julho 21, 2004

Aflorando a ignorância

A simplicidade com que somos rotulados, com uma veleidade que roça a impertinência, demonstra o mau carácter de ser – ou do ser – com que nos deparamos no quotidianamente vivido. Peões num tabuleiro de xadrez... peões que são os primeiros dentro daqueles que podemos prescindir: todavia, este é um cenário que irrefutavelmente relego para um plano de inferioridade – a importância devida, se devida, deve ser complacente para com alguns toques em soslaio de ignorância.

Tornou-se uma constância: inclusivamente em plena luz do dia, quando a estrela-mãe nos prenda com o seu sorriso aberto e que o é para todos, somos abordados pelo ‘gatuno’ que não pretende obter de nós o que de material temos, mas tão somente(!) assolar-nos com o terror, escondido por detrás de uma arma que destrói as hipóteses de um justo confronto mano a mano: o seu móbil é destruir e humilhar; É por isso, que mesmo à luz do dia, deveremos ser cuidadosos em relação aos caminhos: escolhendo aqueles que menor risco aparentam – mesmo que por assim o parecerem mais não serão que doces maravilhas que escondem a armadilha prévia e propositadamente montada (não faz mal, nem todos se encontram armadilhados e sobre os que estão... bem, há que contornar os obstáculos com dignidade e com a cabeça – ainda mais – erguida).

Urge-me a necessidade de citar, pela enésima vez, um excerto de uma letra de U2: “They took your life, they could not take your pride”. Súmula consistente, esta, da mensagem que pretendo fazer passar neste post.
O ser simplista é praticamente um antagonismo ao ser simples. Aliás, acomete-se entre os dois conceitos uma diferença abissal: um, o simples, é honesto; o outro, simplista, é absurdo e inconsequente, fruto da perversidade de indivíduos incompletos. Em resposta à ignorância urge responder-se ignorando – como se um mal justificasse outro: já nos ensinavam ainda em criança, mormente os queridos (e protectores) progenitores, que duas más acções não se consumam numa boa. Mas a inocência da idade, essa, foi-se há muito.

A ignorância, em acções e/ ou atitudes dela impregnadas, quando manifesta – excluindo-se a latência do não pensado – deve ser objecto de crítica e repugnância, já que esconde sentimentos viciosos por detrás de um véu de ‘caricatura’ ou de um ‘não foi por mal’ mentido e mentiroso.
É perfeitamente prescindível o dom da oralidade ou da escrita para se ser manifestamente ignorante: talvez um maior domínio do verbo lhe possa oferecer maiores requintes, asserindo como pretensamente belo o que de e em facto enoja. Terão já mais que percebido que a ignorância a que me refiro nada tem a ver com o conhecimento ou algo empobrecido que se assemelhe a tal ‘coisa’.

Enfim, o melhor será concluir com uma bela expressão que ‘embeleza’ o meu maço de tabaco do momento: “Fumar pode prejudicar o esperma e reduz a fertilidade”; é sempre aprazível sabê-lo.

Cumprimentos, caríssimas e caríssimos.

Publicado por PmA em julho 21, 2004 08:45 PM
Comentários

Face a este texto só me ocorre a corriqueira frase " nem só falta de dinheiro é pobreza..." efectivamente há por aí tanto pobre de espírito e de ideias que nada mais faz que esconder-se por detrás de fachadas de crítico, amigo, colega e por aí vai... A arrogância e mesquinhez camuflam-se até nos mais nobres sentimentos e quando nos apercebemos disso, muitas vezes, é tarde demais.

Afixado por: em julho 22, 2004 12:12 AM

Tens toda a razão, infelizmente. Corroboro e agradeço as palavras de apoio.
Mas também há muitas pessoas bonitas por aí...

Afixado por: PmA em julho 22, 2004 12:16 PM