É agradável, de vez em vez, olhar para o que nos rodeia em cores contrárias. Tentar apercebermo-nos de como elas também lançam para nós um olhar enviesado, corrompendo a normalidade refractiva da luz.
Observo o negativo de mim, um eu que não sou eu mas que, contudo, sou-o na propriedade de um tu que sou eu próprio; não o sendo. É tal qual atentar à minha figura, contemplando, em frente de um espelho que reflecte um tu que vejo e que não reconheço de imediato como eu; mas é, sou eu: tal negativo aguardando revelação neste dicotomia eu/ tu que se fundem numa só e única unidade

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Tal cigarro em tons invertidos, apagado sem a chama que o consome: ao sê-lo naquilo que é, ladeado de fumos contorcidos de mais uma baforada, caminha para a inexistência mórbida sem relembranças do que já foi.
Publicado por PmA em agosto 21, 2004 05:34 PM