maio 12, 2005

Verborreia escrita (ou ego-suspiro)

Gosto de escrever. Talvez por isso também – sublinhe-se também – tenha decidido ‘parir’ um blogue; e continuá-lo, com estreita mas firme resistência a algumas vontade de o fazer desaparecer desta esfera tão estranha quanto prolixa, sem exortar os significantes pejorativos do termo prolixo, que é (e sumulando) a blogosfera.

Contudo, até a escrita – possivelmente até acima dos (quase todos) demais – é fenómeno ambivalente. Num blogue estritamente temático, que jamais olvidará no generalismo, acaba por ser – numa percepção abusiva – recorrente a angústia, desagravo e desagrado na constituição das linhas que, desprendida e modestamente, apresento.

Também a escrita, mencionada como factóide de prazer, evidencia em manifesto a sua faceta oculta. Também ela, quero dizer, é capaz de fazer sentir os meandros do desprazer. Ou do seu dono, através dela; porque a escrita, em conformidade com o estilo de quem a usa, tem – sim – dono ou vai-os tendo por cada vez que é enformada e formatada. Escrever é, pois, uma daquelas coisas, enquanto assumida como fenómeno, que no seu corpo estilizado por autores providencia momentos em que a sorte que dela sentimos é grandemente infeliz.

Nem por isso colocarei a escrita à margem, como ninguém o deve fazer. Resume-se, ela, às presunções que quem a copula – utiliza – em consonância com os seus sentidos. Quem anda à chuva molha-se, diz de há muito a sapiência popular – que tanto granjeio por única que é; por mais disseminada que seja ou esteja. Comunica-se – mesmo que seja como a minha pretensão primária, de si para si. Não há bela sem senão – defeito –, mas não aceito desprender-me do seu afoito belo.

E aqui parece-me bem o tal Chagall, que vive em terra lusas:

La fête du mariage, Marc Chagall

Publicado por PmA em maio 12, 2005 06:42 PM
Comentários

Desde que a escrita não enfatize a neurose, por mim podes egosuspirar à vontade! :)

Afixado por: jacky em maio 12, 2005 11:25 PM

Bem sei. Afinal, aqui no tasco mando eu.
nem por isso deixo de endossar os meus

beijinhos,

Afixado por: PmA em maio 13, 2005 01:18 AM

gosto do chagall, ainda que o tema do proprio quadro não me seja muito caro... ainda asim sempre achei que os azuis que ele usava a pintar eram magicos. quanto as palavras... tenho uma visão particular, as vezes podem ser substituidas por imagens, ainda que eu ache melhor quando não o são. su sincera, tenho algum medo de lidar com elas... mas confesso, gosto de vir aqui ler as tuas! :)

Afixado por: chavininha em maio 13, 2005 02:51 AM

Não acredito em magia, mas que são excelentes ilusionistas é verdade - esses, e outros, azuis.
As palavras não devem ser substituídas; no entanto a imagem, como bem sabes porquanto a usas sempre conveniente, não é passível de se traduzir apenas por palavras - nem imagem, nem a praxis de agir.
Ah, e as palavras não mordem - talvez quem as use -, não tenhas medo delas.
;)

Beijinhos

Afixado por: PmA em maio 13, 2005 05:34 PM

acredito que as palavras n mordam e que so morda quem as use, ou que mordam quamdo são usadas para tal... incrivelmente acabou de aparecer por aqui um arco-iris... e o ceu esta azul chagall... :)

Afixado por: chavininha em maio 13, 2005 07:03 PM

Nunca vi o que está no final do arco-íris...
Mas um azul de céu nesses tons já seria suficiente.

;)

Afixado por: PmA em maio 14, 2005 05:26 PM