Passeias-te devagar por sítios que tão bem sabes não poder andar. Encolhes os ombros, assegurando que pouco te importa: não seria a primeira vez a ficares detido, mesmo com medida de coacção primária, termo de identidade e residência. Não era o caso, escusado é entrar-se por aí. Simplesmente percorrias propriedade privada, desprovida de elos efectivos a ti: quanto muito fictícios, imaginados, ainda que no desgosto de facto inacessível.
O padrão não te é desconhecido, por que então sequer tentar negá-lo, desmenti-lo? Apoias-te numa mista forma de ser em que te fazes passar por desentendido, coisa concomitantemente acompanhada pela consciência, que tens, de ser prática ciente, estratégia de um estratega fugaz e fulminado pelas consecutivas perdas. Não te importas, basta-te passeares-te por esses sítios de pertença alheia; e devagar, dando outra – mais outra – oportunidade para que os sentidos se saciem, por muito – demasiado – volátil que esse adquirido seja.
Por entre sítios há os teus que fazem fronteira com os da terra de ninguém. Aí estarás descansado, ninguém te aborrecerá, a censura do outro retrata-se pela miragem distante. Sítios que te consomem, mais do que deles podes consumir. Daí que olhes mais longe, desejando aqueles sítios que despertam o apetite e a vontade: talvez mesmo por não te pertencerem, assentes no deslumbre do fruto proibido; e sabes por aí não poder andar... Como se fosse a proibição a fronteira, com os curtos vislumbres do que por lá está permite ver, o mote que assegura poder ser momentaneamente teu aquele aquilo unicamente capaz de te satisfazer.
Atravessas até ao outro lado, ignorando o facto de poderes vir a ser apanhado, evitando pensar na sanção que a ti poder-se-ia tornar aplicável: bastaria o ser-se visto para que as instâncias informais de controlo se fizessem pesar sobre os teus magros ombros; sem risco não há sentido que se constitua, é o teu juízo – e logo prossegues, a conquista de pequenos nadas eleva-se aos grandes tudos que levas garantido no teu portfolio.
Passeias-te devagar sem querer ver por detrás do ombro, importa o que para lá está e não o que te é anteriormente conhecido; o tempo escasseia, esvoaçando com as suas asas intemporais, o intuito é conhecer mais: quanto mais melhor, e sempre na diferença – cumulando capitais não repetidos (desses, repetidos, a necessidade é nula).
Não te importas, não queres saber – mesmo sem o manifesto conhecimento do porquê. Pouco te diz se faz sol ou chuva, calor ou frio; a ansiedade por tornares teu o que não o é supera qualquer possível hesitação: bem como tudo o resto, que te deixasse pendente. Não te faz espécie o escuro da noite, nem toda a clarividência que o dia providencia. O juízo de valor é apartado pelas variáveis das circunstâncias: saber o diferente, independentemente do pacote ou embrulho em que se faz apresentar.

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“Came in from a rainy thursday on the avenue
Thought I heard you talking softly.
I turned on the lights, the tv and the radio
Still I can’t escape the ghost of you
What has happened to it all?
Crazy, some’d say,
Where is the life that I recognize?
Gone away...
But I won’t cry for yesterday, there’s an ordinary world,
Somehow I have to find.
And as I try to make my way, to the ordinary world...
I will learn to survive.”
‘Ordinary World’, Duran Duran
Maybe taking it another hour then taking away the pain
I troubled everything too soon, now where I want to be is...
Under the sea, is where I'll be
No talking 'bout the rain no more
I wonder what thunder will mean, when only in my dream
The lightning comes before the roar
Under the sea, down here with me I find I'm not the only one
Who ponders what life would mean if we hadn't been
So disappointed in the sun
And that's why we're thinking,
that's why we're drinking in a bar under the sea
dEUS, Disappointed in the Sun
Afixado por: i em janeiro 12, 2005 06:33 PMPassei para deixar um olá.
Afixado por: Art Of Love em janeiro 14, 2005 11:54 AM;)
Afixado por: PmA em janeiro 14, 2005 05:52 PM