Sabe sempre bem voltar a segunda-feira... As segundas são promíscuas sem dolo próprio, não devem culpa que nelas tenha recaído a escolha para primeiro dia após um fim de semana que se fosse extendido não me importaria (digo eu...). Se um domingo parece cinzento, as segundas são de um amarelo desmaiado que sugere doença... Aves raras bem dispostas neste dia só um aniversariante a quem lhe calhou a segunda, ou as de rapina, frequentemente workahoolics que abominam os dias de repouso, que parecem possuir o monopólio nas hierarquias de chefia (se bem que não das mais elevadas); há ainda, tendo estes motivo para desagravo, os que bulem afectos a um horário flexível – como é de fácil compreensão, há sempre o típico exemplo do trabalhador por turnos: porém, o fio condutor assentará nas estatísticas padrão, ie, segunda a sexta.
O comum dos mortais desperta mal disposto, contrariado e provavelmente acentuadamente mais birrento à segunda-feira; a própria tonalidade da tez é apropriada desse amarelo próprio a quem sofre do fígado (pois, os que abusam do álcool também os há; esses, contudo, são outros motivos). O raio do despertador, pactuando com o inimigo (com quem terá igualmente dormido), consegue aclarar os seus peculiares tons agudos para que a irritação seja complementada – ou assim parece. Nada começa bem numa segunda, mais não seja porque o é: segunda-feira. Os fumadores penalizados com agravante: ninguém os obriga a abusar do número de maços de cigarros durante o fim-de-semana, mas aquela maldita saída à noite... (bem sei do que digo, caibo no leque destes maníacos que não passam sem o hábito idiota de inalar fumo cancerígeno – o não largar deste vício «erótico-oral» é questão bem mais complexa, assevero com ironia).
Para quem reside em Lisboa e faz uso quotidiano dos transportes públicos tem igualmente que gramar com os autocarros ex-laranja que, surpresa, (re)ganharam por obra e graça de um iluminado a cor de amarelo.
De amarelo desmaiado ficam as almas desanimadas, sem vontade de dispor o corpo ao manifesto; de amarelo desmaiado ficam os trabalhos e também as aulas – resignemo-nos: se a nossa está, a dos fofos patrões e ilustres mestres de escolas e academias estará tão ou mais amarela desmaiada que aquela que transportamos no nosso corpo (quem se lembrou de utilizar invólucro?). Não espanta, por conseguinte, o retorno ao estado de pitecus durante o curso e duração deste dia; os genes não endrominam, mantemos aquele resquício do homem selvagem (não se tenha a tentação de o adjectivar de bom, deixe-se em paz o senhor Rousseau), faltando como corolário o jubilado «grrrr...» - embora no nosso discurso se possam encontrar alguns laivos próprios desta linguagem arcaica.
Por me encontrar, como o comum mortal, imbuído por esse amarelo desmaiado que tonaliza a alma de sete em sete dias é a exclusa justificação para ter redigido este post.
Contudo, é coisa passageira: amanhã é terça. Fico-mo por aqui, que de baboseiras já basta.
;)
Cumprimentos,
pitequinhos, o meu amarelo de 2ªconverteu-se em avermelhado ao ler o teu post.
Afixado por: em dezembro 13, 2004 12:57 PMAo menos serviu para alguma coisa.
;)
Afixado por: PmA em dezembro 13, 2004 03:22 PM