fevereiro 06, 2005

Please, induce me

Por obra de sugestão, faz-me sentido que tivesse sido ontem; óbvio, não foi. Acontece demasiado depressa, demasiado furiosamente – desorientas-me a ordenação do tempo: porquê, pá?

A título de tretas com significados específicos e redutíveis àquele momento, vais vivendo em mim. Já não te conheço, porém. A pessoa não é a mesma, nem pela apresentação nem pelos vínculos de personalidade. Acabou, alterou-se, mudou. Cresce-se, sem que signifique ser-se mais e melhor: e se duvido disso... Permanece tão somente o pendular, uma imagem construída, projecção do ego em ti: quem és? Nem verdade, nem mentira – uma apólice de seguro a suster o equilíbrio deveras inconstante, que ameaça desmoronamento.

És imaginação desenhada a lápis, retirada do modelo real; a lápis, sempre pronta à cirúrgica reparação, verificação, autenticação, optimização de traços – dos teus traços. A lápis, porquanto no extremo existe a possibilidade de completa remoção – sem dano, mas não indolor – da figura. Isso não se faz: não te vou apagar – não me posso apagar. Alinho, vou alinhando vértices moldando-os à satisfação do meu desejo. Sei que és tu, sem que nunca mais o sejas; não és essência, és produto – resultado e resultante de processos, processos que não sei definir mesmo que advindo obrigatoriamente do meu íntimo. Contudo, o molde... ficarás sempre, enquanto o perene for perene, o molde de tudo o que vou querer – não te querendo?

O amanhã nunca chega; como poderia, alguma vez, chegar? Não chega, não chegará – vinda adiada pela sua eterna repetição. Sinto-me gratificado por isso. Hoje tenho-te a ti não te tendo: percebe, é exactamente o que quero – o que me faz falta. Hoje tenho-me a mim, à tua representação, a de quem irá fazer a tua vez; não, não te substituindo: ocupando, isso sim, o lugar que dentro da minha hierarquia açambarcaste para ti – diz-se fazer as vezes de. Quiçá, todos insubstituíveis, pois que todos diferentes; diferença patente na pequenice mais importante, a dos momentos... dos momentos e das suas – respectivas – gentes.

Hoje sonho contigo, ser irreal e imaginário (imaginado?), espelhada imagem da distorção que te provoquei.


"This time we'll fight back
This time we'll know
Implant hysteria
Who really knows?

This time we'll kick back
This time we'll see
A bullet right between the eyes
Takes down the enemy

No use in hiding
No use to run
Finger on the switch
Blinded by the sun

Lock down
Shut down
Hang on
Condemned for life
"

'Condemned for life', Front Line Assembly

Publicado por PmA em fevereiro 6, 2005 09:30 PM
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