Sempre à espreita; animal que não descansa: olhos esbugalhados, prontos para avistar qualquer sinalização que lhe agrade.
Um tal doutor questionou-me se teria confiança; ora bolas, pensei: bom, sem confiança nada interessa, sem confiança para quê sequer tentar, dar ao trabalho, começar? A resposta foi pronta e convicta; aliás, sendo honesto, já nela, questão esta, me tinha debruçado – talvez daí advenha a prontidão de uma resposta a modos que condicionada.
Dizem que confiar é belo. Não. Confiar é a base, sem a qual só o nada se estrutura – e nada, portanto, cresce. Confiar, conceito indispensável de ser passado da teoria à prática: o que, por sua vez, lhe atribui o – todo – sentido.
Num tecido social e societal a confiança esbate-se, a reboque de jogos de compensação, de sanções aplicáveis quer de conotação positiva ou negativa.
Será que confio? Devo confiar? Humm, algo abala os alicerces, mas retenho a dúvida se terá, ou não, implicado igualmente um vacilo na pedra basilar.
“Cada um, afinal, pertence a todos os outros.”
Aldous Huxley, ‘Admirável Mundo Novo’