Já não quero o castro laboreiro. Preciso de um bull terrie; não te aproximarias mais de mim e esquecer-te seria uma pequena questão de tempo - e, quem sabe, bem pouco mesmo.
:P
Entre outros:
A Adidas patrocina o Benfica.
A Reebok patrocina o Sporting.
A nike patrocina o Porto.
Uma grande dose de tédio patrocina a minha alma.
Acho que vou trocá-la por um clube de futebol, de preferência com sad: é mais divertido, gama-se melhor e sai-se sempre impune das bacoradas feitas.
Porra, afinal também quero...
Pois, outro mês que definha para dar lugar ao próximo, próximo que logo amanhã se inicia.
Traz consigo uma boa nova - o mês que se segue -, começa consigo, oficialmente, o Verão.
«when heroes go down
man or women revealed
do you show any kind of mercy
on the Battlefield?»
'When Heroes Go Down', Suzanne Vega
«O total desinteresse dos psicólogos pelo enamoramento começou a dar lugar a um interesse crescente por parte dos neuropsicólogos. Estes não puderam deixar de notar que o sistema nervoso central, durante a fase aguda do enamoramento, funciona de modo diverso. Estudando a actividade cerebral através do afluxo de sangue ou da ressonância magnética, verificaram que, durante o enamoramento, esta é particularmente activa em algumas zonas típicas.»
'O Mistério do Enamoramento', Francesco Alberoni
Está-nos no sangue... ah, pois é!...
Estávamos empolgadíssimos por começar. Notava-se nos nossos olhos um nervoso miudinho e uma ansiedade que só desapareceria quando praticássemos o que nos tinha conduzido aquele lugar deserto, onde não havia mais ninguém num raio de alguns quilómetros: encontrávamo-nos embrenhados na natureza.
Quando finalmente nos decidimos, notei que a minha respiração estava mais pesada, o meu ritmo cardíaco um pouco mais descontrolado.
A pressa era grande, começamos logo a correr. Claro que, não podemos desmenti-lo, a mãe natureza nos dificultava a vida: eram os declives com terra solta, fácil de escorregar e partir algum membro, os mosquitos que nos atacavam com os seus ferrões, ansiosos de satisfazer o seu apetite com o nosso sangue, mas o pior era a vegetação ‘agressiva’ que por ali vingava: silvas que teimavam em entra por nós a dentro, uma imensa variedade de coisas espinhosas, sempre com os seus ternos ‘beijos’, finas vergastas que ao mínimo toque cortavam a pele.
Nem dois minutos passados após o grande início e senti um embate no ombro esquerdo, fazendo lembrar a ‘mordida’ de um projéctil. Não desmotivei, queria continuar, seguir em frente, ver até onde conseguiríamos chegar. Logo a seguir outra sensação desagradável: o meu joelho direito queixava-se, sentia-o a latejar, depois de uma agressão que não vi de onde veio.
Foram três horas seguidas, com umas pausas intervalares onde reconquistávamos a nossa força, o nosso fôlego. Porém, sentíamo-nos cada vez mais esgotados após cada intervalo que fazíamos. Em breve teríamos que parar, esgotados mas realizados com aqueles momentos.
Teve mesmo que terminar. Não podíamos mais. Mas lanço o repto: voltamos lá?
Um dia passado e continuo a sentir as pernas pesadas, os músculos tensos. Olho para mim e vejo um rosto pesado, acusando o cansaço causado pelo dia de ontem; vejo o corpo com alguns sinais de luta: hematomas ainda que poucos, marcas vermelhas aqui e ali.
Foi bom. Foi muito bom.
Para quando combinamos o próximo paintball?
Soube há três dias, por intermédio de uma colega mestranda, que existe uma tipologia distinta para aqueles seres visceralmente ligados a computadores. Fiquei, portanto, a saber distinguir que esses homenzinhos, (ou senhoras, sem primazia para uns ou outros) com o tique (julgo com toda a convicção que se trata de um qualquer ‘desentendimento’ a nível neuronal) de entrar em outros computadores e/ ou redes, se dividem, pelo menos, em duas categorias: as de hacker e cracker.
A distinção entre eles, em princípio, revela-se inclusivamente bastante simples:
- hacker: pese embora esta categoria caber nas malhas da justiça, são considerados praticantes de actividades criminosas, logo criminosos pela praxis, estes bichos são, a priori, manifestamente inofensivos (pois, claro que por vezes seguem-se os efeitos perversos). O seu intuito é penetrar e/ ou quebrar barreiras de defesa, quanto mais avançadas maior é o desafio, por puro gozo, regozijo e por realização do seu (imenso) ego. As suas intenções não são perniciosas, não pretendendo obter mais valias para si próprios ou boicotar outrem;
- cracker: resumidamente, apresenta-se com grande semelhança ao perfil anteriormente traçado, mas a sua acção é traçada para objectivos determinados onde se inclui o usufruto de mais valias adquiridas de forma (altamente) ‘duvidosa’, boicotes a trabalhos informáticos – principalmente os de marca registada – como alteração de dados ou destruição parcial/ total dos mesmos, boicotes ao funcionamento de redes e programas, e um sem número de outras práticas que escuso de enumerar já que todos fazem mais ou menos uma ideia daquilo a que me estou a referir. São tidos como altamente perigosos e estão sujeitos a uma permanente caça por parte das instâncias formais de controlo (e não só!); muitas vezes, são também mercenários a soldo de outros interesses (a mais das vezes, particulares).
Enfim, dentro do grande universo de ‘hackers’, há os bonzinhos, hackers, e os mauzinhos, crackers. É como em tudo na vida, nem no mundo virtual existe originalidade por aí além – até poder-se-ia escrever um conto de fadas com estas personagens tão características.
E pronto, posso afirmar com acérrimo vinco que fiquei mais feliz por terem partilhado comigo – e outros felizardo que tal – esta vitalíssima informação.
Aguardo então que termines o teu trabalho final e me dês o privilégio de o ler com todo o interesse que lhe é devido; mas não muito depressa, afinal não desejo que os próximos meses se passem como de ontem para hoje – de qualquer das formas, boa sorte.
Gostava de finalizar com um simples pedido a esses senhores (se por acaso se enganaram e abriram este blogue): pá, eu não faço mal a ninguém, não tenho acções da microsoft, não sou parente do Bill, não trabalho para o sis e muito menos para a cia ou mossad, por isso não me ‘arrebentem’ com a máquina nem com este blogue, por favor!
Eu não pesco nada disto e iria demorar mais que um ano até ter toda a treta a funcionar normalmente outra (mais uma) vez.
;)
Ao ouvir vnv nation, ainda perduro; ainda estou – ainda sou.
Não vivo, no agora, neste presente; apartei-me e desdenho um retorno.
Sou feliz num constructo em que não me limito a sobreviver, vivo em facto.
Padeço de uma patologia algo – bastante – preocupante: olho para outrem, do sexo oposto ao meu em propriedade, e apaixono-me, julgo, com facilidade. Belo é esse ser, belo é o feminino.
Busco cura – cura essa restrita, por ironia, ao sexo feminino.
Como diria a minha – já – caríssima Inês, não demonstro propriedades de melhoras; muito menos daquelas assinaláveis.
Que se lixe, bolas!
(‘no tears, no sympathy’, “epicentre”, vnv nation)
Um abraço, caríssimos amigos.
Combinámos encontrarmo-nos no Nicola, como sempre gostámos de fazer quando se tratava de, em profunda melancolia e doloroso masoquismo, assomar temas e tempos saudosos – de perder (ou ganhar?) horas a fio na relembrança de algos, era um limbo espacio-temporal, o único, no qual nos permitíamos aflorar os excessos do passado que enterráramos em moldes de perenidade absoluta.
As fachadas dos edifícios outrora subtraídas à vista dos transeuntes, por obras na D. Pedro IV, surgem agora imponentes, desgarrado apelo à grandiosidade e exuberância de um império doutra data. Porém, não eram estas que nos traziam de volta ao lugar de culto, fazendo vezes de um chamamento determinado: era a pequena porta da rua das traseiras que nos conquistara e que acendera com fleuma a chama com que, de igual maneira, nos conquistaríamos reciprocamente sem dar conta.
Aqui, entrando pela dita porta, subjaz a saleta que tratamos como o verdadeiro e inadulterável Nicola. Um estranhamente agradável cheiro a mofo, mesclado com os de um sem número de diversos cafés, açambarca o ambiente e o próprio tempo: é, pois, por esta razão que comecei por denominá-lo por esse quê de fímbria que é o limbo – o exterior cessa no seu sentido, e nada mais releva do que duas faces que trocam palavras baralhadas e embaralhadas ao sabor acentuadamente acre ou mais perfumado, quase que tanto fazia, de um café expresso ou acompanhado com natas.
Quando fizemos a passagem de um centro real para aquela realidade que a nós somente pertencia, fizemo-lo como da primeira vez: as mãos separadas por uma distância formal – e formalizante – com os braços a penderem pelo corpo num vai e vem que teima em resistir ao atrito – embora tu sempre com uma postura notoriamente mais elegante. Conseguimos a mesa onde estivéramos pela altura em que éramos apenas um embrião do que fomos; não era situação de espantar, já a conseguíramos um punhado de vezes antes – como se de um ritual se tratasse, conservar nossa aquela mesa disposta num canto junto à janela.
Discorremos, dado inevitável quando por ali nos perdíamos, sobre o que foi/ fomos, o que é/ somos, o que será/ seremos. A conversa, quase sempre a mesma; contudo, fazíamo-lo sempre com a alegria da descoberta, tal se (a)parecia a nós novidade.
Anos foram sugados pelo tempo, que deles não sente a falta pela insignificância que junto de si representam, e muito mudou desde aí. Já não passeamos a pé – não damos as nossas voltas por aqui e acolá –, encartados e com carro(s) calcorreamos o menos espaço possível pelos nosso meios congénitos, naturais, preferencialmente também gastando um espaço de tempo diminuto, lavajados nas nossas rotinas a que pretensiosamente não desejamos escapulir. A esquálida magia que persistia em existir desvanece-se por entre o fumo dos nossos escapes, ao som de motores agredidos por personagens – nós – que mais somem da vida do que a buscam aproveitar.
Foi há bem pouco tempo, foi há umas horas apenas que eu estalava uma ‘colher’ de canela, por entre os dentes, como sempre o fiz. Foi há pouco tempo mas de pouco vale, surge-me o acontecimento em mente como ocorrido ainda mais para trás daquele quando nos conhecemos – como se tal possível fosse.
Restam-me alguns sonhos, como terminar o mestrado que iniciei e que caminha pelas ruas da amargura, cansado de mim por eu não lhe ligar nenhuma; resta-me, quem sabe, tentar um doutoramento; resta-me a academia. Restam-me algumas amizades – outras, estraçalhadas pela erosão do tempo, não o são mais e muito menos voltarão a ser. Resta-me pensar que tu (quem?) talvez andes por aí num desses nicolas do mundo, aguardando que eu te encontre, aguardando que nos encontremos.
Não espero por resoluções do destino (bicho feio, esse), espero viver e viver e, quem sabe, ter sorte. A sorte também – principalmente? – se constrói, e constrói-se pela acção: pela acção manifesta em desespero de uma inércia (inimiga), inércia fatalmente colhida pela originalidade que o agir ocasiona.
Caríssimos, por hoje chega.
Perdido numa multidão de gente e ainda sinto o cheiro dos teus cabelos.
Enviaste-me um beijinho pelo ar; não o recebi; acho que o vento o levou...
Quando se reside numa metrópole como Lisboa (sim, a par com o Porto, já somos considerados uma metrópole segundo os padrões da Comunidade Europeia), e se estivermos no nosso perfeito juízo, passamos a dar uma importância diferente às noites que nos brindam com algo diferente da rotina das multidões aglutinadoras, das irritantes – quase sempre escusadas – buzinadelas dos automóveis, de motas com escape aberto ou ‘mexidas’ (incluem-se os muito em voga carros ‘tunning’), de um zum-zum de vida brutalmente exacerbado... enfim, todas as ‘virtudes’ características do quotidiano metropolitano – semelhante em outras cidades que (felizmente para os seus residentes/ utilizadores) não alcançaram o estatuto de ‘super-cidade’.
Porém, mesmo a noite chega mais tarde por aqui: talvez a partir das 11 horas da noite, mas se quiserem jogar pelo seguro apontem para a primeira hora da madrugada. Ah! E evitem os locais privilegiados pelos mais jovens que muito gostam de aproveitar a noite, viver este dia como se do último se tratasse: compreendo-os bem, já fui e tive atitudes bastante similares.
Fora as excepções referenciadas, Lisboa consegue ser bastante agradável por este período do dia mesmo para quem não busca emoções fortes ou, simplesmente, aventura.
Como na maioria das urbes, um dos pontos fracos é, para quem contempla o azul do céu, o facto da luminosidade produzida artificialmente ‘atenuar’ o brilho das estrelas e planetas reflectores da ‘alma’ desses sóis. Quanto a mim, que conheço razoavelmente algumas zonas mais periféricas – dizer província seria feio, acusar-me-iam de aplicar um termo pejorativo acrescido por uma mentalidade discriminatória –, até simpatizo em maior grau com um espectáculo mais ‘obscuro’: nas localidades tendencialmente ‘vocacionadas’ para o rural o rubor do cintilar das estrelas chega a assustar, apesar da especial grandeza inobservável nos centros urbanos – é como se fosse um valor acrescentado do pacífico, para mim, o estralado do grande azul ser menos ‘agressivo’, menos gigantesco, evitando assim reduzir-me a um ainda maior sentimento de insignificância: sim, olhar para um grande céu desnudado é como sentenciarmo-nos à microscopia da insignificância, a uma molécula do grande – infinito? – astral.
O próprio povo, como dizemos quando queremos justificar per si uma expressão, sustenta que a noite – leia-se travesseiro – é a melhor conselheira. Adoro a noite, pois ela faz-me também sair das preocupações que pelo período diurno me vão atormentando, para mais ou para menos, convidando-me, como que compulsivamente, a perder-me no meu pensar e vaguear pelo seu espaço sem fim. A calma da noite permite-me ponderar sobre os mais diversificados assuntos, temas, algo que nem sempre atingimos com tanta lucidez nas horas que se lhe antecedem.
A noite é bela igualmente pelo mistério de que se faz enredar. Pelas recordações que buscamos e que julgávamos esquecidas para sempre, algures numa gaveta recôndita do nosso cérebro, vislumbramos a beleza com maior beleza.
Mesmo acompanhados por alguns, íntimos, amigos tudo é diferente: bebem-se uns copos sem exageros desnecessários ou pressas descabidas, confidenciam-se estórias, partilham-se sentimentos...
E, para quem fuma, que coisa tão bela e harmonizante é fumar o derradeiro cigarro, aquele que antecede o sono, enquanto se observa, com um olhar perdido, esse grande infinito após ter feito amor com a nossa apaixonada, que agora dorme um sono tranquilo e reparador, com aquela respiração suave que denuncia que é feliz – pelo menos no agora.
Bela é a – ‘mágica’ – noite...
Para terminar, um resto de boa noite e bons sonhos.
Caríssimos, os meus sinceros cumprimentos.
;)
É sempre bom ir à feira do livro. Melhor se a nossa companhia for uma pessoa muito especial. Menos bom quando estamos amuados com ela.
E quando tudo parece estar bem, quando o amuo foi ultrapassado, lá surge uma alergia que interrompe o passeio.
Irra!
Todavia, aprecio estas palavras:
in a parked car
in a crowded street
you see your love
made complete
...
love is blindness
...
all the secrets
and no one to tell
...
blindness
'Love is Blindness', U2
Há dias em que um tipo não tem mesmo vontade de fazer o que quer que seja. Hoje foi, ou ainda está a ser, definitivamente um desses dias.
É, então, algo contraditório estar aqui a escrever estas linhas; ou não? Talvez tenha sentido escrever sobre isto, isto é, porque razão não devemos deixar uma impressão de como nos sentimos em dias assim? Parece-me lógico que se publique algo em que deixamos patente que não nos apetecia fazê-lo: acabamos por transmitir um estado de espírito, bem como dotá-lo de sentido.
Um blogue serve para tudo, especialmente se se trata de um blog generalista, no qual estamos à vontade para discorrer sobre qualquer tema: não estamos sujeitos à circunscrição numa dada matéria e o ‘vale tudo’ destes blogues justifica-se por si mesmo.
Não que a blogoesfera seja um espaço livre, utopia onde tudo é possível e admissível, mas é a realidade mais aproximada disso mesmo quando estamos num espaço de interacção – com outros – e não nos fechamos na nossa mente, tal concha que em si se encerra, apartada do vivido e por viver quotidiano.
Talvez o único sentido desta publicação seja o de não deixar em branco, no vazio, que dias assim também existem.
Um abraço, caríssimos
A todos aqueles interessados pela Sociologia:
passagem 'obrigatória' pela sociologia, agora na blogoesfera.
Apareçam
;)
E se puderem, dêem um pulo à feira.

Estão aqui informações referentes aos programas e livros do dia, sempre actualizadas diariamente.
Se estiverem por perto, se tiverem possibilidades, boas compras e boas leituras.
;)
Ainda eu cheirava a cueiros quando vi estes desenhos animados made in Japan, dos quais apenas restaram uns espectros – marcantes – na minha memória.
Tratava a história de uma soberba amizade entre um pequeno pássaro, presumo que um pardaleco, e uma bela e encarnadíssima rosa.
Ora, é sabido que a natureza, como em tudo, tem dos seus timings. A rosa, ser do reino vegetal, foi dotada de uma esperança de vida bastante limitada – aos nossos olhos, pelo menos. Rumando pela incontornável forma de ser da dita natureza, a bela rosa de vivo encarnado vai deixando esmorecer a sua cor, deixando prever o (seu) fim que se avizinha.
Dado o seu amor incomensurável por esta flor, o nosso pássaro questiona-a quanto às possibilidades de adiar o inadiável. Depois de fervoroso e apaixonante diálogo em que se discutira o deixar de ser da sra. rosa, a conclusão do que havia a ser feito assomou-se-lhes à “cabeça”. O passarinho, fascinado pela “eterna” beleza da rosa, aceitara a proposta que esta lhe fizera: se enterrasse o seu peito contra um espinho da criatura já pouco encarnada – a rosa –, deixando o seu coração ser trespassado por este e esvaziando-se do seu sangue, que passaria pelo corpo da flor, a rosa voltaria a ser bonita e airosa de novo, viva, esplêndida e encarnadíssima. O preço era único: o pardaleco pagaria com a sua vida o prolongamento da da sua amiga.
Assim foi, e assim assisti a um passarito a entregar-se à morte numa morte lenta e dolorosa – faziam questão que assim fosse transmitido.
Da fábula trazem-nos bruscamente para o “real”: o facto é que esta atitude, por mais pura que fosse, não rejuvenesceu a rosa mas antes conduziu à morte precipitada do bicharoco: ambos definharam, ambos faleceram, numa sintonia quase perfeita.
Nunca esqueci o raio destes desenhos animados. Julgo que nunca irei esquecer.
Afinal, que moral da estória? Que moral para a história?
Tudo/ todos tem/ têm o seu tempo? Para quê morrer por amor se o amor, ele também, irá morrer?...
Para os weberianos e em seu prol.
O primeiro princípio fundamental da sociologia da acção consiste em levar a sério o facto de todo o fenómeno social, qualquer que ele seja, ser sempre resultado de acções, de atitudes, de convicções, e em geral de comportamentos individuais. O segundo princípio, que completa o primeiro, afirma que o sociólogo que pretende explicar um fenónemo social deve procurar o sentido dos comportamentos individuais que lhe estão na origem.
'Tratado de Sociologia', Raymond Boudon (dir.)
Esta fórmula é-me, cientificamente, mais cara - o que não impede uma referida anteriormente de também ser portadora de vicissitudes.
Com bolinha, para maiores de 18
Regressei a casa, levando comigo a carne. Tinha a parte da frente do corpo dele, com os meus bocados preferidos. A pilinha dele, os rins e um delicioso rabinho bem gordinho para assar no forno e devorar. Preparei um guisado com as suas orelhas, nariz, pedaços da cara e do ventre. Juntei-lhe cebolas, cenouras, naboas, aipo, sal e pimenta. Estava bom.
(...)
Ao fim de duas horas, as nádegas estavam bem cozidas, bem assadas. Nunca comi um perú assado que estivesse sequer metade de bom que o seu delicioso cuzinho anafado. O prato foi consumido no espaço de quatro dias. A sua pilinha era exótica, mas as bolinhas eram demasiado duras: não consegui mastigá-las e atirei-as para a retrete.
Albert Fish: o Avô Tranquilo
in 'Serial Killers', Stéphane Bourgoin
Adoro os States e os seus excêntricos personagens.
Sem mais comentários...
Num sentido oposto de ausência total de pudor e sustentado por um humor negro dilacerante, George Devereux conta o caso de um estudante de medicina que, para pregar uma partida aos colegas, na sala de anatomia forense seccionou o pénis de um cadáver e inseriu-o na vagina de outro com um letreiro onde se lia: «Rapazes, qual de vós se foi embora à pressa ontem à noite?».
'Cunnus', Alberto Hernando
...
Às portas de um evento internacional, numa contagem decrescente que nos aproxima do dia zero, continuamos a ter invasões de campo em estádios com segurança privilegiada que fazem recordar as investidas Vikings por terras da Bretanha.
Pois, o Euro de futebol está prestes a iniciar-se. Com ele, além do cidadão mediano – ou pouco desviante, que é o que realmente interessa –, vamos relembrar os idos tempos de conquistas à lei da espada e do machado através das muitas, diferentes, hostes de variadas famílias Vikings desta Europa que, de velha, quer mostrar que ainda tem ímpeto – óbvio, nem sempre da melhor maneira (ou mais civilizada, já que somos o berço da civilização como conceito).
Não partilho do alarmismo que alguns particulares, mas principalmente alguns media, tentam por nossas terras disseminar. Não acredito em terroristas, em assassinatos de altos mandatários, em massacres onde milhares de civis irão a correr para os hospitais – ou para as morgues destes. (Acredito mais no massacre à nossa selecção, mas isso já é uma opinião muito própria e que, de momento, foge ao âmbito.)
Claro que irão haver por aí umas tolas partidas, uma ou outra montra escavacada, enfim ninharias dentro do que se poderia perfilar de pior (ai, estas televisões...). Mais, possivelmente vítimas de alcoolemia do que de qualquer outra causa – extraordinária.
As nossa forças policiais não estão certamente tão bem preparadas como dão a entender, mas o que se aproxima não irá necessitar de mais do que daquilo que estas são capazes. Não temos só ignorantes nas nossas forças de segurança, e o estereótipo do psp de bigode e ‘anafadinho’ que só sabe dar porrada com o cassetete está a diluir-se no meio de um efectivo mais jovem e, peço desculpa, com um aspecto mais ‘limpinho’.
O único terror a que iremos assistir dentro – e fora dos estádios – dever-se-á às supracitadas hordas bárbaras. Voltemos ao título do post, é mesmo só o que me interessa.
Gostaria de sugerir aos senhores que coordenam as nossas forças de segurança a seguinte ideia: ao invés de utilizarmos o polícia com bastão (ou com essas modernices eléctricas), a cavalo ou com escudo, não seria melhor em circunstâncias de maior excitação e ansiedade viking, premonições de investidas selváticas, aplicar um gasesitos à base de diazepam? Só coisa fraquita, nada de dramático. Afinal, não é o objecto terapêutico do diazepam proporcionar calma e normalidade ao organismo em situações patológicas?
Bom, é só uma ideia...
;)
A dissuasão é uma forma muito particular de acção; é aquilo que faz com que uma coisa não aconteça.
'A Ilusão do Fim', Jean Baudrillard
Pragmático, sem dúvida.
É invariavelmente com uma ligeira náusea que primo o botão que apaga a derradeira luz que ilumina o meu ‘forte’. Em centésimos de segundos sou como que transportado para outra dimensão, para outra realidade. Como dizia serenamente aquele senhor a preto e branco, “... the Twilight Zone”. Bem, não será assim tão dramático... mas quase.
Não que padeça de alguma fobia que se referencie à noite, ao invés adoro-a – nada de tão confortável num dia que o silêncio da noite, quebrantado pelos habituais ruídos urbanos: mas mesmo estes últimos já fazem parte do rol de encantos deste silêncio a dar para o mágico. A noite tenho-a em estima como as melhores horas das 24 de um dia completo. Mas a noite com alguma luz, fosca, aquela dos candeeiros, das estrelas quando não estão apagadas pelo nubloso céu – e sabemos que num ambiente urbano estas aparecem desfalecidas quando comparadas a um rural mais profundo. Há ainda luzes dos automóveis que rumam num destino sempre igual, como no Feitiço do Tempo, aquelas que persistem dispersas nos blocos de apartamentos e que muitas das vezes só somem com o raiar da nossa estrela-mãe. Noite não é, para mim, sinónimo de escuro, do escuro.
O escuro é o buraco negro do nosso planeta, suga e absorve toda e qualquer luminosidade. Por isso continuo a ter medo do escuro. Não aceita a luz porque ele em si é hegemonia, nada discorre nesse espaço que possa estimular o nosso sentido da visão. É aglutinador, açambarcador, holista, totalizante e totalitário, regime único.
Talvez o único sentimento, desses banais, que equiparo em igual sintonia de desagrado seja o do acordar remeloso numa manhã que desejava adiada; com aquele humor soturno, quem sabe resquício duma mente acabada de sair da escuridão – novamente o escuro, esse reiterado sem ver.
Como se de um imperativo se tratasse, o escuro torna-se irremediavelmente sinónimo de solidão. A modos de um ‘beam me up, Scottie’, somos transportados, transferidos, para outra dimensão. Não fosse o inconfundível som do lugar urbano per si e facilmente aceitaria a ideia que era o único ser – vivo – a existir.
Por tudo isto continuo a ter medo do escuro. Antes, no escuro, sabia que a existência – em vida – não se resumia a mim: podia tocar-te e sentir o teu corpo vivo, podia ouvir-te por mais serena que fosse a tua respiração (aprendi a colocar de lado os ruídos consequência do urbanismo, no sentido que os separava de outros atípicos a si), podia receber pelo olfacto o teu odor terno e morno – por contraste ao áspero quotidiano da cidade de Lisboa: não interpretem de forma fácil o que poderia ser um mal entendido, pois na mais verdadeira verdade amo incondicionalmente esta cidade em tantos aspectos “poluída”.
Por tudo isto continuo a ter medo do escuro. Já não encontro quem negue – quem me negue – que o escuro tem mais do que a solidão que hoje sinto, vivo (hoje o mesmo que ontem; hoje o mesmo que amanhã – parece que o adivinho). Não sei se foi aselhice de quem criou o tempo e o dividiu entre dia e noite: certo, verdade, é que os momentos de inconsciência, delineados pelo sono, se passam no escuro da noite. Quem dividiu o(s) dia(s) neste périplo contínuo ignorou, sem piedade – sem dó –, as insónias que sofremos no escuro que nada – quase – deixa percepcionar; ignorou, ignorância sem precedentes, os sentimentos daqueles que de insónias padecem – teve que ser o homem a inventar o Lendormin.
Por estas e por outras mantenho, tal criatura em tenra idade, uma fobia pelo escuro. Os minutos, certas vezes horas, que me custam até cair no sono aterrorizam-me na medida em que me constrangem a viver num limbo em que a incapacidade de sentir o denominado real me assola – bem haja o ruído da urbe, cordão umbilical que me prende à verdade de que, em facto, não sou único – uno – na escuridão em que só eu sou.
Paradoxal, convenha-se, todavia facto consumado e que consome – a incerteza, aquela dúvida perene, permanece. Por muitas vezes, em todas as circunstâncias, crio o meu escape à realidade – fugir do escuro, onde nem a mim me (re)vejo, montando um universo onde outros existem, sentenciando a morte ao sentimento de solidão (porém, mais não é do que um constructo – estratégia – inverídico que bem sei que não é, não existe).
Súmula
Continuo a ter medo do escuro por receio que se torne a minha realidade nos dias que vêm, nos dias do porvir. Tenho, ainda, medo do escuro pelo receio de nele ficar enredado, inebriado sem retorno – na solidão.
Amo a vida, noite ou dia, mas sabendo que esta se encontra caucionada pela exigência que eu tenho por um sentido – que exijo e não prevejo.
Boa noite, caríssimos. Durmam bem.
Para os durkheimianos e em seu prol.
O homem, pelo contrário, mercê do seu poder de recordar, acumula o seu próprio passado, possui-o e aproveita-o. O homem não é nunca um primeiro homem: começa logo a existir sobre certa altitude de pretérito amontoado.
'A Rebelião das Massas', José Ortega y Gasset
dixit
Voltaste-te para trás e disparaste:
'I've told you before don't follow me because I am not your answer.'
('Fearless', VNV Nation)
Que resposta podia eu dar? Que argumentos... bolas, esquece ('...I have found my answer').
------"------
[interlúdio]
'I'm so sorry if these seething words I say
impress on you that I've become
the anathema of my soul
...
(please)
No tears
No sympathy'
('Epicentre', VNV Nation)

À menina mai linda do mundo, porque eu quero.
E ainda busco o Infinito - quando te tenho tão perto.
Houve assim, nos princípios da colonização, um momento de estupor e deslumbramento perante a própria possibilidade de escapar à lei universal do Evangelho. Então, das duas, uma: ou se admitia que essa lei não era universal ou se exterminavam os índios para se apagarem as provas.
'Simulacros e Simulação', Jean Baudrillard
Ainda há quem mantenha résteas de dúvidas?
Bah, ainda hoje continuamos a agir em modos análogos.
E, no entanto, embora a inveja dos outros seja perigosa, vem-nos um perigo ainda maior da nossa inveja.
'Os Invejosos', Francesco Alberoni
Ainda pior quando a inveja advém da admiração - agravando-se se narcísica!
Uma das funções da noção de habitus é dar conta da unidade de estilo que une as práticas e os bens de um agente singular ou de uma classe de agentes (...)
O habitus é esse princípio gerador e unificador que retraduz as características intrínsecas e relacionais de uma posição num estilo de vida unitário, quer dizer, um conjunto unitário de escolha de pessoas, de bens, de práticas.
Como as posições de que são produto, os habitus são diferenciados; mas são também diferenciantes. Distintos, portadores de "distinção", são também operadores de distinções: introduzem princípios de diferenciação diferentes ou utilizam diferentemente os princípios de diferenciação comuns.
'Razões Práticas', Pierre Bourdieu
Todos diferentes, todos iguais? Ná, muito mais complicado...
Olhei o céu e não vi as estrelas: continuas a ofuscar-me.
Sometimes I feel
Like my only friend
Is the city I live in
...
Lonely as I am
Together we cry
I drive on her streets
'Cause she's my companion
I walk through her hills
'Cause she knows who I am
She sees my good detail
And she kisses me windy
I never worry
Now that is a lie
...
At least I have her love
The city she loves me
Lonely as I am
Together we cry
...
Under the bridge downtown
Is were I drew some blood
Under the bridge downtown
I could not get enough
Under the bridge downtown
Forgot about my love
Under the bridge downtown
I gave my life away (yeah yeah)
Ooh no (no no yeah yeah)
Love me I say yeah yeah
'Under the Bridge', Red Hot Chili Peppers
Ahhh... continuo a amar esta cidade que é Lisboa...
(será recíproco?)
Ladrei. Deste-me com o jornal no focinho e mandaste-me embora: "Xô, cão feio!"
What layman want to know about deviants is: why do they do it?
'Outsiders', Howard Becker
Estruturalmente, é a questão a que queremos resposta em todas as áreas da vida (científica ou não).
Esta rapaziada da sociologia também diz umas boas, às vezes:
'As paixões são doenças curtas, são patologias. São desvios derivados do sexo, muito ligados ao desejo de morte, altissimamente gratificantes.'
Maria Filomena Mónica - Socióloga
(Visão n.º 584)
'I remember
When we could sleep on stones
Now we lie together
In whispers and moans'
Ultra Violet (Light My Way), U2
irónico...
À inglesa, quente – a um grau da fervura.
A volúpia do chocolate derretido só é comparável a um acordar após uma noite de amor – uma languidez, carregada de ternura, que perpassa pelos sentidos: o sentimento de satisfação. No fundo, qualquer coisa que nos banha a alma de alegria, o calor que mantém um coração a bater compassadamente.
Uma praia num dia cinzento – um frio de rachar. As calças do fato com cinzeiros, os sapatos numa mão, a gelada água salgada a acariciar os tornozelos – o paradoxo do sentir prazer com desconforto –, a gravata, cujo nó cristalizou, que desliza por uma camisa com dois botões desapertados, um sobretudo de meio corpo para me convencer que não sinto frio. Sozinho ou acompanhado – com aquele bichinho especial, aquela menina mais bonita que todas porque assim quero –, não importa verdadeiramente. Importa as vozes que ouvimos a cada onda que vem – a cada onda que parte –, o silêncio das vozes humanas.
Na outra mão um chocolate quente. Vou sorvendo devagar, devagarinho – há momentos que têm que ser apreciados, mais do que vividos. O quente que escalda a língua, por vezes a glote, contrasta com o frio de um vento que corta e com a temperatura de uma água que nos vai anestesiando os membros inferiores (chegaria a não saber se ainda lá estariam, não fossem os rastos que deixo denunciarem que continuam a mover-se).
Estaco e observo o mar, olho o horizonte, bebo da calma de um mundo que não parece o meu, o nosso – e, quando calha, se calha, meu e do meu bichinho especial.
Paro mas não olho com olhos de ver. Deixo-me entregue ao sentir. Volto a levar o chocolate quente aos lábios, sentir o arrepio que atravessa todas as extremidades nervosas como se fossem uma só.
Um fim de tarde grande como a eternidade, calcorreio a areia, perco-me no horizonte – com o meu chocolate quente.
(Ainda sinto a aragem, a maresia... com o meu bichinho especial... ou só, mas acompanhado, acompanhado pela vida que alimenta a minha.)
Os anos passam. Já não somos os mesmos. Já não sou o mesmo. Quando alguém me interpelava com uma questão que em significado seria ‘então, não te arrependes de nada do que fizeste?’, a minha resposta redundava, sem excepções, num não convicto. Argumentava que não tinha nem via motivos para qualquer arrependimento, argumentava que a cada situação dei a resposta que na altura achava não só apropriada mas mesmo a correcta. Todavia, sinto hoje um peso, qualquer disfunção que estou incapacitado de decifrar. Em suma, começo a olhar para trás: porquê agora censurar o passado?
Procuro com urgência memórias do passado, memórias com anos de vida: bloqueio nas brancas que surgem intermitentemente pelo percurso, tornando-se difícil reconstruir uma história com prumo, coesa em si e per si; não sou um homem novo, não existiram cisões estruturais mas a diferença do que fui e do que sou barra-me a resposta aquilo a que tanto desejo responder.
Com a alma que hoje tenho estou obstinado em viajar ao passado – empreitada fútil, inútil, impossível -, com o único objectivo de voltar a viver o vivido. Não só sentir o vivido; vivê-lo, voltar a vivê-lo. Seria uma experiência ímpar: estar a viver com a sapiência que sabe o que os outros pensam, julgam; é como que numa partida que iniciamos em vantagem – viciada, tal como o meu estado de espírito. Mas, santa ignorância!, como poderia alguma vez alterar um número considerável de situações e histórias, mesmo possuindo o condão de ir lá para trás? Bastaria uma alteração, por pouco significativa que fosse, para perder o fio à meada do resto do passado: continuaria a estar enredado numa maré de ondas – coisas – que desconhecia. Para isso vivo o presente. Dá menos trabalho e será até, possivelmente, mais saudável.
Sei isto tudo, mas não empreenderia eu nessa viagem se ma oferecessem? Só confrontado com a situação no real é que poderia responder, se ia ou ficava – algo que ficará para sempre por responder (ainda se tivesse o dom da ubiquidade... são tretas que não existem, balelas da superstição que ainda resta da grande noite das trevas). Mas valeria a pena ir? Se o passado (um pouco mais remoto) não o tivesse sido dessa forma teria outro passado (bem mais recente) existido com todas as coisas magníficas com que me prendou? A(s) resposta(s) não surge(m), a agonia de alguns sentimentos vividos neste tempo presente envolve com toda a sua negritude o meu raciocínio e boa parte da minha capacidade de resposta – é preciso, eu preciso, parar para pensar: como se de uma tempestade de areia se tratasse, pois para vislumbrar não é só deixar que esta termine mas, não menos essencial, que a areia assente.
Não sou idiota de todo, embora possa ter deixado passar essa mensagem. Bem sei porque busco o passado: porque apesar de tudo vejo mais possibilidades neste do que no futuro, futuro através do qual as minhas expectativas e sonhos não conseguem ‘perfurar’.
Até mais, caríssimos.
Nuno, eu tinha ficado de escrever sobre o casamento – lembras-te? Achei que agora não valia a pena; parece-me antes que dei um passo em frente.
SS, passámos por bons momentos, não foi? Brindemos. Ao futuro – futuro que estranhamente começa por tomar algumas parecenças com o tempo: suspeito que não simpatiza muito comigo, ie, desdenha-me.
;)
...
It's so quiet I can hear
My thoughts touching every second that I spent
Waiting for you
Circumstances afford me
No second chance
To tell you
How much I've missed you
...
We were once young and blessed with wings
No heights could keeps us from their reach
No sacred place we did not soar
Still greater things burned within us
I don't regret the choices that I've made
I know you feel the same
My beloved do you know
How many times I stared at clouds
Thinking that I saw you there
These are feelings that do not pass so easily
I can't forget what we claimed as ours
...
Beloved, VNV Nation
O que é que eu posso acrescentar?
Mal que passou remediado está.
:P
As we dwell inside the safe zones that we’ve made
Where nothing but earthly pleasures seem to matter
The only light we see is from the screens
No will to feel or explore the forgotten dimensions
Eclipse, Apoptygma Berzerk
Lembrei-me:
vivemos num mundo cão ou cabrão?
Sometimes I get to feelin'
I was back in the old days - long ago
When we were kids when we were young
Thing seemed so perfect - you know
The days were endless we were crazy we were young
The sun was always shinin' - we just lived for fun
Sometimes it seems like lately - I just don't know
The rest of my life's been just a show
...
You can't turn back the clock you can't turn back the tide
Ain't that a shame
I'd like to go back one time on a roller coaster ride
When life was just a game
These Are The Days Of Our Lives, Queen
(os últimos dias têm sido carregados de boas novas)
If there's a God or any kind of justice under the sky
If there's a point if there's a reason to live or die
If there's an answer to the questions we feel bound to ask
Show yourself - destroy our fears - release your mask
Oh yes we'll keep on trying
Hey tread that fine line
Yeah we'll keep on smiling yeah (yeah yeah)
And whatever will be will be
We'll keep on trying
We'll just keep on trying
Till the end of time
Till the end of time
Till the end of time
Innuendo, Queen
Não digo mais.
| Disorder | Rating |
| Paranoid: | Moderate |
| Schizoid: | Low |
| Schizotypal: | Moderate |
| Antisocial: | Moderate |
| Borderline: | Low |
| Histrionic: | Moderate |
| Narcissistic: | High |
| Avoidant: | Moderate |
| Dependent: | Moderate |
| Obsessive-Compulsive: | Low |
-- Personality Disorder Test - Take It! -- | |
The Dante's Inferno Test has banished you to the Second Level of Hell!
Here is how you matched up against all the levels:
| Level | Score |
|---|---|
| Purgatory (Repenting Believers) | Very Low |
| Level 1 - Limbo (Virtuous Non-Believers) | Low |
| Level 2 (Lustful) | High |
| Level 3 (Gluttonous) | Low |
| Level 4 (Prodigal and Avaricious) | Moderate |
| Level 5 (Wrathful and Gloomy) | Low |
| Level 6 - The City of Dis (Heretics) | Moderate |
| Level 7 (Violent) | High |
| Level 8- the Malebolge (Fraudulent, Malicious, Panderers) | High |
| Level 9 - Cocytus (Treacherous) | Moderate |
Por outras palavras, até o homem solitário tem, no mínimo, a companhia dos seus procedimentos operativos.
'A Construção Social da Realidade', Peter Berger e Thomas Luckmann
uma referência ao nuno e à inês que me ajudaram a ter o blog mais colorido.
;)
a mulher tem duas almas:
a dela e a do homem que controla.
Se eu fosse um cão as ondas do mar desafiava, só pelo prazer de ao pé de ti me sacudir e te deixar encharcada.
Se esses sofrimentos puderam ser aceites, foi precisamente por não serem considerados nem gratuitos nem arbitrários.
'O Mito do Eterno Retorno', Mircea Eliade
Continuo de birra.
Por isso, deixo-vos aqui com uma letra de colony 5.
Apreciem a neura. ;)

My World
Dim the light, it hurts my eyes
it scars my skin and shatters my lies
fold the blinds, let’s stay inside
Take my hand, I’ll give you strength
come with me, we’ll make our way
through the light
into the night
Welcome to my world
it’s calm and cold
Welcome to my soul
it’s withered and old
Welcome to my mind
tread lightly and slow
Welcome to my love touch it and make it grow
We belong to this, this protected room
the world outside is for the ones
that’s not afraid to lose
So take my hand, you are invited in
Share my darkness and my lusts
I’m filled to the brim
Welcome to my world
it’s calm and cold
Welcome to my soul
it’s withered and old
Welcome to my mind
tread lightly and slow
Welcome to my love touch it and make it grow
Welcome to my mind
tread lightly and slow
Welcome to my love touch it and make it grow
Hoje não 'posto'. Estou de birra.
Vou fazer festinhas ao meu laboreiro imaginário.
Há muito que não entrava no Plateau sem um copo que me tivesse aquecido. Todavia, foi o que aconteceu. Estava ébrio, não do álcool mas fruto das linhas da tua boca.
- Sabias que tens mel?
Olhaste para mim como se fosse um anormal.
- Tens mel, mel no canto dos lábios.
Reiteraste, com um olhar de desprezo, que achavas que era mesmo um anormal. Ou bêbedo...
- Se calhar está bêbedo
Pensaste.
Mesmo assim, sorrateiramente, fizeste escorregar a língua pelos dois cantos onde culmina o desenho dos teus lábios; dos teus lábios com mel. Poderia eu estar a dizer a verdade? Julgaste que não, porém passaste a olhar-me sem o peso do desdém que grita em surdina “anormal!”. Voltaste a olhar. Excluída a anormalidade procuraste traços de um passo trôpego no meu andar – em vão.
- Não. Pode até ter bebido mas... não, decididamente bêbedo não está
Concluíste.
Aos poucos fomos ficando, a cada passo, mais perto. Voltei a dizer-te
- Tens mel nos teus lábios.
e desta feita o teu juízo sobre o dito nada tinha de pejorativo. Finalmente sorriste.
Os traços dos teus lábios, construídos a lápis de carvão, eram coisa nunca vista por mim. E brilhavam. Só podia ser, só podiam ter mel.
Tinha andado só. Muito só. Num segundo, num mísero segundo, algo dentro do meu corpo inflamava – comecei a suar. Soube o que era: esse mel que era só teu, que nos teus lábios transportavas, derretia os pesados blocos gelados que tinham até então envolvido um frágil coraçãozito.
Queria beijar-te. Porra, estava estático com aquela beleza que desconhecia existir; para mais, com mel. Foste tu quem avançou: encostaste a tua boca perfeita na minha. Não tinha mel: era mel. Estremeci, mas o açúcar do teu mel deu-me força para voltar a ter movimentos. Envolvi-te nos meus braços e fechei os olhos. Beijávamo-nos. Beijava os teus lábios melados enquanto aconchegava, com os braços, os nossos corpos. Senti os teus seios no meio peito, as tuas mãos a puxarem uma camisa para fora das calças, mãos que sem pudor enfiaste pelas minhas costas.
Acordei sobressaltado. Senti o conforto habitual do meu leito e, como sempre quando acordo, vi as horas no despertador. Porquê o sobressalto? Senti, ou melhor, não senti. Não senti o calor do teu corpo, o cheiro morno do teu peito, o macio do teu cabelo apesar do odor a tabaco reminiscente da noite passada. Quase chorei para dentro.
- Ela foi-se embora...
augurei com todo o pessimismo.
Faltou tempo para soltar a primeira lágrima, mesmo que apenas para dentro: logo senti pela minha cintura uma perna que se prendia, arqueada, em mim. Suspirei... não. Bufei: bufei de alívio.
- Ainda cá estás.
Aliviei-me.
Principiaste a acordar, rodaste o meu corpo para ficarmos face a face. Beijámo-nos suavemente, o oposto às batidas do meu coração que cavalgava – agora de alegria, de felicidade. Não me enganara: ao primeiro toque dos nossos lábios voltei a sentir o teu mel, só teu. É bom viver.
A todas as mulheres, o mais bonito ser do labor divino.
A todos os homens, todos aqueles que sabem bem tratar este bichinho de mel.
- ‘Em terra de cegos quem teu olho é rei!’
Troou a voz do mestre “Old” Pires, dirigindo-se às amibas, esses seres que começaram a povoar a Terra nos primórdios da vida.
Assim foi e o mestre reinou.
Hoje não é o jovem de antigamente.
Abdicou do seu trono.
Puro é estar contigo, dizer que te amo e receber um sorriso.
Bem ponderado não sou o único:
os que me rodeiam prejudicam-me gravemente a saúde.
Porém, só alguns.
:P
"... Quando ia à festa de São João na aldeia, davam-me filhós e também queijo e caramelos; era isso a primeira coisa que eu saboreava, os caramelos"
in Jean Poirier
Gostava de viver de costas, a fazerem-me festinhas na barriga.
E eu ronronava.
Porquê? Porque é que tinha que ser assim? É o destino? Não, em ti não acredito; mesmo que mo consigam provar continuar-te-ei a recusar, a repudiar – porra, o destino é que não.
Vamos mudar o final das estórias. ‘E viveram felizes para sempre’. No ponto social em que nos encontramos temos que mudar o final: e viveram felizes para sempre, enquanto puderam. Paradoxo? Só um paradoxo sintáctico. As belas adormecidas embrenhadas no criogéneo dos seus profundos sonos – e sonhos – não têm lugar, sequer sentido, no meio da lógica mercantil do ‘amor’ que caracteriza a época histórica que vivemos – vamos vivendo.
Assim, já posso também eu dizer, de peito inchado tal garanhão lusitano (refiro-me mesmo ao cavalo, não a uma estereotipia de macho), que já fui feliz para sempre, enquanto tal felicidade me foi permitida.
Lembras-te: que seja eterno, enquanto dure. Também tu, com ostensivos traços de fragilidade e sensibilidade que temos vindo reiteradamente a associar às fêmeas da nossa espécie, também tu pensavas como eu. Melhor, foste tu que me obrigaste a pensar assim desde que... Não se trata de uma derrota que assumimos a priori, pelo contrário, antes a vitória de uma sensação de eternidade num espaço de tempo, inclusivamente, assaz breve. A estrutura mental deste bicho sapiens que somos é extraordinariamente flexível, moldável. Vivemos um presente preciso, um presente que nos inculca o pensar; depois do pensar o agir e, depois ainda, o sentir. Não reclamo por vivê-lo, reclamo sim por vivê-lo da melhor forma que me seja possível: com uma felicidade que devemos apreciar e nunca caucionar em função do futuro.
Não chores mais. Já foi, já não dói nada; aquilo que se pensa ser dor mais não é do que uma alfinetada, um alfinete que se espeta – mas pouco – de maneira a lembrarmo-nos que continuamos vivos, a viver. É uma astucia da vida, que nos recorda que o amanhã existe e com o amanhã uma nova eternidade efémera retornará a nós. Porquê as lágrimas, então? Não chores mais. O amanhã nunca irá chegar – senão porquê ‘amanhã’? – mas não é impeditivo que o busquemos, que o persigamos: é o criar de novos objectivos quando os outros já os temos no bolso, é o criar de novas expectativas, é o voltar a sentir a paixão de um adolescente quando contamos quarenta aniversários. Sem isto alienávamos o sentido da vida, a própria vida.
Afago-te o cabelo (ou será o meu?): shhhh, não chores. Amanhã é que é. Amanhã, esse que nunca chegará mas que traz consigo permanentes e constantes hojes, é que vou encontrar a pessoa da minha vida. E vou voltar a ter a certeza: encontrei a pessoa da minha vida – hei-de julgá-lo assim quando estiver com ela aninhado e enroscado por baixo de uns lençóis quaisquer. Mas isso passa, as certezas desvanecem-se, o mundo volta a desmoronar-se... e lá vamos, de novo, reconstruir a nossa ‘casa’ como se de um caracol se tratasse. Uns, talvez, encontram essa felicidade que existe enquanto dura por mais tempo, outros têm que enveredar por um caminho mais longo – não obrigatoriamente mais doloroso. É como andar num carrossel: a história repete-se com uma exactidão impressionante, andamos aos círculos. E não é bom? Eu, eu gosto de cá andar – bem sei que pago direitos de autor por esta.
Shhhh... já foi – digo de baixinho. Não. Não vamos voltar a cometer o mesmo erro. Vamos, ‘bora perseguir o amanhã. Deixa lá o que foi, deixa os ontens. Sabemos que foi eterno enquanto durou, não arranhemos sem razão o verniz que já estalámos. Está bem?
Shhhh... sabemos como foi, não façamos encore... já conhecemos a história. E esta, como outras (todas), tem fim. Vamos ao amanhã, ao seguimento eterno de hojes. Desta história já conhecemos os meandros, o princípio – o meio – e o fim. Não, não desperdicemos tempo – o teu e não meu, nunca foi amigo de mim –, porquê sofrer pelo que se conhece? É tão mais prático sofrer por aquilo que ainda não conhecemos, é tão mais aventureiro – é tão mais pós-moderno.
Volto a afagar o cabelo – o teu ou o meu? – e olho para o futuro com confiança, lá está ele.
Olho para o futuro, mas a espessa névoa envolta no porvir impede-me de descortinar o que quer que seja, não perscruto nada – nadinha. Mas, shhh... aí vem o menino, o que ainda não nasceu porque não foi nem é, mas traz uma boa nova: não chores mais, reservo-te a vida (mais vida), mais uma eternidade para ti... enquanto durar.
Posfácio – o excelso professor doutor Luís Moita, douto em história e teorias do desenvolvimento, inculcava a uns miúdos – eu era-o de igual maneira – que a história era (é) cíclica. Pois... mas o ciclo do retorno jamais se faz acompanhar da mesma realidade que passou – apenas, e tão só, de uma aproximação mormente fajuta.
PS: aconselho - is it any wonder?
'Life is short and love is always over in the morning'
(Sisters of Mercy)
'Toda a acção implica uma reação.'
Então alguém me explica porque é que estou atónito?
Há quem tenha tecnologia, há quem tenha ponta.
A mim calhou-me a tecnologia.
Rita, tens visto o Carlos?
Nunca dizes nada...
Caríssima, um grande beijinho.
- Estou?
- Telepizza?!
- Não, não. É com certeza engano. Fala de uma casa particular.
- Ah, desculpe. Mas, já agora: não me arranja um almocito, não?
- ...
(moral da história - quem quer comer ou paga ou que faça pela vida)
Tenho um amigo polícia que diz:
'Então, pá? Gostas de cá andar?'
E pronto, lá me vai dando algum ânimo para continuar por cá a andar.
Um forte abraço ao meu caríssimo Fernandes
Descobri que sou como o tabaco:
Prejudico gravemente a saúde dos que me rodeiam
;)
O som dos últimos movimentos da corrediça permanece hoje como naquele dia.
Não emitiste um ui. Foi tudo limpinho, sem esterqueira que outra senão aquela avermelhada.
Um ruído surdo, um crânio a estalar de manso. Já estava e fui eu que te matei: mas foi limpinho, sem esterqueira.
Olho com impavidez para os teus olhos de tubarão, sem vida – como tu agora.
Nunca vivalma descobriu quem foi, por isso neste momento to confesso: fui eu. Obrigado, já posso descansar, finalmente, em paz.