julho 11, 2004

Neurose, o blog.

Pois é... Nomenclatura fácil para quem, de permeio, vai (re)conhecendo diversos meios. Pois é... neurose: para mais fóbica. Tanto que em significado se vai perdendo, desde que em nascituro se deu este weblog. Pois é... Bom, mantenho um certo recato: não vou massacrar ninguém com as definições de neurose, asseridas, eg, no Quarto Manual da American Psychiatric Association Diagnostic and Statistical Manual; o conhecidíssimo DSM-IV, nem as de fobia, no mesmo tão escalpelizadas – ou mais ainda!
Determinadas neuras desaparecem com o tempo; esta minha terá desaparecido – ignoro, todavia, por quanto tempo – num espaço e tempo indeterminado. Porque sinto, então, as assaz mordidas de alguns próximos, tipo tu que não vais comentar para não ‘barracar’ e que todavia vai predizendo, a passo, o futuro? Pois é... para ti, vou sendo não neurótico, em facetas algumas, negando concretizações inabaláveis – como tu, meu caro, vens ditando. Por ora, bom, por ora a neurose foi-se. Sendo de facto verdade este blog teria como destino único o tal delete; tal não se consumará: outras neuras surgem – sim, mesmo devido a ti – a ti que não aquele outro referenciado.

Vou-me alimentando de um sétimo céu que por aqui venho recusando – não te iludas: a recusa mantém-se igual, pois que sim, nem mesmo tu; ou principalmente tu. O destino e o tempo são a meu ver constructos; constructos fáceis, de uma facilidade medíocre que nos gostamos de alimentar – confesso, não sou melhor e também neles acreditaria se mo facilitassem; aliás, se me facilitassem a vida no que sou; porém, nunca o fizeram e desta, lamento, não terão significado diferente; deste modo racional e afectivamente continuarei a repudiá-los, a contragosto, com toda a firmeza.

Não pronuncio políticas: há-os crentes no capital, há-os crentes na comunidade. Nem desta o farei. Assim o exijo de mim: compreenda-se como um axioma que me acompanha de formação – e de conveniência, não desminto. Imparcial, acima de tudo. Irra, imparcial: até acima de mim: científico, dirão; estúpido, porque não? Não julgo – não entrarei em julgamentos. Não agora. Isso sim, assinalaria a morte deste blog que mais não seria que a sombra que tantos outros que, por mais interessantes, transpiram a mediocridade da palavra fácil – é tão fácil usar a palavra, é mesmo: para mim pelo menos, para vós também, com todas as garantias.
O Santana, o Sampaio? Não, não aqui – não mesmo: tenho outro espaço, recôndito onde arduamente me encontrarão, dedicado a essas realidades: disparares daqueles a que aqui me dedico, bem ou mal: julguem os senhores, que eu também julgo.

Na realidade, é crescente o meu espanto ao observar o aumento de visitas diárias neste blog. Que verão aqui? Não vos aborrecem os textos longos, as incongruências (muitas) que venho (de)notando, as banalidades que, em demasia, por aqui posto? Alguns compreendo... por simpatia, amizades longas que se foram ‘alargando’ num blog que pretendia impublicitado. Todavia, contudo, porém e todos os restantes, nada que per si justifique um tão dilatado número de, digamos, ‘visitantes’. Nada aqui se apresenta que do mais banal encontramos no corriqueiro quotidiano de muitos de vós. Estranho... E ainda me digo (entre umas enormíssimas aspas) entendido nalgumas atitudes deste bicho social consternado a regras, significados e valores unificados e unficantes – por mais que neguem não vos acreditarei; a experiência, enquanto sociólogo, não pautada por grandeza no tempo, contudo felizmente justificada pela qualidade (se me é permitida esta redutibilidade demasiado, até!, pueril e simplista): parco percurso profissional, permanente o académico que jamais terminaria pela licenciatura e que, auguro, irá acompanhar-me ao grande términus. Quantas as vezes, a maior delas por terceiros, soube encaixarem-me o estigma de mediocro-banal? Pois, e daí? É mentira? Um só recado ou mensagem: criem um blog, deixando-se às considerações de outréns. Pois é, meus (todos) caros: sou medíocre e gosto. E depois? Olha, f#dam-se. É mesmo assim, a blogosfera. Ao menos vou sendo realista na minha definição ou ao que ela concerne. Medíocre, sim: com todo o gosto. Podia, inclusivamente, demonstrar algumas mediocridades doutros blogs que aqui linko. Para quê? Gosto deles e basta-me: nem sempre, mas com muitos até me vou rindo, por mau, muito, seja o português que usem; que têm que ver com isso? Gosto, é só: por isso aí estão – com perfeições e (muitas, tal eu) imperfeições.

Remeti-vos para conversas absurdas e insignificantes. Queria, tão somente, asseverar que nem tudo o que se lê (por aqui, como por outros, como por vocês) é tão linear. As minhas neuras – minhas por posse do sítio, ou que raio é – dependem exclusivamente de mim. Algumas deixaram de consumar qualquer significado – o que até tenho pena... e muita. Outras, dessas novas em novidade, surgirão. O neurose cá está: primeiro para mim, depois... depois para quem quiser, desconheço: com sinceridade.

Para mim, agradeço a ‘teimosia’. Para os outros semelhante teimosia que cá os vem conduzindo. O neurose não peca por escassez de necessidade nem irá escassear: nem tudo o que padece de neura, inclusive com o acutilante medo, receio, da fobia, pertence à caracterização de um DSM – saia o V ou VI.

Obrigado, a todos os caros e caríssimos de insolúvel paciência.

Neuroses? Pá, que só desapareçam quando eu próprio, em mim mesmo, desaparecer.


Que paciência para quem lê. Reiterado agradecimento. Abraços ou beijos meus: como melhor vos couber.


Publicado por PmA em julho 11, 2004 04:46 AM
Comentários

Vejo, com satisfação que as neuras vão continuar...Os balanços são sempre positivos e os ciclos repetem-se (ou não, já não sei bem..).*

Afixado por: i em julho 12, 2004 12:00 PM

Pois é: na prática umas vão e outras voltam, a modos de uma teoria 'sistémica' circular. Todavia, mantenho-me fiel a paradigmas tendencialmente mais constructivistas.

;)

Afixado por: PmA em julho 12, 2004 03:05 PM