junho 27, 2005

Fim-de-tarde (servir fresco e com duas pedras de gelo)

Quando todas as teorias parecem erradas; ou pelo menos esgotadas. E se instala, instaurando, o pandemónio. A anomia; completa. Desarticulação total, vínculos quebrados num abrupto. Genética manipulada na perversão do desencontro; do descabido, desarticulado e desarticulante. Sombrio. Exalte-se, porém, a sombra.

Sucede-se ao prólogo descontinuado por sua ineficiência o miscelâneo caldeirão da arte profana. Antípodas que se complementam; que bem sem mal? E que desconcerto é militar-se do lado de quem nada prossegue, preenchendo existência com existência; sem rubro ou fulgor. Hipostasia, provavelmente.

Não há bela nem senão. A cidade e os seus vividos sublevam a realidade, imagem ctónica e frívola de vontades amontoadas em desregramento. Subnutridas, sub-vividas, subdesenvolvidas, sem que em vias de. Vox populi, enquanto ignorado na amálgama da multidão; Ortega seria menos simpático: massas.

Onde tudo se insinua como duplo replicado; simulacro e não simulação, tanto quanto possível. Preâmbulo sem contexto, a ignorar por que não se veicula sentido. Apenas ser na evidência de que se existe. Real que se ultrapassa, aos atropelos atropelando um qualquer quotidiano desenraizado que, torpe, se confunde.

No entanto o real só se compreende a posteriori, nem sempre conjugando o que é e o que se entende que deveria ser. Ainda me falam em apocalipses pós-modernos...

Todavia, o amor pelo mundo. Dóxa.


"And I’d give up forever to touch you
’cause I know that you feel me somehow
You’re the closest to heaven that I’ll
Ever be
And I don’t want to go home right now

And all I can taste is this moment
And all I can breathe is your life
’cause sooner or later it’s over
I just don’t want to miss you tonight

And you can’t fight the tears that ain’t
Coming
Or the moment of truth in your lies
When everything feels like the movies
Yeah you bleed just to know you’re alive

And I don’t want the world to see me
’cause I don’t think that they’d
Understand
When everything’s made to be broken
I just want you to know who I am
"

'Iris', Goo Goo Dolls

Publicado por PmA em junho 27, 2005 10:51 PM
Comentários

esta musica é brutalmente linda... e nem consigo dizer mais nada... :)

Afixado por: chavininha em junho 28, 2005 01:23 AM

Mesmo por que há vezes em que as palavras cansam; pouco mais, inclusivamente, acrescentando.
;)

Afixado por: PmA em junho 29, 2005 05:55 PM

e nessas alturas sai o cd da gaveta e toca na aparelhagem... gosto da ideia :)

Afixado por: chavininha em junho 29, 2005 09:58 PM

Música que nos silencie. E que nos deixe repousar.
;)

Afixado por: PmA em julho 1, 2005 02:41 AM

pois, neste caso n é bem assim... há-de haver algumas que façam isso... estas fazem o contrario. :P

Afixado por: chavininha em julho 2, 2005 12:32 AM

Escusa-se, todavia, de se ouvir aquilo que é dito de nós para nós.
;)

Afixado por: PmA em julho 2, 2005 12:37 AM

Porque? ouvir as nossas vozes pode ser bom... e ate respondem se lhes perguntares coisas :P

Afixado por: chavininha em julho 5, 2005 11:59 PM

Seja, mas baixinho; ou ainda te chamam 'artista'...

Afixado por: PmA em julho 7, 2005 03:40 AM

sim, sempre baixinho que eu n sou de ter discussões comigo mesma :P

Afixado por: chavininha em julho 7, 2005 04:36 AM

Eu gosto. são sempre saudáveis.

Afixado por: PmA em julho 10, 2005 08:37 PM

o meu probema é quando elas n chegam a lado nenhum... depois é que n se sabe o que se faz...

Afixado por: chavininha em julho 11, 2005 07:27 PM