janeiro 17, 2005

Towards exaustion, shit!

Tudo tem um preço, o que não é novidade e escusava dizê-lo: apenas os plafons constituem critério de distinção – acusem-me, se entenderem, de pragmatismo excessivo: pouco ou nada me rala.

Há um tipo qualquer – que me desculpe a expressão, mas de facto não me recordo nem um pouco de quem é – que decidiu escrever um livreco intitulado ‘Viver Cansa’. Olha-se para aquilo, para o título em questão, e com um sorriso irónico, torcido e meio escondido, ainda se pensa ‘porra, que raio de título... ok, é giro – terá alguma razão de ser; mas, irra, há limites para pessimismos e coisa e tal’.
Valerá alguma coisa? Desconheço; não li e, sem desagravo para o autor, nem pretendo fazê-lo. Existe, quanto muito, uma presunção quanto ao que por lá é abordado – e, com alguma certeza, da forma «desanuviada» como é discorrido.
É inegável a existência de situações em que realmente viver cansa; e como isto de humores e paciência não caminha em absoluta «simpatia», acrescenta-se que cansa e cansa como o car... – não sendo o termo, meio censurado, «caraças». “Cool and stressing”... Gosto de cá andar, isso é facto ao qual nem sequer se postulam dúvidas. Recordo a imagem da minha aparelhagem, «bicho» arranjado por módulos: o raio dos decks têm botão de pause; o leitor de compactos idem; incrivelmente, até o prato, sem saudosismos quanto ao vinil, tem um qualquer sistema de pausa; os «vcr’s» pausa têm; mais recente, tecnologicamente, o dvd apresenta o mesmo botão com duas barras verticais, questionando “pause?”. Ora, devíamos poder fazer uso desta maravilha do hardware numa transposição para a vida real: a rapaziada cansa-se, então porque não, sem usos abusivos e indevidos, um «pause» quando esse mesmo cansaço se torna demasiado irritante e aborrecido? Diz que não, que não dá. Parece que os seres montados em carbono não têm essa capacidade. Nem vale perder tempo para queixumes do «é pena...», devia-se e há muito ter aprendido a vivenciar sem a pausa que em tanto ajudaria a recarregar «baterias»; as nossas invenções, humanas, pelo que nos asseguram, é que vêm distorcer o rumo do natural (outra expressão pela qual nutro aberta antipatia: “é a ordem das coisas”, “é natural assim ser”, seja como for que a mesma – mesmíssima – ideia se assuma formalmente).

Impossível que é recorrer aos subterfúgios do fast forward, rewind, pause e afins, a obrigação de nos tornarmos exímios gestores de carreira – da nossa, entendida como a vida que temos ou, redundantemente, que vivemos – com diversos ph.D na arte do ir sendo, vivendo, acontecendo, mais o diabo a sete, é fenómeno premente – abusivamente, aliás.

Cansa, sem direito a recurso, perscrutar pela invenção – que é mesmo inventar! – de estratégias de se ir andando, mais com a vontade plenamente deficitária. Estratégias de absurdos a fim de «queimar» momentos que de conteúdo só vácuo – paradoxo, talvez, isto de “conteúdos vazios”, mas recorrer ao paradoxo nem sempre é antitético.
Como o queixume a nada conduz – se excluirmos o graxista de sucesso – entende-se ser melhor ignorar, ou tentá-lo!, o circundante e aguardar por situação mais «feliz». Quem disse «carpe diem»? Irra, que raiva.

Cansado também de escrever tanta mer..., como a aqui presente, encerro o raio da publicação. E como, apesar de prós e contras, não sou habitualmente mal-educado (julgo eu...):


Cumprimentos,



©


"So, so you think you can tell
Heaven from Hell,
Blue skys from pain.
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?

And did they get you to trade
Your heros for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
And did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?

How I wish, how I wish you were here.
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears.
Wish you were here.
"

'Wish You Were Here', Pink Floyd

Publicado por PmA em janeiro 17, 2005 09:11 PM
Comentários

referes-te, certamente, ao 'viver todos os dias cansa', do pedro paixão. bom... tocaste num ponto fraco meu :P

isso do queixume não levar a nada toda a gente sabe mas não quer dizer que não o façamos - tu incluído, pelo que leio por aqui ;) - mas lá por sabermos isso não implica que paremos de o fazer, não é?

(e o título tá giro, pá! :P)

eheheh

Afixado por: *t em janeiro 18, 2005 01:48 PM

Caramba, nem me lembrei que era do senhor professor... grande falha. Para mais confesso que tenho dois títulos do mesmo na prateleira; incluindo o 'boa noite', do qual gostei.

Quanto ao restante, é mesmo assim: não quer dizer que não o façamos, não é?

;)

Afixado por: PmA em janeiro 18, 2005 02:45 PM