Tudo tem um preço, o que não é novidade e escusava dizê-lo: apenas os plafons constituem critério de distinção – acusem-me, se entenderem, de pragmatismo excessivo: pouco ou nada me rala.
Há um tipo qualquer – que me desculpe a expressão, mas de facto não me recordo nem um pouco de quem é – que decidiu escrever um livreco intitulado ‘Viver Cansa’. Olha-se para aquilo, para o título em questão, e com um sorriso irónico, torcido e meio escondido, ainda se pensa ‘porra, que raio de título... ok, é giro – terá alguma razão de ser; mas, irra, há limites para pessimismos e coisa e tal’.
Valerá alguma coisa? Desconheço; não li e, sem desagravo para o autor, nem pretendo fazê-lo. Existe, quanto muito, uma presunção quanto ao que por lá é abordado – e, com alguma certeza, da forma «desanuviada» como é discorrido.
É inegável a existência de situações em que realmente viver cansa; e como isto de humores e paciência não caminha em absoluta «simpatia», acrescenta-se que cansa e cansa como o car... – não sendo o termo, meio censurado, «caraças». “Cool and stressing”... Gosto de cá andar, isso é facto ao qual nem sequer se postulam dúvidas. Recordo a imagem da minha aparelhagem, «bicho» arranjado por módulos: o raio dos decks têm botão de pause; o leitor de compactos idem; incrivelmente, até o prato, sem saudosismos quanto ao vinil, tem um qualquer sistema de pausa; os «vcr’s» pausa têm; mais recente, tecnologicamente, o dvd apresenta o mesmo botão com duas barras verticais, questionando “pause?”. Ora, devíamos poder fazer uso desta maravilha do hardware numa transposição para a vida real: a rapaziada cansa-se, então porque não, sem usos abusivos e indevidos, um «pause» quando esse mesmo cansaço se torna demasiado irritante e aborrecido? Diz que não, que não dá. Parece que os seres montados em carbono não têm essa capacidade. Nem vale perder tempo para queixumes do «é pena...», devia-se e há muito ter aprendido a vivenciar sem a pausa que em tanto ajudaria a recarregar «baterias»; as nossas invenções, humanas, pelo que nos asseguram, é que vêm distorcer o rumo do natural (outra expressão pela qual nutro aberta antipatia: “é a ordem das coisas”, “é natural assim ser”, seja como for que a mesma – mesmíssima – ideia se assuma formalmente).
Impossível que é recorrer aos subterfúgios do fast forward, rewind, pause e afins, a obrigação de nos tornarmos exímios gestores de carreira – da nossa, entendida como a vida que temos ou, redundantemente, que vivemos – com diversos ph.D na arte do ir sendo, vivendo, acontecendo, mais o diabo a sete, é fenómeno premente – abusivamente, aliás.
Cansa, sem direito a recurso, perscrutar pela invenção – que é mesmo inventar! – de estratégias de se ir andando, mais com a vontade plenamente deficitária. Estratégias de absurdos a fim de «queimar» momentos que de conteúdo só vácuo – paradoxo, talvez, isto de “conteúdos vazios”, mas recorrer ao paradoxo nem sempre é antitético.
Como o queixume a nada conduz – se excluirmos o graxista de sucesso – entende-se ser melhor ignorar, ou tentá-lo!, o circundante e aguardar por situação mais «feliz». Quem disse «carpe diem»? Irra, que raiva.
Cansado também de escrever tanta mer..., como a aqui presente, encerro o raio da publicação. E como, apesar de prós e contras, não sou habitualmente mal-educado (julgo eu...):
Cumprimentos,

©
"So, so you think you can tell
Heaven from Hell,
Blue skys from pain.
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?
And did they get you to trade
Your heros for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
And did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?
How I wish, how I wish you were here.
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears.
Wish you were here."
'Wish You Were Here', Pink Floyd
Publicado por PmA em janeiro 17, 2005 09:11 PMreferes-te, certamente, ao 'viver todos os dias cansa', do pedro paixão. bom... tocaste num ponto fraco meu :P
isso do queixume não levar a nada toda a gente sabe mas não quer dizer que não o façamos - tu incluído, pelo que leio por aqui ;) - mas lá por sabermos isso não implica que paremos de o fazer, não é?
(e o título tá giro, pá! :P)
eheheh
Afixado por: *t em janeiro 18, 2005 01:48 PMCaramba, nem me lembrei que era do senhor professor... grande falha. Para mais confesso que tenho dois títulos do mesmo na prateleira; incluindo o 'boa noite', do qual gostei.
Quanto ao restante, é mesmo assim: não quer dizer que não o façamos, não é?
;)
Afixado por: PmA em janeiro 18, 2005 02:45 PM