Evito sempre utilizar a palavra jamais. Não aprecio dogmas e muito menos ainda estigmatizar o tempo com o tamanho carácter definitivo subjacente ao referido termo. Só em momentos ou estados de ignorância consigo proferir esta obscenidade do jamais (claro, rendamo-nos às evidências, refiro-me ao plano das probabilidades reais ou realísticas: jamais andar em Júpiter é normal para mim dizê-lo). O jamais, como se gosta de utilizar em política, é um daqueles sapos que nos vemos compelidos a engolir após o termos quebrado; é feito que por vezes acontece, por isso não o profiro.
Agora a contradição, porque a excepção faz a regra.
Muito é o que depende dos momentos, do que é vivido e sentido em cada circunstância particular. Daqui a perversão, daqui o móbil para que, de seguida, utilize a palavra jamais. Em simultâneo com o redigir destas palavras, jamais é um conceito que não consigo – nem pretendo – apartar da minha realidade. Novamente por ti. Por tua causa – não confundas: não é por tua culpa, mas sim minha dada a impossibilidade com que me deparo em te esquecer; ainda que nos braços de outro...
Por ti, devido a ti, jamais muita coisa.
Jamais te vou esquecer, conto-te como primeira e única. Jamais vou esquecer aquela vez em que te vi e logo te desejei. Jamais vou esquecer o nosso primeiro beijo, e onde, após prolongadíssimo e adorado abraço. Jamais vou esquecer o primeiro dia em que fizemos amor. Jamais vou esquecer o toque dos teus lábios e do teu peito. Jamais vou esquecer o teu cheiro, o teu calor, aquilo a que me sabias. Jamais me vou esquecer do dia em que nos despedimos nem da música que no teu carro tocava, muito menos dos teus olhos cor de sangue banhados em lágrimas. Jamais te vou esquecer e logo te reconhecerei quando te vir num Céu em que não acredito. Jamais, Gata...
Posfácio:
Jamais nunca – parece que o tempo trata de nos fazer esquecer, de fazer-te cair no esquecimento (ou esquecimentos, de quase tudo).
Com amor,