junho 30, 2004

Não que seja...

... banda de referência. Aliás, a música até já enjoa um pouco.
A letra, contudo, cativou-me.

"When you cried I'd wipe away all of your tears
When you'd scream I'd fight away all of your fears
And I've held your hand through all of these years
But you still have all of me"
('My Immortal', Evanescence)

Quando se conhecem coisas novas até os de espírito céptico são capazes de sorrir.

Sorri.


(Interessante como uma letra conjugada verbalmente no pretérito se pode projectar, com alguma facilidade, no futuro.)

Publicado por PmA em 02:55 AM | Comentários (2)

junho 29, 2004

Para terminar, ainda isto

"Young at heart an it gets so hard to wait
When no one I know can seem to help me now
Old at heart but I musn't hesitate
If I'm to find my own way out"

'Estranged', Gn'R


Ufa... acho que já passou...

Publicado por PmA em 03:51 AM | Comentários (0)

Afinal mais isto

"Sweetness is a virtue
And you lost your virtue long ago
You know I'd like to hurt you
But my conscience always tells me no
You could sell your body on the street
To anyone whom you might meet
Who'd love to try and get inside
And bust your innocence open wide"

'Complicity (Locomotive)', Gn'R

Publicado por PmA em 03:48 AM | Comentários (2)

Hoje só isto...

e porque sim.

"When there ain't enough of me
To go around I'd rather be left alone
But if I call you out of habit
I'm out of love and I gotta have it
Would you give it to me If I fit you needs
Like when we both knew we had it
But now the damage's done
And we're back out on the run
Fun how ev'rything was roses
When we held on to the guns"

'Breakdown', Gn'R

Publicado por PmA em 03:46 AM | Comentários (0)

junho 28, 2004

Provérbio Árabe

Ao dar uma volta pelos itens do archive folder do ms outlook, esta despertou-me particularmente a atenção:

'Que os que nos amam, continuem a amar-nos
E que os que não nos amam
Deus lhes mude a disposição
ou então que lhes torça os tornozelos
para que os reconheçamos quando coxearem.'

(merci, Checa - que, nas suas palavras, nos assevera ser sempre útil)

Publicado por PmA em 03:34 AM | Comentários (2)

Por falar nisso, Jorge...

... é pá, tens a certeza?
Bolas, pá!

'Tá bem, aqui fica:

"Tira a mão do queixo, não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém, não
Somos todos escravos do que precisamos"

'A Gente Vai Continuar', Jorge Palma


Mas tens mesmo a certeza? Isto é fo#@&$, pá!
Lá sabes...

Publicado por PmA em 02:42 AM | Comentários (4)

O Jorge...

... é que a sabe toda, pá:

"Os serões habituais
E as conversas sempre iguais
Os horóscopos, os signos e ascendentes
Mais a vida da outra sussurrada entre dentes
Os convites nos olhos embriagados
Os encontros de novo adiados
Nos ouvidos cansados ecoa
A canção de Lisboa
(...)
E há quem diga que nunca foi boa
A canção de Lisboa

Mamã, mamã
Onde estás tu, mamã?"

'Canção de Lisboa', Jorge Palma


Pois é Jorge, pois é...
Histórias de vida, é o que é, pá!...


Publicado por PmA em 02:36 AM | Comentários (3)

Estou Tranquilo

Um gajo que está tranquilo está fora, não tem chatices.

(obrigado, Zé Reinaldo)

Publicado por PmA em 12:44 AM | Comentários (4)

Uma história de amor (continuação)

A viagem de regresso a bordo de um Airbus da British Airways passei-a de nariz colado à janela. As únicas sensações decentes neste meio de transporte restringem-se à descolagem e à aterragem, onde os corpos são violentamente pressionados contra os assentos numa vertigem agradavelmente alucinante; de resto, soçobra a entediante paijagística por sobre as nuvens (também alguns solavancos que enjoam, estejam as condições atmosféricas desfavoráveis – mas acima de uma dada altitude tudo se perde, a realidade é aquele conjunto de pessoas por ali sentadas e algumas hospedeiras que mais se passeiam do que trabalham).
Heathrow tinha um sabor amargo, desde o primeiro momento do check-in. Na mangueira de embarque larguei o último olhar, em terra, para Londres (julgo, na verdade, não ser já Londres o local onde está ‘estacionado’ este aeroporto). O espírito acinzentara-se, imbuindo pela última vez as primeiras impressões que de Londres sustivera. Paciência, Portugal estava a umas horas apenas.
Forçado de encontro ao assento, aquando do último disparo dos reactores para a descolagem, espreitei pelo pequeno quadrado em vidro donde via a quase totalidade da asa esquerda, acompanhado o movimento dos flaps, o alcatrão a uma velocidade vertiginosa – dir-se-ia como o diabo a fugir da cruz –, uns concorde que lestamente desapareceram de vista, e um aeroporto em despedida – soturno como eu.
Enquanto a aeronave não atingia o seu tecto (e velocidade) de cruzeiro, aproveitei para fotografar na memória as derradeiras imagens daquela cidade que me deixara destroçado na pessoa de uma loira quase ruiva. Cá permanecem ainda com uma invulgar nitidez, embora decorridos já alguns, consideráveis, anitos. Ultrapassadas as nuvens, mantive um olhar de quem nada vê pela minúscula janela, onde uma asa abanava assustadoramente, na prática dir-se-ia que estava ávida por abandonar o corpo a que estava intimamente ligada, e as nuvens, visão rara, surgiam por debaixo dos meus pés.
Foi uma viagem cansativa, quer para o físico, quer mesmo mentalmente. Vislumbrei as primeiras imagens de Lisboa absolutamente esgotado. Enquanto permanecera em Londres jamais vira chuva nem o famoso fog londrino; Lisboa espelhava um estado de alma: mal iniciámos a descida para a Portela, descendo abaixo do nível das nuvens, e recebemos os primeiros pingos de uma chuva que caía ditosamente – era noite e tudo estava num negrume de pasmaceira.
Aterrámos, por fim. O aeroporto de Lisboa, em comparação com o anteriormente referido, assemelhava-se a uma miniatura construção em Lego. O meu irmão e a respectiva esposa aguardavam-me. Mangueiras de desembarque? O que é isso? Tecnologia desconhecida por estas paragens, é o que é. O transbordo para o edifício do aeroporto fez-se nuns mini autocarros da ANA; cada um tem o que pode, nem sempre o que quer: vicissitudes de um país (sempre) periférico. Nas chegadas lá estava ele, o JpA, meu irmão. Trocam-se cumprimentos e, com algum embaraço de quem leu qualquer sinal no meu semblante, questionou-me hesitante se a viagem tinha sido cansativa, asseverava que me encontrava com má cara. Retorqui com um não, brincando com um já viste se fosse do Rio de Janeiro ou Wellington, esta foi bem curta; mas o sorriso saiu amarelo e esforçado; tentei emendar com nova graçola, sustentando com um risível convicção que pá, se calhar tinham sido as noitadas – pareceu-me mais convincente e, de facto fui-o: esboçaram um sorriso já descomprometido, o meu mano e cunhada, descomprimindo o ambiente; a um foi porreiro, pá? anuí e perguntei pela Martita, a minha sobrinha mais velha, na época a única, vindo a saber que sim. Tratava-se da minha segunda ida àquela cidade – da primeira, acompanhado pelos meus pais, ainda a miúda não passava de uma aspiração que ia tomando contornos pela forma do desejo de se querer ser pai/ mãe.

Da segunda circular ao aconchego do lar, pelo qual desesperava numa ânsia gigantesca, são uns escassos minutos à velocidade de um carro. Ofereci-me ainda para pagar o parque – chegara, para mais, bem atrasado – ao que de pronto se fez ouvir és maluco.
No banco da retaguarda do dois volumes, muito perto do banquito da Marta, apontava o trabalho dos neurónios ainda para a cidade cinzenta, num turbilhão tal que era incapaz de encadear acontecimentos – penso inclusivamente que não os percebia: limitavam-se a estar numa moldura em que parecia que observava o exterior e não aquilo que só a mim pertence, ie, os volumosos arquivos cujo acesso só é permitido pelo eu próprio.
A chuva brotava dos céus impiedosamente, tendo o JpA que conservar o moderado quanto à velocidade a que nos deslocávamos: como resultado, demorámos mais que o razoável ou mediano para percorrer o dito percurso.
Em casa fui saudado pelo pai e pela mãe. Rapidamente aleguei cansaço, escusando-me às pidescas questões da mamã, e refugiei-me no porto de abrigo que tem servido para todas as tempestades: nada mais que o meu quarto. Despedi-me, desfazendo-me em agradecimentos, daqueles que por mim esperaram e só depois de estar em casa me abandonaram; enviei ainda beijinhos para a Martolas, a minha adorada sobrinha – por ela dou tudo, tudo mesmo: e continuo, orgulhosamente, assim: é como se uma filha ‘emprestada’ seja, aquele amor de rapariga.
Senti batidas na porta que me separa da restante casa. Não estava para conversas: apesar de ter dito entre, foi num ápice que voltei a ficar comigo e comigo apenas: reiterava o cansaço, a premente necessidade de um descanso restabelecedor. Na verdade, queria dedicar-me exclusivamente a escalpelizar a surreal aventura vivida a trezentas mil rotações por minuto. Obrigatoriamente seria tarefa a empreender sozinho, com o devido sossego e atenção que tanto exigia.

Sossegar, acalmar, ordenar a mente: tudo isto demorou o seu tempo e agora sentia-me verdadeiramente cansado; aliás, extenuado. Exigia-me, todavia, voltar a Londres, voltar atrás no tempo – tempo, esse bicho feio com que tantas vezes me embrulho numa luta desesperada, já que perdida a priori.
Aos poucos as memórias tomavam formas – mais que simples contornos, assumiam um pseudo-realismo, ou proximidade com o real, que podia afirmar estar a revivê-las numa segunda experiência. Regressavam as formas das pessoas, a arquitectura de todos os edifícios – históricos ou não – observados, as cores, os cheiros – o seu cheiro, dela, particularmente –, as baixas temperaturas no exterior que contrastavam com o calor – devido ao aquecimento central que a metrópole aufere – que se impunha no interior de cada local onde entrava, parecendo fronteiras delineadas a régua e esquadro; recordava uma azáfama no Harrods quando ela procurava uma qualquer peça de roupa especial que acabara por não encontrar (foram precisas umas três horas e tal para se assegurar de brilhante conclusão), o Thames onde passeámos a bordo de um barquito ranhoso, não melhor que o pior dos nossos cacilheiros, e rimos que nos fartámos; recordava toda a zona que cercava a Tower Bridge com toda a sua aparência medievalesca, recordava sobretudo a Tower Bridge, mais propriamente só a ponte, onde experimentei dos melhores momentos em Londres – e os piores, quando por fim dissemos adeus, para nunca mais – e aquele pequeno estúdio arrendado no limítrofe da cidade; também recordo com alguma piada quando decidiu mostrar-me o Madame Tussaud e o Museum of London após a hora de fecho – relacionava-se com alguns dos respectivos responsáveis – mostrando-me com entusiasmo, e muitos beijos aliados a mãos que se perdiam, os seus ‘bastidores’, o ‘backstage’ da acção, enfim, tudo aquilo a que o turista ou visitante mediano se vê vedado – e sentir um deslumbramento!...
Finalmente, as memórias! Duma limpidez pratica e dolorosamente (‘dores’ circunstanciais, específicas a determinados espaços e tempos) confundível com o presente, com o vivido aqui e agora.
Esforçava-me impiedosamente para recordar tudo ou tudo o que interessava. O resto, o resto podia ser uma pálida sombra – não subsistia em importância, não tinha relevo, substância, ‘sumo’.

Agora que recordo, à distância com o desmoronamento das claras evidências que por tão pouco permaneceram claras e incólumes, custa-me ter que aceitar, pois que da única opção se trata, que a este sucedido não caberá recidiva. Não voltarei a Inglaterra (recuso-me a dizer Reino Unido pois que a Escócia, sem a ver com olhos próprios, adquiriu parte do meu coração), não tenciono fazê-lo, dificilmente alguém alterará esta opção obtida de forma concertada pelas emoções e pela razão.
Custa-me, por isso também, continuar por ora este texto. A conclusão ficará para outro post: caramba, a parte mais difícil!, ainda por cima. Resta mesmo o enredo com a loira, quase ruiva que me despedaçou – e mantém despedaçado? Hmm, nem quero saber...

Termino só a confirmar que a jovem apareceu, como sustentara, naquela hora por ela mesmo ‘confidenciada’ no hotel que jamais perderei da memória até que o desgaste do tempo (ou da doença, quem sabe? E até só mesmo com a morte) se encarregue de, naturalmente ao longo deste processo natural, reformatar o cérebro e o conteúdo por lá, algures, alojado – conduzindo para a demência final, onde os ‘clusters’ deste disco rígido, irrecuperáveis, não permitam qualquer formatação adicional.

(a concluir)

Publicado por PmA em 12:36 AM | Comentários (2)

Na ausência de acção resta a inércia

Nesta longa senda pelo mato que é a vida, onde tudo o que temos tem que ser – quase sempre, quase por todos – conquistado a pulso, recordei-me de uma música de future pop:

“come lie next to me
know why you and
me are one”

‘Kathy’s Song’, Apoptygma Berzerk

Publicado por PmA em 12:30 AM | Comentários (0)

junho 27, 2004

Já?

E só faltam três meses para 29...

Publicado por PmA em 05:38 AM | Comentários (1)

Com que então...

... casa de banho, não é?
Mas foi na casa de banho que eleminámos os ingleses, ou não? Hum? Foi ou não?
Ai!...

Publicado por PmA em 05:36 AM | Comentários (1)

Estes chineses

Transsexualismo? A esta hora?
Será verdade que sou isto?
(e porque raio tinha de calhar-me um boneco ao estilo de manga?)
Olha, não penses mais nisso.

Fica, então, aquilo que os chineses me sentenciaram:

Love
You are Dha-shi-zhi!
A female bodhisattva of Chinese Buddhism, whose
name means the Strongest. Through the power of
her love she managed to break the circle of
rebirth for everyone. In the heavenly paradise
the souls appear before her in the shape of
flowers.


Which Chinese Mythological Being Are You?
brought to you by Quizilla

Publicado por PmA em 02:32 AM | Comentários (0)

Em dedicatória

“Por quem já não volta
Por quem eu perdi”
(‘Por quem não esqueci’, Sétima Legião)

Olha,

“I am sorry I am not here to tell a story or a lie
I just didn't want to say good bye
I am sorry I am not saying that you didn't have the right
I just didn't want to let you go”
(‘Firewall’, State Of The Union),

paciência.

Publicado por PmA em 02:23 AM | Comentários (0)

O barato lá sai caro

O meu leitor de dvd’s, após o ter sinalizado com uma impressionante convicção, lá se avariou de uma vez por todas.
Tive que ver o ‘Dark City’ no pc, o que, sinceramente, odeio. Isto de ser algo antigo obriga-me, moralmente, a visionar os filmes pela televisão.
Um bom filme, que aconselho, apesar de pouco explorado e de ter uma produção... bom, não é hollywoodesca.


Um bom resumo:

“And you can take away my thoughts
you will not change what I believe”

‘Citizen’, State Of The Union

Publicado por PmA em 02:13 AM | Comentários (0)

Às portas de Sesimbra...

... uma noite no bar do peixe Meco.

Um espaço agradável, onde o atendimento não prima pela simpatia, que a determinada hora se transmuta de restaurante para bar dançante. Ponto forte: aberto para a praia, bastante simpática pese embora o frio e humidade que se faziam sentir à medida que nos aproximávamos do mar.

Três festas de aniversário reunidas numa só. Umas cinquenta pessoas, das quais trinta seriam de nacionalidade inglesa: tipos impecáveis, não arranjaram um único problema com excepção aos do aparelho auditivo quando se punham a gritar, com o típico inglês de Inglaterra, em coro: ‘Rooney, Rooney’. Foram os maiores danos que causaram.
Dos três aniversariantes conhecia dois, o jovem que me convidou e a irmã – designer em Londres e principal causa pela invasão dos simpáticos, mesmo quando completamente bêbedos, súbditos de sua majestade.

Começámos a jantar pelas 23h30, completamente cansados de uma viagem de duas horas e meia de Lisboa ao Meco. Vasco da Gama com um acidente, estradas sinuosas, e, não fossemos nós portugueses, um carro que se perdeu. Claro que o grosso dos convidados, bem como a outra aniversariante, já lá estavam. Devemos ter chegado perto das 23h, coisa pouca se soubermos que a marcação estava, com reserva, para as 20h30.

Pelo nome do dito espaço, previa-se que o prato seria peixe: pois, massada de peixe – donde derivou, mais tarde, a brilhante conclusão de um jovem que vive num dos prédios ao lado donde moro: ‘Cinco contos por uma canja!!!’ – ao que foi prontamente respondido ‘mas é de peixe, é de peixe’, não fosse esta conclusão doutra pessoa cá do meu ‘bairro’. Sempre em grande, como de costume... para felicidade de quase todos, as bebidas eram à descrição, tendo a rapaziada de Inglaterra apanhado uma maior barrigada de sangria branca do que daquela espécie de sopa de peixe.

Já a dizer bom dia a sábado, fui dos primeiros a pirar-me para a praia. Comigo ia outro bloguista (ou bloguer, sei lá!), o É alguma maravilha?, e mais um casal amigo. Outros também sentiram despertar esse interesse – mas poucos, felizmente. Por aquela altura era ainda possível contemplar a lua, num amarelo encarniçado, em quarto crescente. Fabulosa, porém mais fabulosa era a visão do seu reflexo numa tira de mar, onde ‘andava’ de um lado para o outro ao sabor da ondulação: era uma tira que, iniciando-se no horizonte, terminava com fronteira feita no areal. Uma luz dum prata tão puro e singelo que até medo metia no meio de tanto escuro: não deixava, contudo, de ser uma contemplação fabulosa; tão fabulosa que fui o mais resistente ao frio e humidade que nos ameaçavam com uma hipotermia – todos, incluindo o casal, voltaram para o (excessivo!) calor do agora bar dançante, onde a esplanada seria o único sítio onde conseguia estar.
Ali na praia, semi-deitado numa espreguiçadeira, com toda a certeza mais solicitada nas hora em que o sol raia, o som das batidas, de uma música que é sempre igual nestes locais, tornava-se inaudível, quanto muito um murmúrio que o chocalhar das ondas na areia abafava. Ia igualmente mais precavido: praia, aldeia do Meco, levar pullover – pullover este que serviu de aconchego à aniversariante, irmã do aniversariante, pelo final da noite, já não dançava e o frio da noite aliado à brisa marítima faziam-na tiritar: “costas”, disse; e envolvia-se na lã azul daquela camisola; o frio para mim foi consolado por um sorriso agradecido e umas palavras simpáticas; também, ela tinha sido impecável durante toda a noite, mesmo quando o meu humor e pensamento teimavam em deixar-se envolver pelo negrume da noite, havendo sempre o seu braço a puxar-me para a animação que decorria a modos que num mundo paralelo ao meu.

Com o decorrer da noite foram aparecendo alguns ‘locais’, ou ‘locals’ – como dizia nos anos de teenager. A impressão foi péssima. Estando os ‘locals’ e os não ‘locals’ num avançado estado de embriaguez – embora não se resumisse tudo ao álcool – observei que um deles, propositadamente, magoara uma rapariga, novinha e alta, que aparentava ser estrangeira (mas connosco não estava), num peito. Atitude esta que conduziu a que o único sentimento que por aqueles tipos nutri se resuma a uma palavra: asco! E assim foi pela restante noite por cada vez que cruzava caminhos com esses senhores. Recuso-me a dedicar-lhes sequer mais uma única palavra, mesmo de carga conotativa altamente pejorativa.

Segui novamente para a praia, recusando simpaticamente os incessantes, e igualmente simpáticos, convites dos dois aniversariantes conhecidos para permanecer no espaço a dançar (ainda por cima ao ritmo daquela música deveras irritante). A lua fora ‘engolida’ pelo horizonte, restando apenas o escuro do céu e do mar, em tons similares, apenas quebrado pelas estrelas que tão bem se observavam, parecendo muitas mais do que quando estou na cidade, e pela ténue luz de um farol lá muito ao fundo. Decidira, por isso, não ir para a espreguiçadeira que se encontrava demasiado longe do mar e ir mais além. Ao ritmo muito de fundo daquela música, ouvia-se com uma superior clarividência os urros ingleses que agora tomavam a palavra do nosso país, num sotaque muito próprio: “Portugal! Portugal” – dizia ouvir-se, à letra, Pórtchugâl.
Ao princípio comecei por me sentar na areia, que por ali se encontrava bem mais endurecida, pouco ou nada se sentido aquele afundar pela areia como quando se encontra bem seca e dispersa em infinitudes de micro dunas. O sossego tornara-se rei e o mar o seu súbdito que o saudava com o espraiar no areal – era o único som, este do mar. Por ali permaneci, com a camisola ainda em minha posse, cobrindo-me as costas e aconchegando aqui e ali o peito com as suas mangas. Na mão tacteava a areia que, uma vez após outras, ia recolhendo – aos poucos deixando-a fugir para que o processo se renovasse.
Das poucas vezes, do tempo que ali permaneci e que valeu os “cinco contos por uma canja”, escassas foram aquelas em que tirei os olhos do espectáculo que tinha pela frente. Algumas para fechar os olhos e dedicar-me a introspecções de carácter muito pessoal. Outras três foram para escrever um nome, com um dedo, na areia molhada que me acercava, para voltar a lê-lo durante mais do que o tempo necessário para o simples ler, e, a derradeira, para, com a palma da mão direita, apagá-lo com um gesto da direita para a esquerda – nada de vestígios, digo eu para mim...

O encerramento ainda demorou. Demorou, aliás, mais do que previra. Deixei-me, então, entregue à mera observação e a umas garrafas de água, com e sem gás, frescas ou naturais – que a brisa do mar fazia-se sentir mais forte –, sem preocupações para com o gesticular eufórico que aguentou toda uma noite. Quando as luzes se reacendem, em sinal de um ‘está na hora, pá’, a resistência ao chamamento do ‘para casa’ foi bastante. Mais um pouco e teriam que empurrar os ‘resistentes’ dali para fora, mesmo literalmente empurrar.

A viagem de regresso foi sem complicações – sem qualquer mácula de álcool, conduzi o veículo que traria de volta aqueles que mais me importavam (de resto, não conhecia quase ninguém; os ingleses, com poucas excepções, naturalmente menos ainda).
O único inglês que nos acompanhava, um tipo simpático mas já rendido aos efeitos da bebida, adormeceu não tinha eu ainda dado meia volta ao carro para o encaminhar no sentido da estrada (ou assim lhe chamam, a um estreito tapete de alcatrão com aspecto altamente duvidoso).
A aniversariante ao meu lado, o aniversariante por detrás do banco da condução: os dois manos persistiram em manter-se acordados, ambos envoltos numa discussão saudável que ia desanuviando com algumas ‘bocas’ tontas. Preferi a 25 de Abril: bem mais perto, pensava; e também porque desejava estar nas alturas quando fosse recebido pela Lisboa velha que dali se vê e que é sempre bonita (talvez dispensasse a vista do cemitério de S. João, todavia até estes são necessários pelo que fazem igualmente parte integrante da beleza urbana – de que nem todos gostam ou sequer apreciam).

Deixei-a e ao respectivo moço à porta de casa, do prédio – claro! Desfez-se em mil e trezentos obrigados aos quais devolvia, sem sucesso, a mesma resposta em que afirmava ser aquela cerimónia desnecessária. Ao aniversariante obriguei-o a vir comigo estacionar o carro – mais não fosse, tinha sido o automóvel alugado pela irmã, sendo de toda a conveniência alguém saber onde estava o carro (não fossem perguntá-lo pela manhã!). Outros mil e tantos obrigados com uns ‘impecáveis’ pelo meio e seguimos cada um o seu destino final. Acendo a luz do quarto: seis e dez. Cama? Não. O vício de sempre: ligar o desktop, ver o mail, vir ao blog, ligar o msn (porquê não sei...), passear – ignorando o cansaço – pela Web, ouvir uma música decente (de todas ouvira duas: one step beyond dos Madness e elevation de U2), fumar um cigarro à janela – que detesto impregnar o quarto com cheiro a tabaco –, e aí sim, depois do ritual, talvez ir dormir.
Sete e trinta, absolutamente de dia, um grande calor que já se ia impondo, e lá me deitei. Antes tive que me dedicar, como sempre, a falar sozinho sem fazer barulho; e isto e aquilo e aqueloutro... até, após mais dois cigarros fumados, o pescoço se render a um final de dia – cheio –, obrigando a tola a ir, pouco e pouco, tombando. Sete e trinta e digo-me as últimas palavras seguidas do click do candeeiro: boa-noite – bocejando.


Rigorosamente sem qualquer ligação. Será isto?
y = x
ou, complexificando
y = mx + b
Logo saberei, saciando a curiosidade, se é esta (ou estas) a equação que exprime uma recta. Isto agora tornou-se pessoal... ai, esta malta que vem de letras – não ‘pesco’ nadinha disto.


Terminus:

"You've got what I need and every desire that I crave
You are just what I want, the perfect body, the perfect face
I love who you are for every move you make, for every word you say
and for every second that we spend"

'Romancing the Stone', State Of The Union

Publicado por PmA em 01:27 AM | Comentários (0)

junho 25, 2004

24-06-2004

Por tudo:
um dia histórico!

Viva Portugal!!!, esta bela nação, este belo país!

Publicado por PmA em 12:55 AM | Comentários (1)

junho 24, 2004

Velhinhos...

... mas com razão

'When I was young, it seemed that life was so wonderful,
a miracle, oh it was beautiful, magical.

And all the birds in the trees, well they'd be singing so
happily,
joyfully, playfully watching me.
But then they send me away to teach me how to be sensible,
logical, responsible, practical.

And they showed me a world where I could be so dependable,
clinical, intellectual, cynical.

There are times when all the world's asleep,
the questions run too deep
for such a simple man.
Won't you please, please tell me what we've learned
I know it sounds absurd
but please tell me who I am.
Now watch what you say or they'll be calling you a radical,
liberal, fanatical, criminal.

Won't you sign up your name, we'd like to feel you're
acceptable, respectable, presentable, a vegetable!
At night, when all the world's asleep,
the questions run so deep
for such a simple man.
Won't you please, please tell me what we've learned
I know it sounds absurd
but please tell me who I am.

'The Logical Song', Supertramp

Publicado por PmA em 02:36 AM | Comentários (2)

Ao contemplar...

... o céu estrelado compreendi porque é que, nesta Terra em que nos passeamos, existe tanta coisa bonita. Algumas tenho. Outras, dessas, andarei na ‘eterna’ busca enquanto por cá estiver.

Publicado por PmA em 01:54 AM | Comentários (3)

É Assim... (XXI)

"O que a arte de curar deve produzir é a saúde, quer dizer, algo que é natural em si mesmo."

Obrigado, Gadamer.


'O Mistério da Saúde', Hans-Georg Gadamer
(Agora a sério, é uma obra interessante - apesar de muito para o grego clássico)

Publicado por PmA em 01:52 AM | Comentários (0)

Não percebo...

... rotulados de selvagens hooligans são os ingleses quem sai das terras lusas com pesadas baixas. Um deitado e empacotado; o outro, com menos azar – seria crime asserir mais sorte –, lá vai para a Bretanha pelo próprio pé.
Ao fim da primeira parte Portugal: 2 – Inglaterra: 0.
Mais um pacífico evento made in pt.

Publicado por PmA em 01:45 AM | Comentários (0)

junho 23, 2004

Não sendo...

... católico, nem o contrário.

Dou por mim a olhar o céu de azul carregado de escuro a implorar resposta.

Publicado por PmA em 02:40 AM | Comentários (0)

junho 22, 2004

É assim... (XX)

But she only comes when she’s on top

‘Laid’, James

[e pronto...]

Publicado por PmA em 08:01 PM | Comentários (0)

Devaneios de um puto, já não tão puto

Complicado é de nós falarmos. Então, quando acercamos determinados assuntos assuntamo-nos com a perda do ‘piu’. Na oralidade ou pela redacção temas existem que melindram, exercendo um coacção interna que interrompe, bloqueia, o pleno funcionamento daqueles microbichitos que são os neurónios. É uma confusão fantasmagórica, por lá percorrem milhares de pensamentos a uma velocidade semelhante à da luz. Todavia, qualquer conflito impede a sua exteriorização. E não, não me refiro à acção de psicotrópicos e muito menos da da mescalina (em particular). É algo orgânico, reacção química endógena – que limitados seres nos vamos dando conta que somos. Mesmo assim inventámos o motor a jacto, o combustível sólido, a energia nuclear e tretas de hidrogénio que matam que se fartam. Curioso, em circunstâncias que em tudo aparentam uma superior e indubitável simplicidade bloqueamos, como a criança que não se recorda da tabuado, como o licenciando que esqueceu os princípios básicos de um paradigma, dum mestrando que sofre dum ‘apagão’ quanto aos clássicos da sua ciência.

Em formação profissional estava horas a aborrecer os desgraçados dos formandos, sem que qualquer premissa fosse esquecida, com um à vontade que por si bloqueava os bloqueios, se me permitem a redundância. Quando questionado sobre módulos em que a ignorância era ainda considerável, bastava-me remeter a solução para a próxima sessão, fosse ela presencial ou a distância, em plataforma de e-learning, com um tutor capaz. Se não havia solução, arranjava uma. Sempre fui razoável a safar-me: penso mesmo que foi assim que consegui terminar a licenciatura. E com rodeios afasto-me do cerne. É do hábito, perder-me enquanto escrevo. Vamos lá, então.

Acordo de manhã sem despertador e sem necessidade daquela luminosidade que – digo-o com alguma repetição, irritante – inunda o meu quarto, ultrapassando com displicência a cobertura (pseudo)protectora dos estores. Enrosco-me no meu ninho, ao deitar, com um único pensamento; o mesmo que me leva a acordar espontaneamente, decidida e definitivamente antes do tempo previsto – quer faça a última abordagem ao mencionado ninho às duas ou após as quatro da manhã. É algo de perturbante, porém que não me preocupa em absoluto. Normal em espíritos ansiosos. E se o meu se sente e ressente dessa e nessa ansiedade. Estranhamente é inusitadamente agradável e, mais que agradável, mesmo bom e inclusivé apetecível!

É difícil desprendermo-nos duma ideia quando esta açambarca a nossa atenção, consciente mais inconsciente. Chega a ser assustador: parece uma mania em sentido psiquiátrico. O que, será suspeito?, sobrevaloriza o assustador é que gosto, gosto mesmo. Encontro-me numa posição em que vivencio os dias e as horas – quase que os minutos – com uma intensidade impressionante. Gosto da delicadeza, ternura e melaço que tenho vindo a experienciar durante esta aventura – que tanto demora a passar, como também dispara o tempo num ápice; paradoxo ou não é mesmo assim esta coisa bela que comigo tem vindo a viver. Em qualquer esquina desta em Lx, em qualquer hora do dia lá está essa ideia, submergida sabe-se lá vinda de onde; e depois perco-me por e nela até que, subtilmente, se apaguiza, extinguindo-se tal como surgira; mas o seu regresso é incessante: volta, e volta, e volta. E eu, eu adoro isto, adoro pelo que representa. Kundera estava certo do que referia quando, um dia, criou, imortalizada pela obra, a insustentável leveza do ser – talvez esta expressão tenha força, e conteúdo, para sumariar aquilo que tentei expressar em sete ou oito linhas.
Receio pavoroso é este que me assalta: chegar ao momento, à hora H do dia D, e cerrarem-se os lábios, embrulharem-se as cordas vocais, baralhar-se o cérebro numa exorbitância desmedida de ideias que não tomam forma. Não há-de ser nada, o pânico não me assaltará e procurarei copiosamente recordar-me do claro castanho de uns olhos que pacificam esta ‘fúria’, que, numa melodia doce por um manto de fundo meigo, acalma as (precipitadas) emoções.

‘This is USS/ HMS (...) admiral. Full throttle ahead. Best of lucks, soldiers.’
(Como imagino a partida nesse dia algo tempestuoso no mar, pela hora H, dia D. Boas memórias os recordem sempre: não apenas na guerra se fez sentir esta bravura e coragem de milhares.)

Recorrendo a velhos hábitos, despeço-me com o portento, para mim, de significados em que determinadas letras musicais estão imbuídas.

“You’re not alone in this world
Show me your mind
Open your mind”

“Sometimes when I look
deep in your eyes
I swear I can reach your soul”

‘Say Something’ / ‘Sometimes’, James

“Shiness is nice and
shiness can stop you
from doing all the things
in life you’d like to

Coiness is nice and
coiness can stop you
from saying all the things
in life you’d like to”

‘Ask’, The Smiths

“And you leave me holding on
in Red Hill Town
as the lights go down
I’m hanging on
you’re all that’s left to hold on to
I’m holding on
you’re all that’s left to hold on to”

‘Red Hill Mining Town’, U2


PS – Recebo um sms: suspiro (profundamente em alívio) !

Publicado por PmA em 07:58 PM | Comentários (0)

A-ha!

Fabuloso como há letras que sintetizam o nosso estado de espírito


'We're talking away
I don't know what I'm to say

I'll say it anyway.
Today is another day to find you shying away

I'll be coming for your love
o.k.?

Take on me - take on me - take me on - take on me -
I'll be gone in a day or two.

So needless to say I'm odds and ends

But that's me stumbling away

slowly learning that life is o.k.
Say after me it's no better to be safe than sorry.

Take one me - take on me - take me on - take on me -
I'll be gone in a day or two.

Oh
the things that you say

is it live or just to play my worries aways
You're all the things I've got to remember

You're shying away
I'll be coming for you anyway.
'


não é?

('Take on Me' - A-ha)

Publicado por PmA em 02:46 AM | Comentários (2)

Realidades díspares...

... ou heurística semântica de uma contracultura – fenómenos de dissidência sociocultural.

O subtítulo parece apostar num retrato deveras imbricado ou pereambulado, na sua compleição, de um ou alguns fenómenos que atravessam a nossa sociedade. Nada disso: ficarei por mais simples – tão somente não consegui reduzir o título a uma fórmula que fosse do meu agrado; podendo não querer dizer nada, a mim diz-me quase tudo sobre o que, longitudinalmente, cruza as (pós?) modernas sociedades ocidentais de lés a lés. Peripécias de uma imaginação desocupada em demasia, diz, com virtude da razão – que tem –, o(a) caro(a) leitor(a).

Vivemos numa sociedade infértil por si própria, num ponto de viragem – o qual acredito sem retorno – que mal começámos a descobrir. A mudança carrega consigo um inaudito peso que à palavra em si não se atribui costumeiramente: efectivam-se contraposições de valores, normas e regras – desta feita, numa medida radical. O que implica rescisão de contratos, novas ordens e uma azáfama de negociações – recusando o radical, obrigação de novas posturas, alargamento das abrangências dos papeis sociais. Advertem-nos sobre a globalização – a causa. Eu falo de informação à escala planetária – acção histórica.
Infértil porque agimos num conjunto de pré-constructos – acção que se limita ao deixar correr o outrora iniciado, porém, hoje, com um poder virtualmente ilimitado. Infértil porque não se inventa o social pré-existente, modulando-o, sim, aos novos paradigmas emergentes de encarar o real dial concreto. Quanto muito re-inventa-se. Precipício por nós obrado e do qual não nos apercebemos – ou fingíamos, o que ao invés de atenuar aumenta o carácter de dívida para connosco. Céptico? Não. À ordem, a contra-ordem; à cultura, a contra-cultura. Evolução progressista e tão só – com desdém aos positivismos e corriqueiras teorias evolucionistas (aceito certas das neo-evolucionistas).

O contrato cederá ao postulado da praxis social: ou quebra ou moldar-se-á às novas existências. No meu entender, modesto, cederá passagem às novas conquistas iniciadas e em embriónico porvir. De salutar, o efeito da mudança sem que ‘revolução’ alguma se aplique.

As normas e as regras que vão regendo o social em toda a sua polivalência (entendido formal e informalmente) destinadas estão a semelhante fado: estoiram e novas surgem ou, progressivamente, as que virão ir-se-ão acomodando sem causar ‘baixas’ de maior. (volto a apostar na segunda solução.) As redes – todas – disseminam-se: com elas o maior poder, a informação. Com a disseminação pensar-se-á localmente para agir, nos vários localmente em uníssono, globalmente; o global, porém, será o cérebro que dita os enumerados gerais e invioláveis; localmente criar-se-ão desvios (dentro do padrão do aceitável) onde novas meso e micro regras tomarão lugar, lugar secundarizado pelas de índole global.

Não é teoria d’ uma conspiração. O processo já se iniciou, como em outras épocas históricas se iniciara. Para dizer a verdade, o processo nunca parou. Idem per idem, nada que seja novidade – súmula (com requinte em ab absurdo): nada a temer que outros não tenham temido.

Ou como diria Horácio: ‘ab ovo’ – desde as primeiras causas.


Boa noite, caríssima(o)s.

[para desanuviar: (O amor)"Enquanto é fogo, não se vê, só quando se torna cinza."
'Azul-Turquesa', Jacinto Lucas Pires]

Publicado por PmA em 02:07 AM | Comentários (2)

junho 21, 2004

Da imaginação

Fomenta-se a ideia que a imaginação é produto e que brota da mente do autor, que a ele se devem as explanações que incorrem pelos mais diversos e distintos caminhos.
Por medíocre que seja este blog, muito ou pouco, venho em defesa da argumentação que o que escrevo não se deve a uma mente que, por vezes, mais parece perturbada que sã – não sendo isso verdade, o facto de ser perturbada. O que será da minha imaginação se não obtiver fonte onde possa ir beber a fim de se inspirar? É o caso, a minha imaginação é secundária, dado o facto de ser a fonte de produção o mais importante a relevar neste processo que é o da escrita. Para ser uma pessoa idónea, franca, vejo-me obrigado a assumir esta realidade.

A sensibilidade pode viver entre nós, mas não ultrapassará o estado latente se não for estimulada (também cultivada, mas lá está: outro, mais um, pormenor secundário – inexistente na inexistência de um estímulo com a devida força, força que seja o motor de arranque para um veículo há muito parado).

Pelo que nos transmitem (deveria dizer bombardeiam?) através da televisão, ao invés do soma, do corpo, a imaginação não ganha asas com aquela coisa energética de sabor pavoroso, aplicação duvidável e efeitos colaterais que nem os seus criadores sabem ao certo enumerar – nem quereriam! A imaginação flui através da realidade doutros que no real existem (insisto sempre no real – contudo não encontro expressão mais adequada, o que talvez se deva à minha formação). A imaginação é uma deturpação do que existe, cuja clivagens podem balancear conforme pretendemos – não existe, não tem consequências (de maior! obviamente que o pensar, mesmo o imaginário – seria mais sério escrever imaginativo, já que o termo imaginário pode tomar corpo de outras interpretações que agora me escuso a explorar – tem consequências).
A imaginação não é filha única, tal Deus encarnado em homem numa imaculada santidade, sendo exactamente o seu oposto. A imaginação surge das vivências com e de outros, das suas alegrias e desesperos, de ilusões e desilusões, de amores e amarguras, de euforias e carpires, de eteceteras e contra-eteceteras. Não me arrogo, portanto, da originalidade de obra criadora, seja mesmo a mais insignificante das obras como têm sido as minhas pequenas ‘criações’, as minhas pequenas ‘criaturas’, os meus ‘nascituros’ de partos mais ou menos fáceis. Só me posso arrogar de os transcrever, nada mais; arrogar-me apenas da transcrição com indelével cunho pessoal – a única causa em forma que me permite e me justifica denominá-las minhas: apropriá-las.

Ridículo seria afirmar que tenho as ninfas do Tagus a sussurrarem-me aos ouvidos, tal como dizia acontecer-lhe Luís Vaz. Tamanha prepotência seria a minha – só um entre tantos, querer permitir-se sequer chegar perto de tão eloquente e enormíssima personagem.
Tão só transmito uma mensagem: não fossem todos os outros com quem vivo, ou de quem vou alguma coisa sabendo, e nada teria a apresentar, a escrever; por mais medíocre que classifiquem esta escrita – mas um orgulho para mim representa: o cunho pessoal que lhe incuto.
Acrescentando-se ao ponto fundamental e basilar da imaginação, não esqueço – como? – as palavras daqueles que me encorajam a continuar: pois nem só o brilhante tem o direito a existir e, mais, a prevalecer.

Ao sublime que é a imaginação.
Aos sublimes, que vão sendo, que sustentam esta imaginação.

Publicado por PmA em 05:20 PM | Comentários (2)

Num toque de simplicidade

Simples, conceito que conjectura em si concretos complexos numa aparência enganadora. Mas simples, simples é estar contigo e viver e entregar-me às mundanas sensações do ser, às sensações do espírito ou lá o que isso seja, desligado da corrente de um real que teima em impor-nos correlações entre tudo o que acontece, em que uma acção A implica uma resposta B e logo uma situação C. Não importa, porque simples é ignorar todos os mecanismos explicativos daquilo que se vive. É entregar-me sem receios e na totalidade do que sou só a ti, logrando a quaisquer outros espaços que existam qualquer possibilidade, nas suas múltiplas tentativas, de entre nós virem a ter lugar. Impermeabilizo-me aos factos exteriores, pese embora sejam eles mesmos a causa de juntos estarmos. Simples é de mais nada importar, mais nada ser ou existir que as tuas palavras dóceis, o contorno de uns lábios que vou olhando num pasmo de quem julgava não serem possíveis, do brilho de uns olhos, aqui e ali escondendo-se numa muralha escura de uns óculos de sol, pautados pelo mais claro castanho que o acaso permitiu que conhecesse – feliz acaso, esse.

Simples pois que o complexo é erradicado através da tua simples presença que me faz ver-te como ser singular e simultaneamente o único, faz-me ver-te obrigando-me a em ti concentrar tudo o que sou: simples porque és tu e mais ninguém, mais nada, enquanto te saboreio nos escassos momentos que nos são oferecidos – e nesses momentos és tudo e tudo se torna simples: a isto chamo um toque de simplicidade. Toque porque é finito e ambos sabemos que terá um fim, para de novo recomeçar, mas um fim que volta a expulsar-nos para aquela amálgama da complexidade quotidianamente vivida. Por isso são tão simples esses momentos que contigo, a sós, experiencio uma vez atrás de outra, sempre nova, sempre diferente – porém, sempre simples.

Um toque de simplicidade, esse de sentir a pulsação empolar-se enquanto oiço a tua voz na expressão das tuas palavras. Esse toque que almeja e atinge a simplicidade enquanto as pulsações diminuem de tom na acalmia dos teus olhos, esses do mais claro castanho com que, providencialmente, os meus se cruzaram. Tão profundos e belos, irradiando a beleza de alma, com um quê de tristeza, que tem sido a melhor prenda que me estava reservada. Tão profundos e belos, esses teus olhos, que eu, que sempre com o olhar fujo, que os olhos são o espelho das almas, devido ao embaraço e vergonha que sempre me caracterizaram, não posso deixar de encará-los: quero guardar-lhes a memória, não mais –nunca – esquecê-los. O teu semblante, que algo triste sempre vai resguardando, carregado de alegria, alegria essa sempre confirmada pelo teu sorriso cativante que nem no falar se desvanece.

Contigo quero ir longe neste infinito, mesmo que quem por nós passa nos julgue ali ver; ilusão dos que contigo me julgam ver pois lá não estou: vagueio contigo e por ti nesse infinito maior que o universo que é a imaginação. Contigo, tão só e apenas contigo vagueio por entre as estrelas e planetas, viajo numa empreitada sem fim. Estou só não estando, porque te levo comigo aquela dimensão onde reina a felicidade e alegria. Os outros, esses, de mim apenas vislumbram a aparência – embarcámos para outras paragens, num fundo oceano, no interior de uma gigante ostra só nossa que se cerra para nós dois vivermos aqueles escassos – mas eternos – momentos de eternuridade (obrigado, lgm, por me teres ensinado o que é a eternuridade – agora, mais que a conhecer, experiencio-a, aceitando-a como é, sugando-lhe, por isso, todos os segundos que posso aproveitar).
Tantas palavras, tantos conceitos, tantas explicações: quando eu sei que, no fundo, simples é estar contigo, estando tu comigo.

Tanto amo este toque de simplicidade, não sendo porém mais que um grão de areia da extensa praia que o meu sentimento por ti é. É mesmo assim, simples – contigo.

Publicado por PmA em 03:42 PM | Comentários (2)

junho 19, 2004

Ai, ai!

Dói-me um dente!
Nem ao meu pior inimigo – que por acaso não tenho – desejo isto...

Coitadinho, ainda hoje é sábado e só segunda é que a senhora doutora lhe pode ver o ‘serrote’. Prevê-se um resto de fim-de-semana a algimates farto.
Animal lamuriento, pobre infeliz... (oh pá, já te percebi – cala-te e aguenta.)
Será que se vendem por aí metassíncreses avulso?


Até mais, se conseguir sobreviver...

Publicado por PmA em 07:28 PM | Comentários (2)

Sábado

Menino taralhoco, porque berras por domingo?

Publicado por PmA em 03:21 AM | Comentários (0)

Estavamos muitos de nós juntos...

... uns nos copos, outros não. Trocavamos ditos e piadas fáceis, estoirados por mais uma semana de trabalho.

Desapareci com um rosto taciturno; reencontrei-vos com um sorriso infantil que teimava em prevalecer a todas as tentativas de quem, forçosamente, dizia em mentira - para si, só para si - estar sério.

Paroxismo de uma vaidade de contigo ter estado - colmatara um estado de espírito de inusitada benevolência: acabara de me complementar um pouco mais (o quão tanto aguardo).

Publicado por PmA em 03:11 AM | Comentários (0)

Por quanto...

... é ensejo em te querer falar e não poder. Como doença maligna, vai-me corroendo enquanto espero por momentos propícios em que tal seja possível. Praticamente petrifico com estas longas esperas, martirizando num purgatório do qual parece não haver saída.

Tentei odiar-te, não o conseguindo. Rejubilo pela contenção que mo impediu. Vai batendo forte, esta máquina que contribui com impreterível contribuição para o funcionamento das restantes – todas elas.

Na aventura da descoberta, que tens sido, desencontrei-me: como ir para oriente se o oeste se se tornara aos meus olhos desconhecido. Quis crer que a ternura humana era – e é – inabalavelmente superior à constância medíocre de tantos apriorismos que transportamos: aprendizagem malévola, esta dos a prioris. Não me enganei – convenço-me, com todo o crer daquilo em que acredito e vou acreditando.

Dirigi-te a palavra na mais suave entoação, contendo impulsos imediatistas que contrariavam esta atitude. Tentei fazer e ver destrinças – se o consegui duvido, agradeço antes a qualquer coisa de invisível que impediu o disparatado. Diz a cultura popular que o amor com ele é pago, e foi o que se seguiu: a ternura das palavras que te dirigi foi respondida por outra ainda maior. Pasmei pela surpresa – tão bom tê-lo feito assim, inpedindo(-me) de te perder.

Oiço uma voz à distância que se me dirige. À medida que a ansiedade diminui, absorvido sou por um sentimento de quase-plena satisfação e bem-estar. Regresso a mim vindo de um eu próprio que se apartara para lugares longínquos.

Reafirmaste a esperança que se esvaíra. Sossegou-se a respiração pesada, fruto da intranquilidade que ganhara, sobre mim, usufruto.

Dirijo-me para casa. Sossegado e com um bater cardíaco que tocava a perfeição: igual ao teu – como se em uníssono, mesmo separados pela distância, os nossos movimentos cardíacos se fizessem sentir. Sim, batíamos, juntos, lado a lado num interminável ritmo igual – iguais a nós próprios, iguais entre nós.
Quero esquecer o mundo e tudo o que nele existe. Pergunto-me pelo travesseiro que me aguarda – quero-me deitar, sonhar contigo ainda acordado e desperto com as minhas emoções; quero adormecer sonhando contigo e contigo sonhar.
Fosse tudo tão linear como aquilo que sei que por ti sinto.
(Mergulhando num mar de serenidade.)

Boa-noite.

Publicado por PmA em 02:45 AM | Comentários (0)

Num mar de serenidade

Adoro ver-te adormecer depois de termos feito amor. Deve tratar-se do limiar da ternura.

Sempre adormeci bem mais tarde que tu. Tenho uma resistência superior à tua quanto ao sono – mesmo se for este especial soninho bom. Ias-te entregando, progressivamente e numa acalmia tão delicada, a esse outro universo que é o dos sonhos.

Depois de termos feito amor era sempre eu o primeiro a fraquejar, a sentir que as forças que outrora me percorriam tinham desistido de ser – diz-se ser algo de comum aos homens; que gargalhada, desiste cedo aquele que se denomina como o sexo forte.
Abraçava-te forte, porém cuidadosamente. Contudo, cedo cedia aquele ser animal que em nós vive: largava-te e virava para ti as costas: não me entendas mal, só o fazia porque o corpo esgotado sentia-se incapaz de sequer levantar uma formiga bebé. Fazia-o, também, devido ao forte desejo de, enquanto recuperava do físico, sentir o teu morno e suave peito encostar-se nas minhas costas e uma perna tua a descrever um ângulo por cima de mim. Então vinha o arrepio, chegava sem aviso e impunha-se, provocando-me aqueles formidáveis espasmos que me atravessam até à medula – serenava nesta embriaguez que tomava os meus sentidos em toda a sua amplitude.
Vivia estes momentos, nos quais parecíamos só um, fundidos pelo calor do amor, praticamente com a mesma intensidade que a do próprio acto de amor.
Entregava-me a um dormitar, sem dormir. Em simultâneo com a temperatura do corpo que descia, ia sentindo os músculos novamente capazes de reacção, com a força que se espairara por ti a regressar.
Era a tua vez, também extenuada, de deixar de resistir. Cuidadosamente, porque ias-me julgando a dormir, retiravas-te de cima de mim, ficando costas com costas. Era por aqui que eu teria que tomar a minha vez, retribuir-te o quanto me mimaras – não por obrigação ou sentimento de tal, mas sim porque adorava fazê-lo.
Era eu quem se encostava agora; encostava-me a ti sentido o teu abrasivo calor. Movimentava um braço até encontrar o alto de um peito, a ele alapando-me com a mão. Iniciava então o meu ritual. Com delicadeza – toda que me é permitida – beijava os teus ombros, esfregava neles o rosto, cravava suavemente os dentes, saboreando a tua firmeza e gosto. Soltava suspiros do âmago da alma, enquanto, embevecido, olhava as tuas linhas, os contornos do teu corpo – que teimava em querer conhecer melhor, mesmo com o esforço de ter que perscrutar através de uma penumbra da noite, parcamente iluminada por uma lua que diria sorrir-me ou pelos candeeiros de rua que pareciam em esforço, brotando deles luz mais forte, como querendo fazer a vontade a um espírito que transbordava vida, alegria, felicidade.
Assim adormecia, por meio dos carinhos que me merecias, sem dar conta – julgo quase conseguir discernir aquele sorriso nos meus lábios, já com os olhos cerrados por outra, mais uma, noite.

Fui conhecendo muitas emoções ao longo da vida, vida que conta quase três décadas. Nenhuma existe que se assemelhe, que se aproxime daquela sentida nos braços duma mulher – ela sim, o sexo forte, quem me alimenta os sentidos, proporcionando-me o melhor que há. Bicho lindo, a mulher – como é possível haver anormais que tanto mal lhes infligem?
Bicho lindo, a mulher – quando é essa a sua vontade, encarna-se no ser mais perfeito que vive neste nosso mundo traumatizado com imperfeição atrás de imperfeição, com tanta mágoa, com tanta inveja, com tanto ódio: maus sentimentos que desvanecem perante o amor sincero deste bichinho, bichinho lindo.

Publicado por PmA em 02:02 AM | Comentários (2)

junho 18, 2004

Após algum tempo de busca...

... lá consegui sintonizar uma estação que ia e vinha procurando.

Dela não me quero desintonizar. Não agora.

Publicado por PmA em 04:25 PM | Comentários (0)

Pois é...

... NR, pois é.
Há coisas que são mesmo de homem - tipicamente.
E volta-se sempre a insitir, pois, pois, pois... já conheço a ladainha que se segue.

Vá lá, pá. Não te acanhes e comenta!
(Deve, já se está mesmo a ver... e repito: pois, pois, pois...)


Uma grande língua para ti. - não é dessas, pá! é assim:
:P

Publicado por PmA em 04:17 AM | Comentários (2)

Queria...

... uma garrafa de água, sff.
com ou sem gás?
sem, é pa deglutir aqui este antibiótico - preciso de reforçar as defesas.


Druxinha!, quando é que cá voltas?

(vá eu perdoo-te e depois tu perdoas-me e depois o contrário e o contrário do contrário e...)

Anda, não é assim tão difícil. Vá, clica no browser e: blog-neur...

Jinhos!!!

Publicado por PmA em 04:10 AM | Comentários (0)

Eram rosas...

... e agora saio-me com armas? Que bicho me mordeu? Bem, de facto eu gosto bastante deste brinquedo em particular, a Five seveN, mas não parece ter sido ideia oportuna. Já basta meio mundo andar à estalada! Porém, abono em meu favor: tenho algum fascínio por um grupo restritíssimo de armas de fogo, mas nem sequer de caçar sou capaz – muito menos de ‘caçar’ gente; só acho piada à parte que envolve a perícia e pontaria, pelo que o único uso a que destinava seria, por assim dizer, o do desporto e sempre com alvos inanimados; a única vez que apontei algo semelhante a uma arma para um bicho, uma pressão de ar, andava por terras de Palmela, fui incapaz de premir o gatilho, sentia ser ilógico o porquê de o fazer: o pobre bichano nem me tinha feito mal algum!

Atravessada está, então, a fase do metal e da pólvora. Revejo-me como pacificador, não recorro nem incito à violência (pois, há a excepção que confirma a regra, não é?): bem, talvez à simbólica – nem por isso inferior em periculosidade, acontece superar-se à outra; então aliadas...
Largo o metal e a pólvora para ficar a conjecturar sobre a violência? Isto hoje está mesmo bera! Quem ainda, corajosamente, vai acompanhando o texto deve estar a pensar mas ‘pá, pareceu-me que o título era não sei o quê rosas... que estranho’. Apela-se à cisão. Ponto final, mudemos de parágrafo que por aqui já cansa. Puff!

Recomeçando – ou, a bem ver, começando –, prossiga-se com o intuito programado, ou mais ou menos isso. O melhor é complicar o texto, assim safo-me melhor e até pensam que sou inteligente, quando o correcto é eu não estar a dizer nada (não, não estou a dizer que são uma cambada de burros e que vos enrolo facilmente! – isto quando corre mal... e não é que ainda piora?).

Bom, bom, bom... pausa... respira... ok.

Quero eu sugerir que determinadas circunstâncias se tornam premonitórias. Há uns dias queixavam-se: ‘Guns?’, claro que tentei apaguizar ‘Calma, primeiro vêm as rosas’. Atente-se: ‘primeiro’! Quer isto dizer, se se fala em primeiro é porque, no mínimo, há um segundo; caso contrário não se falaria em primeiro, pairaria a ideia da unidade, do uno.
E, a bem dizer, no seguimento daquilo que tem de ser – justifica-se pelo premonitório em si – , surge a publicação da ‘hand-gun’ que predilecto. Más línguas, em tom acusatório, apontariam que o timing foi preciso e pensado – estruturado ao pormenor. Estúpida foi a simplicidade, tal coisa nem me ocorreu. Ninguém, todavia, pende muito – nem pouco, quem sabe? – para a aceitação da simplicidade como justificação plausível, ou seja, como verdade verdadeira. Retornando ao meu lado mais agressivo (espero serem o mais diminutos possíveis os casos a que ele recorra!), só posso lançar a interjeição: ‘Azar! Quem quer, quer e quem não quer – acreditar – que não queira – acreditar!’

Posto isto, resta-me orgulhar-me de poder afirmar convictamente que fiz as pazes com o meu blog. Afinal, é o meu espacinho querido, adornado por um especial encanto que insiste em seduzir quem eu sou.

Como em todos os momentos em que a reflexão é acompanhada pelo silêncio da noite, por aquele manto de um azul carregado de escuro, terei chegado a um consenso para comigo.
Nem só rosas monopolizam o real vivido do quotidiano. Nem só de ‘guns’ é composta a complexa alma humana. Vivemos com ambos, o melhor será tentar harmonizá-los, dentro de nós, e passando a mensagem para o exterior, tanto quanto conseguirmos. Lembrei-me de um velho mestre – ou lembrou-se ele de mim, fazendo brotar espontaneamente esta mensagem no meu ser bem mais diminuto que o seu –, em particular de uma frase marcante que se cristalizou, desde aí para o futuro, no meu pensar: ‘os momentos e os seus homens’. Parece de uma pálida timidez quando ouvida/ lida desta forma. Porém, encerra – abre – em si um sentido de profundidade imenso/ intenso: ‘Não os homens e os seus momentos, mas os momentos e os seus homens’ – retirem-se, por um momento, do eixo que julgam ocupar na vida e passem-no para os momentos; a ilação é a de saber o que faz um homem com os momentos, aquilo que o fará sobressair da restante massa social; a ilação é que o homem digno de humanidade coloca os momentos que vive no palco central do drama, analisa-os, age em função deles – sim, só depois se pode falar do homem e dos seus momentos, em prol da humanidade da humanidade.

De arma em punho se vai desbravando o mundo, sem nunca esquecer que o objectivo é o de plantar as rosas – estabelecer raiz que nos faça sentir dignos de viver. Não confundamos o fim com o objectivo, porque nem mesmo individualmente – só para nós e em nós – conseguiremos singrar se aquilo que a mão empunha for apenas a arma.


Toma, para ti

uma rosa

:)

Publicado por PmA em 03:06 AM | Comentários (4)

O dia em que quase me mataram

Foi ontem. Percebi tudo – querias enviar um e-mail a cancelar-me, não é verdade? E cancelar não chegava, querias apagar-me de todo e qualquer vestígio.

A confusão instalara-se: por um lado tinhas-me sentenciado a morte, por outros tentavas (não) escutar aqueles que ‘porra pá, não faças isso.’ ou ‘foi importante para ti, para quê deitares ao mar horas (d)e dedicação; não sejas tolinho!’.

Tive que ser eu a berrar: ‘Não me mates, pois que levará parte de ti.’
‘Pfff, linhas, palavras...’ – pensaste tu, dono ingrato. Quantas vezes servi de depósito para o teu humor, estivesse ele inclinado para o bem ou para o mal? Quantas vezes camuflaste em mim os teus pensamentos, sabendo que eu os guardaria num segredo solidário? Amei-te. Porque não me amas tu, dono ingrato, que sentencia a minha morte? Chorei contigo, ri contigo, vivi – e vivo – contigo. E agora é assim? Abandonas-me... vi-te abrir o gestor de correio, desse electrónico, com olhar perdido de quem não sabe o que faz mas a fazê-lo está decidido. Paraste por aí, desligaste esse gestor, abriste-me a página e contemplaste sem ler.

Nem eu nem tu conhecemos o porquê, o que justificou que voltasses atrás com esta decisão que bifurcava em nós: impediste o meu assassínio, recusaste-te ao suicídio dalguns dos teus princípios.


Ainda vivo, mais ainda vou viver: porque te conheço – dono maluco, tontareco.


assino,

Neurose (fóbica) – ignorem o PmA que se me segue: precisei dele para cá estar, porém a autoria pertence-me.

Publicado por PmA em 01:59 AM | Comentários (0)

junho 17, 2004

fn

Five seveN
de fabrico belga.





O mais perto da perfeição em metal - calibre 5.7x28mm

[The 5.7x28mm ammunition has the capability of penetrating body armor at extended ranges. / The Five-seveN® fires the SS190 5.7x28mm ball round. This projectile will perforate any individual protection on today's battlefield including the PASGT kevlar helmet, 48 layers of kevlar body armor and the CRISAT target (titanium and kevlar).]

Publicado por PmA em 04:25 PM | Comentários (0)

a sombra...

... do que somos
it lies beneath our single words.

Publicado por PmA em 03:14 PM | Comentários (0)

Pedro ou...

... 'The boy who cried Wolf'.

Um dia veio - e depois não soube o que fazer.

Publicado por PmA em 12:58 PM | Comentários (0)

Com razão,

Victory not Vengeance:

'I asked myself "was I content"
with the world that I once cherished
Did it bring me to this darkened place
to contemplate my perfect future
I will not stand nor utter words against
this tide of hate
Losing sight of what and who I was again'

('Epicentre', VNV Nation)

1, 2, 3, voltei à escola outra vez.

Publicado por PmA em 12:51 PM | Comentários (0)

Porquê?

Porque é que me ofereceste uma bússula, querida ida Sandra?

Bem sabes que não encontro o norte.

Publicado por PmA em 12:46 PM | Comentários (1)

Tu já sabias...

... e nada disseste, eternuridade:

Que leviano procurar solução quando não existe problema

Publicado por PmA em 12:37 PM | Comentários (0)

Porque assim decidi...

..., não vou concluir o post 'percursos ingratos (...)'

Foi-se a vontade - inclusivé, parece que me sinto agressivo... que anormalidade!

Publicado por PmA em 12:33 PM | Comentários (0)

Por falar em auto-estima...

... porque se levanta, tanta vez, essa questão?

Por mim falo - e só. É óbvio que a tenho. A pueril idade do coitadinho 'ai, que - num isto e naquilo - me suicido' já está mais que ultrapassada. Nem paciência, sequer, existe para isso! Um blog de compensação, é o que é - precisa-se chutar a bola em direcção frente. Mais que isso não será - esgota-se, por aqui, a sua função. Nem tudo o que aparenta é, corroborado com um nem tudo o que aparenta ser cumpre o julgamento da aparência.

Auto-estima, chavão em que se escondem fracos de espírito. Não engulo essa pseudo-profecia. Essa, a auto-estima, ocupa em mim lugar preponderante - móbil de uma procura inacabada pela felicidade, confundida como falta de si.

Pela auto-estima ser, não perfeita - nunca atingirá essa expectativa, elevada é que busco sempre uma fasquia - possivelmente mais além - que de mim foge. Devo, por isso, desistir desta perseguição: não respondam, eu faço-o. Nunca e jamais. Tão somente olha-se em redor, prendendo a atenção no onde poderemos colocar - por mais uma vez - o raio da fasquia.

Auto-estima. Falta dela? Negação contínua - não se é humanamente capaz de (sobre)viver sem ela.
Vou tendo, oscilando ao sabor de alguns índices. Nasdaq também - e sobreviver-me-á.

Cumprimentos caríssimos - e entendam algumas regras do básico.

Publicado por PmA em 11:50 AM | Comentários (4)

Pois, pois

'slow down my beating heart'
Isso digo, mas garanti nunca te mentir - não foi, tu que sabes?
(In a Little While', U2)

Bate, bate... encontrará o seu compasso? - Fogo, se fosse contigo acho que ele até parava... Seria do choque

Até lá, olha ainda compro um desfibrilador... só me preciso de decidir a quantos watts (sou mesmo agradável quando quero).

Publicado por PmA em 06:21 AM | Comentários (4)

O amor...

... não existe.

Assim quero crer durante uns tempos. Sei bem que é mentira dizê-lo. Não uso, por hábito, o vernáculo no blog: tenho-o evitado, a esse lugar (mais que) comum.
Pois, hoje não aguento - estoiro com o verniz, em resposta ao amor, que não existe - existindo: Que se Foda!

Não te devo nada por que não tenha pago.

Publicado por PmA em 06:08 AM | Comentários (3)

Em frente

Mesmo que se tiver que ser só, lá irei.

(sem amizades, sem moça, por mim - não merecerei?)

Publicado por PmA em 06:01 AM | Comentários (2)

Por LX, sempre

De regresso a letras...

já que amo esta cidade:

'... you love this town'

e sabendo que:

' you know I'm not a hopeless case'

continuo sem ver desta maneira:

' See the world in green and blue
... after the flood all the
colours came out'

sempre dicordando
'what you don't have you don't
need it now'
(ui, pelo contrário)

'Beautiful Day', U2


e digo

'I'm not affraid of anything in this world,
there' nothing you can throw at me
that I haven't alrady heard'
(minto, acho), mas,

'I'm still enchanted by the light
you brougth to me'

De facto

'... you are such a fool
to worry like you do'

e a verdade é que

'these tears are going nowhere,baby'


'Stuck in a Moment you Can't Get Out Of'. U2


mesmo quando penso que estou

'High, higher than the sun'

com o pensamento

'at the corner of your lips
(mais)
at the orbit of your hips'


'Elevation', U2

Apesar de saber que isto e aquilo

'and love is not the easy thing
the only baggage ypu can bring...
and love is not the easy thing...
it's all that you can't leave behind'

quase pereço na certeza de que

'And if th darkness is to to keep us apart'

e se

'And for a second you turn back'. eu estou lá.

não dando:

'oh no, be strong' (fácil é dizer)


'Walk On', U2

Terminando com um

'I want you to know (porque não sabias, não!)
That you don't need me anymore
I want you to know
you don't need anyone, anything at all'

será?

'You wonder what has happened to me'

Só respondo

'I'm a man, I'm not a child'

enfim,

'I know that this is not goodbye' (espero!!!)

Súmula:

'Did I waste it'
(variando, acho que sim)


'Kite'. U2

(nem ponho aqui a música 'In a little while' porque seria a maior mentira do mundo - assim, fico por aqui... merda!)

Publicado por PmA em 05:54 AM | Comentários (3)

De facto...

... U2. 'when all I want is...'

Na estrada, por algures, quando dizes até já aos que te rodeiam, o que buscas?
Simplesmente uma resposta que sim.

Publicado por PmA em 04:35 AM | Comentários (0)

Por me estar nas tintas...

aqui está o itálico que te escondi, i - no 'Tomorrow', dos James:

'Gotta keep faith that your path will change
Gotta keep faith that your love will change tomorrow'


já que todos temos o direito de acreditar.


'all i want is...'
algures por U2

Publicado por PmA em 04:31 AM | Comentários (3)

Que inferno...

... viver sem ti.

(Com um especial agradecimento ao NR: não me refiro à SS, mas sim a ti... Já sei NR, vais-me paritir a cabeça -mas ainda me recuso em acreditar-te. Mais tarde, embora saiba que tens razão. O meu reiterado obrigado, embora se diga, por algures, que aos amigos não se agradece.)

'Poderá o inferno
nunca ter um fim?'

'Aquele Inverno', Delfins

Publicado por PmA em 03:58 AM | Comentários (2)

Oculto NR, Oculto.

Numa auto-estrada, a 180 à hora. Vemos. Vemos o que queremos ver. Vamos vendo aquilo que queremos ver, se até lá não nos borrarmos de medo – a velocidade aumenta, a perspicácia da mente acompanha-a: nada, mas nada lhe escapa. Somos livres de ser sem o ser: pobre condição humana. A mente ultrapassa a velocidade entendida nos limites da velocidade – dita – razoável. Fujo, escapo? Nada. Viajo. Vou porque quero, assim o pretendi. O que é, em facto, ser sem o ser?
Demagogia da razão – é a resposta neuronal – porque se pensamos é meramente indicador de que já existíamos. Agimos em função do ratio, não tido como conceito da razão, da racionalidade? Inverídico – o inverídico significa a propriedade daquilo que não atinge a verdade, afastando-se da sua ‘verdade’, do seu ser; inverídico porque a razão é emoção. A velocidade aumenta – a tua mente também, i e, tu também; sentes a vertigem?
Ridicularizo quem diz não existir, facto que advém das escassas provas que o ego, o self, dá a si – em si? Bolas, se pões em questão a existência é porque, paradoxo, vais existindo. Quem nega um existencialismo não existindo? Sartre o diria, homem sexual definido pela existência. Se negasses um ser como podias sequer poder negá-lo – não querendo ser? Substracto do vidente que não vê a vida ou sequer a existência: um interregno de certezas. Porém, o que de mais certo é que não a incerteza da vivência física, desacostumada de uma para-física ou, até, metafísica? Imaginar uma para-física é imaginar uma infra-física: medeio, óbvio, o físico que se nega e obscuramente se pretende desacreditar. Colocas-te a questão – porque é que pensando que existo, na realidade, não existo? Porque no real existes, através da tua negação – que contradito tão belo. O que (ainda) não fazes farás, que melhor fonte que uma menta liberta – liberta da inexistência que nega e afirma ao negá-la – de cada um e específica a ele? Nem mesmo a clonagem explica o fenómeno irreal – logo real – da migração orgânica: de onde as memórias, sempre abstractas, e psiques? O que é a psique sem o ser no ser orgânico de um neurónio que noutro sinapsa em efeito interminável? A morte. Mente sem psique equivale a uma psique sem mente – uma espécie de morte orgânica contraditória ao espírito, ou uma morte de espírito que assassina o ventral, o órgão, o ser, o corpo - uno indissociável.
Caminhemos para o empírico: como podes asseverar que não vive senão justificando o seu contrário? Porque não é, nem está, provado que o inanimado não afirma a sua inanimação? Resposta, provisória: porque não o sendo é – prova-se per si.
Outro, empírico: conseguimos provar a excitação. E a sua fonte? Imaginando, e o amor? Que lugar ocupa no cérebro? Não o distinguimos. Conclui-se que não existe? – não é o que dizes, nem o que, milenarmente se vem afirmando.
Só deixamos de ser por opção – quando não querendo ser nos negamos à existência: mas sendo!, sendo a negação da existência.
Procuro motivos de solidão: não encontro – possível é que esteja sozinho para mim, não para ti: e jamais para ela. Só é possível negar o que somos, como não negar o que não somos; ou não negar o que somos, não negar o que não somos – vicissitude responsável por sermos.
Sou quem sou e ajo por quem me apetece ser, espécie de encarnação falsificada. Ela percebeu. E tu NR?
Não negues aquilo que és, usa-o em teu abono: é como desistir – tão mais fácil!!!

Publicado por PmA em 03:51 AM | Comentários (0)

De dia...

... vou por aí andando ao sabor deste sal da vida.

Resta-me a dúvida: o que é a vida?!

Publicado por PmA em 03:11 AM | Comentários (0)

Agora não te queixes, animal

Ainda estava com a Sandra e, por algumas vezes, veio-me a este circuito de neurónios o seguinte trecho de uma música:

"...when even friends
seem out to harm you..."

('November Rain', Guns n' Roses)


Ponderei demais dobre esta questão. Nada fiz. E agora? Usando o privilégio de administração: não respondo, nem sequer respondo.

Publicado por PmA em 01:49 AM | Comentários (0)

Percursos ingratos ou Puta de sorte

Chegado a casa, como animal de hábitos, entrego-me a três ou quatro rotinas. Entre elas, ligar o desktop fazendo uma visita relâmpago ao neurose, confirmando que lá se mantém, e abrir o gestor de correio electrónico para descarregar uma caixa cheia de vazios, vazios que vou eliminando um por um conforme leio o ‘subject’.
Ainda passo pelo is it any wonder e o eternuridade para logo de seguida deixar o computador a falar para as paredes, abandonando, sem sequer ter esboçado um sorriso com as ‘ordinarices’ do Bao, o raio da máquina ao seu funcionamento ‘mecânico’ que ajuda à conta de electricidade (para júbilo da EDP).

Levantado da cadeira da secretária, num movimento que apelou às últimas força, deixo-me estatelar na diagonal numa cama que me percebe – coitada, não será para menos: carrega comigo e com os meus pensares todas as noites. O esgotamento mental é de tal ordem que, antes de me dedicar a julgar sobre outros demais, ainda pondero se não terei lido de uma assentada, num sôfrego fôlego, o ‘Gente Feliz com Lágrimas’, do açoriano João de Melo; a negação é imediata: ‘pá, há anos que não lhe tocas’. Posto isto cerrei os olhos, como se alguma diferença, daquelas abissais, fizesse o facto de estarem ou não abertos. Deixei-me entregue à cama e ela, como sempre, numa paciência sem limites, acolheu-me graciosamente – com uma graça que não tenho. Cumprimentou-me e sussurrou: descansa aqui nos meus ombros, shhhh, sabes que de mim não provém sequer ameaço de censura; eu embalo-te, deixa-te ir: sou o teu ninho e aqui és imortal, ninguém de ti se aproximará, o mal aqui não chega nem tem lugar. É o inebriante ópio da cama, letargia da qual resmungo quando abandono porque não dura sempre.

Gostava de poder dizer que percorro por entre espaços com certeza. Enfim, ao menos, com previsibilidade – alguma, sempre damos pouco valor ao que nos é dado: não é feitio, é seguramente defeito. Em concreto julgo acontecer-me o oposto. Em todos os sentidos. Falta de sensibilidade? Têm vindo a dizer-me exactamente opiniões em contrário. Caramba, que erro tão básico. Por quanto me vou safando pela escrita, vou perdendo na oralidade; não sei falar, ao que se acresce uma horrível dicção – a minha. Por isso me perco na vida, pois que viver, socialmente, é mais falar que escrever. A escrita pouco interessa, e quando interessa é a um número (demasiado) limitado de bichos sociais.
É assim devido que ando de turra em turra. Para quem vai perceber, conquistei a minha namorada – ex, a saber – devido às cartas que lhe enviava. Há sete, quase já sinto o peso dos oito, anos atrás dificilmente podíamos recorrer ao mundo virtual, como a blogosfera, para fazer passar uma mensagem. Perícias de quem sabe escrever – e quem disse que eu sei escrever?; engana-se, utilizo uma escrita fácil, talvez enredada por palavras conscientemente trabalhadas para parecerem, e só parecerem que mais não sei, bonitas. Vou de turra em turra; dei mais uma e esta doeu-me particularmente. Tal pássaro ferido na asa, fui conspurcado na alma por uma rejeição. Agora, julgava possível um amor que não é – não o será, garantidamente: ela não o quer e faz bem: de trastes e porcaria banal anda o mundo cheio.

Dou três passos em frente, sempre com a sensação que nada adiantei. Continuo na mesma e na mesma creio manter-me. Não tenho a resposta, à oculta ciência, à logos social, que se justifique causalmente – um efeito tem uma causa e por aí nos podemos perder até à eternidade. Mais uma turra, que raio de caminhos são estes por onde eu enveredo? É caso para dizer, e em aferência à idade que vou contando, que o que é bom está ocupado – em radical, dono tem: que, percebe-se, eu não sou. Puta de vida. Não acerto? Nunca acertarei? Dizem-se que me falta, que careço daquele discernimento da distância capaz de julgar os factos pelo que são – a Sandra está demasiado perto para que possa auferir de uma opinião independente. Discordo. Se há algo de que me gabo é, sem hesitar o digo, a minha capacidade de distanciamento em relação ao ocorrido no real concreto. Mas a opinião de um velho amigo, sem interesses que de mim lhe possam servir de valência, são sempre a considerar – no mínimo de nelas atentar com consideração, em parte são exteriores a nós próprios pese embora alguma proximidade inegável.

Vou caminhando só e assim continuarei, até ao dia dos meus sonhos, dia que tarda em apresentar-se e sobre o qual vou levantando, da sua existência, as mais profundas dúvidas. Nada resta que aquele dia, ao deitar com a minha consciência penso inefavelmente ‘que puta de sorte’, mais um dia que passou sem passar – foi, porém nada acrescentou, excepto a dúvida que me vai perseguindo. Trajecto ingrato, este, que me faz pensar inclusivamente o porquê deste blog: um ‘log’ onde explano aquilo que tantas e tantas, por demais, vezes me atormenta. Terá ele próprio razão de ser? Ponderei solicitar, ainda hoje, ao administrador deste espaço que encerrasse e apagasse, o mais importante seria eliminar vestígios, (d)este blog. Nisso a velha amizade dissuadiu-me – bem como o meu espírito crítico. Vou manter-me. Vou continuar a chatear-me e a aborrecer o caro leitor que busca, nem sei onde, paciência para ir lendo as minhas palavras. ‘Like a cry for help’, tinham-me dito vai uns tempos. Não se me aplicava. Aplica-se agora, hoje, para não encerrar o neurose.

Blasfemo contra a sorte e os percursos ingratos por onde, nem sei como, tenho singrado. Estou maçado por e com estas turras intermináveis. Vou persistir por mais algum tempo. Até à minha tola, o meu afecto – assim deve ser lido –, tiver capacidade de ir encaixando, aguentando. Perto do insuportável, se acontecer, hei-de desistir. É tão mais fácil desistir – desencarnarmo-nos das responsabilidades – e assim sempre o tenho feito, com uma excepção que durou por sete anos mas cujo final, na prática, sumula-se a uma história de vida: a ruptura, o fracasso – a derrota: minha, de quem mais?
Por hoje não acrescento mais, ainda penso com uma febre demasiado grande que tolda o discernimento: não pretendia encerrar assim este post; mas vai sê-lo, com a promessa – de mim para mim – que mais logo o termino, obtendo um estatuto de prioridade máxima.
Aos dois que aqui mais comentam, permitam-me um desabafo e ignorem o vernáculo: puta de vida!

Publicado por PmA em 12:59 AM | Comentários (0)

junho 16, 2004

O homem...

..., o rapazito, com Jacinto Lucas Pires na mão, a entregar a alma a um 'Azul-Turquesa'.

Vacilando ao sabor da insegurança, procura porto de abrigo:
'And I must be
An acrobat
To talk like this
And act like that'
('Acrobat', U2)

Palpitando, num rasgo sem brilho onde nada vislumbro - onde enfiaste a coragem, pá? em que gaveta?. Esforço-me por recordar a combinação do cofre onde julgara tê-la deixado segura - integro é falar, mas complementado por sê-lo com o mesmo peso e medida.

Não há rodeios, não há tempo para voltar atrás - Faria-lo? Sabes que não, pá.
...:)

Publicado por PmA em 01:03 AM | Comentários (4)

junho 15, 2004

Já volto

Tenho ficado preso a letras de canções, escasseando a produção própria.
Mas, lugar comum da vida, há momentos para tudo.
O próximo a sair já será comigo de volta.

Até mais.

Publicado por PmA em 07:40 PM | Comentários (0)

Amanhã mesmo

I see you falling
How long to go before you hit the ground
You keep on screaming
Don't you see me here
Am I a ghost to you

Now your grip's too strong
Can't catch love with a net or a gun
Gotta keep faith that your path will change
Gotta keep faith that your luck will change tomorrow
Tomorrow

Why are you phoning
What am I to do when you're miles away
You're always calling from the darkest moods and we're both scared

Now your grip's too strong
Can't catch love with a net or a gun
Gotta keep faith that your path will change
Gotta keep faith that your love will change

Now your grip's too strong
Can't catch love with a net or a gun
Gotta keep faith that your path will change
Gotta keep faith that your love will change tomorrow

I'm just out of your range
Tomorrow
All your suffering's in vain
Tomorrow

Now your grip's too strong
Can't catch love with a net or a gun
Gotta keep faith that your path will change
Gotta keep faith that your love will change tomorrow

I got out of your range
Tomorrow
All your suffering seems vain
Change tomorrow
Some forgiveness now
Tomorrow
Love's no sacred cow

'Tomorrow', James

Publicado por PmA em 07:20 PM | Comentários (1)

Tu também

'Under a blood-red sky
A crowd has gathered in black and white.
Arms entwined, the chosen few,
Newspapers say, it says it’s true.
And we can break through,
Though torn in two we can be one.
I will begin again, I will begin again.
Oh and maybe the time is right,
Oh maybe tonight.
I will be with you again.
I will be with you again.'

'New Year's Day', U2

Publicado por PmA em 05:54 PM | Comentários (0)

Finalmente...

... chegou hoje o meu menino, vindo de França.


Publicado por PmA em 04:33 PM | Comentários (2)

Uma palavrita, sff

Estava tenso.
Poisaste as tuas mãos nos meus ombros.
A massagem descomprimiu-me.

Só resta implorar-te
que nas minhas costas repouses
encostando o teu peito
num afago
em que subo ao céu

porque querendo-te
sonho
e vou sonhando
porque assim te vou tendo

Publicado por PmA em 01:33 PM | Comentários (2)

Em moldes de resposta

... a muitas canções dos guns: nada disso do que melhor sozinho do que...
Nunca se sabe, eu só não quero ficar - mesmo que o fizesse para isso.

Publicado por PmA em 06:05 AM | Comentários (2)

Desculpem, mais um cheirinho a guns...

... mas fui fanático. E há quem mereça:

'You'd think sometime we'd learn
The one you love is the one
That should take you higher
You ain't got no one
You better go back out and find her
(...)
To think the one you love could hurt you now
Is a little hard to believe


É? ah, pois... julgo ter quem me entenda (vá entendendo).

Publicado por PmA em 05:58 AM | Comentários (1)

Bolas, mas...

... esta ainda me cabe a mim, por uns mesitos:

'Old at heart, but i'm only 28
i'm much too young to let
your love break my heart'

'Estranged', G n' R
(é a minha de eleição, não duvidem, nunca o soube porquê - talvez hoje saiba...)

'You came to this world alone'? Talvez, mas não ficarás - não mereces.


Bela verdade. Para quem vai perto dos trinta, não desesperar; e para quem conta mais que que as três dezenas, bem... é um apelo: nunca derrotados - depende de cada um. a beleza ultrapassa, e por quanto, meu Deus!!!, a idade.

Beijos e/ ou forte abraço - menos tu. i... já sabes!
'said you took everything from me'

Publicado por PmA em 05:15 AM | Comentários (2)

Desculpem, mas voltando a U2...

... porque, a meu ver, tem que ser. Assim, e durante um concerto:

"And that's the way we like it: Pride, we've got pride - in the name of...'

Love!!!

Como? Em quão pouco tempo?
Irra!

'One man betrayed with a kiss'


Do complexo para o linear... Será mesmo? Sabes a resposta?

'free at last,
they took your life
they could not
take your pride'

Ah, pois... e o(a) senhor(a) que se segue?
Logo se verá, dita o destino em quem não acredito.

Em
'Pride (in the name of love)', U2 - Vivo

Publicado por PmA em 04:52 AM | Comentários (2)

Da rosa para rosa

As Rosas são lindas, do desabrochar até à sua finitude.
Mais ainda se não lhe extirparmos os devidos espinhos.

Lembra-te disto, meu caro amigo - só tu perceberás, assevero.

Publicado por PmA em 03:42 AM | Comentários (3)

Mais um pouco de U2...

... porque vi todo o Alvalade a levantar-se e, em pé, cantar em uníssono, como jamais vira, o seguinte:

'You say you want
Diamonds on a ring of gold
You say you want
Your story to remain untold

But all the promises we make
From the cradle to the grave
When all I want is you

You say you’ll give me
A highway with no one on it
Treasure just to look upon it
All the riches in the night

You say you’ll give me
Eyes in a moon of blindness
A river in a time of dryness
A harbour in the tempest
But all the promises we make
From the cradle to the grave
When all I want is you

You say you want
Your love to work out right
To last with me through the night

You say you want
Diamonds on a ring of gold
Your story to remain untold
Your love not to grow cold

All the promises we break
From the cradle to the grave
When all I want is you

You...all I want is...
You...
all I want is...
You...all I want is...
You..."
[até o Bono se calou, em espanto]


Só porque o futuro parece sorrir-me, sei lá.
A ti, só para ti, minha caríssima.

Abraços e ou beijinhos (pá, dividam)

Publicado por PmA em 03:35 AM | Comentários (5)

Um pouco de Esperança

Embriagas-me com as tuas palavras.

Anseio que me embriagues com a tua presença.
Vou obcecando...


Tu sabes quem, sabes quando o leres ( pese embora quaisquer defeitos meus - e teus! - que carrego perenemente)
* maior que... vê, olha, imagina.
;)

Publicado por PmA em 02:57 AM | Comentários (2)

Sweet Child O'Mine

She's got a smile that it seems to me
Reminds me of childhood memories
Where everything was as fresh as the bright blue sky
Now and then when I see her face
She takes me away to that special place
And if I stared too long
I'd probably break down and cry

Sweet child o' mine
Sweet love of mine

She's got eyes of the bluest skies
As if they thought of rain
I hate to look into those eyes
And see and ounce of pain
Her hair reminds me of a warm safe place
Where as a child I'd hide
And pray for the thunder
And the rain
To quietly pass me by

Where do we go
Where do we go now
Where do we go

'Sweet Child O' Mine', Guns n' Roses


Tolices de ascendência adolescente. Mas olha...

Publicado por PmA em 02:55 AM | Comentários (2)

junho 14, 2004

Transição

Como o último post foi muito pesado, a minha intenção é voltar a publicar em termos mais ‘graciosos’, recuperando um pouco os moldes utilizados em post mais anteriores, sem que o âmbito do blog altere consideravelmente – trata-se apenas de uma suave transição para o que aqui era mais normal.

Não me desculpo perante os leitores que por aqui passam por uma questão de princípios: desde que criei o blog que a intenção era única, ou seja, a de uma espécie de diário em que discorreria sobre mim e o que apetecesse. O post que antecedeu este, em particular, não foi escrito para satisfazer alguns, felizmente poucos mas bons, que me lêem. Foi mesmo escrito para eu me ler – quem duvide da minha tomada de posição, atente ao que se encontra redigido no post número cem, com essa mesma denominação.

Cumprimentos.

Publicado por PmA em 07:19 PM | Comentários (6)

Sábado d’um raio

Não tenho tido vontade de poisar a minha atenção no ocorrido de sábado passado (numa hora que saudou o domingo), dia 5 de Junho. Foi pesado. Como tornar uma pretensa ida ao Pavilhão Chinês num pesadelo a decorrer num carro comercial? Bem, se alguém alguma vez quiser uma dica que diga: nisso, sei-a toda.
Amiga Ni, continuas a pensar que a ‘Pide’ foi ao bar buscar-me? Insistes nessa ilusão... Não te respondi com a atenção que merecias porque estavam muitos dos nossos habitués abancados no café. E também porque tudo tinha sido há horas demasiado escassas; não, preferi calar-me – que a poeira assente, que alguma clarividência me ilumine e, acima de tudo, que tenha coragem para ruminar sobre o sucedido com a devida preocupação e distanciamento, a quente só faço disparates pelo que gosto de esperar que as emoções amainem: é assim que funciono, como sabes.

‘Não se ama alguém que não canta a mesma canção’ [interregno: pá, Rui Veloso é que não!], lição estudada e aprendida; não apreendida, como a praxis demonstrou. O fusível estoirou, não pactuo mais com ela. Estou cansado...

Terça-feira vim de Cascais para Lisboa pela marginal, recusei o alcatrão da auto-estrada. Vinha com a Joana M. Coitada, o que ela falou para o ar. Não foi por mal, mas a confiança entre nós é demasiado limitada para queixumes desta natureza. Adoro conduzir, porém preferia, nessa hora, ter sido conduzido. Distribuía o olhar por entre a estrada e aquele azul do mar que, em certos pontos, se engaja com o azul do céu numa orgia inacabável. Joana M, percebeste que não estava contigo no meu carro e assustaste-te, vi-o no teu espelho da alma, quando em tom sério, numa zona sem separadores entre dois sentido contrários, asseri que ‘basta um azar, perder o controlo do carro e não há a mínima hipótese; era limpinho.’ Não ia muito depressa, uns 110 por hora. Olhaste para carros que advinham do outro sentido, em velocidade semelhante e percebeste o que estava a dramatizar. Compreendi o teu pânico e encostei-me na faixa da direita. Sossegaste. Sossegaste, porém, sem entender as minhas palavras: constatava um facto, não estava a avisar-te para um comportamento insano. Porém, se calhar também me assustei e lá fui mais para a direita, diminuindo drasticamente o risco de um impacto frontal com outro ‘quatro rodas’.
Voltei a olhar o mar sempre que se podia escapulir à vista a linha de alcatrão negro pintalgado com branco cal. Poucas palavras mais trocamos até te deixar quase à porta de casa – bem menos sôfrega, com toda a certeza: ‘Este gajo é doido’, deves ter pensado quando, realmente, te afastavas abissalmente da verdade. Olhei o mar e pensava em sábado e em ti. No que fora dito e feito – pela primeira vez pensava nisso a sério, sem ser apenas um pensamento fugidio que não queria em mim.

Viajemos, agora que tomei impulso, para esse sábado d’um raio.
O trabalho só te deixava liberta a partir da meia-noite: isto se não houvesse as costumeiras reuniões, que não percebo o porquê de tantas, com o director e alguns colegas da tua equipa, por vezes de também de outras com dificuldades semelhantes. Na melhor das chances estarias à porta do bar da minha rua pelas zero e quinze; claro que não estavas.
O bar mais parecia uma reunião de ‘outsiders’, em todos os sentidos: não eram de cá e no sentido que Howard Becker lhes dá na obra com esse título, acrescentando-lhe um subtítulo onde se lê “Studies in the Sociology of Deviance”. Esperava ter encontrado o NR, já que estou convicto se tivéssemos falado ele teria pacificado um pouco o meu espírito perturbado. Todavia, os amigos não são para monopolizar e ele entendera ir dar uma volta; fez bem, pouco – nada – se aprende por aqui.
Estive tentado em regressar para casa até ela chegar, já que por coincidência não se encontravam presentes outros amigos ou conhecidos. Quando estava praticamente decidido fazê-lo é quando aparece um caro amigo que, inclusivamente, julgava fora de Lisboa – para não ser muito directo e não utilizar nomes, digo que se tratava do namorado da minha advogada. Mantivemo-nos a conversar em pé, junto ao balcão, tentando ignorar o tremendo barulho provocado pelos ditos ‘outsiders’. Não lhe falei dela nem daquilo que decidira fazer, ou melhor, dela falámos mas pouco, o suficiente para justificar que tinha de abalar dali não tardaria muito.
O telefone deve ter tocado, isto é, vibrado: tenho a mania de andar praticamente sempre com os toques silenciados. Todavia não dei conta. Foi então que ela entrou, com o passo decidido do costume e a cabeça erguida num hirto que muitos consideram prepotente. A conversa parou imediatamente quando ele, o meu amigo, me dá um toque no braço e gesticula com o pescoço a indicar uma direcção – percebia-se pelo alterar das suas feições um “agora é que estás lixado, é melhor ires”, acompanhado de um sentimento de solidariedade que dizia “boa sorte” com uma grande exclamação.

“Então?”, perguntou-me ela. “Já vou, espera só um bocadinho.” “Anda lá, tenho o carro mal estacionado.” “Estás preocupada porque tens aqui na rua o carro mal estacionado à uma e meia da manhã? Ninguém tem o carro mal estacionado a esta hora.” – retorqui eu, tentando apelar ao bom senso, mas, invariavelmente, sem sucesso. Claro que a nessa hora a Ni já lá estava, com o namorado e uns outros, pelo que se escusa dizer que a ‘barracada’ estava dada.
Acabei por sair e ir até à porta do bar, do lado de fora, a fim de evitar que o espectáculo fosse continuando. Tentei explicar uma ou dois coisa, mas não consegui – transportava aos ombros a decisão que já tomara, não sabia se me iria acobardar como em tantas vezes que tentei marcar uma posição relativamente à indefinição do relacionamento que estávamos a atravessar.
Definitivamente a opção a tomar era sair do raio de alcance da vista dos curiosos que vivem à custa da vida dos outros, como os cogumelos fazem com as árvores. Acedi a entrar no carro. Ia começar o flagelo, mas continuava calado a aguardar a melhor altura para desferir o meu ataque – último e final.
Passou então, ela, a perguntar para onde íamos – afinal o Pavilhão Chinês deixara de ser certeza. Fui evitando, enquanto pude, sugerir qualquer lugar. Ela desconfiou que algo estava diferente, que a minha disposição mudara drasticamente. Surgiram de imediato as acusações de que sempre que estava comigo eu a fazia sentir ainda pior, que a cerrava com um mau humor de quem está sempre a cobrar qualquer coisa.
Após duas ou três voltas pela rua onde vivo, acabei por lhe pedir para encostar o carro, que tínhamos de falar. Não falo manso nem com rodeios neste tipo de circunstâncias – julgo nunca ter tido jeito para isso, deve ser algum tipo de condicionante que nasce ou não connosco; e comigo não nasceu.
Encostado o carro ainda fiquei perplexo com a falta de sensibilidade: eu pedira-lhe para falar e o rádio continuava ligado, distracção que eu não podia permitir naquela circunstância – exigia-lhe o monopólio da atenção. Fui revelando o meu desconforto em relação aos sons que saíam pelas colunas e irritou-me ter que solicitar-lhe directa e explicitamente que desligasse aquela porcaria: “Importas-te de desligar o rádio?” Anuiu com um gesto e premiu a porcaria do botão on/ off. Finalmente. Comecei por lhe explicar a situação em que vivo, relevando do facto de continuarmos um relacionamento, embora quase sempre pautado pelo leviano e sem a profundidade de sermos namorados – os namorados que fomos durante sete anos.
Pouco falava, sendo de mim que discorria toda a conversa exceptuando uma ou outra palavra monosilábica que lhe saía por entre os lábios quase cerrados. Das poucas vezes que a olhei – como gosto de fugir com o olhar – percebi a condensação que ia tomando corpo nos seus olhos.
Não tive grande piedade, estava ali com o objectivo de lhe dizer o que pretendia e não iria vacilar – já não podia; desculpa-me, mas por mim já não podia. Falei-te dos últimos tempos em que ainda éramos namorados, desde que começaste a trabalhar; Maio 03, não foi? Desde cedo começaram certos rumores, que me contaste – de outra forma, como saberia? Foste tu a fonte, é claro – e que fui ignorando. Ignorando porque também em Setembro, 03, comecei na CNS as minhas funções profissionais. Então tudo amainou um pouco, mas tal como tempestade que a aos períodos de amainia se sucedem, em Outubro iniciou-se o que viria a tornar-se a ruptura final – ainda não o sabíamos, mas o nosso íntimo, sempre alerta, percebeu tudo. Os rumores não só continuaram como tomaram outra visibilidade, agravando-se. Sentia-me cada vez mais desconfortável. Pela data do que seria o nosso sétimo aniversário tivemos um encontro proformer. Como que um manter as aparências, mesmo para nós próprios: que ridículo! Depois, depois terminou. Terminus definitivo.
Continuámos amigos, porém não era situação que prezasse. Pressionei-te e obtive sucessivos nãos camuflados em simpáticos “ainda estou impreparada”, “é cedo, dado aquilo por que passámos”. Estarias a ser verdadeira ou era eu incapaz de decifrar a tua mensagem?

Já passou uma semana desde que te disse as derradeiras palavras: “dás-me boleia até ao bar?”. Não quis sair, não fomos a lado algum tomar aquele café que ias prometendo e adiando uma vez atrás das outras, sempre com o trabalho a desculpar-te. “Não me ligues mais. Peço-te, deixa-me em paz. Eu também não te volto a aborrecer com os meus telefonemas, mas deixa-me em paz – por favor...”

Saí do teu carro para não mais te querer ver ou falar, depois de te ter beijado a boca a teu contragosto: “é forçado, eu sei. Queria-me despedir de ti. Ainda te amo muito. Fica bem moça”. Ela chorava. Eu não. Possivelmente estava demasiado quebrado para o conseguir.
Mais ninguém teve coragem para me dirigir a palavra nessa noite. Só eu: “Fernando, é mais uma imperial, sff”.

“'Cause nothin' lasts forever
And we both know hearts can change
And it's hard to hold a candle
In the cold November rain

'Cause nothin' lasts forever
Even cold November rain”

‘November Rain’, Guns n’ Roses


Termino, caríssimas e caríssimos, com mais uma tela do van Gogh, porque também as imagens têm o poder da palavra

Como melhor vos convier, beijinhos ou um abraço.
(para a i é mesmo beijinhos, a ela não dou opção de escolha :P)

Publicado por PmA em 07:17 PM | Comentários (3)

Tenho perdido tempo...

... a pensar em determinadas conjugações com que me venho confrontando;
sem querer - ou não -, tropecei nesta pérola:

'When you say it's gonna happen "now"
well, when exactly do you mean?
see I've already waited too long
and all my hope is gone
(…)
You shut your mouth
how can you say
I go about things the wrong way
I am human and I need to be loved
just like everybody else does'

'How Soon is Now?', The Smiths

Publicado por PmA em 01:51 AM | Comentários (2)

De Culto

Enquanto passeava pelo meu imaginário encontrei-te. És perfeita - certos excertos - para aqui estar, abrindo portas à crença que novas coisas podem, de facto, acontecer.
E como nunca se sabe quando, o melhor é ir estando preparadado. Até podes estar ao virar da esquina, aqui nesta cidade que idolatro.
Quem? Nas palavra do Ian, muito simplesmente "ela".

'Oh the heads that turn
Make my back burn
The fire in your eyes keeps me alive
The fire in your eyes keeps me alive
I'm sure in her you'll find
The sanctuary

I'm sure in her you'll find
The sanctuary
And the world and the world
The world turns around
And the world and the world
The world drags me down'

'She Sells Sanctuary'. The Cult

Publicado por PmA em 01:34 AM | Comentários (4)

junho 13, 2004

Isto cansa, parte 2.ª

Idem para o Já foi, não chores mais. Grrr!
Pffffffff...

Publicado por PmA em 04:40 AM | Comentários (3)

Isto cansa

Irra, ainda não exorcizei o meu post Sete anos remetidos ao Silêncio!

Publicado por PmA em 04:13 AM | Comentários (2)

Solidão

‘E amanhã
a chuva vai parar
(...)
porque nem mesmo a violência
destrói ideiais’

‘Fragile (portuguese version)’, Sting


Há momentos em que sentimos que devemos isolar-nos do restante mundo – quase todos, excepto nós.
O isolamento que refiro não é aquele físico, cuja falta de presença aqueles que nos conhecem sentiriam, mais cedo ou mais tarde, a falta. Falo de um isolamento em que permanecemos, continuamos a vida entre todos os outros, do estranho às pessoas que têm os nossos melhores sentimentos. O isolamento da psique tem consigo uma vantagem quanto à questão da visibilidade: podemos estar, não estando. Ninguém se apercebe directamente dele, só das pistas que, os mais próximos, saberão ler: a palavra é menos usada, o olhar perdido e distante, a desconcentração permanente, práticas comuns que são abandonadas ou deixadas ao relaxamento, ideias ditas para fora e que são fora do usual, as desculpas devidas a um cansaço (não corpóreo, mas mental) que vai persistindo, etc., para não me alargar mais. Ocasiões há até em que mesmo os melhores dos amigos deixam de ser uma carta no nosso baralho, escondendo-nos na fortaleza do nosso interior, pensando palavras, que hoje são ainda impossíveis de ler por qualquer tecnologia, e que de lá não saem. É uma carapaça que inveja ao caranguejo. É uma carapaça capaz de resistir ao mais evoluído colete de forças.

Ao contrário de outros textos mais longos, escrevo no escritório improvisado do meu quarto, uma varanda fechada, no teclado do desktop e não do meu portátil antiquado ao qual, carinhosamente, chamo de máquina de escrever evoluída. Headphones na tola, vou trocando alguns cds no computador, algo também inabitual dado a minha aparelhagem ser incomparavelmente melhor. Olho para o escuro lá fora: distingo as formas dos prédios mais próximos, ao mesmo tempo que me vou perdendo no azul de carregado escuro da láctea via. Não sei porquê, mas o céu assim, de carregado azul escuro da noite, bole-me com o sentimentos – de forma contraditória, até: tanto me acalma, como me mergulha numa profunda depressão que advém do facto de, assim, sentir-me só. Masoquistamente, gosto. Doido? Talvez, mas o normal é só um padrão e, a saber, um padrão que não existe em forma mas somente em conceptualização: ninguém há que se encaixe no padrão – estigmas que nos acompanham, idiossincrasias particulares, comportamentos desviantes, etc; o normal como padrão é como a utopia, sendo que por ser não o será nunca.
Todavia, o céu está lá; e eu também. Sou o único a ser porque não serei outros, não existem migrações para outras mentes e/ ou corpos. Estamos definitivamente encerrados neste invólucro orgânico até que este ceder; depois não sei, nem sei se há depois.
Sei que há o que houve porque estou convencido que o vivi; sei que há o hoje porque o estou a viver – deixo outras preocupações para outros ou para outro momento que não este que estou a apreciar.
Giro que os headphones ajudam-me a silenciar o que me vai rodeando, em termos de som, mas este céu continua a falar-me numa linguagem que não consigo desencriptar. Vai falando, eu gosto e admiro o teu falar por muito que não te consiga compreender.
Talvez por isso mesmo te adore.

Estas são as alturas ideais para baixarmos os escudos, já que também eles, como nós de outras maneiras, precisam de se recarregar. O efeito latente, perverso, é que ficamos absolutamente vulneráveis ao exterior e, inclusivamente e não menos importante, a nós próprios. E faço-o consciente do facto. Porquê? Não tenho vontade de voltar à explicação do ‘por um masoquismo que...’, pelo que nem vou tentar dar resposta.
Não é propriamente altura propícia para aqueles pensamentos autodestrutivos que têm a mania de passar-nos pelos neurónios: é que não se limitam, nestas circunstâncias, a ‘passar pelos’, tendem a querem cristalizar-se por ali... e pronto, o efeito é o de bola de neve, ou desligamos os circuitos ou corremos o risco de poder fundir um fusível; mas é um jogo giro, tento sempre testar o meu limite (até ao dia que um estoire mesmo, o que espero não vir nunca a acontecer).

Continuo a olhar o cortinado galáctico aqui por cima – sei que há mais em meu redor. Insisto em bater no teclado do desktop: não é tão bom como o do portátil, esse quase que escreve sozinho, como se me conhecesse o íntimo.
Que diria um psicanalista? Olhas o escuro porque o teu ‘inner-self’ está, ele próprio, ‘escuro’. Sim, ok, fica lá com as tuas análises. Não simpatizo com eles, têm sempre a mania da razão e a mãe é sempre o cerne do problema (sim, também ‘colecciono’livros de psicologia), além de que a minha abordagem do(s) indivíduo(s) se afasta em bastante das deles – há-os bons, também; psicólogos não generalizem o que foi dito a toda uma classe (por exemplo, tive umas aulas com o Rui Abrunhosa Gonçalves, da Universidade do Minho, e achei-o fabuloso; tenho, também, algumas amigas psicólogas), devo ter estado a referir-me a algum tipo de estereotipo. Mas, curioso, lembro-me que as maiores ‘pegas’ num curso de pós-graduação em Sexologia Forense eram sempre entre mim e outra colega também licenciada em Sociologia, e três colegas vindas da psicologia (claro que só durante as ‘conferências’, o ambiente era excelente entre todos – acrescentando-se os de direito e enfermagem).

Concluindo, e um pouco às três pancadas, embora deteste fazê-lo assim, há momentos que só podemos vivenciá-los connosco.
O motivo desconheço, embora desconfie de algumas das variáveis – Mas o António Damásio ou, porque não?, o Rui Abrunhosa Gonçalves que referenciei seriam mais úteis para esta explicação.
Certo é que sinto um abandono por parte de amizades – ou será que sou eu quem está a abandoná-los? Crescemos, tornamo-nos adultos, responsáveis e, o que deveria ser contraditório, perdemos a crença nos Homens. Que porreiro! Talvez daí avenha uma quota parte de responsabilidade do ‘o melhor do mundo são as crianças’.
Prefiro caminhar sozinho, sinto essa necessidade, como tivesse tanto para aprender como aprendi até hoje (o que não é possível, só as crianças, e mesmo assim as mais novas, têm essa capacidade de aprendizagem – acreditem que é científico, e não uma balela que estou aqui a impingir). Essa necessidade pesa essencialmente sobre o ser humano em si, na sua praxis, com para outras será um equação quântica.
Há caminhos que só cada um pode percorrer – talvez este texto venha no seguimento do meu post “amigos... mulheres à parte (qual dito)”, contudo não terminando por ele. E aí sentimo-nos, seja quem for que nos acompanhe – ou quase!, terrivelmente sozinhos. Sozinhos, pequenos e ávidos por um carinho de alguém – inabalavelmente – especial.
Por aí talvez se encontre esse alguém e esse carinho. Se não, mais vale continuar sozinho, vestindo essa carapaça que o caranguejo tanto inveja.


Regressando ao Sting, ocorre-me plagiá-lo:
Também eu danço só.

Cumprimentos.

Publicado por PmA em 03:36 AM | Comentários (2)

Outside There’s a Box Car Waiting (...)

Finalmente, e depois de mais de uma década e meia, do primeiro – e até anteontem único - concerto de Pixies em Portugal, lá fui vê-los.

Cabeças de cartaz, os Pixies regressaram ao nosso país. Para um concerto, breve, mas bom. É inevitavelmente uma daquelas bandas que marcou uma geração (no máximo quatro ou cinco), pelo som alternativo com que nos prendaram: era bem – contra-bem – ouvir-se a voz de Frank Black e o baixo de Kim Deal.
Infelizmente, a nível de opinião pessoal, vieram integrados no festival, o 10º, Super Bock/ Super Rock. O recinto era medieval: condições higiénicas absurdamente degradantes, bastante poeira a exigir cerveja para as gargantas que secavam, espaços de alimentação sobrelotados e de qualidade duvidosa, quilómetros que se tinham que fazer devido ao constante zigue-zaguear por entre milhares de jovens (chocou-me ver, inclusivamente, crianças de colo: que raio de pais!), e... e chega, porque há quem goste; a pdi é que me obriga a não gostar nem querer participar neste tipo de eventos: a paciência, motivação e músculos esgotaram-se para estas aventuras – temos que conhecer os nossos lugares na cadeia social, e definitivamente não me reconheço nestas coisas.

Quanto ao que (me) interessa: o concerto (só mesmo) dos Pixies:
O Frank Black continua com excelente voz, mas se já era uma pessoa ‘dilatada’ parece-me que agora necessita de uma grua para o levantar da cama – terá conseguido atingir a tonelada em peso?
A Kim Deal não consegue mexer-se, também acusou o peso da idade. Continua com voz razoável e a tocar baixo como sabia.
A restante banda, dois, para ser sincero, tanto fazia que fossem os originais ou substitutos conseguidos à pressão.
O público resumia-se a malta que oscilava entre os dois anos a menos e dois anos a mais do que eu, exceptuando alguns, não muitos, miúdos que se perguntavam ‘que é isto, man?’ Assim sendo, a resposta do público coincidiu com a performance da banda: cú muito pesado pela idade e dia de trabalho (muitos igualmente pelas ‘chatices’ que arranjaram com o esposo ou esposa). Deste modo, até foi equilibrado.
Apesar de não ter sido um grande espectáculo – para dizer que não houve –, todos gostaram de os ver e ouvir ali. Valeu recordar vários temas de álbuns que, pelo que ouvi, lá vão apanhando pó em casa, esquecidos pelo esquecimento. Acima de tudo foi revivalismo, como se ovacionássemos ‘pá, já fomos jovens, putos teenagers, e ainda cá andamos’.
Entre esses temas:
- Rock Music, Velouria; do álbum Bossanova
- Bone Machine, Something Against You, Broken Face, Gigantic, River Euphrates (a 1ª ), Where is my Mind, I’m Amazed; Surfer Rosa
- Caribou, Vamos; Come on Pilgrim
- Debaser, Tame, Wave of Mutilation, Bleed, Here Comes Your Man, Monkey Gone to Heaven, Hey, Gouge Away; Doolittle.
Bom, e foram os ingredientes suficientes para ficar satisfeito. Fiquei com pena que a Kim Deal não tivesse dado voz a um Into the White, que funciona sempre bem ao vivo, um Dig for Fire que ficou esquecido e, em menor grau, dum Planet of Sound (por acaso nem me recordo de terem tocado qualquer música do Trompe le Monde).

Para quem gosta valeu, sem dúvida, a pena. Não se sabe quando é que se voltarão a reunir e dar por aqui um pulo em visita.

Acabado o ‘show’ de Pixies olhei para o lado, pensei que até gostava de ver Fat Boy Slim, mas definitivamente decidi abandonar aquele espaço que custava a ser tolerado por mim. Também, não sei do que me queixo: só devo ter demorado uma hora para sair do recinto!


‘big shake on the box car moving
big shake to the land that's falling down
is a wind makes a palm stop blowing
a big, big stone fall and break my crown
there is a wait so long
you'll never wait so long
here comes your man
there is a wait so long
you'll never wait so long
here comes your man’

‘Here Comes Your Man’, Pixies


‘if man is 5 [3x]
then the devil is 6 [5x]
then god is 7 [3x]’

‘Monkey Gone to Heaven’, Pixies


e das letras preferidas:

cease to resist, giving my goodbye
drive my car into the ocean
you'll think i'm dead, but i sail away
on a wave of mutilation

‘Wave of Mutilation’, Pixies

Publicado por PmA em 01:39 AM | Comentários (2)

junho 11, 2004

Outra dedicada a ti...

..., i

porque a vida também é a preto e branco



escolhi, sem ser ao acaso, mais duas do van.


"Quem tem em mim mais do que o que é
maior do que eu,
Mais do que aquilo a que posso chamar
Eu...

(Fernando Pessoa)

O paroxismo poético diz, bela e maioritariamente, o que cada vez mais constitui os aspectos mais comuns da vida quotidiana."

'Entre o Bem e o Mal', Michel Maffesoli

Publicado por PmA em 06:03 PM | Comentários (4)

junho 10, 2004

Esta é-te dedicada...

... i

Duas do Vincent de que gosto especialmente.





"Quanto mais limitado é alguém, com tanto maior facilidade fala de contradições nos caracteres. Mas, em certo sentido, este conceito costuma ser empregue também pelos conhecedores experimentados de homens."

'Psicologia e Compreensão', Wilhelm Dilthey

*

Publicado por PmA em 03:43 AM | Comentários (3)

junho 09, 2004

Uma história de amor

Londres é uma cidade cinzenta. Bela, mas enfadonhamente cinzenta: é a coloração dos edifícios, é o próprio esgar mono do céu. Pergunto-me como é que os jovens casais se apaixonam por aquela terra. Têm belos parques com esquilos, sim; mas o sorriso do sol que acalenta a alma do casal que, numa movimento repleto de ternura, encosta os lábios? Será que os britânicos só se apaixonam num pub, torpes pelo álcool previamente ingerido? É uma percepção dum romantismo que é estranho aos latinos, aos países do sul.
Contudo, descobri que o cinzento tem as suas virtudes, podendo igualmente ser romântico – principalmente para os acinzentados de espírito como aqui o autor. As imediações da Tower Bridge são perfeitas para o efeito. O Thames, bem mais despoluído que o nosso Tejo, murmura com as suas ondulações lá por baixo: conhece muita história, assistiu a muitas estórias.

Fiquei hospedado num hotel nada brilhante. É de uma cadeia de hotéis que dá pelo nome de Novotel – cadeia francesa, salvo erro; quatro estrelas, mas a minha casinha, sem ser luxuosa, é bem mais interessante e acolhedora. O hotel em si parecia representar o monocromático cinzento que abarca toda a cidade e arredores – não conheci mais, não tive oportunidade já que outros valores de mais elevado interesse me prenderam a atenção; lá chegarei, pois afinal é disso que este texto vai retirar razão para a sua existência.

Domino razoavelmente o idioma inglês, porém devido à falta de uso a minha pronúncia é... bem, quase inclassificável. Um pormenor, todavia, achei-o interessante: dado a língua dominante ser, obviamente, o inglês a entoação que imprimia às palavras a mim estrangeiras saíam com uma clareza invulgar, impressionante. Deve tratar-se daquilo a que os psicólogos e médicos denominam por efeito de coping.
O átrio do hotel era um espaço agradável e simpático, nada tendo a ver com os cubículos – como dizem os da malta mais nova.
Pousei a mala, encostei-a ao balconete da recepção com os olhos atentos ao espaço físico e absolutamente desprendido dos seres humanos que por ali deambulavam, fossem hóspedes ou prata da casa.
Preparei-me para praticar ‘my english’ pela terceira ou quarta vez desde o desembarque, mas fui acometido por um silêncio que emanava de dentro para fora: delicadamente uma jovem recepcionista do hotel dirigia-me a palavra no sentido de cumprir o seu dever, ajudar-me nos registos, dar seguimento à bagagem, informar-me das acomodações; silenciou-me um cabelo louro a fugir para o ruivo (nunca vira!), impressionaram-me os olhos verdes demasiado gigantes para serem encarados sem se ficar perturbado; enfim, no conjunto era lindíssima – bem acima da média das inglesas que vira desde Heathrow. Engoli o que não existia (será isto o engolir em seco?), por fim dirigi-lhe também algumas palavras, naquele inglês quase perfeito que, naturalmente, não é meu. Há décadas (exagero...) que não via um rosto tão doce.
Uma qualquer confusão institucionou-se e perturbou o funcionamento dos meus (poucos) neurónios (que insistem em ainda estarem vivos). Não recordo qualquer esquina dobrada ou elevador apanhado no primeiro tour que conduzia ao quarto que me fora destinado, só a primeira vez que introduzi a chave codificada na ranhura da porta (tinha-me recomposto ao mínimo de já estar conscientes de alguns gestos; recordo-me, por exemplo, do ar que era condicionado no quarto num quente abusivamente excessivo). Eram 20 horas e pouco, o relógio apontava a hora previamente ajustada, sendo a correcta por ali. Larguei a mala, tirei o casaco forte – era Novembro – e tudo o que transportava nos bolsos das calças. Atirei-me para a cama e, limitando-me a existir, contemplava o tecto e ouvia uns murmurinhos da televisão que tinha ligado e cujo som baixara mecanicamente, como que para um pano de fundo que provava não estar só no mundo de que me decidira abstrair. Pelas 22 acordei desta letargia, liguei para a recepção para que me informassem do horário do restaurante apenso ao hotel. Estava fechado ou a fechar, não me recordo bem. A primeira refeição em Londres resumiu-se a uma tosta, seguida de um whiskey irlandês, 8 anos maturo, e de um café – erro fatal, não escorreu pela minha cabecinha que pedir um coffee era atitude a evitar; quanto muito, e a título de trapaçar saudades, deve-se pedir um express coffee; e não desconfiei do ‘alerta’ do barman: ‘milk?’; ai, que tolinho, ficara mesmo tolinho. Ainda estava sentado ao balcão quando engoli, em esforço e dum gole, aquela coisa insípida que asseguravam ser café.
Depressa pulei dali, rumo a uma mesa do bar trabalhado em carvalho. Puxei do maço de cigarros, retirei um que coloquei nos lábios – sempre um pouco para a direita, como é meu hábito – e ficaram dois solitários engajados na caixa. Um contundente observar descobriu em décimos de segundo uma máquina que os vendia. Soltei umas libras e, sendo todos caríssimos em relação aos ‘nossos’, optei por uma marca que nunca fumara; a diferença era ténue e compensou: excelentes. Pude, finalmente, encontrar uma mesa de dois lugares apenas e sentar-me a observar os ‘arredores’ como gosto, ainda por cima era gente com maneiras diversas da portuguesa. O bar é grande e acolhedor, a música num chill out que promove o relaxamento do espírito; e o quente do whiskey escorria-me pelas entranhas. Fui-me ambientando à parca luz que propositadamente assim fora colocada. Distinguia melhor as formas e os rostos. Homens de bigode e patilhas hirsutas puxavam pelos seus cachimbos – alguns engoliam um Porto de rótulo britânico. As pernas cruzaram-se-me e o isqueiro flamejou enquanto acendia o cigarro que continuava entre lábios. Dei um profundo gole, precavira-me e havia solicitado ao barman uma dose dupla em balão, com duas pedras de gelo – outro hábito enraizado há muito: whikey sempre duas pedras, nem mais nem menos. O calor interno intensificava-se e o próprio cenário produzia um determinada embriaguez, como que transmitindo invisíveis ondas de mensagens subliminares. Baixei os escudos, como sempre digo para comigo quando deixo que as minhas defesas emocionais restabeleçam a sua força de repelência face aos ataques provindos do exterior e que entroncam pelas redes neuronais desta tola desajuizada (frágil? – ‘cotadinho’!).
O cigarro em constante queima não me caiu da boca porque isto não trata de um filme: dez passos à direita do canto onde me tinha aninhado (gosto de cantos – escondem-nos dos ‘predadores’ enquanto proporcionam a valência de ampliar o nosso campo de visão) sentada a beber uma longa drink, daquelas demasido coloridas que, não sei porque raio, me lembram sempre wc pato, juntamente com outros indivíduos dos quais reconheci alguns que ali trabalhavam, desfardados e animados ainda que numa animação verdadeira mas contida. Voltei a experienciar aquele sentimento que perturbara o regular funcionamento cerebral e que ocorrera mal a vira pela primeira vez. Desta feita, consegui controlar essa disfunção. Não estava o bar com muita gente, dado o volume do som estar regulado para ser pouco intenso e não perturbador, optei acrescentar à observação a minha capacidade auditiva. Ouvia e percebia algumas palavras soltas, o suficiente para compreender que era uma ‘reunião’ mais entre colegas de trabalho, que lá vão socializando, do que entre amizades solidamente consolidadas: notava-se por uma certa tensão que minava aquilo que era aparentemente descontraído, tinham uma certa preocupação com o que diziam e o como o faziam, entre outras variáveis que conduziram a que desta maneira concluísse.
Desconcentrei-me em demasia, causa possível por ter baixado as defesas, e dei nas vistas. Alguém deve ter-me visto a olhá-los com uma inabitual persistência e, entre murmúrios, o seu rosto levanta-se: reconhece-me, acena-me com algum formalismo mas com um sorriso aberto e estonteante que não encaixava com uma atitude formal. Podia ter sido impressão, vontade minha que assim fosse, mas pouco passado, e a salvo dos olhares distraídos pela conversa dos companheiros de mesa, pisca-me o olho e lança-me outro sorriso. Agora conseguira retribuir a simpatia, sorrindo e, com um gesto firme mas descontraído, levantei e baixei o copo em tom de cumprimento. Ufa, não me tinha desmanchado, diluído numa poça de água de timidez, e conseguido ser ‘gente’. Dizem que as primeiras impressões têm uma marca indelével, que mancha ou eleva ao sétimo céu nos extremos possíveis das pré-noções que interiorizamos de outrem. A primeira vitória. Não sabia de quê, mas soube-me a vitória. Entreguei-me ainda mais profundamente à embriaguez montada pelo cenário e pelo segundo whiskey duplo – com duas pedras – que ia em metade; não iria ser o último: mudou apenas o nome do conteúdo, pois passara para James Martin de 21 anos. O barman saudou o meu bom entendimento por estas bebidas, pela excelente escolha, dado ser o melhor que lá tinham, embora acrescentasse que o gelo ‘corromperia’ o corpo da bebida à medida que se dissolvesse entre ela – daí duas pedras, não mais, para que fosse quase inadulterável o sabor desta a par de a manter razoavelmente fresca. Decidi não fazer conta às libras que esvoaçavam directamente para os ‘cofres’ de quem detinha o espaço – nunca soube se próprio, Novotel, ou explorado por cedência de um aluguer (ou arrendamento?) daquele espaço.
O bar mantinha a porta aberta a clientes até as 4 horas, excepção alargada para as 6 para os que tinham regime de ‘internato’ no edifício.
Quatro horas e trinta, trinta e pouco, e os bigodes e patilhas hirsutas haviam desaparecido; os membros da ‘irmandade’ daquela mesa que extorquia a minha completa atenção iam, a um ou a dois, abandonando o espaço e desaparecendo. Devo ter pensado qualquer coisa como ‘oh, que maçada. mas tu, tu não! não te pires! vá lá...’. Perto da quinta badalada do dia, mesmo muito perto, restavam três: ela, outra ela e um ele. Notei um certo desconforto e pouco à vontade na expressividade daquele rosto meigo... meigo e lindo! A desconfiança pariu a certeza e, de facto, o comportamento desinibido do casal, excluída aquela moça loira quase ruiva, indicava uma relação mais íntima entre eles, havia uma profundidade relacional acrescida entre eles. Contrariando a atitude durante a desenvoltura da noite, em que as bebidas eram pedidas da mesa, ela levantou-se, dirigindo-se ao balcão onde pediu por um bebida isenta de álcool: já todos, e eu mais, tinham bebido uns copos valentes, excepção de um moço que pedia sumos de laranja naturais uns atrás doutros.
De regresso à sua mesa, julguei. Enviesou por entre mesas e veio ter comigo, apresentando-se formal e simultaneamente prestável, introduzindo uma conversa fácil. Não sei a que páginas tantas rompi com o elo formo-laboral e a convidei a sentar-se. Estranhei e estranhei. Estranhei muito, acedera sem qualquer resistência e desnecessário reiterar do convite. Puxou para si a cadeira que se maninha inamovível há horas frente a mim, colocou-a, a pouco e pouco, centímetro a centímetro, enquanto a ‘faladeira’ se desenrolava, ao lado da minha – consequência: ao meu lado, ‘a few inches from my right arm’. A rodada que se seguiu retomou, para ela, o percurso do álcool e insistiu em oferecer, obrigando-me simpaticamente a voltar a colocar a ‘camel’ – carteira de bolso – em cima da mesa, auxiliada pelo seu braço que, agarrando o meu, (re)indicou o caminho de proveniência.
O que era isto que vivenciava? Era real, o álcool nunca me provocara – inclusive até hoje – qualquer alucinação em todas as tipologias conhecidas. Estupefacto de uma estupefacção que instantaneamente soçobrou, apreciei o presente que a cada segundo se tornava mais agradável a todos os sentidos. Após um período de interconhecimento, e exploração de um pelo outro, denotei que as horas impeliam para o fecho. Amanhã estou cá, de tarde – disse-me. Depois saio e no próximo dia folgo. Nada mais adiantou. O ‘estabelecimento’ encerrara. Beija-me a boca e sossega-me: amanhã procura-me a partir das 14. Tenho que ir. De Portugal, não é? – precedido de um beijo lançado de longe por uma mão de uma menina linda como o mundo.

(a concluir)

Publicado por PmA em 08:59 PM | Comentários (2)

Amigos... mulheres à parte (qual dito)

Há na amizade um nauseabundo elo soldado que não resiste: (h)à erosão continuada do amor.

Águas mil;
Amores mil;
Amizade perdida
por paixão senil.

De roda da flamejante fogueira que és, contenta-te em alimentá-la; mas previne-te: atenta ao combustível – difícil é queimar sem ser queimado; e só a fénix retornou das próprias cinzas.

Foges desenfreadamente, de poente para poente. Resguarda o fôlego – terminará o caminho que (não) traçaste. Troças – porquê? O círculo é inexpugnável, de constância e firmeza elaborado. Ris-te de ti, na sombra – ser a sombra auto-risível. Não percebeste? Vagueias no deserto: é de ti que foges, não doutros; os outros são circunstanciais, pelo mais ou pelo menos – és auto-constructo, traçaste-te na acção pela decisão. Buscas consolo caminhando por trilhos de consolo que se seguem, espaçados ou surtidos céleres; substâncias de substituição que insistes em ir substituindo.
O sopro das árvores toca-te maneirinho. Descansas em busca da excitação – o descanso medeia curtos lapsos da tua natureza que esgota o corpo, esgota-o até o passo estugado se desvanecer por entre memórias relançando, de imediato, estruturas apropriadas para que outras aportem. O real é viagem cuja única bagagem que vais cumulando és tu.
Hoje a doca está seca, afastada a lembrança das sombras tuas – dos teus eus de aqui e de além, do ontem e anteontem. Com nexo, presente ou em ausência, recordas lugares abandonados, a fraqueza e a franqueza dos rostos amigos. Olhas de alto, percebeste que o céu não se alcança – de resto, para quê? já nele vives. Um cigarro na mão, apagado; apagado, como tantas caras e vivas labaredas que outrora prometiam a virtude de terem luz própria. Pouco importa: decidiste não parar – o que está decidido, está decidido; não carece de explicação.
De pazes feitas, regressas de ti para ti. Simplesmente continuas. É mesmo: é simples. Piscas um olho aos halos das tuas sombras que retorquem na mesma moeda. Não se assemelham a espectros, antes animam-te com uma ternura amistosa.
Esboço um sorriso: ‘é natural, é tudo parte do processo – da mesma conjuntura.’ Sigo e prossigo – ‘amanhã logo se vê.’ Afinal, para quê subtrair ao que por si é escasso? Logo se vê, enquanto me perco pelo horizonte – não há problema, prontamente me reencontrarei.

Quando acordares do sonho mutado em pesadelo: vês sem nada ver. O que fazes agora sozinho no escuro, desancorado da vida que tiveste/ foste? Irás drenar a seiva vital que te mantém o sopro, umbilicado pela vida, aos axiomas da ciência que te é mais que querida (acreditas nisso? acreditas-te?)?

Publicado por PmA em 05:16 PM | Comentários (6)

Publicação N.º 100

Começa-se por brincadeira, dou por mim agarrado ao motor de publicação todos os dias – praticamente; no último mês foi mesmo –, acontece até ser mais do que uma vez. É assim a nossa relação com um blog quando gostamos dele, prende-nos a si e tem que se conseguir nem que sejam cinco minutos para o reconfortar, mantê-lo informado de que permanecemos vivos; também o blog passa a gostar de nós, ou iludo-me eu com essa ideia.

Em pouco tempo alcancei a casa dos três dígitos. Questiono-me, curioso, porquê. Serão diversas as respostas e causas, mas deixo algumas propostas que expliquem o fenómeno deste 100:

- 100 nada para fazer;
- 100 vontade para me dar ao trabalho de algo fazer;
- 100 paciência para agarrar no carro e ir queimar alcatrão e borracha por aí;
- 100 paciência para mim;
- 100 um bichinho que me ocupe espaço e tempo;
- 100 pachorra de mudar;
- 100 muitas outras necessidades satisfeitas, que nem vale a pena enumerar devido à enormidade de itens necessários para ser esclarecedor.

Todavia,

- 100 por cento convicto de que irei continuar a actualizá-lo com a regularidade que o tempo me permitir e durante todo o tempo em que a vontade exista.

- 100 por cento convicto de que,
- 100 agradecer a todos os que por cá passaram, deixaria uma grande lacuna neste post 100.

Não queria esquecer-me de quem quer que fosse, o mais provável, porém, é que isso aconteça. Tento remediar fazendo uma vénia de agradecimento aos que me recordo e dos quais tenho registo:

NR, is it any wonder?; inês, equívocos; lgm, eternuridade; Pintelho, diário de um pintelho; João Norte, intro.vertido; bruno, as desventuras de sanxupança; Ana, lua;
ananke, desabafos e enigmas; ju, iss’ agora...!; bruno, o admirador secreto; Pecola, just being pecola; rui, rotflol; finúrias, weblog do cagalhoum; you’ve got mail.
carmen, inês(f), ss, calhordus, celine, teresa.


Não vou dizer espero que tenham gostado, ou outras palavras que o valham; sou sincero: o que escrevo escrevo-o para mim, não para nenhum público pelo qual estivesse ávido por cativar. O que, de qualquer forma, não é impeditivo de apresentar o meu obrigado por terem cá estado, comentado e linkado.

Cumprimentos a todas estas meninas e meninos.
;)

Publicado por PmA em 04:04 AM | Comentários (6)

Nostalgia, take III

devia era saber
que tu não querias
ser só para mim

'Tarde Demais', Heróis do Mar


Egoísmo? Ego narcísico?
(Olha, isto hoje está para isto...)

Publicado por PmA em 03:51 AM | Comentários (5)

Nostalgia, take II

"jurei ser eu
o teu luar
brilhar só eu
no teu olhar"

mas, dou comigo e

"eu para te esquecer
já quase não sei de mim
nos grandes romances
era sempre assim
o teu destino é ficar
entregue aos teus amores
dançando em braços mil"

'Paixão (maxi)', Heróis do Mar
'Cachopa (maxi)' Heróis do Mar

Pá... julgo... porém e contudo...
Pois, vou mas é ficar calado.

Publicado por PmA em 03:46 AM | Comentários (2)

Nostalgia

não há ninguém
capaz de me dar o que eu queria
alegria

'Alegria', Heróis do Mar


hmmmm. Masoquismo excessivo?!

Publicado por PmA em 03:39 AM | Comentários (2)

Louco, eu?




Faça você também louco é você,
wild one

Publicado por PmA em 02:45 AM | Comentários (4)

junho 07, 2004

IDT

Primeiro dia do Encontro Internacional da Cannabis, 'patrocinado' pelo Instituto da Droga e da Toxicodependência: que desilusão...
Muita(s) política(s), Zero conteúdo.
Sim senhor, belo país.

Publicado por PmA em 10:27 PM | Comentários (0)

junho 06, 2004

Instantâneo (X)

"Estragaste tudo"

Oh pá, esse é o lema da minha vida.

Publicado por PmA em 02:30 PM | Comentários (4)

junho 05, 2004

Comentários no blog

A todos aqueles que, com a possível simpatia, agradeço que por aqui passem:

Por favor, não se inibam em colocar comentários independentemente do conteúdo do post, ou inclusivamente das sensibilidades que pensem poder vir a 'tocar'.
O blog é de minha - e única - gestão, apreciando a minha pessoa tudo aquilo que me é sugerido ou 'apalavrado' nos posts que, regularmente, vou publicando.

Especialmente para um grande amigo - dos antigos, como já não se fazem -, com um enorme abraço.
;)

Publicado por PmA em 08:42 PM | Comentários (4)

Condicionalismos

Em grande parte da realidade concreta – mesmo no ser subjectivo –, somos o que temos. Sabia a priori que iria ser contestado nesta/ por esta afirmação. Mantenho-a, e não precisei de muito para decidir-me. É um facto e, para tal – e também para quem conhece –, socorro-me de uma conceito muito caro a Pierre Bourdieu: claro está, o de habitus. Quem estiver um pouco familiarizado com o conceito mencionado, perceberá o objectivo que pretendo atingir. Saberá que o campo económico – incluivé se estivermos a falar no plano simbólico – é uma das valências mais preponderantes na teoria social de Bourdieu: o que logo irá ter afectação imediata no habitus de classe, o que aqui mais me interessa. Importa também mencionar, apesar de num plano secundário no que remete para este texto, o campo cultural.
Ainda hoje, depois de uma discussão sobre sentimentos e maneiras de ser, meramente entre amigos pelo que nada teria de ‘académico’, acabei por sustentar que, afinal, somos aquilo que temos – e não só a nível material (genético, cultural, etc., todos em interagindo mutuamente). Óbvio, a discussão teve por aí o seu término, com o inevitável amuo da minha amiga, igualmente com formação académica (licenciatura) em Sociologia. Tentei argumentar, mas parece que a minha tese vingou mesmo: sendo o que tem, manteve o amuo e foi-se embora; inclusivamente questionou o facto de eu ainda querer ir tomar café ou beber um copo lá mais para a noite. Como bem assevera Bourdieu (podia ter citado muitos mais, mas para dissertações académicas guardo-me para o Sociologia), é quase impossível – quase, caso contrário seríamos estanques e incapazes de activar processos mudança, mudança sociologicamente entendida – abstrairmo-nos da bagagem que nos acompanha desde o começo da socialização primária. Fui apupado com uns ‘o académico és tu’, ‘manias’, entre outros apupos mais. Bolas, foi minha colega. Não acredito que tenha perdido a peculiar percepção sociológica dos fenómenos.

Aproveito, antes de prosseguir, para sugerir se podemos fazer as pazes. Tréguas, bandeira branca e tudo que com isto se relacione. Podemos ir na mesma dar um pulinho, quem sabe, ao Pavilhão Chinês? Eu prometo não ser pragmático, comportar-me normalmente, deixar este logos do social apartado de qualquer conversa, independentemente do assunto/ tema (sei que é difícil – mas eu consigo, vais ver).
Contudo, não me escuso à tese de que somos o que temos. Durante os sete anos em que estive[mos] com uma menina muito especial, em que tive[mos] essa pessoa particularmente para mim, fui uma pessoa que não sou agora. Ando mais rancoroso, agressivo e, possivelmente, menos sociável. Sem dúvida que não tê-la fez com que, em determinados modos, seja diferente – causalmente dependente daquilo que já não tenho, daquilo que ora tenho e que é diferente, bem diferente, sobejamente diferente.
Neste pequeno ‘trabalho de campo’, compreendi factualmente a verdade do que assevero – óbvio, esta é uma pequena faceta na totalidade de factores que integram a lógica do somos o que temos: o universo global é de uma grandeza absolutamente maior, mais ainda se pensarmos que muito do que temos e que nos condiciona subjaz no nosso inconsciente sem que tenhamos, a esmagadora maioria das vezes, de pensá-lo racionalmente (ou conscientemente, se se tratar de uma ‘abordagem’ mais superficial – embora o racional exija, em grande parte, a consciência da acção).

Sem essa pessoa que me era – e é – muitíssimo cara e querida, deixei-me cair na melancolia e morbidez, em tonalidades monocromáticas, sem esperança no porvir, estritamente afectivo, do futuro. É como que se uma parte de mim, dentro das melhores, tivesse tombado na batalha para não mais retornar – será mesmo assim? irra, espero que não!

Sintetizando o meu (pseudo)raciocínio, é inegável o quão indelével condicionalismo que o temos suporta per si – afectiva, emocional, pessoal e socialmente.
Agimos, e é a acção o motor contra a inércia do nada e aquilo que permite a mudança nas estruturas sociais (apesar de não simpatizar por aí além com esta derradeira expressão), em função de um conjunto de variáveis – mormente algumas independentes, outras dependentes, outras ainda um pouco mais circunstanciais – que aprioristicamente se encontram viciadas, que condicionam à partida o nosso vivido e ir vivendo no quotidiano que, bem vistas as coisas, é viver.

Beijinhos ou abraços, caríssimas e/ ou caríssimos. Até à próxima.
;)


Finalizando:

“You will never understand it ‘cause it happens too fast”

‘Epic’, Faith no More

Publicado por PmA em 08:22 PM | Comentários (2)

junho 04, 2004

Instantâneo (IX)

Continuando...

voltei a ladrar-te; voltaste a dar-me com o jornal no focinho: "xô, cão feio." Ainda acrescentaste, com um ar escarnecido: "voltas a fazê-lo e tranco-te na rua."
Baixei o focinho, gani para dentro e, com a cauda entre as pernas, abalei silencioso para outras paragens. Caim...
:(

Publicado por PmA em 12:55 AM | Comentários (0)

Instantâneo (VIII)

Mudando de ideia...

desisto do bull terrier. Bem ponderado, por ora decido-me pelo castro laboreiro. Não aquele todo preto, como na fotografia que coloquei num post. Quero-o castanho, malhado, marcado pelo trabalho, com um ar mais aproximado ao do vulgar rafeiro - o que, aliás, tem algo de semelhante para comigo, excepto o 'laboreiro' de trabalho.
Volta castro, estás perdoado. E eu? Também?

Publicado por PmA em 12:52 AM | Comentários (2)

junho 03, 2004

É incontornável

Live one day after the other, and other, and other, and other. soon, you'll stop living those days, because you're dead.

simpático, não?

Publicado por PmA em 11:16 AM | Comentários (2)

junho 02, 2004

Sai uma lombalgia

Ter sorte é ir aflito ao médico e este dizer-te o que tens.
Ter azar é no dia a seguir começar a doer outra coisa...

Irra, que às vezes penso mesmo que não tenho sorte nenhuma.
Ontem, lá para a uma da matina, e depois de teimar que comigo que não tinha nada durante cinco dias, fui 'visitar' o meu médico e amigo de longa data.
A minha tola doía-me consecutivamente desde a 5ª-feira passada, dor imbecil que resistia a ben-u-ron's e algimates – estes últimos até resultam para as dores de dentes!
Hipocondríaco como não sou (ahahahah), comecei a ponderar tumores recônditos nalgum canto cerebral, aneurismas em final de prazo, etc. Moral da história, consegui ficar ainda pior.
Mas pronto, lá cheguei e metralhei com os meus sintomas o dr. jjdac. Posto isto, pede-me para me levantar da cadeira e, com um exame que durou segundos, assassinou todo o romantismo com que tinha emparelhado esta situação: ‘’tás com uma enxaqueca oftalgímica”. Parece que ainda não é desta que me vou em grande dor e suplício (fico-me pela grande dor – o que, aliás, anima...)
Segue-se uma ida para a marquesa onde, sempre em modos muito simpáticos e de proeminente delicadeza, procede a uma descompressão da vertical: ‘cinco vértebras coladas, ouviste-as a estalar?’. Não, que ideia a dele. Afinal, percebi que se devia tudo ao aparelho de ver e ao uso em recidiva de posturas pouco(íssimo) favoráveis ao espinhaço eixo que vai da zona sagrada à tola, ou ao contrário (ler na cama, cruzar pernas sentado, apoio quando em pé numa só anca, escrever no portátil deitado enquanto vejo televisão ou um dvd, dormir enroscado à gato ou posição fetal – como preferirem – entres muitas outras que nem me recordo).

Logo hoje comecei com a medicação prescrita. Prescrita para enxaquecas, óbvio. O alívio começava a ser razoável quando, lá está: começam as dores musculares nas costas. Em suma, há que colocar a hipótese de lombalgia – não seria primeira, não será a última.
Por isso, posso concluir que estou muito satisfeito, contente e... já partia o monitor, só para começar! Grrrr...

Enfim, nem para peças sirvo.
Quando for deitado ainda hei-de conseguir ouvir o legista dizer: ‘pá, incinerem esta merda qu’ isto não serve p’ra nada’.

Ai, ui... até amanhã, caríssimos.

Publicado por PmA em 11:48 PM | Comentários (2)

junho 01, 2004

Efemérides

Dia 1 de Junho, data escolhida pelas Nações Unidas (penso que este decreto pertence já às Nações Unidas e não à extinta Sociedade das Nações) para dedicar ao ser humano mais frágil, independentemente do género, a criança.

Todavia, nem sempre a humanidade foi tão complacente com os seus rebentos. Talvez a preocupação dada aos pequenos homens surja, de facto, com a devida relevância, a partir dos meados do século XX. Antes, com dignas excepções de registo, a criança era compreendida como um acréscimo de mais valia na mão de obra manual, fosse no campo ou mesmo na fábrica – fazendo-nos considerar este fenómeno não só enquadrado na pré-modernidade mas igualmente intrincado na modernidade. Porém, quanto a um maior desenvolvimento nesta matéria, remeto para a leitura da obra de Philippe Ariès, “A Criança e a Vida Familiar no Antigo Regime”. As realidades eram indubitavelmente outras, as necessidades outras ainda, a tecnologia não substituía o soma, o trabalho efectuado pelo corpo.

Mas é realmente nos anos da era moderna que surgem as primeiras instâncias vocacionadas, em primeira análise, para a problemática da criança. Surge com um objectivo reformatório dos hábitos e praxis aplicados aos mais pequenos. Surge como uma espécie de pedido de desculpas, ainda que camuflado, pelas atrocidades cometidas sobre estes. Contudo, é enfermo de um grande erro: não toma em linha de conta a História, a sua maturidade, diferentes modos de pensar e sentir que só são compreensíveis no interior de um particular período histórico.
Mais do que olhar para o passado, urge redireccionar as abordagens da e pela criança para os dias que vivemos e para aqueles que estão por vir. Quem, há 30, 40 anos (e possivelmente em determinados meios menos) tomava a sexualidade não consentida exercida violentamente sobre mulheres e crianças como um abuso, especialmente como um abuso penalmente punível.

Resta-me aguardar por dias melhores, não apenas para os filhos que poderei vir a ter, mas para todas as crianças que têm o direito de o ser à margem de discriminações, abusos e violências (físicas e/ ou psicológicas).

Garantidamente, por infelicidades características da imperfeição do nosso mundo, poucas serão as que o vão ter, mas desejo um feliz dia a todas as crianças do mundo – um dia de felicidade que possa repetir-se por todos os restantes que compõem o(s) ano(s).

Publicado por PmA em 09:55 PM | Comentários (2)