Vou ouvindo o Storytellers do Billy Idol. Este é outro dos pormenores que me agrada nos portáteis: levamo-los connosco levando também, se assim entendermos, a nossa música – música essa ao sabor das nossas vontades e humores.
Passei todo o fim de semana numa apatia perturbante. Havia muito que tal coisa não ocorria. Prendi-me a uma rotina estúpida e, pior ainda, estupidificante. Acordava e a primeiríssima coisa que, quase mecanicamente, fazia era sintonizar o aparelho de televisão na Sic Notícias, deixando-me por momentos entregue a alguma letargia. Buscadas, sei lá bem onde, as primeiras energias e ia esfregar furiosamente aquela cremalheira que usualmente dizemos serem dentes. O passo seguinte era a escolha de um cd (sempre detestei rádio, talvez por grandes injecções em miúdo, com a companhia do meu irmão que é mais velho, de oceanos pacíficos e outros programas com melodias, ou que raio posso nomear, que não me diziam absolutamente nada, sempre mediadas pelos comerciais – e quanto a mim as estações de rádio não se alteraram profundamente) que enfiava no prato do leitor da aparelhagem, um toque na tecla play, por vezes no shuffle, sempre num nível sonoro que me permitisse compreender as palavras, ao menos, que saíam de apresentadores, comentadores e tudo o resto vindas da caixa mágica. Ligar o desktop, esperar que o internet security terminasse os procedimentos de abertura, e correr para o outlook, e depois abrir o browser da internet onde passeava sem qualquer norte de orientação – acabava por deixar aquela máquina por ali ligada e na qual raramente tocava. O telefone: é claro, o raio do telemóvel! Verificar as chamadas perdidas, eliminar de imediato as provenientes de números ocultados e pensar se deveria responder aos restantes; lia os sms rápida e desatentamente, excepção de uns poucos em que atentava de forma diferente e que relia já que nada ficara da primeira leitura – melhor dizendo, dum fugaz passar de olhos. Poisar o telefone e rezar para que não tocasse: escasseava a paciência. Só subia consideravelmente o som da aparelhagem, com um som mais mexido, quando perdia quinze minutos, ou até mais, num duche não menos estupidificante, bombardeando-me com água só porque sim após os restantes cuidados haverem ter sido cumpridos. Claro, depois de seco a aparelhagem era drasticamente diminuída quanto ao volume de saída. Voltava àquela básica rotina Sic notícias/ qualquer coisa saída de um cd posto na minha querida modular Sony que este ano irá contar dez anitos (ou serão onze?) lá para Outubro. Mantinha o ouvido nos senhores do canal televisivo, mas sem atenção excepto quando qualquer coisa me despertava um certo bichinho. Antes do pequeno-almoço contavam-se um ou dois (ou mais) Marlboro soft no bucho: sempre ouvi que isto só faz bem e aumenta o crescimento capilar no peito (ironia minha, óbvio). E posso parar por aqui: exceptuando o duche que não repetia indiscriminadamente, tudo o resto seriam déja vu daquilo com que vos aborreci. A única alteração que me permitia neste lufa-lufa(!) era uma ida ao café, mais uma vez acompanhado pelo portátil: então cumprimentava quem devia, esgueirando-me o mais rápido que podia para um canto onde, reservado, me entregava só a mim e a mim (egocentrismo? não; só falta de paciência, imagine-se, para com a rotina, rotina das conversas despegadas de sentido e senso, daqueles «então cá estamos...», «pois...», «pois...»; pois então, acrescento eu).
As idas ao café dependiam de dois únicos factores: retirar da consciência o peso de em casa ficar a vegetar e o de reabastecer os depósitos de cigarros; decisões complicadas, estas duas últimas.
De retorno ao lar retornava de igual maneira ao já dito; a novidade, quando existia, residia nalgumas, todavia frustradas, tentativas de pegar nos trabalhos por fazer e sem vontade para fazer: o que iniciava em leitura, depressa largava – de regresso, então, à rotina (já ouvi vinte vezes a mesma coisa no canal de notícias – mas a persistência é grande e a televisão mantém-se no canal 5 da tv cabo; e a aparelhagem não se cala, nem deixaria!). Já agora: mais um Marlboro soft, outro (onde raio pus o isqueiro, os isqueiros?).
Nem mesmo no café dedico a minha suprema inteligência – outra ironia, claro – aos trabalhos que deviam há que tempos ter sido entregues; lá vou dando a volta aos senhores doutores, até que (o inevitável) se fartem – devendo mesmo estar para breve. Oh doutores, um pouco mais de paciência que isto não funciona a Duracell (desculpas!).
Há fins de semana assim. Todavia, de momento, outros problemas há que me ocupam a mente. Como sempre digo quando me confrontam e fico sem resposta, com a língua colada ao céu da boca, «depois logo se vê».
Bolas, que publicação mais aborrecida. Nenhuma das últimas, mais recentes, se pode definir com o mínimo dos brilhos, mas esta... ó pá, por favor...
Bah, logo se vê.
Cumprimentos meus (será que ainda há quem tenha paciência para mim? um destes dias ainda fecho é este blogue; irra!).
[ainda no estabelecimento: «é um café, sff, e queria moedas para tabaco», «...», «obrigado»]
Gostei! ;)
Afixado por: em agosto 23, 2004 12:55 AM;)
Afixado por: PmA em agosto 23, 2004 01:53 AMnão te faças à vida não, assim chegas a velho num instante ;)
Afixado por: zé biscas em agosto 23, 2004 03:20 AMEu? Não.
Ainda tinha ido sem problemas aos sub-31 da selecção olímpica (eheheh).
;)