Isto é como as fases da Lua: ou se está numa, ou se está noutra; dúvidas, só mesmo quando não deixa entrever se está a ser assim ou assado; poucas vezes, mormente a facilidade com se constata a disposição lunar é de uma simplicidade digna de existência.
Como basicamente tudo, ou quase, é dinâmico, nunca se inquinando numa porta aferroada. Hoje cabe lugar a uma das fases, qual é que não sei; arrastar-se-á por uns dias – e passa-se a outra, permitindo que assim nenhuma delas se esgote. Hoje, então, viram-se atenções que se centram para ali; não preocupa, o outro lado fica como garantido lá para um dos restantes três quartos. Enquanto se aguarda pelo fenómeno da alternância, explora-se a vertente do agora ao máximo – recorde-se, sem o esgotar. Troca-se o quarto e deixa-se ir de férias aquele explorado: sem massacrar o tal agora, sem massacrar as consciências que se balizam com limites de paciência.
A lógica é produto criado pelo imaginário humano, logo flexível aos humores de quem deve a progenitura. Algumas horas mais para que a fase seja outra, propiciando um recomeço a partir do momento em que se ficara – sem mágoas, sem ressaca nem jetlag da variância. O anterior fica cristalizado, suspenso até ao retornar do seu devido tempo; nem se pensa nele, perder-se-ia – nesse tempo – tempo que a dedicar sê-lo-á exclusivamente na investidura do que vai acontecendo.
A melancolia é natural durante o período de transição, até que se faça finca pé e o decidido se instaure: após a firmeza, arrancada do âmago cá dentro, segue o hábito – até nova e incontornável ruptura.
Por esta fase vou contando estrelas, ainda que a noite pouco dure, sem premências que corromperiam o belo, se as numerasse à velocidade do contar – se sequer as numerasse. São muitas, é o que me interessa; estão sempre lá, ou assim parece e me aparecem. São o que são, prescindindo de quem as toponimine e escale num bloco de notas ou de rascunho. É suficiente saber que estão, é suficiente saber que delas gosto; até à próxima, à fase que se seguirá.
Tenho saudades do mar, de o ver pintado desses borrões de luz que despertam fundos profundos que tão raro visito.

"He was caught in the middle of a desperate fight
And she couldn't find how to push through
The trees that whisper in the evening
Carried away by a moonlight shadow
Sing a song of sorrow and grieving
Carried away by a moonlight shadow
All she saw was a silhouette of a gun
Far away on the other side.
He was shot six times by a man on the run
And she couldn't find how to push through
I stay
I pray
I see you in heaven far away"
'Moonlight Shadow', Mike Oldfield