junho 22, 2004

Realidades díspares...

... ou heurística semântica de uma contracultura – fenómenos de dissidência sociocultural.

O subtítulo parece apostar num retrato deveras imbricado ou pereambulado, na sua compleição, de um ou alguns fenómenos que atravessam a nossa sociedade. Nada disso: ficarei por mais simples – tão somente não consegui reduzir o título a uma fórmula que fosse do meu agrado; podendo não querer dizer nada, a mim diz-me quase tudo sobre o que, longitudinalmente, cruza as (pós?) modernas sociedades ocidentais de lés a lés. Peripécias de uma imaginação desocupada em demasia, diz, com virtude da razão – que tem –, o(a) caro(a) leitor(a).

Vivemos numa sociedade infértil por si própria, num ponto de viragem – o qual acredito sem retorno – que mal começámos a descobrir. A mudança carrega consigo um inaudito peso que à palavra em si não se atribui costumeiramente: efectivam-se contraposições de valores, normas e regras – desta feita, numa medida radical. O que implica rescisão de contratos, novas ordens e uma azáfama de negociações – recusando o radical, obrigação de novas posturas, alargamento das abrangências dos papeis sociais. Advertem-nos sobre a globalização – a causa. Eu falo de informação à escala planetária – acção histórica.
Infértil porque agimos num conjunto de pré-constructos – acção que se limita ao deixar correr o outrora iniciado, porém, hoje, com um poder virtualmente ilimitado. Infértil porque não se inventa o social pré-existente, modulando-o, sim, aos novos paradigmas emergentes de encarar o real dial concreto. Quanto muito re-inventa-se. Precipício por nós obrado e do qual não nos apercebemos – ou fingíamos, o que ao invés de atenuar aumenta o carácter de dívida para connosco. Céptico? Não. À ordem, a contra-ordem; à cultura, a contra-cultura. Evolução progressista e tão só – com desdém aos positivismos e corriqueiras teorias evolucionistas (aceito certas das neo-evolucionistas).

O contrato cederá ao postulado da praxis social: ou quebra ou moldar-se-á às novas existências. No meu entender, modesto, cederá passagem às novas conquistas iniciadas e em embriónico porvir. De salutar, o efeito da mudança sem que ‘revolução’ alguma se aplique.

As normas e as regras que vão regendo o social em toda a sua polivalência (entendido formal e informalmente) destinadas estão a semelhante fado: estoiram e novas surgem ou, progressivamente, as que virão ir-se-ão acomodando sem causar ‘baixas’ de maior. (volto a apostar na segunda solução.) As redes – todas – disseminam-se: com elas o maior poder, a informação. Com a disseminação pensar-se-á localmente para agir, nos vários localmente em uníssono, globalmente; o global, porém, será o cérebro que dita os enumerados gerais e invioláveis; localmente criar-se-ão desvios (dentro do padrão do aceitável) onde novas meso e micro regras tomarão lugar, lugar secundarizado pelas de índole global.

Não é teoria d’ uma conspiração. O processo já se iniciou, como em outras épocas históricas se iniciara. Para dizer a verdade, o processo nunca parou. Idem per idem, nada que seja novidade – súmula (com requinte em ab absurdo): nada a temer que outros não tenham temido.

Ou como diria Horácio: ‘ab ovo’ – desde as primeiras causas.


Boa noite, caríssima(o)s.

[para desanuviar: (O amor)"Enquanto é fogo, não se vê, só quando se torna cinza."
'Azul-Turquesa', Jacinto Lucas Pires]

Publicado por PmA em junho 22, 2004 02:07 AM
Comentários

Hum, caro neuras, isto merece um comentário:Primeiro o glogal e o local, escalas diferentes, excluem-se e pressupõem-se.Um não pode existir sem o outro e apesar do global que se nos impõe todos os dias, mesmo na nossa dimensão mais micro.A realidade é-nos apresentada de uma forma padronizada....

Segundo: a mudança.Para mim não é pacifica, acarreta sempre uma transição para outro estado,sempre (ou quase) com "baixas", nem que estas sirvam como suporte a algo diferente do estado anterior...(sistemica de novo!)

:)

Afixado por: i em junho 22, 2004 12:18 PM

Claro que as duas escalas se pressuõem, cara i. É pela distinção e complementaridade de existem, não?

Discordo quanto à mudança: acarreta sempre momentos tensionais, mas nem sempre conflito. 'Baixas', olha, lá vai havendo...

;)

Afixado por: PmA em junho 22, 2004 12:36 PM