De olhos postos no rio vê-se a outra margem. Entre elas, margens, atravessando o rio, duas pontes erguem-se, cada qual com o seu orgulho. Orgulho um tanto ou quanto tolo. Servem de passagem, ninguém lá fica. Orgulho tolo, daquilo que é plataforma a outro caminho. Transitório; de transição e tão somente. Erguem-se, alto ou longo, falando que sem o seu orgulho que digo qualquer coisa tolo não há; não há o outro lado, facilitam a travessia para outros de nós. Não, não é um orgulho assim tão tolo; ou qualquer coisa de tolo, nem tanto ou quanto. Orgulho enorme por serviço prestado. Estão lá, à disposição; entre todas as margens, aguardando que alguém se decida: a montante ou jusante, faça-se escolha. Sumidades da/ para a transição.
Não têm sono nem nunca dormem. Vivem das vidas que as atravessam, dessa míngua que demora correr-lhes a derme exposta aos corrupios desvairados das gentes; mormente – sempre? – indecisas. Delas vivem, a elas dão vida: ou significado, que desse galardão não se prescindem.
Momentos intercalares que participam a mediar outros mais duráveis – estáveis? estáveis não, que me faz rir esta prestidigitação do acontecer; estável, o que é estável senão só aquilo que ao conceito se limita? Tabelam destinos, urdem passagens: de sítios, de estados, de situações; e de realidades.
Declaram óbitos, despertam natividade. São futuro. O passado que foi que fique lá atrás.
Não são veleidade, sim parte que integra a substância do todo das partes.
Como em tudo, fazendo regra, o mas. Vírgula, mas. Inamovível, essência que não se extrai pois que subsiste irredutível. O mas excepção que confirma a regra de quem faz da ponte limbo sem sentido, agarrado nem à vida nem ao resto (qual resto?); vendo passar as marés de oportunidades desprezando-as no amorfo que se tornou. O mas excepção que confirma a regra de quem por infortúnio ou estupidez opta pela margem incorrecta ou absolutamente errada, perdendo paradeiro ao ganhar em desnorte; desculpe-se a ponte, que daqui a responsabilidade não se pode atribuir como sua.
Mais uma vez a escolha, optar ou não optar.

(porque com 'Unicorn' mos lembraste, quase na prateleira...)
"As we dwell inside the safe zones that we've made
Where nothing but earthly pleasures seem to matter
The only light we see is from the screens
No will to feel or explore the forgotten dimensions
Some day we'll catch a glimpse of eternity
As the world stands still, for a moment
And I guess we will be making history
When we all join hands just to watch the sky
(For a moment...)
Our selfish lives have made us all go blind
One day we'll awake by a bright light on the horizon
In one second every eye will see the same
And this blinding light will draw all our attention
Some day we'll catch a glimpse of eternity
As the world stands still, for a moment
For the very first time and it's meant to be
We'll forget about ourselves and share the moment
(For a moment...)"
'Eclipse', Apoptygma Berzerk
Sempre gostei do conceito de ponte. Houve uma altura em que estava sempre a cantarolar "A ponte é uma passagem para a outra margem..." Quanto ao "atravessar" ou "não atravessar"... That's the big question ;)
Afixado por: Chavininha em junho 7, 2005 10:56 AMDesde que não fiques atravessado na garganta de ninguém... ;)
Afixado por: jacky em junho 7, 2005 11:40 AMFaz bem trocar mergens de vez em vez; a música dos jafumega, hehehe. ;)
Descansa que não fico; raramente me atravesso (excepto quando há a sede do demo, mas isso são outros quinhentos...). ;)
Afixado por: PmA em junho 8, 2005 12:43 AMsim, faz bem trocar de margens, nem que seja para ver o porto a partir de gaia... isso, sim!!!era quando tinha aulas de desenho que cantava essa musica, a desenhar o porto... calor torrido como o que faz hoje,mas sempre a rir muito...já foi mesmo ha muito tempo...:S
Afixado por: Chavininha em junho 8, 2005 02:46 AMFaz. E essa é uma daquelas saudades boas. ;)
Afixado por: PmA em junho 8, 2005 03:29 PM