Under the Bridge. Alternando, passei para o Red Hot Chili Peppers Greatest Hits and Videos; mas fico-me pela parte áudio, ignorando, por ora, os vídeos.
Continuo com vontade de escrever para o blogue, mantendo as premissas da publicação antecessora. [faço uma espécie de rewind, regressando ao início de um Under the Bridge: julgo que por a letra me agradar especialmente – eles terão L.A., eu Lx.]
Pessoas houve já, principalmente entre as mais próximas, que endossaram alguns elogios ao blogue e ao seu autor – logo, por consequência, ao que é postado. Sempre agradeci, embora nem sempre demonstrando as reservas quanto às suas palavras que, diga-se, sempre e firmemente mantive. Mas claro que não podia deixar de expressar umas elocuções de apreço, mesmo que os endossados elogios fossem camuflados numa forma de sustento que apenas significava ‘continua e não desistas, cada um faz (escreve) o que pode (sabe)’.
Todavia, a desilusão tem tomado contornos medonhos nos últimos tempos. Claro, posso sempre utilizar aquilo que já vou denominando como mais um chavão: «um blogue é uma egotrip»; já repeti este conceito umas dez vezes.
Na realidade, praticamente tudo me tem parecido medíocre (para não chegar ao ponto de utilizar o termo mau). Olho para o neurose e sinto que padece de uma enorme carência de forma e sentido, como se nele não mais me revesse. Todavia, é certo que sou mesmo eu – fui mesmo eu quem escreveu e tem escrito nesta coisa agora insípida.
Recuso-me a achar-me blogólico, embora tenha alguma simpatia para com o termo. É um passatempo e um passatempo que foi bastante agradável. Foi. Olho para esta coisa e só penso ‘que raio...?’. Outros fenómenos há que assumem maior importância (bom, mal estaria se assim não fosse!), e a (alguma, diga-se em nome da modéstia – e da verdade) inspiração que proporcionou posts razoáveis... bem, essa já foi. Devo andar demasiado pragmático e demasiado ligado às questões ditas institucionais – e um blogue assim não me apetece, queria-o, ao blogue, como um espaço de desanuviamento e sem aflorar em demasia o sério e o instituído. Um pequeno espaço de queixume, um confessionário dos tempos modernos ou, em brincadeira, pós-moderno. O certo é que esgotei a sensibilidade para este tipo de escrita (ou até para qualquer outra). Ou, possivelmente, estou a assumir uma postura pessimista.
Deixei de poder escrever com toda a liberdade, como pretendia de início aquando da criação do (fóbica). Talvez esteja a passar por uma qualquer espécie de conflito devido a esta ‘castração’ que me irrita, mas que não me posso permitir violar. Provável seja que ultrapasse esta desagradável contingência (e de forma breve).
Claro que não há responsabilidades, não vá haver quem se reveja nesta escolha que tomei: se evito abordar determinadas temáticas é porque o decidi; decidi sozinho e em consciência (como diz o vulgo figurino da política); cabendo a alguém seria exclusividade minha.
Dá-se, portanto, o costumeiro dito: cada coisa a seu tempo. Particularidades existem de que não podemos excluir terceiros e o bom senso adquirirá, por seu turno, a sua incumbência: nada mais que isto. Cito corriqueiramente a expressão ‘os momentos e os seus homens’. Aguarde-se, então, por esses momentos já que uma garantia não me poderá ser escusada: serei um deles, um desses homens nesses momentos determinantes. Não importa a decisão, importa sim que seja, ie, que haja e se consuma.
Outra reviravolta musical: oiço agora Paul Simon, St. Judy’s Comet presentemente; depois as que se seguem. Sem pressas, pois a pressa quantas vezes carrega a cruz da culpa de um final insensato e desmotivante? Sem pressas nem correrias, planar apenas ao som de uns cds e de um vento de tempo.
Posso ter perdido o Bilhete de Identidade; porém, sempre consciente do que e de quem sou.
“Two disappointed believers
Two people playing the game
Negotiations and love songs
Are often mistaken for one and the same”
(‘Train in the Distance’)
“Rene and Georgette Magritte
With their dog after the war
Returned to their hotel suite
And they unlocked the door
Easily losing their evening clothes
They danced by the light of the moon
To the Penguins, the Moonglows
The Orioles, and The Five Satins”
(‘Rene and Georgette Magritte with their dog after the War’)
“Some people never say the words ‘I love you’
It’s not their style
To be so bold
Some people never say those words ‘I love you’
But like a child they’re longing to be told”
(‘Something so Right’)
Paul Simon