agosto 09, 2004

Textos (sem) sentidos

Por quem não esqueci. Por quem não esqueço. Por quem tenho. Por quem escrevo.
Rábulas e parábolas? Nem por isso. Desdenho um pouco estas tipologias prosaicas. Como venho asserindo, bem como me assumindo, a minha escrita deve o sua existência a quotidiano, sem que trace quaisquer outras presunções; mesmo assim sendo, baseada no e pelo quotidiano vivido, não se apresenta – o meu escrever e escrito – como alguma especialidade desenvolvida e arte de requinte aprendido; bem pelo contrário é, em verdade, bem ordinária – no sentido de comum e banal.
Isto de um sociólogo (no desemprego – eheheh) ser alvo de tentativas psicanalíticas de interpretação daquilo que redige por parte doutros que se arrogam de sempre saberem o que e para quem escrevo tem o seu quê de caricato. Eu lá – aqui – vou deixando umas palavritas que me soem ao que de facto pretendo transmitir, mas sou retirado do contexto do blog-neurose por outros que, esses sim (nas suas excelsas palavras ditas – porque se escapam aos comentários, sempre em aberto, que se seguem ao final de cada post publicado), sabem em concreto e sem dúvidas – oh, quem me dera puder ter certezas tão vincadas! – o que escrevo e a quem me dirijo. A excelência dos descodificadores destes senhores é demasiado grandiosa para mim; afinal, eu, tão somente apenas, me limito a teclar palavras e frases que acabam por ter um sentido – sempre ao alcance interpretativo desses que sabem, dizem, mais do que eu quanto àquilo que aqui se vem apresentando. Acho graça. Acho graça para não abanar a cabeça várias vezes no sentido nove/ três horas, segundo a marcação dos relógios, com uma anuência (negativa) de um ‘está bem, vocês é que (lá) sabem’ com umas infindáveis reticências a arrematar a expressão. Bom, pensem (e julguem!) o que vos apetecer e convir que, por meu lado, farei invariavelmente o mesmo – assumindo a mesma postura que usam (quem sabe com maior legitimidade!). ‘Não consegues conhecer uma pessoa’, verdade? Poderá não ser transcrição sic, literal do que me disseste; porém pensa: se assim é, se assim acreditas, porque dizes conhecer melhor o objecto que os meus texto são que eu? Paradoxos, meu caro; paradoxos – pensa bem nisso (que esta é só compreensível para ti).

Concluindo: o meu blog – reitero o «meu» – não corre ao sabor de individualidades ou indivíduos particulares. Corre e discorre ao sabor de uma vontade própria advinda de mim. Como sustentei por mais que uma vez (e continuo determinado em sustentar essa proposição), o blog e o que nele se apresenta em termos de publicações não é objecto de uma censura que vise o determinismo do interesse de potenciais leitores; escrevo por e para mim, numa independência que talvez só um blog ou um diário não electrónico podem proporcionar. Se agrado, no que digo escrevendo, trata-se de qualquer coisa (de bom, óbvio) que vem por acréscimo. Feliz coincidência haver quem agrade no que resulta de um constante teclar.

Claro que poucos são ignorantes (peço desculpa pelo termo!): é fácil retirar a ilação que o que aqui e agora foi publicado trata de uma justificação perante os comentários que me endossaram. De facto, isto não espelha a realidade – o que é real. Porém, pensem o que quiserem.

Caríssimos, cumprimentos.

Publicado por PmA em agosto 9, 2004 07:45 PM
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