... é ensejo em te querer falar e não poder. Como doença maligna, vai-me corroendo enquanto espero por momentos propícios em que tal seja possível. Praticamente petrifico com estas longas esperas, martirizando num purgatório do qual parece não haver saída.
Tentei odiar-te, não o conseguindo. Rejubilo pela contenção que mo impediu. Vai batendo forte, esta máquina que contribui com impreterível contribuição para o funcionamento das restantes – todas elas.
Na aventura da descoberta, que tens sido, desencontrei-me: como ir para oriente se o oeste se se tornara aos meus olhos desconhecido. Quis crer que a ternura humana era – e é – inabalavelmente superior à constância medíocre de tantos apriorismos que transportamos: aprendizagem malévola, esta dos a prioris. Não me enganei – convenço-me, com todo o crer daquilo em que acredito e vou acreditando.
Dirigi-te a palavra na mais suave entoação, contendo impulsos imediatistas que contrariavam esta atitude. Tentei fazer e ver destrinças – se o consegui duvido, agradeço antes a qualquer coisa de invisível que impediu o disparatado. Diz a cultura popular que o amor com ele é pago, e foi o que se seguiu: a ternura das palavras que te dirigi foi respondida por outra ainda maior. Pasmei pela surpresa – tão bom tê-lo feito assim, inpedindo(-me) de te perder.
Oiço uma voz à distância que se me dirige. À medida que a ansiedade diminui, absorvido sou por um sentimento de quase-plena satisfação e bem-estar. Regresso a mim vindo de um eu próprio que se apartara para lugares longínquos.
Reafirmaste a esperança que se esvaíra. Sossegou-se a respiração pesada, fruto da intranquilidade que ganhara, sobre mim, usufruto.
Dirijo-me para casa. Sossegado e com um bater cardíaco que tocava a perfeição: igual ao teu – como se em uníssono, mesmo separados pela distância, os nossos movimentos cardíacos se fizessem sentir. Sim, batíamos, juntos, lado a lado num interminável ritmo igual – iguais a nós próprios, iguais entre nós.
Quero esquecer o mundo e tudo o que nele existe. Pergunto-me pelo travesseiro que me aguarda – quero-me deitar, sonhar contigo ainda acordado e desperto com as minhas emoções; quero adormecer sonhando contigo e contigo sonhar.
Fosse tudo tão linear como aquilo que sei que por ti sinto.
(Mergulhando num mar de serenidade.)
Boa-noite.