novembro 01, 2004

«Land Ho!»

Que dias danados. Os peritos em sismologia sustentam que ao primeiro abalo se seguem inúmeras réplicas. Em suma, primeiro o cataclismo propriamente dito; logo a seguir vêm os copy-cat’s, ie, conceito que em criminologia define a utilização por parte de outros indivíduos de um padrão anteriormente existente, todavia com consequências, ainda que perturbadoras, bem menos – passo a expressão – extravagantes: o indivíduo copy-cat é, regra comum, menos ‘fantástico’ que o criador do padrão – originalidade como rainha de todas as virtudes e vicissitudes.

Por aferição, o fenómeno primeiro da ‘catástrofe’ sucedeu contam-se alguns meses; replicou-se, porém, com considerável intensidade durante (alguns) períodos que se seguiram. Julgando ter a garante que se haviam já esmiuçado, baixei a guarda e permiti-me respirar (sofregamente!) em alívio. Ao estilo Lei de Murphy – coisa que repugno – verifico ter cometido um erro crasso. Ora, como o passado é imutável... ‘não repetir os mesmos erros’, é o que interessa: quantas vezes, ao longo duma relativamente curta existência, teremos de ouvir esta proposição, proveniente quase sempre dos mais bem intencionados, daqueles que a sustentam através da maior experiência de vida, de outros que experimentaram situações semelhantes; enfim, sábios dignos de uma ditadura da sapiência (serão estes seres, de facto, assim tão perfeitos? claro que não!, todavia não serei eu a extirpar-lhes a ilusão em que vivem – ou na qual se deixam viver, sabendo-a falsa).

O primeiro ‘ataque’ não foi – directamente – provocado por mão própria; tal como as primeiras e principais réplicas. Porém, acontece não poder estar seguro em asserir semelhante dito referenciando-me às últimas ‘iras’... Aí o meu peso foi indefectível, primordial. Metaforicamente, assemelho-me àquele ser que consigo, e acima de si, arrasta a nuvenzeca que o atormenta com tumultuosas chuvadas e indizíveis relampejos. Frase esta abusivamente enorme para sintetizar um enunciado: onde vá, vem comigo a desgraça. Pois é. E a factura, inevitável, é suportada por aqueles que mais estimo (quando não o é exclusivamente por mim). Devem-me – alguns – ter em mesma consideração que a uma hiena.
O início nem é mau. Aproximo-me, ganho confiança, retiro (e retribuo?) benefícios e... booom! Sei lá, tipo estilo parasitário (ao invés de hiena talvez devesse ter redigido abutre – mas não gosto do termo abutre, é deveras feio).

Todavia, os mesmos ditadores da sapiência asseveram igualmente ‘melhores dias virão’. O que me deixa assaz aliviado (com toda a ironia com que seja possível dotar esta expressão). Ficamos, então, assim: ‘melhores dias virão’. Até lá. ;)


©

"He said, «Son, I'm goin' crazy
From livin' on the land.
Got to find my shipmates
And walk on foreign sands»
"

'Land Ho!', The Doors

Publicado por PmA em novembro 1, 2004 12:39 AM
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