didn't have the right
I just didn't want to let you go”
(‘Firewall’, State Of The Union),
paciência.
O meu leitor de dvd’s, após o ter sinalizado com uma impressionante convicção, lá se avariou de uma vez por todas.
Tive que ver o ‘Dark City’ no pc, o que, sinceramente, odeio. Isto de ser algo antigo obriga-me, moralmente, a visionar os filmes pela televisão.
Um bom filme, que aconselho, apesar de pouco explorado e de ter uma produção... bom, não é hollywoodesca.
Um bom resumo:
“And you can take away my thoughts
you will not change what I believe”
‘Citizen’, State Of The Union
... uma noite no bar do peixe Meco.
Um espaço agradável, onde o atendimento não prima pela simpatia, que a determinada hora se transmuta de restaurante para bar dançante. Ponto forte: aberto para a praia, bastante simpática pese embora o frio e humidade que se faziam sentir à medida que nos aproximávamos do mar.
Três festas de aniversário reunidas numa só. Umas cinquenta pessoas, das quais trinta seriam de nacionalidade inglesa: tipos impecáveis, não arranjaram um único problema com excepção aos do aparelho auditivo quando se punham a gritar, com o típico inglês de Inglaterra, em coro: ‘Rooney, Rooney’. Foram os maiores danos que causaram.
Dos três aniversariantes conhecia dois, o jovem que me convidou e a irmã – designer em Londres e principal causa pela invasão dos simpáticos, mesmo quando completamente bêbedos, súbditos de sua majestade.
Começámos a jantar pelas 23h30, completamente cansados de uma viagem de duas horas e meia de Lisboa ao Meco. Vasco da Gama com um acidente, estradas sinuosas, e, não fossemos nós portugueses, um carro que se perdeu. Claro que o grosso dos convidados, bem como a outra aniversariante, já lá estavam. Devemos ter chegado perto das 23h, coisa pouca se soubermos que a marcação estava, com reserva, para as 20h30.
Pelo nome do dito espaço, previa-se que o prato seria peixe: pois, massada de peixe – donde derivou, mais tarde, a brilhante conclusão de um jovem que vive num dos prédios ao lado donde moro: ‘Cinco contos por uma canja!!!’ – ao que foi prontamente respondido ‘mas é de peixe, é de peixe’, não fosse esta conclusão doutra pessoa cá do meu ‘bairro’. Sempre em grande, como de costume... para felicidade de quase todos, as bebidas eram à descrição, tendo a rapaziada de Inglaterra apanhado uma maior barrigada de sangria branca do que daquela espécie de sopa de peixe.
Já a dizer bom dia a sábado, fui dos primeiros a pirar-me para a praia. Comigo ia outro bloguista (ou bloguer, sei lá!), o É alguma maravilha?, e mais um casal amigo. Outros também sentiram despertar esse interesse – mas poucos, felizmente. Por aquela altura era ainda possível contemplar a lua, num amarelo encarniçado, em quarto crescente. Fabulosa, porém mais fabulosa era a visão do seu reflexo numa tira de mar, onde ‘andava’ de um lado para o outro ao sabor da ondulação: era uma tira que, iniciando-se no horizonte, terminava com fronteira feita no areal. Uma luz dum prata tão puro e singelo que até medo metia no meio de tanto escuro: não deixava, contudo, de ser uma contemplação fabulosa; tão fabulosa que fui o mais resistente ao frio e humidade que nos ameaçavam com uma hipotermia – todos, incluindo o casal, voltaram para o (excessivo!) calor do agora bar dançante, onde a esplanada seria o único sítio onde conseguia estar.
Ali na praia, semi-deitado numa espreguiçadeira, com toda a certeza mais solicitada nas hora em que o sol raia, o som das batidas, de uma música que é sempre igual nestes locais, tornava-se inaudível, quanto muito um murmúrio que o chocalhar das ondas na areia abafava. Ia igualmente mais precavido: praia, aldeia do Meco, levar pullover – pullover este que serviu de aconchego à aniversariante, irmã do aniversariante, pelo final da noite, já não dançava e o frio da noite aliado à brisa marítima faziam-na tiritar: “costas”, disse; e envolvia-se na lã azul daquela camisola; o frio para mim foi consolado por um sorriso agradecido e umas palavras simpáticas; também, ela tinha sido impecável durante toda a noite, mesmo quando o meu humor e pensamento teimavam em deixar-se envolver pelo negrume da noite, havendo sempre o seu braço a puxar-me para a animação que decorria a modos que num mundo paralelo ao meu.
Com o decorrer da noite foram aparecendo alguns ‘locais’, ou ‘locals’ – como dizia nos anos de teenager. A impressão foi péssima. Estando os ‘locals’ e os não ‘locals’ num avançado estado de embriaguez – embora não se resumisse tudo ao álcool – observei que um deles, propositadamente, magoara uma rapariga, novinha e alta, que aparentava ser estrangeira (mas connosco não estava), num peito. Atitude esta que conduziu a que o único sentimento que por aqueles tipos nutri se resuma a uma palavra: asco! E assim foi pela restante noite por cada vez que cruzava caminhos com esses senhores. Recuso-me a dedicar-lhes sequer mais uma única palavra, mesmo de carga conotativa altamente pejorativa.
Segui novamente para a praia, recusando simpaticamente os incessantes, e igualmente simpáticos, convites dos dois aniversariantes conhecidos para permanecer no espaço a dançar (ainda por cima ao ritmo daquela música deveras irritante). A lua fora ‘engolida’ pelo horizonte, restando apenas o escuro do céu e do mar, em tons similares, apenas quebrado pelas estrelas que tão bem se observavam, parecendo muitas mais do que quando estou na cidade, e pela ténue luz de um farol lá muito ao fundo. Decidira, por isso, não ir para a espreguiçadeira que se encontrava demasiado longe do mar e ir mais além. Ao ritmo muito de fundo daquela música, ouvia-se com uma superior clarividência os urros ingleses que agora tomavam a palavra do nosso país, num sotaque muito próprio: “Portugal! Portugal” – dizia ouvir-se, à letra, Pórtchugâl.
Ao princípio comecei por me sentar na areia, que por ali se encontrava bem mais endurecida, pouco ou nada se sentido aquele afundar pela areia como quando se encontra bem seca e dispersa em infinitudes de micro dunas. O sossego tornara-se rei e o mar o seu súbdito que o saudava com o espraiar no areal – era o único som, este do mar. Por ali permaneci, com a camisola ainda em minha posse, cobrindo-me as costas e aconchegando aqui e ali o peito com as suas mangas. Na mão tacteava a areia que, uma vez após outras, ia recolhendo – aos poucos deixando-a fugir para que o processo se renovasse.
Das poucas vezes, do tempo que ali permaneci e que valeu os “cinco contos por uma canja”, escassas foram aquelas em que tirei os olhos do espectáculo que tinha pela frente. Algumas para fechar os olhos e dedicar-me a introspecções de carácter muito pessoal. Outras três foram para escrever um nome, com um dedo, na areia molhada que me acercava, para voltar a lê-lo durante mais do que o tempo necessário para o simples ler, e, a derradeira, para, com a palma da mão direita, apagá-lo com um gesto da direita para a esquerda – nada de vestígios, digo eu para mim...
O encerramento ainda demorou. Demorou, aliás, mais do que previra. Deixei-me, então, entregue à mera observação e a umas garrafas de água, com e sem gás, frescas ou naturais – que a brisa do mar fazia-se sentir mais forte –, sem preocupações para com o gesticular eufórico que aguentou toda uma noite. Quando as luzes se reacendem, em sinal de um ‘está na hora, pá’, a resistência ao chamamento do ‘para casa’ foi bastante. Mais um pouco e teriam que empurrar os ‘resistentes’ dali para fora, mesmo literalmente empurrar.
A viagem de regresso foi sem complicações – sem qualquer mácula de álcool, conduzi o veículo que traria de volta aqueles que mais me importavam (de resto, não conhecia quase ninguém; os ingleses, com poucas excepções, naturalmente menos ainda).
O único inglês que nos acompanhava, um tipo simpático mas já rendido aos efeitos da bebida, adormeceu não tinha eu ainda dado meia volta ao carro para o encaminhar no sentido da estrada (ou assim lhe chamam, a um estreito tapete de alcatrão com aspecto altamente duvidoso).
A aniversariante ao meu lado, o aniversariante por detrás do banco da condução: os dois manos persistiram em manter-se acordados, ambos envoltos numa discussão saudável que ia desanuviando com algumas ‘bocas’ tontas. Preferi a 25 de Abril: bem mais perto, pensava; e também porque desejava estar nas alturas quando fosse recebido pela Lisboa velha que dali se vê e que é sempre bonita (talvez dispensasse a vista do cemitério de S. João, todavia até estes são necessários pelo que fazem igualmente parte integrante da beleza urbana – de que nem todos gostam ou sequer apreciam).
Deixei-a e ao respectivo moço à porta de casa, do prédio – claro! Desfez-se em mil e trezentos obrigados aos quais devolvia, sem sucesso, a mesma resposta em que afirmava ser aquela cerimónia desnecessária. Ao aniversariante obriguei-o a vir comigo estacionar o carro – mais não fosse, tinha sido o automóvel alugado pela irmã, sendo de toda a conveniência alguém saber onde estava o carro (não fossem perguntá-lo pela manhã!). Outros mil e tantos obrigados com uns ‘impecáveis’ pelo meio e seguimos cada um o seu destino final. Acendo a luz do quarto: seis e dez. Cama? Não. O vício de sempre: ligar o desktop, ver o mail, vir ao blog, ligar o msn (porquê não sei...), passear – ignorando o cansaço – pela Web, ouvir uma música decente (de todas ouvira duas: one step beyond dos Madness e elevation de U2), fumar um cigarro à janela – que detesto impregnar o quarto com cheiro a tabaco –, e aí sim, depois do ritual, talvez ir dormir.
Sete e trinta, absolutamente de dia, um grande calor que já se ia impondo, e lá me deitei. Antes tive que me dedicar, como sempre, a falar sozinho sem fazer barulho; e isto e aquilo e aqueloutro... até, após mais dois cigarros fumados, o pescoço se render a um final de dia – cheio –, obrigando a tola a ir, pouco e pouco, tombando. Sete e trinta e digo-me as últimas palavras seguidas do click do candeeiro: boa-noite – bocejando.
Rigorosamente sem qualquer ligação. Será isto?
y = x
ou, complexificando
y = mx + b
Logo saberei, saciando a curiosidade, se é esta (ou estas) a equação que exprime uma recta. Isto agora tornou-se pessoal... ai, esta malta que vem de letras – não ‘pesco’ nadinha disto.
Terminus:
"You've got what I need and every desire that I crave
You are just what I want, the perfect body, the perfect face
I love who you are for every move you make, for every word you say
and for every second that we spend"
'Romancing the Stone', State Of The Union
Por tudo:
um dia histórico!
Viva Portugal!!!, esta bela nação, este belo país!
... mas com razão
'When I was young, it seemed that life was so wonderful,
a miracle, oh it was beautiful, magical.
And all the birds in the trees, well they'd be singing so
happily,
joyfully, playfully watching me.
But then they send me away to teach me how to be sensible,
logical, responsible, practical.
And they showed me a world where I could be so dependable,
clinical, intellectual, cynical.
There are times when all the world's asleep,
the questions run too deep
for such a simple man.
Won't you please, please tell me what we've learned
I know it sounds absurd
but please tell me who I am.
Now watch what you say or they'll be calling you a radical,
liberal, fanatical, criminal.
Won't you sign up your name, we'd like to feel you're
acceptable, respectable, presentable, a vegetable!
At night, when all the world's asleep,
the questions run so deep
for such a simple man.
Won't you please, please tell me what we've learned
I know it sounds absurd
but please tell me who I am.
'The Logical Song', Supertramp
... o céu estrelado compreendi porque é que, nesta Terra em que nos passeamos, existe tanta coisa bonita. Algumas tenho. Outras, dessas, andarei na ‘eterna’ busca enquanto por cá estiver.
"O que a arte de curar deve produzir é a saúde, quer dizer, algo que é natural em si mesmo."
Obrigado, Gadamer.
'O Mistério da Saúde', Hans-Georg Gadamer
(Agora a sério, é uma obra interessante - apesar de muito para o grego clássico)
... rotulados de selvagens hooligans são os ingleses quem sai das terras lusas com pesadas baixas. Um deitado e empacotado; o outro, com menos azar – seria crime asserir mais sorte –, lá vai para a Bretanha pelo próprio pé.
Ao fim da primeira parte Portugal: 2 – Inglaterra: 0.
Mais um pacífico evento made in pt.
... católico, nem o contrário.
Dou por mim a olhar o céu de azul carregado de escuro a implorar resposta.
But she only comes when she’s on top
‘Laid’, James
[e pronto...]
Complicado é de nós falarmos. Então, quando acercamos determinados assuntos assuntamo-nos com a perda do ‘piu’. Na oralidade ou pela redacção temas existem que melindram, exercendo um coacção interna que interrompe, bloqueia, o pleno funcionamento daqueles microbichitos que são os neurónios. É uma confusão fantasmagórica, por lá percorrem milhares de pensamentos a uma velocidade semelhante à da luz. Todavia, qualquer conflito impede a sua exteriorização. E não, não me refiro à acção de psicotrópicos e muito menos da da mescalina (em particular). É algo orgânico, reacção química endógena – que limitados seres nos vamos dando conta que somos. Mesmo assim inventámos o motor a jacto, o combustível sólido, a energia nuclear e tretas de hidrogénio que matam que se fartam. Curioso, em circunstâncias que em tudo aparentam uma superior e indubitável simplicidade bloqueamos, como a criança que não se recorda da tabuado, como o licenciando que esqueceu os princípios básicos de um paradigma, dum mestrando que sofre dum ‘apagão’ quanto aos clássicos da sua ciência.
Em formação profissional estava horas a aborrecer os desgraçados dos formandos, sem que qualquer premissa fosse esquecida, com um à vontade que por si bloqueava os bloqueios, se me permitem a redundância. Quando questionado sobre módulos em que a ignorância era ainda considerável, bastava-me remeter a solução para a próxima sessão, fosse ela presencial ou a distância, em plataforma de e-learning, com um tutor capaz. Se não havia solução, arranjava uma. Sempre fui razoável a safar-me: penso mesmo que foi assim que consegui terminar a licenciatura. E com rodeios afasto-me do cerne. É do hábito, perder-me enquanto escrevo. Vamos lá, então.
Acordo de manhã sem despertador e sem necessidade daquela luminosidade que – digo-o com alguma repetição, irritante – inunda o meu quarto, ultrapassando com displicência a cobertura (pseudo)protectora dos estores. Enrosco-me no meu ninho, ao deitar, com um único pensamento; o mesmo que me leva a acordar espontaneamente, decidida e definitivamente antes do tempo previsto – quer faça a última abordagem ao mencionado ninho às duas ou após as quatro da manhã. É algo de perturbante, porém que não me preocupa em absoluto. Normal em espíritos ansiosos. E se o meu se sente e ressente dessa e nessa ansiedade. Estranhamente é inusitadamente agradável e, mais que agradável, mesmo bom e inclusivé apetecível!
É difícil desprendermo-nos duma ideia quando esta açambarca a nossa atenção, consciente mais inconsciente. Chega a ser assustador: parece uma mania em sentido psiquiátrico. O que, será suspeito?, sobrevaloriza o assustador é que gosto, gosto mesmo. Encontro-me numa posição em que vivencio os dias e as horas – quase que os minutos – com uma intensidade impressionante. Gosto da delicadeza, ternura e melaço que tenho vindo a experienciar durante esta aventura – que tanto demora a passar, como também dispara o tempo num ápice; paradoxo ou não é mesmo assim esta coisa bela que comigo tem vindo a viver. Em qualquer esquina desta em Lx, em qualquer hora do dia lá está essa ideia, submergida sabe-se lá vinda de onde; e depois perco-me por e nela até que, subtilmente, se apaguiza, extinguindo-se tal como surgira; mas o seu regresso é incessante: volta, e volta, e volta. E eu, eu adoro isto, adoro pelo que representa. Kundera estava certo do que referia quando, um dia, criou, imortalizada pela obra, a insustentável leveza do ser – talvez esta expressão tenha força, e conteúdo, para sumariar aquilo que tentei expressar em sete ou oito linhas.
Receio pavoroso é este que me assalta: chegar ao momento, à hora H do dia D, e cerrarem-se os lábios, embrulharem-se as cordas vocais, baralhar-se o cérebro numa exorbitância desmedida de ideias que não tomam forma. Não há-de ser nada, o pânico não me assaltará e procurarei copiosamente recordar-me do claro castanho de uns olhos que pacificam esta ‘fúria’, que, numa melodia doce por um manto de fundo meigo, acalma as (precipitadas) emoções.
‘This is USS/ HMS (...) admiral. Full throttle ahead. Best of lucks, soldiers.’
(Como imagino a partida nesse dia algo tempestuoso no mar, pela hora H, dia D. Boas memórias os recordem sempre: não apenas na guerra se fez sentir esta bravura e coragem de milhares.)
Recorrendo a velhos hábitos, despeço-me com o portento, para mim, de significados em que determinadas letras musicais estão imbuídas.
“You’re not alone in this world
Show me your mind
Open your mind”
“Sometimes when I look
deep in your eyes
I swear I can reach your soul”
‘Say Something’ / ‘Sometimes’, James
“Shiness is nice and
shiness can stop you
from doing all the things
in life you’d like to
…
Coiness is nice and
coiness can stop you
from saying all the things
in life you’d like to”
‘Ask’, The Smiths
“And you leave me holding on
in Red Hill Town
as the lights go down
I’m hanging on
you’re all that’s left to hold on to
I’m holding on
you’re all that’s left to hold on to”
‘Red Hill Mining Town’, U2
PS – Recebo um sms: suspiro (profundamente em alívio) !
Fabuloso como há letras que sintetizam o nosso estado de espírito
'We're talking away
I don't know what I'm to say
I'll say it anyway.
Today is another day to find you shying away
I'll be coming for your love
o.k.?
Take on me - take on me - take me on - take on me -
I'll be gone in a day or two.
So needless to say I'm odds and ends
But that's me stumbling away
slowly learning that life is o.k.
Say after me it's no better to be safe than sorry.
Take one me - take on me - take me on - take on me -
I'll be gone in a day or two.
Oh
the things that you say
is it live or just to play my worries aways
You're all the things I've got to remember
You're shying away
I'll be coming for you anyway.'
não é?
('Take on Me' - A-ha)
... ou heurística semântica de uma contracultura – fenómenos de dissidência sociocultural.
O subtítulo parece apostar num retrato deveras imbricado ou pereambulado, na sua compleição, de um ou alguns fenómenos que atravessam a nossa sociedade. Nada disso: ficarei por mais simples – tão somente não consegui reduzir o título a uma fórmula que fosse do meu agrado; podendo não querer dizer nada, a mim diz-me quase tudo sobre o que, longitudinalmente, cruza as (pós?) modernas sociedades ocidentais de lés a lés. Peripécias de uma imaginação desocupada em demasia, diz, com virtude da razão – que tem –, o(a) caro(a) leitor(a).
Vivemos numa sociedade infértil por si própria, num ponto de viragem – o qual acredito sem retorno – que mal começámos a descobrir. A mudança carrega consigo um inaudito peso que à palavra em si não se atribui costumeiramente: efectivam-se contraposições de valores, normas e regras – desta feita, numa medida radical. O que implica rescisão de contratos, novas ordens e uma azáfama de negociações – recusando o radical, obrigação de novas posturas, alargamento das abrangências dos papeis sociais. Advertem-nos sobre a globalização – a causa. Eu falo de informação à escala planetária – acção histórica.
Infértil porque agimos num conjunto de pré-constructos – acção que se limita ao deixar correr o outrora iniciado, porém, hoje, com um poder virtualmente ilimitado. Infértil porque não se inventa o social pré-existente, modulando-o, sim, aos novos paradigmas emergentes de encarar o real dial concreto. Quanto muito re-inventa-se. Precipício por nós obrado e do qual não nos apercebemos – ou fingíamos, o que ao invés de atenuar aumenta o carácter de dívida para connosco. Céptico? Não. À ordem, a contra-ordem; à cultura, a contra-cultura. Evolução progressista e tão só – com desdém aos positivismos e corriqueiras teorias evolucionistas (aceito certas das neo-evolucionistas).
O contrato cederá ao postulado da praxis social: ou quebra ou moldar-se-á às novas existências. No meu entender, modesto, cederá passagem às novas conquistas iniciadas e em embriónico porvir. De salutar, o efeito da mudança sem que ‘revolução’ alguma se aplique.
As normas e as regras que vão regendo o social em toda a sua polivalência (entendido formal e informalmente) destinadas estão a semelhante fado: estoiram e novas surgem ou, progressivamente, as que virão ir-se-ão acomodando sem causar ‘baixas’ de maior. (volto a apostar na segunda solução.) As redes – todas – disseminam-se: com elas o maior poder, a informação. Com a disseminação pensar-se-á localmente para agir, nos vários localmente em uníssono, globalmente; o global, porém, será o cérebro que dita os enumerados gerais e invioláveis; localmente criar-se-ão desvios (dentro do padrão do aceitável) onde novas meso e micro regras tomarão lugar, lugar secundarizado pelas de índole global.
Não é teoria d’ uma conspiração. O processo já se iniciou, como em outras épocas históricas se iniciara. Para dizer a verdade, o processo nunca parou. Idem per idem, nada que seja novidade – súmula (com requinte em ab absurdo): nada a temer que outros não tenham temido.
Ou como diria Horácio: ‘ab ovo’ – desde as primeiras causas.
Boa noite, caríssima(o)s.
[para desanuviar: (O amor)"Enquanto é fogo, não se vê, só quando se torna cinza."
'Azul-Turquesa', Jacinto Lucas Pires]
Fomenta-se a ideia que a imaginação é produto e que brota da mente do autor, que a ele se devem as explanações que incorrem pelos mais diversos e distintos caminhos.
Por medíocre que seja este blog, muito ou pouco, venho em defesa da argumentação que o que escrevo não se deve a uma mente que, por vezes, mais parece perturbada que sã – não sendo isso verdade, o facto de ser perturbada. O que será da minha imaginação se não obtiver fonte onde possa ir beber a fim de se inspirar? É o caso, a minha imaginação é secundária, dado o facto de ser a fonte de produção o mais importante a relevar neste processo que é o da escrita. Para ser uma pessoa idónea, franca, vejo-me obrigado a assumir esta realidade.
A sensibilidade pode viver entre nós, mas não ultrapassará o estado latente se não for estimulada (também cultivada, mas lá está: outro, mais um, pormenor secundário – inexistente na inexistência de um estímulo com a devida força, força que seja o motor de arranque para um veículo há muito parado).
Pelo que nos transmitem (deveria dizer bombardeiam?) através da televisão, ao invés do soma, do corpo, a imaginação não ganha asas com aquela coisa energética de sabor pavoroso, aplicação duvidável e efeitos colaterais que nem os seus criadores sabem ao certo enumerar – nem quereriam! A imaginação flui através da realidade doutros que no real existem (insisto sempre no real – contudo não encontro expressão mais adequada, o que talvez se deva à minha formação). A imaginação é uma deturpação do que existe, cuja clivagens podem balancear conforme pretendemos – não existe, não tem consequências (de maior! obviamente que o pensar, mesmo o imaginário – seria mais sério escrever imaginativo, já que o termo imaginário pode tomar corpo de outras interpretações que agora me escuso a explorar – tem consequências).
A imaginação não é filha única, tal Deus encarnado em homem numa imaculada santidade, sendo exactamente o seu oposto. A imaginação surge das vivências com e de outros, das suas alegrias e desesperos, de ilusões e desilusões, de amores e amarguras, de euforias e carpires, de eteceteras e contra-eteceteras. Não me arrogo, portanto, da originalidade de obra criadora, seja mesmo a mais insignificante das obras como têm sido as minhas pequenas ‘criações’, as minhas pequenas ‘criaturas’, os meus ‘nascituros’ de partos mais ou menos fáceis. Só me posso arrogar de os transcrever, nada mais; arrogar-me apenas da transcrição com indelével cunho pessoal – a única causa em forma que me permite e me justifica denominá-las minhas: apropriá-las.
Ridículo seria afirmar que tenho as ninfas do Tagus a sussurrarem-me aos ouvidos, tal como dizia acontecer-lhe Luís Vaz. Tamanha prepotência seria a minha – só um entre tantos, querer permitir-se sequer chegar perto de tão eloquente e enormíssima personagem.
Tão só transmito uma mensagem: não fossem todos os outros com quem vivo, ou de quem vou alguma coisa sabendo, e nada teria a apresentar, a escrever; por mais medíocre que classifiquem esta escrita – mas um orgulho para mim representa: o cunho pessoal que lhe incuto.
Acrescentando-se ao ponto fundamental e basilar da imaginação, não esqueço – como? – as palavras daqueles que me encorajam a continuar: pois nem só o brilhante tem o direito a existir e, mais, a prevalecer.
Ao sublime que é a imaginação.
Aos sublimes, que vão sendo, que sustentam esta imaginação.
Simples, conceito que conjectura em si concretos complexos numa aparência enganadora. Mas simples, simples é estar contigo e viver e entregar-me às mundanas sensações do ser, às sensações do espírito ou lá o que isso seja, desligado da corrente de um real que teima em impor-nos correlações entre tudo o que acontece, em que uma acção A implica uma resposta B e logo uma situação C. Não importa, porque simples é ignorar todos os mecanismos explicativos daquilo que se vive. É entregar-me sem receios e na totalidade do que sou só a ti, logrando a quaisquer outros espaços que existam qualquer possibilidade, nas suas múltiplas tentativas, de entre nós virem a ter lugar. Impermeabilizo-me aos factos exteriores, pese embora sejam eles mesmos a causa de juntos estarmos. Simples é de mais nada importar, mais nada ser ou existir que as tuas palavras dóceis, o contorno de uns lábios que vou olhando num pasmo de quem julgava não serem possíveis, do brilho de uns olhos, aqui e ali escondendo-se numa muralha escura de uns óculos de sol, pautados pelo mais claro castanho que o acaso permitiu que conhecesse – feliz acaso, esse.
Simples pois que o complexo é erradicado através da tua simples presença que me faz ver-te como ser singular e simultaneamente o único, faz-me ver-te obrigando-me a em ti concentrar tudo o que sou: simples porque és tu e mais ninguém, mais nada, enquanto te saboreio nos escassos momentos que nos são oferecidos – e nesses momentos és tudo e tudo se torna simples: a isto chamo um toque de simplicidade. Toque porque é finito e ambos sabemos que terá um fim, para de novo recomeçar, mas um fim que volta a expulsar-nos para aquela amálgama da complexidade quotidianamente vivida. Por isso são tão simples esses momentos que contigo, a sós, experiencio uma vez atrás de outra, sempre nova, sempre diferente – porém, sempre simples.
Um toque de simplicidade, esse de sentir a pulsação empolar-se enquanto oiço a tua voz na expressão das tuas palavras. Esse toque que almeja e atinge a simplicidade enquanto as pulsações diminuem de tom na acalmia dos teus olhos, esses do mais claro castanho com que, providencialmente, os meus se cruzaram. Tão profundos e belos, irradiando a beleza de alma, com um quê de tristeza, que tem sido a melhor prenda que me estava reservada. Tão profundos e belos, esses teus olhos, que eu, que sempre com o olhar fujo, que os olhos são o espelho das almas, devido ao embaraço e vergonha que sempre me caracterizaram, não posso deixar de encará-los: quero guardar-lhes a memória, não mais –nunca – esquecê-los. O teu semblante, que algo triste sempre vai resguardando, carregado de alegria, alegria essa sempre confirmada pelo teu sorriso cativante que nem no falar se desvanece.
Contigo quero ir longe neste infinito, mesmo que quem por nós passa nos julgue ali ver; ilusão dos que contigo me julgam ver pois lá não estou: vagueio contigo e por ti nesse infinito maior que o universo que é a imaginação. Contigo, tão só e apenas contigo vagueio por entre as estrelas e planetas, viajo numa empreitada sem fim. Estou só não estando, porque te levo comigo aquela dimensão onde reina a felicidade e alegria. Os outros, esses, de mim apenas vislumbram a aparência – embarcámos para outras paragens, num fundo oceano, no interior de uma gigante ostra só nossa que se cerra para nós dois vivermos aqueles escassos – mas eternos – momentos de eternuridade (obrigado, lgm, por me teres ensinado o que é a eternuridade – agora, mais que a conhecer, experiencio-a, aceitando-a como é, sugando-lhe, por isso, todos os segundos que posso aproveitar).
Tantas palavras, tantos conceitos, tantas explicações: quando eu sei que, no fundo, simples é estar contigo, estando tu comigo.
Tanto amo este toque de simplicidade, não sendo porém mais que um grão de areia da extensa praia que o meu sentimento por ti é. É mesmo assim, simples – contigo.
Dói-me um dente!
Nem ao meu pior inimigo – que por acaso não tenho – desejo isto...
Coitadinho, ainda hoje é sábado e só segunda é que a senhora doutora lhe pode ver o ‘serrote’. Prevê-se um resto de fim-de-semana a algimates farto.
Animal lamuriento, pobre infeliz... (oh pá, já te percebi – cala-te e aguenta.)
Será que se vendem por aí metassíncreses avulso?
Até mais, se conseguir sobreviver...
... uns nos copos, outros não. Trocavamos ditos e piadas fáceis, estoirados por mais uma semana de trabalho.
Desapareci com um rosto taciturno; reencontrei-vos com um sorriso infantil que teimava em prevalecer a todas as tentativas de quem, forçosamente, dizia em mentira - para si, só para si - estar sério.
Paroxismo de uma vaidade de contigo ter estado - colmatara um estado de espírito de inusitada benevolência: acabara de me complementar um pouco mais (o quão tanto aguardo).
... é ensejo em te querer falar e não poder. Como doença maligna, vai-me corroendo enquanto espero por momentos propícios em que tal seja possível. Praticamente petrifico com estas longas esperas, martirizando num purgatório do qual parece não haver saída.
Tentei odiar-te, não o conseguindo. Rejubilo pela contenção que mo impediu. Vai batendo forte, esta máquina que contribui com impreterível contribuição para o funcionamento das restantes – todas elas.
Na aventura da descoberta, que tens sido, desencontrei-me: como ir para oriente se o oeste se se tornara aos meus olhos desconhecido. Quis crer que a ternura humana era – e é – inabalavelmente superior à constância medíocre de tantos apriorismos que transportamos: aprendizagem malévola, esta dos a prioris. Não me enganei – convenço-me, com todo o crer daquilo em que acredito e vou acreditando.
Dirigi-te a palavra na mais suave entoação, contendo impulsos imediatistas que contrariavam esta atitude. Tentei fazer e ver destrinças – se o consegui duvido, agradeço antes a qualquer coisa de invisível que impediu o disparatado. Diz a cultura popular que o amor com ele é pago, e foi o que se seguiu: a ternura das palavras que te dirigi foi respondida por outra ainda maior. Pasmei pela surpresa – tão bom tê-lo feito assim, inpedindo(-me) de te perder.
Oiço uma voz à distância que se me dirige. À medida que a ansiedade diminui, absorvido sou por um sentimento de quase-plena satisfação e bem-estar. Regresso a mim vindo de um eu próprio que se apartara para lugares longínquos.
Reafirmaste a esperança que se esvaíra. Sossegou-se a respiração pesada, fruto da intranquilidade que ganhara, sobre mim, usufruto.
Dirijo-me para casa. Sossegado e com um bater cardíaco que tocava a perfeição: igual ao teu – como se em uníssono, mesmo separados pela distância, os nossos movimentos cardíacos se fizessem sentir. Sim, batíamos, juntos, lado a lado num interminável ritmo igual – iguais a nós próprios, iguais entre nós.
Quero esquecer o mundo e tudo o que nele existe. Pergunto-me pelo travesseiro que me aguarda – quero-me deitar, sonhar contigo ainda acordado e desperto com as minhas emoções; quero adormecer sonhando contigo e contigo sonhar.
Fosse tudo tão linear como aquilo que sei que por ti sinto.
(Mergulhando num mar de serenidade.)
Boa-noite.
Adoro ver-te adormecer depois de termos feito amor. Deve tratar-se do limiar da ternura.
Sempre adormeci bem mais tarde que tu. Tenho uma resistência superior à tua quanto ao sono – mesmo se for este especial soninho bom. Ias-te entregando, progressivamente e numa acalmia tão delicada, a esse outro universo que é o dos sonhos.
Depois de termos feito amor era sempre eu o primeiro a fraquejar, a sentir que as forças que outrora me percorriam tinham desistido de ser – diz-se ser algo de comum aos homens; que gargalhada, desiste cedo aquele que se denomina como o sexo forte.
Abraçava-te forte, porém cuidadosamente. Contudo, cedo cedia aquele ser animal que em nós vive: largava-te e virava para ti as costas: não me entendas mal, só o fazia porque o corpo esgotado sentia-se incapaz de sequer levantar uma formiga bebé. Fazia-o, também, devido ao forte desejo de, enquanto recuperava do físico, sentir o teu morno e suave peito encostar-se nas minhas costas e uma perna tua a descrever um ângulo por cima de mim. Então vinha o arrepio, chegava sem aviso e impunha-se, provocando-me aqueles formidáveis espasmos que me atravessam até à medula – serenava nesta embriaguez que tomava os meus sentidos em toda a sua amplitude.
Vivia estes momentos, nos quais parecíamos só um, fundidos pelo calor do amor, praticamente com a mesma intensidade que a do próprio acto de amor.
Entregava-me a um dormitar, sem dormir. Em simultâneo com a temperatura do corpo que descia, ia sentindo os músculos novamente capazes de reacção, com a força que se espairara por ti a regressar.
Era a tua vez, também extenuada, de deixar de resistir. Cuidadosamente, porque ias-me julgando a dormir, retiravas-te de cima de mim, ficando costas com costas. Era por aqui que eu teria que tomar a minha vez, retribuir-te o quanto me mimaras – não por obrigação ou sentimento de tal, mas sim porque adorava fazê-lo.
Era eu quem se encostava agora; encostava-me a ti sentido o teu abrasivo calor. Movimentava um braço até encontrar o alto de um peito, a ele alapando-me com a mão. Iniciava então o meu ritual. Com delicadeza – toda que me é permitida – beijava os teus ombros, esfregava neles o rosto, cravava suavemente os dentes, saboreando a tua firmeza e gosto. Soltava suspiros do âmago da alma, enquanto, embevecido, olhava as tuas linhas, os contornos do teu corpo – que teimava em querer conhecer melhor, mesmo com o esforço de ter que perscrutar através de uma penumbra da noite, parcamente iluminada por uma lua que diria sorrir-me ou pelos candeeiros de rua que pareciam em esforço, brotando deles luz mais forte, como querendo fazer a vontade a um espírito que transbordava vida, alegria, felicidade.
Assim adormecia, por meio dos carinhos que me merecias, sem dar conta – julgo quase conseguir discernir aquele sorriso nos meus lábios, já com os olhos cerrados por outra, mais uma, noite.
Fui conhecendo muitas emoções ao longo da vida, vida que conta quase três décadas. Nenhuma existe que se assemelhe, que se aproxime daquela sentida nos braços duma mulher – ela sim, o sexo forte, quem me alimenta os sentidos, proporcionando-me o melhor que há. Bicho lindo, a mulher – como é possível haver anormais que tanto mal lhes infligem?
Bicho lindo, a mulher – quando é essa a sua vontade, encarna-se no ser mais perfeito que vive neste nosso mundo traumatizado com imperfeição atrás de imperfeição, com tanta mágoa, com tanta inveja, com tanto ódio: maus sentimentos que desvanecem perante o amor sincero deste bichinho, bichinho lindo.
... lá consegui sintonizar uma estação que ia e vinha procurando.
Dela não me quero desintonizar. Não agora.
... NR, pois é.
Há coisas que são mesmo de homem - tipicamente.
E volta-se sempre a insitir, pois, pois, pois... já conheço a ladainha que se segue.
Vá lá, pá. Não te acanhes e comenta!
(Deve, já se está mesmo a ver... e repito: pois, pois, pois...)
Uma grande língua para ti. - não é dessas, pá! é assim:
:P
... uma garrafa de água, sff.
com ou sem gás?
sem, é pa deglutir aqui este antibiótico - preciso de reforçar as defesas.
Druxinha!, quando é que cá voltas?
(vá eu perdoo-te e depois tu perdoas-me e depois o contrário e o contrário do contrário e...)
Anda, não é assim tão difícil. Vá, clica no browser e: blog-neur...
Jinhos!!!
... e agora saio-me com armas? Que bicho me mordeu? Bem, de facto eu gosto bastante deste brinquedo em particular, a Five seveN, mas não parece ter sido ideia oportuna. Já basta meio mundo andar à estalada! Porém, abono em meu favor: tenho algum fascínio por um grupo restritíssimo de armas de fogo, mas nem sequer de caçar sou capaz – muito menos de ‘caçar’ gente; só acho piada à parte que envolve a perícia e pontaria, pelo que o único uso a que destinava seria, por assim dizer, o do desporto e sempre com alvos inanimados; a única vez que apontei algo semelhante a uma arma para um bicho, uma pressão de ar, andava por terras de Palmela, fui incapaz de premir o gatilho, sentia ser ilógico o porquê de o fazer: o pobre bichano nem me tinha feito mal algum!
Atravessada está, então, a fase do metal e da pólvora. Revejo-me como pacificador, não recorro nem incito à violência (pois, há a excepção que confirma a regra, não é?): bem, talvez à simbólica – nem por isso inferior em periculosidade, acontece superar-se à outra; então aliadas...
Largo o metal e a pólvora para ficar a conjecturar sobre a violência? Isto hoje está mesmo bera! Quem ainda, corajosamente, vai acompanhando o texto deve estar a pensar mas ‘pá, pareceu-me que o título era não sei o quê rosas... que estranho’. Apela-se à cisão. Ponto final, mudemos de parágrafo que por aqui já cansa. Puff!
Recomeçando – ou, a bem ver, começando –, prossiga-se com o intuito programado, ou mais ou menos isso. O melhor é complicar o texto, assim safo-me melhor e até pensam que sou inteligente, quando o correcto é eu não estar a dizer nada (não, não estou a dizer que são uma cambada de burros e que vos enrolo facilmente! – isto quando corre mal... e não é que ainda piora?).
Bom, bom, bom... pausa... respira... ok.
Quero eu sugerir que determinadas circunstâncias se tornam premonitórias. Há uns dias queixavam-se: ‘Guns?’, claro que tentei apaguizar ‘Calma, primeiro vêm as rosas’. Atente-se: ‘primeiro’! Quer isto dizer, se se fala em primeiro é porque, no mínimo, há um segundo; caso contrário não se falaria em primeiro, pairaria a ideia da unidade, do uno.
E, a bem dizer, no seguimento daquilo que tem de ser – justifica-se pelo premonitório em si – , surge a publicação da ‘hand-gun’ que predilecto. Más línguas, em tom acusatório, apontariam que o timing foi preciso e pensado – estruturado ao pormenor. Estúpida foi a simplicidade, tal coisa nem me ocorreu. Ninguém, todavia, pende muito – nem pouco, quem sabe? – para a aceitação da simplicidade como justificação plausível, ou seja, como verdade verdadeira. Retornando ao meu lado mais agressivo (espero serem o mais diminutos possíveis os casos a que ele recorra!), só posso lançar a interjeição: ‘Azar! Quem quer, quer e quem não quer – acreditar – que não queira – acreditar!’
Posto isto, resta-me orgulhar-me de poder afirmar convictamente que fiz as pazes com o meu blog. Afinal, é o meu espacinho querido, adornado por um especial encanto que insiste em seduzir quem eu sou.
Como em todos os momentos em que a reflexão é acompanhada pelo silêncio da noite, por aquele manto de um azul carregado de escuro, terei chegado a um consenso para comigo.
Nem só rosas monopolizam o real vivido do quotidiano. Nem só de ‘guns’ é composta a complexa alma humana. Vivemos com ambos, o melhor será tentar harmonizá-los, dentro de nós, e passando a mensagem para o exterior, tanto quanto conseguirmos. Lembrei-me de um velho mestre – ou lembrou-se ele de mim, fazendo brotar espontaneamente esta mensagem no meu ser bem mais diminuto que o seu –, em particular de uma frase marcante que se cristalizou, desde aí para o futuro, no meu pensar: ‘os momentos e os seus homens’. Parece de uma pálida timidez quando ouvida/ lida desta forma. Porém, encerra – abre – em si um sentido de profundidade imenso/ intenso: ‘Não os homens e os seus momentos, mas os momentos e os seus homens’ – retirem-se, por um momento, do eixo que julgam ocupar na vida e passem-no para os momentos; a ilação é a de saber o que faz um homem com os momentos, aquilo que o fará sobressair da restante massa social; a ilação é que o homem digno de humanidade coloca os momentos que vive no palco central do drama, analisa-os, age em função deles – sim, só depois se pode falar do homem e dos seus momentos, em prol da humanidade da humanidade.
De arma em punho se vai desbravando o mundo, sem nunca esquecer que o objectivo é o de plantar as rosas – estabelecer raiz que nos faça sentir dignos de viver. Não confundamos o fim com o objectivo, porque nem mesmo individualmente – só para nós e em nós – conseguiremos singrar se aquilo que a mão empunha for apenas a arma.
Toma, para ti

uma rosa
:)
Foi ontem. Percebi tudo – querias enviar um e-mail a cancelar-me, não é verdade? E cancelar não chegava, querias apagar-me de todo e qualquer vestígio.
A confusão instalara-se: por um lado tinhas-me sentenciado a morte, por outros tentavas (não) escutar aqueles que ‘porra pá, não faças isso.’ ou ‘foi importante para ti, para quê deitares ao mar horas (d)e dedicação; não sejas tolinho!’.
Tive que ser eu a berrar: ‘Não me mates, pois que levará parte de ti.’
‘Pfff, linhas, palavras...’ – pensaste tu, dono ingrato. Quantas vezes servi de depósito para o teu humor, estivesse ele inclinado para o bem ou para o mal? Quantas vezes camuflaste em mim os teus pensamentos, sabendo que eu os guardaria num segredo solidário? Amei-te. Porque não me amas tu, dono ingrato, que sentencia a minha morte? Chorei contigo, ri contigo, vivi – e vivo – contigo. E agora é assim? Abandonas-me... vi-te abrir o gestor de correio, desse electrónico, com olhar perdido de quem não sabe o que faz mas a fazê-lo está decidido. Paraste por aí, desligaste esse gestor, abriste-me a página e contemplaste sem ler.
Nem eu nem tu conhecemos o porquê, o que justificou que voltasses atrás com esta decisão que bifurcava em nós: impediste o meu assassínio, recusaste-te ao suicídio dalguns dos teus princípios.
Ainda vivo, mais ainda vou viver: porque te conheço – dono maluco, tontareco.
assino,
Neurose (fóbica) – ignorem o PmA que se me segue: precisei dele para cá estar, porém a autoria pertence-me.
Five seveN
de fabrico belga.



O mais perto da perfeição em metal - calibre 5.7x28mm
[The 5.7x28mm ammunition has the capability of penetrating body armor at extended ranges. / The Five-seveN® fires the SS190 5.7x28mm ball round. This projectile will perforate any individual protection on today's battlefield including the PASGT kevlar helmet, 48 layers of kevlar body armor and the CRISAT target (titanium and kevlar).]
... do que somos
it lies beneath our single words.
... 'The boy who cried Wolf'.
Um dia veio - e depois não soube o que fazer.
Victory not Vengeance:
'I asked myself "was I content"
with the world that I once cherished
Did it bring me to this darkened place
to contemplate my perfect future
I will not stand nor utter words against
this tide of hate
Losing sight of what and who I was again'
('Epicentre', VNV Nation)
1, 2, 3, voltei à escola outra vez.
Porque é que me ofereceste uma bússula, querida ida Sandra?
Bem sabes que não encontro o norte.
... e nada disseste, eternuridade:
Que leviano procurar solução quando não existe problema
..., não vou concluir o post 'percursos ingratos (...)'
Foi-se a vontade - inclusivé, parece que me sinto agressivo... que anormalidade!
... porque se levanta, tanta vez, essa questão?
Por mim falo - e só. É óbvio que a tenho. A pueril idade do coitadinho 'ai, que - num isto e naquilo - me suicido' já está mais que ultrapassada. Nem paciência, sequer, existe para isso! Um blog de compensação, é o que é - precisa-se chutar a bola em direcção frente. Mais que isso não será - esgota-se, por aqui, a sua função. Nem tudo o que aparenta é, corroborado com um nem tudo o que aparenta ser cumpre o julgamento da aparência.
Auto-estima, chavão em que se escondem fracos de espírito. Não engulo essa pseudo-profecia. Essa, a auto-estima, ocupa em mim lugar preponderante - móbil de uma procura inacabada pela felicidade, confundida como falta de si.
Pela auto-estima ser, não perfeita - nunca atingirá essa expectativa, elevada é que busco sempre uma fasquia - possivelmente mais além - que de mim foge. Devo, por isso, desistir desta perseguição: não respondam, eu faço-o. Nunca e jamais. Tão somente olha-se em redor, prendendo a atenção no onde poderemos colocar - por mais uma vez - o raio da fasquia.
Auto-estima. Falta dela? Negação contínua - não se é humanamente capaz de (sobre)viver sem ela.
Vou tendo, oscilando ao sabor de alguns índices. Nasdaq também - e sobreviver-me-á.
Cumprimentos caríssimos - e entendam algumas regras do básico.
'slow down my beating heart'
Isso digo, mas garanti nunca te mentir - não foi, tu que sabes?
(In a Little While', U2)
Bate, bate... encontrará o seu compasso? - Fogo, se fosse contigo acho que ele até parava... Seria do choque
Até lá, olha ainda compro um desfibrilador... só me preciso de decidir a quantos watts (sou mesmo agradável quando quero).
... não existe.
Assim quero crer durante uns tempos. Sei bem que é mentira dizê-lo. Não uso, por hábito, o vernáculo no blog: tenho-o evitado, a esse lugar (mais que) comum.
Pois, hoje não aguento - estoiro com o verniz, em resposta ao amor, que não existe - existindo: Que se Foda!
Não te devo nada por que não tenha pago.
Mesmo que se tiver que ser só, lá irei.
(sem amizades, sem moça, por mim - não merecerei?)
De regresso a letras...
já que amo esta cidade:
'... you love this town'
e sabendo que:
' you know I'm not a hopeless case'
continuo sem ver desta maneira:
' See the world in green and blue
... after the flood all the
colours came out'
sempre dicordando
'what you don't have you don't
need it now'
(ui, pelo contrário)
'Beautiful Day', U2
e digo
'I'm not affraid of anything in this world,
there' nothing you can throw at me
that I haven't alrady heard'
(minto, acho), mas,
'I'm still enchanted by the light
you brougth to me'
De facto
'... you are such a fool
to worry like you do'
e a verdade é que
'these tears are going nowhere,baby'
'Stuck in a Moment you Can't Get Out Of'. U2
mesmo quando penso que estou
'High, higher than the sun'
com o pensamento
'at the corner of your lips
(mais)
at the orbit of your hips'
'Elevation', U2
Apesar de saber que isto e aquilo
'and love is not the easy thing
the only baggage ypu can bring...
and love is not the easy thing...
it's all that you can't leave behind'
quase pereço na certeza de que
'And if th darkness is to to keep us apart'
e se
'And for a second you turn back'. eu estou lá.
não dando:
'oh no, be strong' (fácil é dizer)
'Walk On', U2
Terminando com um
'I want you to know (porque não sabias, não!)
That you don't need me anymore
I want you to know
you don't need anyone, anything at all'
será?
'You wonder what has happened to me'
Só respondo
'I'm a man, I'm not a child'
enfim,
'I know that this is not goodbye' (espero!!!)
Súmula:
'Did I waste it'
(variando, acho que sim)
'Kite'. U2
(nem ponho aqui a música 'In a little while' porque seria a maior mentira do mundo - assim, fico por aqui... merda!)
... U2. 'when all I want is...'
Na estrada, por algures, quando dizes até já aos que te rodeiam, o que buscas?
Simplesmente uma resposta que sim.
aqui está o itálico que te escondi, i - no 'Tomorrow', dos James:
'Gotta keep faith that your path will change
Gotta keep faith that your love will change tomorrow'
já que todos temos o direito de acreditar.
'all i want is...'
algures por U2
... viver sem ti.
(Com um especial agradecimento ao NR: não me refiro à SS, mas sim a ti... Já sei NR, vais-me paritir a cabeça -mas ainda me recuso em acreditar-te. Mais tarde, embora saiba que tens razão. O meu reiterado obrigado, embora se diga, por algures, que aos amigos não se agradece.)
'Poderá o inferno
nunca ter um fim?'
'Aquele Inverno', Delfins
Numa auto-estrada, a 180 à hora. Vemos. Vemos o que queremos ver. Vamos vendo aquilo que queremos ver, se até lá não nos borrarmos de medo – a velocidade aumenta, a perspicácia da mente acompanha-a: nada, mas nada lhe escapa. Somos livres de ser sem o ser: pobre condição humana. A mente ultrapassa a velocidade entendida nos limites da velocidade – dita – razoável. Fujo, escapo? Nada. Viajo. Vou porque quero, assim o pretendi. O que é, em facto, ser sem o ser?
Demagogia da razão – é a resposta neuronal – porque se pensamos é meramente indicador de que já existíamos. Agimos em função do ratio, não tido como conceito da razão, da racionalidade? Inverídico – o inverídico significa a propriedade daquilo que não atinge a verdade, afastando-se da sua ‘verdade’, do seu ser; inverídico porque a razão é emoção. A velocidade aumenta – a tua mente também, i e, tu também; sentes a vertigem?
Ridicularizo quem diz não existir, facto que advém das escassas provas que o ego, o self, dá a si – em si? Bolas, se pões em questão a existência é porque, paradoxo, vais existindo. Quem nega um existencialismo não existindo? Sartre o diria, homem sexual definido pela existência. Se negasses um ser como podias sequer poder negá-lo – não querendo ser? Substracto do vidente que não vê a vida ou sequer a existência: um interregno de certezas. Porém, o que de mais certo é que não a incerteza da vivência física, desacostumada de uma para-física ou, até, metafísica? Imaginar uma para-física é imaginar uma infra-física: medeio, óbvio, o físico que se nega e obscuramente se pretende desacreditar. Colocas-te a questão – porque é que pensando que existo, na realidade, não existo? Porque no real existes, através da tua negação – que contradito tão belo. O que (ainda) não fazes farás, que melhor fonte que uma menta liberta – liberta da inexistência que nega e afirma ao negá-la – de cada um e específica a ele? Nem mesmo a clonagem explica o fenómeno irreal – logo real – da migração orgânica: de onde as memórias, sempre abstractas, e psiques? O que é a psique sem o ser no ser orgânico de um neurónio que noutro sinapsa em efeito interminável? A morte. Mente sem psique equivale a uma psique sem mente – uma espécie de morte orgânica contraditória ao espírito, ou uma morte de espírito que assassina o ventral, o órgão, o ser, o corpo - uno indissociável.
Caminhemos para o empírico: como podes asseverar que não vive senão justificando o seu contrário? Porque não é, nem está, provado que o inanimado não afirma a sua inanimação? Resposta, provisória: porque não o sendo é – prova-se per si.
Outro, empírico: conseguimos provar a excitação. E a sua fonte? Imaginando, e o amor? Que lugar ocupa no cérebro? Não o distinguimos. Conclui-se que não existe? – não é o que dizes, nem o que, milenarmente se vem afirmando.
Só deixamos de ser por opção – quando não querendo ser nos negamos à existência: mas sendo!, sendo a negação da existência.
Procuro motivos de solidão: não encontro – possível é que esteja sozinho para mim, não para ti: e jamais para ela. Só é possível negar o que somos, como não negar o que não somos; ou não negar o que somos, não negar o que não somos – vicissitude responsável por sermos.
Sou quem sou e ajo por quem me apetece ser, espécie de encarnação falsificada. Ela percebeu. E tu NR?
Não negues aquilo que és, usa-o em teu abono: é como desistir – tão mais fácil!!!
... vou por aí andando ao sabor deste sal da vida.
Resta-me a dúvida: o que é a vida?!
Ainda estava com a Sandra e, por algumas vezes, veio-me a este circuito de neurónios o seguinte trecho de uma música:
"...when even friends
seem out to harm you..."
('November Rain', Guns n' Roses)
Ponderei demais dobre esta questão. Nada fiz. E agora? Usando o privilégio de administração: não respondo, nem sequer respondo.
Chegado a casa, como animal de hábitos, entrego-me a três ou quatro rotinas. Entre elas, ligar o desktop fazendo uma visita relâmpago ao neurose, confirmando que lá se mantém, e abrir o gestor de correio electrónico para descarregar uma caixa cheia de vazios, vazios que vou eliminando um por um conforme leio o ‘subject’.
Ainda passo pelo is it any wonder e o eternuridade para logo de seguida deixar o computador a falar para as paredes, abandonando, sem sequer ter esboçado um sorriso com as ‘ordinarices’ do Bao, o raio da máquina ao seu funcionamento ‘mecânico’ que ajuda à conta de electricidade (para júbilo da EDP).
Levantado da cadeira da secretária, num movimento que apelou às últimas força, deixo-me estatelar na diagonal numa cama que me percebe – coitada, não será para menos: carrega comigo e com os meus pensares todas as noites. O esgotamento mental é de tal ordem que, antes de me dedicar a julgar sobre outros demais, ainda pondero se não terei lido de uma assentada, num sôfrego fôlego, o ‘Gente Feliz com Lágrimas’, do açoriano João de Melo; a negação é imediata: ‘pá, há anos que não lhe tocas’. Posto isto cerrei os olhos, como se alguma diferença, daquelas abissais, fizesse o facto de estarem ou não abertos. Deixei-me entregue à cama e ela, como sempre, numa paciência sem limites, acolheu-me graciosamente – com uma graça que não tenho. Cumprimentou-me e sussurrou: descansa aqui nos meus ombros, shhhh, sabes que de mim não provém sequer ameaço de censura; eu embalo-te, deixa-te ir: sou o teu ninho e aqui és imortal, ninguém de ti se aproximará, o mal aqui não chega nem tem lugar. É o inebriante ópio da cama, letargia da qual resmungo quando abandono porque não dura sempre.
Gostava de poder dizer que percorro por entre espaços com certeza. Enfim, ao menos, com previsibilidade – alguma, sempre damos pouco valor ao que nos é dado: não é feitio, é seguramente defeito. Em concreto julgo acontecer-me o oposto. Em todos os sentidos. Falta de sensibilidade? Têm vindo a dizer-me exactamente opiniões em contrário. Caramba, que erro tão básico. Por quanto me vou safando pela escrita, vou perdendo na oralidade; não sei falar, ao que se acresce uma horrível dicção – a minha. Por isso me perco na vida, pois que viver, socialmente, é mais falar que escrever. A escrita pouco interessa, e quando interessa é a um número (demasiado) limitado de bichos sociais.
É assim devido que ando de turra em turra. Para quem vai perceber, conquistei a minha namorada – ex, a saber – devido às cartas que lhe enviava. Há sete, quase já sinto o peso dos oito, anos atrás dificilmente podíamos recorrer ao mundo virtual, como a blogosfera, para fazer passar uma mensagem. Perícias de quem sabe escrever – e quem disse que eu sei escrever?; engana-se, utilizo uma escrita fácil, talvez enredada por palavras conscientemente trabalhadas para parecerem, e só parecerem que mais não sei, bonitas. Vou de turra em turra; dei mais uma e esta doeu-me particularmente. Tal pássaro ferido na asa, fui conspurcado na alma por uma rejeição. Agora, julgava possível um amor que não é – não o será, garantidamente: ela não o quer e faz bem: de trastes e porcaria banal anda o mundo cheio.
Dou três passos em frente, sempre com a sensação que nada adiantei. Continuo na mesma e na mesma creio manter-me. Não tenho a resposta, à oculta ciência, à logos social, que se justifique causalmente – um efeito tem uma causa e por aí nos podemos perder até à eternidade. Mais uma turra, que raio de caminhos são estes por onde eu enveredo? É caso para dizer, e em aferência à idade que vou contando, que o que é bom está ocupado – em radical, dono tem: que, percebe-se, eu não sou. Puta de vida. Não acerto? Nunca acertarei? Dizem-se que me falta, que careço daquele discernimento da distância capaz de julgar os factos pelo que são – a Sandra está demasiado perto para que possa auferir de uma opinião independente. Discordo. Se há algo de que me gabo é, sem hesitar o digo, a minha capacidade de distanciamento em relação ao ocorrido no real concreto. Mas a opinião de um velho amigo, sem interesses que de mim lhe possam servir de valência, são sempre a considerar – no mínimo de nelas atentar com consideração, em parte são exteriores a nós próprios pese embora alguma proximidade inegável.
Vou caminhando só e assim continuarei, até ao dia dos meus sonhos, dia que tarda em apresentar-se e sobre o qual vou levantando, da sua existência, as mais profundas dúvidas. Nada resta que aquele dia, ao deitar com a minha consciência penso inefavelmente ‘que puta de sorte’, mais um dia que passou sem passar – foi, porém nada acrescentou, excepto a dúvida que me vai perseguindo. Trajecto ingrato, este, que me faz pensar inclusivamente o porquê deste blog: um ‘log’ onde explano aquilo que tantas e tantas, por demais, vezes me atormenta. Terá ele próprio razão de ser? Ponderei solicitar, ainda hoje, ao administrador deste espaço que encerrasse e apagasse, o mais importante seria eliminar vestígios, (d)este blog. Nisso a velha amizade dissuadiu-me – bem como o meu espírito crítico. Vou manter-me. Vou continuar a chatear-me e a aborrecer o caro leitor que busca, nem sei onde, paciência para ir lendo as minhas palavras. ‘Like a cry for help’, tinham-me dito vai uns tempos. Não se me aplicava. Aplica-se agora, hoje, para não encerrar o neurose.
Blasfemo contra a sorte e os percursos ingratos por onde, nem sei como, tenho singrado. Estou maçado por e com estas turras intermináveis. Vou persistir por mais algum tempo. Até à minha tola, o meu afecto – assim deve ser lido –, tiver capacidade de ir encaixando, aguentando. Perto do insuportável, se acontecer, hei-de desistir. É tão mais fácil desistir – desencarnarmo-nos das responsabilidades – e assim sempre o tenho feito, com uma excepção que durou por sete anos mas cujo final, na prática, sumula-se a uma história de vida: a ruptura, o fracasso – a derrota: minha, de quem mais?
Por hoje não acrescento mais, ainda penso com uma febre demasiado grande que tolda o discernimento: não pretendia encerrar assim este post; mas vai sê-lo, com a promessa – de mim para mim – que mais logo o termino, obtendo um estatuto de prioridade máxima.
Aos dois que aqui mais comentam, permitam-me um desabafo e ignorem o vernáculo: puta de vida!
..., o rapazito, com Jacinto Lucas Pires na mão, a entregar a alma a um 'Azul-Turquesa'.
Vacilando ao sabor da insegurança, procura porto de abrigo:
'And I must be
An acrobat
To talk like this
And act like that'
('Acrobat', U2)
Palpitando, num rasgo sem brilho onde nada vislumbro - onde enfiaste a coragem, pá? em que gaveta?. Esforço-me por recordar a combinação do cofre onde julgara tê-la deixado segura - integro é falar, mas complementado por sê-lo com o mesmo peso e medida.
Não há rodeios, não há tempo para voltar atrás - Faria-lo? Sabes que não, pá.
...:)
Tenho ficado preso a letras de canções, escasseando a produção própria.
Mas, lugar comum da vida, há momentos para tudo.
O próximo a sair já será comigo de volta.
Até mais.
I see you falling
How long to go before you hit the ground
You keep on screaming
Don't you see me here
Am I a ghost to you
Now your grip's too strong
Can't catch love with a net or a gun
Gotta keep faith that your path will change
Gotta keep faith that your luck will change tomorrow
Tomorrow
Why are you phoning
What am I to do when you're miles away
You're always calling from the darkest moods and we're both scared
Now your grip's too strong
Can't catch love with a net or a gun
Gotta keep faith that your path will change
Gotta keep faith that your love will change
Now your grip's too strong
Can't catch love with a net or a gun
Gotta keep faith that your path will change
Gotta keep faith that your love will change tomorrow
I'm just out of your range
Tomorrow
All your suffering's in vain
Tomorrow
Now your grip's too strong
Can't catch love with a net or a gun
Gotta keep faith that your path will change
Gotta keep faith that your love will change tomorrow
I got out of your range
Tomorrow
All your suffering seems vain
Change tomorrow
Some forgiveness now
Tomorrow
Love's no sacred cow
'Tomorrow', James
'Under a blood-red sky
A crowd has gathered in black and white.
Arms entwined, the chosen few,
Newspapers say, it says it’s true.
And we can break through,
Though torn in two we can be one.
I will begin again, I will begin again.
Oh and maybe the time is right,
Oh maybe tonight.
I will be with you again.
I will be with you again.'
'New Year's Day', U2
... chegou hoje o meu menino, vindo de França.

Estava tenso.
Poisaste as tuas mãos nos meus ombros.
A massagem descomprimiu-me.
Só resta implorar-te
que nas minhas costas repouses
encostando o teu peito
num afago
em que subo ao céu
porque querendo-te
sonho
e vou sonhando
porque assim te vou tendo
... a muitas canções dos guns: nada disso do que melhor sozinho do que...
Nunca se sabe, eu só não quero ficar - mesmo que o fizesse só para isso.
... mas fui fanático. E há quem mereça:
'You'd think sometime we'd learn
The one you love is the one
That should take you higher
You ain't got no one
You better go back out and find her
(...)
To think the one you love could hurt you now
Is a little hard to believe
É? ah, pois... julgo ter quem me entenda (vá entendendo).
... esta ainda me cabe a mim, por uns mesitos:
'Old at heart, but i'm only 28
i'm much too young to let
your love break my heart'
'Estranged', G n' R
(é a minha de eleição, não duvidem, nunca o soube porquê - talvez hoje saiba...)
'You came to this world alone'? Talvez, mas não ficarás - não mereces.
Bela verdade. Para quem vai perto dos trinta, não desesperar; e para quem conta mais que que as três dezenas, bem... é um apelo: nunca derrotados - depende de cada um. a beleza ultrapassa, e por quanto, meu Deus!!!, a idade.
Beijos e/ ou forte abraço - menos tu. i... já sabes!
'said you took everything from me'
... porque, a meu ver, tem que ser. Assim, e durante um concerto:
"And that's the way we like it: Pride, we've got pride - in the name of...'
Love!!!
Como? Em quão pouco tempo?
Irra!
'One man betrayed with a kiss'
Do complexo para o linear... Será mesmo? Sabes a resposta?
'free at last,
they took your life
they could not
take your pride'
Ah, pois... e o(a) senhor(a) que se segue?
Logo se verá, dita o destino em quem não acredito.
Em
'Pride (in the name of love)', U2 - Vivo
As Rosas são lindas, do desabrochar até à sua finitude.
Mais ainda se não lhe extirparmos os devidos espinhos.
Lembra-te disto, meu caro amigo - só tu perceberás, assevero.
... porque vi todo o Alvalade a levantar-se e, em pé, cantar em uníssono, como jamais vira, o seguinte:
'You say you want
Diamonds on a ring of gold
You say you want
Your story to remain untold
But all the promises we make
From the cradle to the grave
When all I want is you
You say you’ll give me
A highway with no one on it
Treasure just to look upon it
All the riches in the night
You say you’ll give me
Eyes in a moon of blindness
A river in a time of dryness
A harbour in the tempest
But all the promises we make
From the cradle to the grave
When all I want is you
You say you want
Your love to work out right
To last with me through the night
You say you want
Diamonds on a ring of gold
Your story to remain untold
Your love not to grow cold
All the promises we break
From the cradle to the grave
When all I want is you
You...all I want is...
You...all I want is...
You...all I want is...
You..."
[até o Bono se calou, em espanto]
Só porque o futuro parece sorrir-me, sei lá.
A ti, só para ti, minha caríssima.
Abraços e ou beijinhos (pá, dividam)
Embriagas-me com as tuas palavras.
Anseio que me embriagues com a tua presença.
Vou obcecando...
Tu sabes quem, sabes quando o leres ( pese embora quaisquer defeitos meus - e teus! - que carrego perenemente)
* maior que... vê, olha, imagina.
;)
She's got a smile that it seems to me
Reminds me of childhood memories
Where everything was as fresh as the bright blue sky
Now and then when I see her face
She takes me away to that special place
And if I stared too long
I'd probably break down and cry
Sweet child o' mine
Sweet love of mine
She's got eyes of the bluest skies
As if they thought of rain
I hate to look into those eyes
And see and ounce of pain
Her hair reminds me of a warm safe place
Where as a child I'd hide
And pray for the thunder
And the rain
To quietly pass me by
Where do we go
Where do we go now
Where do we go
'Sweet Child O' Mine', Guns n' Roses
Tolices de ascendência adolescente. Mas olha...
Como o último post foi muito pesado, a minha intenção é voltar a publicar em termos mais ‘graciosos’, recuperando um pouco os moldes utilizados em post mais anteriores, sem que o âmbito do blog altere consideravelmente – trata-se apenas de uma suave transição para o que aqui era mais normal.
Não me desculpo perante os leitores que por aqui passam por uma questão de princípios: desde que criei o blog que a intenção era única, ou seja, a de uma espécie de diário em que discorreria sobre mim e o que apetecesse. O post que antecedeu este, em particular, não foi escrito para satisfazer alguns, felizmente poucos mas bons, que me lêem. Foi mesmo escrito para eu me ler – quem duvide da minha tomada de posição, atente ao que se encontra redigido no post número cem, com essa mesma denominação.
Cumprimentos.
Não tenho tido vontade de poisar a minha atenção no ocorrido de sábado passado (numa hora que saudou o domingo), dia 5 de Junho. Foi pesado. Como tornar uma pretensa ida ao Pavilhão Chinês num pesadelo a decorrer num carro comercial? Bem, se alguém alguma vez quiser uma dica que diga: nisso, sei-a toda.
Amiga Ni, continuas a pensar que a ‘Pide’ foi ao bar buscar-me? Insistes nessa ilusão... Não te respondi com a atenção que merecias porque estavam muitos dos nossos habitués abancados no café. E também porque tudo tinha sido há horas demasiado escassas; não, preferi calar-me – que a poeira assente, que alguma clarividência me ilumine e, acima de tudo, que tenha coragem para ruminar sobre o sucedido com a devida preocupação e distanciamento, a quente só faço disparates pelo que gosto de esperar que as emoções amainem: é assim que funciono, como sabes.
‘Não se ama alguém que não canta a mesma canção’ [interregno: pá, Rui Veloso é que não!], lição estudada e aprendida; não apreendida, como a praxis demonstrou. O fusível estoirou, não pactuo mais com ela. Estou cansado...
Terça-feira vim de Cascais para Lisboa pela marginal, recusei o alcatrão da auto-estrada. Vinha com a Joana M. Coitada, o que ela falou para o ar. Não foi por mal, mas a confiança entre nós é demasiado limitada para queixumes desta natureza. Adoro conduzir, porém preferia, nessa hora, ter sido conduzido. Distribuía o olhar por entre a estrada e aquele azul do mar que, em certos pontos, se engaja com o azul do céu numa orgia inacabável. Joana M, percebeste que não estava contigo no meu carro e assustaste-te, vi-o no teu espelho da alma, quando em tom sério, numa zona sem separadores entre dois sentido contrários, asseri que ‘basta um azar, perder o controlo do carro e não há a mínima hipótese; era limpinho.’ Não ia muito depressa, uns 110 por hora. Olhaste para carros que advinham do outro sentido, em velocidade semelhante e percebeste o que estava a dramatizar. Compreendi o teu pânico e encostei-me na faixa da direita. Sossegaste. Sossegaste, porém, sem entender as minhas palavras: constatava um facto, não estava a avisar-te para um comportamento insano. Porém, se calhar também me assustei e lá fui mais para a direita, diminuindo drasticamente o risco de um impacto frontal com outro ‘quatro rodas’.
Voltei a olhar o mar sempre que se podia escapulir à vista a linha de alcatrão negro pintalgado com branco cal. Poucas palavras mais trocamos até te deixar quase à porta de casa – bem menos sôfrega, com toda a certeza: ‘Este gajo é doido’, deves ter pensado quando, realmente, te afastavas abissalmente da verdade. Olhei o mar e pensava em sábado e em ti. No que fora dito e feito – pela primeira vez pensava nisso a sério, sem ser apenas um pensamento fugidio que não queria em mim.
Viajemos, agora que tomei impulso, para esse sábado d’um raio.
O trabalho só te deixava liberta a partir da meia-noite: isto se não houvesse as costumeiras reuniões, que não percebo o porquê de tantas, com o director e alguns colegas da tua equipa, por vezes de também de outras com dificuldades semelhantes. Na melhor das chances estarias à porta do bar da minha rua pelas zero e quinze; claro que não estavas.
O bar mais parecia uma reunião de ‘outsiders’, em todos os sentidos: não eram de cá e no sentido que Howard Becker lhes dá na obra com esse título, acrescentando-lhe um subtítulo onde se lê “Studies in the Sociology of Deviance”. Esperava ter encontrado o NR, já que estou convicto se tivéssemos falado ele teria pacificado um pouco o meu espírito perturbado. Todavia, os amigos não são para monopolizar e ele entendera ir dar uma volta; fez bem, pouco – nada – se aprende por aqui.
Estive tentado em regressar para casa até ela chegar, já que por coincidência não se encontravam presentes outros amigos ou conhecidos. Quando estava praticamente decidido fazê-lo é quando aparece um caro amigo que, inclusivamente, julgava fora de Lisboa – para não ser muito directo e não utilizar nomes, digo que se tratava do namorado da minha advogada. Mantivemo-nos a conversar em pé, junto ao balcão, tentando ignorar o tremendo barulho provocado pelos ditos ‘outsiders’. Não lhe falei dela nem daquilo que decidira fazer, ou melhor, dela falámos mas pouco, o suficiente para justificar que tinha de abalar dali não tardaria muito.
O telefone deve ter tocado, isto é, vibrado: tenho a mania de andar praticamente sempre com os toques silenciados. Todavia não dei conta. Foi então que ela entrou, com o passo decidido do costume e a cabeça erguida num hirto que muitos consideram prepotente. A conversa parou imediatamente quando ele, o meu amigo, me dá um toque no braço e gesticula com o pescoço a indicar uma direcção – percebia-se pelo alterar das suas feições um “agora é que estás lixado, é melhor ires”, acompanhado de um sentimento de solidariedade que dizia “boa sorte” com uma grande exclamação.
“Então?”, perguntou-me ela. “Já vou, espera só um bocadinho.” “Anda lá, tenho o carro mal estacionado.” “Estás preocupada porque tens aqui na rua o carro mal estacionado à uma e meia da manhã? Ninguém tem o carro mal estacionado a esta hora.” – retorqui eu, tentando apelar ao bom senso, mas, invariavelmente, sem sucesso. Claro que a nessa hora a Ni já lá estava, com o namorado e uns outros, pelo que se escusa dizer que a ‘barracada’ estava dada.
Acabei por sair e ir até à porta do bar, do lado de fora, a fim de evitar que o espectáculo fosse continuando. Tentei explicar uma ou dois coisa, mas não consegui – transportava aos ombros a decisão que já tomara, não sabia se me iria acobardar como em tantas vezes que tentei marcar uma posição relativamente à indefinição do relacionamento que estávamos a atravessar.
Definitivamente a opção a tomar era sair do raio de alcance da vista dos curiosos que vivem à custa da vida dos outros, como os cogumelos fazem com as árvores. Acedi a entrar no carro. Ia começar o flagelo, mas continuava calado a aguardar a melhor altura para desferir o meu ataque – último e final.
Passou então, ela, a perguntar para onde íamos – afinal o Pavilhão Chinês deixara de ser certeza. Fui evitando, enquanto pude, sugerir qualquer lugar. Ela desconfiou que algo estava diferente, que a minha disposição mudara drasticamente. Surgiram de imediato as acusações de que sempre que estava comigo eu a fazia sentir ainda pior, que a cerrava com um mau humor de quem está sempre a cobrar qualquer coisa.
Após duas ou três voltas pela rua onde vivo, acabei por lhe pedir para encostar o carro, que tínhamos de falar. Não falo manso nem com rodeios neste tipo de circunstâncias – julgo nunca ter tido jeito para isso, deve ser algum tipo de condicionante que nasce ou não connosco; e comigo não nasceu.
Encostado o carro ainda fiquei perplexo com a falta de sensibilidade: eu pedira-lhe para falar e o rádio continuava ligado, distracção que eu não podia permitir naquela circunstância – exigia-lhe o monopólio da atenção. Fui revelando o meu desconforto em relação aos sons que saíam pelas colunas e irritou-me ter que solicitar-lhe directa e explicitamente que desligasse aquela porcaria: “Importas-te de desligar o rádio?” Anuiu com um gesto e premiu a porcaria do botão on/ off. Finalmente. Comecei por lhe explicar a situação em que vivo, relevando do facto de continuarmos um relacionamento, embora quase sempre pautado pelo leviano e sem a profundidade de sermos namorados – os namorados que fomos durante sete anos.
Pouco falava, sendo de mim que discorria toda a conversa exceptuando uma ou outra palavra monosilábica que lhe saía por entre os lábios quase cerrados. Das poucas vezes que a olhei – como gosto de fugir com o olhar – percebi a condensação que ia tomando corpo nos seus olhos.
Não tive grande piedade, estava ali com o objectivo de lhe dizer o que pretendia e não iria vacilar – já não podia; desculpa-me, mas por mim já não podia. Falei-te dos últimos tempos em que ainda éramos namorados, desde que começaste a trabalhar; Maio 03, não foi? Desde cedo começaram certos rumores, que me contaste – de outra forma, como saberia? Foste tu a fonte, é claro – e que fui ignorando. Ignorando porque também em Setembro, 03, comecei na CNS as minhas funções profissionais. Então tudo amainou um pouco, mas tal como tempestade que a aos períodos de amainia se sucedem, em Outubro iniciou-se o que viria a tornar-se a ruptura final – ainda não o sabíamos, mas o nosso íntimo, sempre alerta, percebeu tudo. Os rumores não só continuaram como tomaram outra visibilidade, agravando-se. Sentia-me cada vez mais desconfortável. Pela data do que seria o nosso sétimo aniversário tivemos um encontro proformer. Como que um manter as aparências, mesmo para nós próprios: que ridículo! Depois, depois terminou. Terminus definitivo.
Continuámos amigos, porém não era situação que prezasse. Pressionei-te e obtive sucessivos nãos camuflados em simpáticos “ainda estou impreparada”, “é cedo, dado aquilo por que passámos”. Estarias a ser verdadeira ou era eu incapaz de decifrar a tua mensagem?
Já passou uma semana desde que te disse as derradeiras palavras: “dás-me boleia até ao bar?”. Não quis sair, não fomos a lado algum tomar aquele café que ias prometendo e adiando uma vez atrás das outras, sempre com o trabalho a desculpar-te. “Não me ligues mais. Peço-te, deixa-me em paz. Eu também não te volto a aborrecer com os meus telefonemas, mas deixa-me em paz – por favor...”
Saí do teu carro para não mais te querer ver ou falar, depois de te ter beijado a boca a teu contragosto: “é forçado, eu sei. Queria-me despedir de ti. Ainda te amo muito. Fica bem moça”. Ela chorava. Eu não. Possivelmente estava demasiado quebrado para o conseguir.
Mais ninguém teve coragem para me dirigir a palavra nessa noite. Só eu: “Fernando, é mais uma imperial, sff”.
“'Cause nothin' lasts forever
And we both know hearts can change
And it's hard to hold a candle
In the cold November rain
…
'Cause nothin' lasts forever
Even cold November rain”
‘November Rain’, Guns n’ Roses
Termino, caríssimas e caríssimos, com mais uma tela do van Gogh, porque também as imagens têm o poder da palavra

Como melhor vos convier, beijinhos ou um abraço.
(para a i é mesmo beijinhos, a ela não dou opção de escolha :P)
... a pensar em determinadas conjugações com que me venho confrontando;
sem querer - ou não -, tropecei nesta pérola:
'When you say it's gonna happen "now"
well, when exactly do you mean?
see I've already waited too long
and all my hope is gone
(…)
You shut your mouth
how can you say
I go about things the wrong way
I am human and I need to be loved
just like everybody else does'
'How Soon is Now?', The Smiths
Enquanto passeava pelo meu imaginário encontrei-te. És perfeita - certos excertos - para aqui estar, abrindo portas à crença que novas coisas podem, de facto, acontecer.
E como nunca se sabe quando, o melhor é ir estando preparadado. Até podes estar ao virar da esquina, aqui nesta cidade que idolatro.
Quem? Nas palavra do Ian, muito simplesmente "ela".
'Oh the heads that turn
Make my back burn
The fire in your eyes keeps me alive
The fire in your eyes keeps me alive
I'm sure in her you'll find
The sanctuary
I'm sure in her you'll find
The sanctuary
And the world and the world
The world turns around
And the world and the world
The world drags me down'
'She Sells Sanctuary'. The Cult
Idem para o Já foi, não chores mais. Grrr!
Pffffffff...
Irra, ainda não exorcizei o meu post Sete anos remetidos ao Silêncio!
‘E amanhã
a chuva vai parar
(...)
porque nem mesmo a violência
destrói ideiais’
‘Fragile (portuguese version)’, Sting
Há momentos em que sentimos que devemos isolar-nos do restante mundo – quase todos, excepto nós.
O isolamento que refiro não é aquele físico, cuja falta de presença aqueles que nos conhecem sentiriam, mais cedo ou mais tarde, a falta. Falo de um isolamento em que permanecemos, continuamos a vida entre todos os outros, do estranho às pessoas que têm os nossos melhores sentimentos. O isolamento da psique tem consigo uma vantagem quanto à questão da visibilidade: podemos estar, não estando. Ninguém se apercebe directamente dele, só das pistas que, os mais próximos, saberão ler: a palavra é menos usada, o olhar perdido e distante, a desconcentração permanente, práticas comuns que são abandonadas ou deixadas ao relaxamento, ideias ditas para fora e que são fora do usual, as desculpas devidas a um cansaço (não corpóreo, mas mental) que vai persistindo, etc., para não me alargar mais. Ocasiões há até em que mesmo os melhores dos amigos deixam de ser uma carta no nosso baralho, escondendo-nos na fortaleza do nosso interior, pensando palavras, que hoje são ainda impossíveis de ler por qualquer tecnologia, e que de lá não saem. É uma carapaça que inveja ao caranguejo. É uma carapaça capaz de resistir ao mais evoluído colete de forças.
Ao contrário de outros textos mais longos, escrevo no escritório improvisado do meu quarto, uma varanda fechada, no teclado do desktop e não do meu portátil antiquado ao qual, carinhosamente, chamo de máquina de escrever evoluída. Headphones na tola, vou trocando alguns cds no computador, algo também inabitual dado a minha aparelhagem ser incomparavelmente melhor. Olho para o escuro lá fora: distingo as formas dos prédios mais próximos, ao mesmo tempo que me vou perdendo no azul de carregado escuro da láctea via. Não sei porquê, mas o céu assim, de carregado azul escuro da noite, bole-me com o sentimentos – de forma contraditória, até: tanto me acalma, como me mergulha numa profunda depressão que advém do facto de, assim, sentir-me só. Masoquistamente, gosto. Doido? Talvez, mas o normal é só um padrão e, a saber, um padrão que não existe em forma mas somente em conceptualização: ninguém há que se encaixe no padrão – estigmas que nos acompanham, idiossincrasias particulares, comportamentos desviantes, etc; o normal como padrão é como a utopia, sendo que por ser não o será nunca.
Todavia, o céu está lá; e eu também. Sou o único a ser porque não serei outros, não existem migrações para outras mentes e/ ou corpos. Estamos definitivamente encerrados neste invólucro orgânico até que este ceder; depois não sei, nem sei se há depois.
Sei que há o que ho