“I’m nearly great
but there’s something I’m missing I left in the duty free”
(‘Staring at the Sun’, U2)
Se não foi no duty free terá sido noutro sítio qualquer.
A longevidade é mais um acervo desprovido de significado. Longevidade de quê e de quem? Em quantidade ou qualidade? Mania das grandezas, de totais edificantes, que putrefazem as necessidades – básicas/ essenciais/ estruturantes, ignomínias/ supérfluas/ apendiculadas. Razões sem razão de ser.
Evita-se cuspir para o ar bem para como para o prato onde se come. Deriva, em efeito perverso, que por vezes – e não tão escassas quanto isso – se ignora o quanto se está cristalizado na realidade: mesmo sendo aquela que dizemos ter construído (mais correcto, ter ajudado a construir ou contribuído na/ para sua construção). Segundo o parecer jurídico deixamos de poder ser alugados para passarmos a ser susceptíveis de arrendamento: nesta transmutação que agora nos define como bens imóveis. Cristalizados, enraizados, caucionando o futuro – breve frame a frame com retoques de embelezamento, porém sempre igual e... claro é!, estático: este futuro
Subverte-se a estrutura do sistema: há sempre o papel social (em sentido ancoradamente sociológico), dizem. Desaprovando (pré)juízos estabelecidos, resta-nos, então, este último encore que nos extirpa do trilho e do trilhado: escolher, com limitações – mas, todavia, escolher. Volte face interessante este que nem a todos interessa (nem virá, sequer a posteriori, a interessar). Se o papel me permite esgueirar à estrutura... pois bem, serei o que futuramente desempenharei; e sem tempos (muito menos paciências) para arrependimentos.
O ser humano é invertebrado na sua postura quanto à adaptabilidade, disso me convenci e não pretendo que me invertam as voltas (nem a própria vontade, minha, sustentaria tal inversão/ perversão). Afinal, a que me referia eu quando encetei a presente publicação? “I’m nearly great”: era – e é! – mesmo isso... com a companhia do(s) sempre presente(s) e aborrecido(s) «mas». “You oughta know”, trauteia a canadiana Morrissette, Alanis, em música com a mesma nomenclatura. Tendo de saber sem que palavra seja dita ou redigida – extremamente difícil, esta tipologia de acontecimentos: contudo, nem por isso impossíveis. Sustenho-me, com diligente empenho, ao papel antecipadamente previsto: sustenho-me a ele já que assim encontrarei o trajecto para a acção, acção que possibilita o imprevisto, o acaso, a mudança; enfim, o escape, recto directo, à cristalização desvirtualizante do ser e do existir. Acção, acção que agindo transporta o definido para o campo das definições em aberto, do acaso, com a possibilidade de decidir e escolher por trilhos, por ramificações e entroncamentos, em bifurcações de soluções e hipóteses. Com consciência e em consciência – não há cá (lugares em cabimento para) “it is your destiny, Luke” de um Vader em Guerra (na e) das Estrelas.
Embarca-se no papel do (e no) real, escapulindo ao estádio estagnado de uma estrutura (im)posta hiper-real – como se de real se assumisse, jamais o sendo: engodos montados, é como se deve encarar e desmontar o esquema mental que produz estas hiper-realidades cristalizadas.
Enfim, fico-me por aqui: terei percebido que não será fácil descodificar estas linhas (correm, agora, os académicos – os doutores – a asseverar que o fariam, mesmo que lendo com apenas um olho de atenção). Eu próprio inicio um processo de séria desconfiança apontada ao que escrevo e ao que presumivelmente pretendo transmitir. É mesmo do meu agrado ser desta forma: subjectivo – a compreensão, ou o compreensivo (à la Weber), tratará de lhe prover sentido. Já o (doutor) Augusto Santos Silva escrevia “Entre a Razão e o Sentido”; opto, clara e inequivocamente, porém abstraindo-me de dogmas que apenas servem para toldar, pelo sentido.
Cumprimentos meus, (mais que) pacientes leitores. Também eu tomei conta de que ‘fugi’ significativamente ao âmbito pré-estabelecido do post (não será isto mesmo o que corrobora a mensagem que vim tentando fazer passar, o de perverter o estaticismo? abstenho-me de consagrar resposta já que é, parece-me convictamente, desnecessária). Paciência.
;)
“It was a beautiful day”
‘Beautiful Day’, U2 (O condão destes «tipos» lá vai sendo, em moldes de hábito, inspirador para mais uma ou duas palavritas neste blog.)