[...and shiness can stop you from doing all the things in life you’d like to *]
(Please don’t ask me why I’m here – I don’t regret the choices that I’ve made **)
Olha-se, nunca se retira o olhar do outro: perde-se valor ao desviar ou baixar do rosto, com a consequente ruptura de contacto visual. Quem o faz, com desagravo para as suas «tropas», conta de imediato com uma crise de confiança; opostamente, o outro retrata-se simbolicamente superior, a equidade esfuma-se logo no momento: voltar a participar como igual na interacção requer uma árdua batalha, estratégias de ressarcimento que apenas a custo restabelecem paridade. Quem deixa pender os olhos... is taken for granted, débil – ainda que não o sendo – pois que a (escassa) auto-estima lhe castra a (potencial) personalidade, por quanto seja indivíduo determinado e bem definido.
Apresentar-se tímido, está bem. Com o cuidado, todavia, de ter presente em mente que o excesso avilta, permitindo uma deturpação do que eventualmente possa ser real. Perceber a destrinça entre o «engraçado» e o ridículo é essencial, sendo conceitos que se permeiam por fronteiras de ambíguo traçado, facilmente se pendendo sem perfeita noção por um ou por outro dos dois universos – fazendo, independentemente do restante, toda e mais alguma diferença.
Se a timidez é prudente, camuflando em tantos momentos alguma (até demasiada!) arrogância, converte-se – em circunstância de uso continuado – em efeito boomerang vitimando o próprio, se a ela se associarem carências de carácter decisivo ou mesmo na estrutura, percebida no campo postural, que devia o indivíduo (ser capaz de) personificar. Dada a importância assumida pelas primeira impressões, dir-se-ia que tal indivíduo ficaria, para o porvir, «queimado» – maculado no julgamento exercido pelo (outro) exterior.
Lâmina de dois gumes – que tanto desperta simpatia, como permite mover o desprezo.
Não é, contudo, na perspectiva do outro a que o efeito perverso se reduz. Outro, não menos considerável, exerce-se endogenamente: can stop you from doing all the things in life you’d like to. A «punição», assim tida, apresenta-se de si para si – limitando significativamente espectros de acção: o responsável, esse, resume-se ao próprio (curiosa e simultaneamente vítima e agressor, se assim se podem colocar os termos).
Bem medida, a timidez pode realmente despertar interesses (advindo de coisa que não compreendo, muito menos me sinto capacitado em explicá-lo) e curiosidade (algo mórbida, no meu entender, ainda que igualmente soturna e inexplicável à e pela razão). Precaveja-se perante a outra face da moeda, a irreversível queda no ridículo – única emoção que noutro se desperta além da transparência (social) a que se é remetido. Conducência com prudência é premente face a este fenómeno, projecto que porém se manifesta intrincado.
“I am so proud of what we were
(…) Eternity awaits
Grant me wings
That I might fly
(…) Something deeper brought me
That I need to remember”
(**) ‘Beloved’, VNV Nation
(“It seems so fitting, don’t you think?”)

©
[* ‘Ask’, The Smiths]
"I was there for you baby
when you needed my help
would you deny for others
what you demand for yourself?"
U2 crumbs from your table
Afixado por: i em janeiro 6, 2005 06:07 PMbut,the truth is all there is:
"your love is teaching me how, how to kneel..."
U2 vertigo