Porque é que o sabor a vitória nem sempre é suficiente? Bem, talvez se goste por vezes de um prato servido frio. E qual o melhor que não a vingança? Nada altera, nada de facto se conquista, não adicionamos o que seja em termos concretos; todavia satisfaz, e satisfaz aquela pequena molécula que outrora se sentiu lesada – uma espécie de mais valia a posteriori que recoloca um número de pontos à nossa auto-estima e nem nos importa que seja apenas um ímpeto egoísta ou não.
O sentido da oportunidade de vingança surge bastante prematuramente: quem não ouve crianças com o seu discurso do ‘há-des cá vir...’? E trata-se de uma fase ainda num estágio deveras embrionário, sôfrego em se refinar; e realmente refina-se... Em estágios mais avançados deixamos de lançar a ameaça verbal – esta torna o requinte previsível – e em silêncio aguarda-se pela oportunidade sacramental para executar os mais – ou menos – planos maquiavélicos que saciam uma partícula do nosso ego: e aí está a vingança a valer-se por ela própria. Para mais, as suas utilidades desdobram-se em concurso de multiplicidades: desde o absurdo sentimento da sensação de superioridade, da experiência (nula?) de dano ressarcido, até ao simples gosto de se ter (finalmente?) «entalado» alguém. Curiosas que são as diferentes formas que constituem e estruturam esta praxis.
O terreno em que esta se aplica, ou o objecto sobre o qual recai, é por força da pertinência da sua aplicação alguém que em tempos idos (mas nunca demasiado distantes, de preferência) se gabava da nossa – elevada – estima (estranhos ou pouco próximos não repercutem um efeito particularmente gratificante). A vítima, então, encontra-se previamente definida, se bem que nas alturas de temperança nem sequer nos ocorra a ideia desta – ignomínia, por essa ora – prática; contudo, é no leque dos nossos mais próximos que irá recair a nossa praga, o direito de retoma do prejuízo ou dano sentido.
Qual a lógica da vingança? Nenhuma senão, em antítese com o sentimento altruísta, uma volúvel e efémera consagração egoísta; que sabe bem, importa não esquecer.
Ilação moral: nenhuma; fica ao arbítrio de cada um o uso desta prática.

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Cumprimentos, caríssimos.
Conheci hoje este blog e gostei.
Um abração do
Zecatelhado
Thx.
;)