maio 16, 2005

Feel like framed (f*ck*d up)

Devia haver um decreto cerebral a impedir que se escrevesse envolto em determinadas disposições. Que bem mais valeria. Todavia não acontece e melhor assim que a (auto-)censura é abjecta; um nojo; ainda que abjecto seja igualmente escrever com estas – não – condições. Quiçá com o progresso nos tornemos mais máquina e menos homem. O que seria igualmente terrível – solicita-se qualquer coisa não ruim, sff; depois, depois que o momento é de bloqueio; a essas coisas, não ruins. E pensar que elogiava o meu autodomínio... há sempre excepção a consagrar a regra, valendo isso o que valha.

Lisboa não chove mas as árvores fartam-se de espirrar; e o sol, envergonhado sabe-se lá porquê, vai tapando e descobrindo o focinho de permeio com os minutos que passam. Também aqui a natureza mostra inconformidade com uma disposição permanecente. A instabilidade confronta a constância, alardeando o seu caudilho. E depois? Depois, merda, logo se vê.

Os dias chatos são uma treta, pois que as horas perdem o querer ir sendo; preguiçosas, barafustam e reclamam, olvidam sucederem-se porque sim – e alguém no meio da algazarra, inerte sem poder solicitar o livro de reclamações que não lho dão. O amanhã tarda em vir – nunca veio – pela graça de irresoluto desígnio; todos os dias vivendo o mesmo dia, sentença e sina; depois do ontem, agradável que fora. No calendário meses completos cedem a outros o seu esconso espaço – sem que amanhã digne sê-lo um dia; nunca será. É o destino, por locução. E isso lá existe!, vai existindo – montando-se num lego indeterminado de hipotético infinito no dia quotidiano do mundo vivido. Lérias loucas que tornam a mente taralhouca; um pouco, a todos e em preceito.

Ainda se houvesse silêncio. Os loucos não param, ou a sua loucura perene da qual lhes são tolhidos quaisquer significantes. Loucos somos; todos; a preceito de alguma arte de um qualquer engenho. Obra do acaso, prefiro fitá-lo assim tornando cognoscível o aparente ininteligível; é outra tipologia artifícia, porém alcançável até onde a mão humana pode afirmar ou até mesmo deferir. Os jogos de conceitos são fáceis; complexo é compreendê-los, mais ainda operá-los. Havendo silêncio poder-se-ia, em alívio, repousar; mas não, que toda esta loucura é expedita.

É uma canseira bulhar contra o que transcende – ou àquilo que assoma em exterioridade. Desiste-se. Decidam-se horas, clima e natureza e... Só cá estou de passagem, não moro aqui.


Desert sky
Dream beneath a desert sky
The rivers run
But soon run dry
We need new dreams tonight

In God’s Country’, U2

Publicado por PmA em maio 16, 2005 05:17 PM
Comentários

por mim este dia não precisava de existir... parece que chegamos a novembro e não estamos a meio de maio... de qualquer forma, o porto não esta alegre como de costume, está carregado... não gosto do tempo assim.

Afixado por: chavininha em maio 16, 2005 09:17 PM

Que tal um desafiozinho de smileys para animar? ;D

Afixado por: jacky em maio 17, 2005 01:34 AM

Indeciso. Nem eu. É uma chatice. E também não gosto desse peso com que se fazem carregar quando lhes dão na real veneta, as cidades.
Há dias para cumprir calendário...

Já respondi. ;)


Beijinhos, ambas.

Afixado por: PmA em maio 17, 2005 03:26 AM