... e agora saio-me com armas? Que bicho me mordeu? Bem, de facto eu gosto bastante deste brinquedo em particular, a Five seveN, mas não parece ter sido ideia oportuna. Já basta meio mundo andar à estalada! Porém, abono em meu favor: tenho algum fascínio por um grupo restritíssimo de armas de fogo, mas nem sequer de caçar sou capaz – muito menos de ‘caçar’ gente; só acho piada à parte que envolve a perícia e pontaria, pelo que o único uso a que destinava seria, por assim dizer, o do desporto e sempre com alvos inanimados; a única vez que apontei algo semelhante a uma arma para um bicho, uma pressão de ar, andava por terras de Palmela, fui incapaz de premir o gatilho, sentia ser ilógico o porquê de o fazer: o pobre bichano nem me tinha feito mal algum!
Atravessada está, então, a fase do metal e da pólvora. Revejo-me como pacificador, não recorro nem incito à violência (pois, há a excepção que confirma a regra, não é?): bem, talvez à simbólica – nem por isso inferior em periculosidade, acontece superar-se à outra; então aliadas...
Largo o metal e a pólvora para ficar a conjecturar sobre a violência? Isto hoje está mesmo bera! Quem ainda, corajosamente, vai acompanhando o texto deve estar a pensar mas ‘pá, pareceu-me que o título era não sei o quê rosas... que estranho’. Apela-se à cisão. Ponto final, mudemos de parágrafo que por aqui já cansa. Puff!
Recomeçando – ou, a bem ver, começando –, prossiga-se com o intuito programado, ou mais ou menos isso. O melhor é complicar o texto, assim safo-me melhor e até pensam que sou inteligente, quando o correcto é eu não estar a dizer nada (não, não estou a dizer que são uma cambada de burros e que vos enrolo facilmente! – isto quando corre mal... e não é que ainda piora?).
Bom, bom, bom... pausa... respira... ok.
Quero eu sugerir que determinadas circunstâncias se tornam premonitórias. Há uns dias queixavam-se: ‘Guns?’, claro que tentei apaguizar ‘Calma, primeiro vêm as rosas’. Atente-se: ‘primeiro’! Quer isto dizer, se se fala em primeiro é porque, no mínimo, há um segundo; caso contrário não se falaria em primeiro, pairaria a ideia da unidade, do uno.
E, a bem dizer, no seguimento daquilo que tem de ser – justifica-se pelo premonitório em si – , surge a publicação da ‘hand-gun’ que predilecto. Más línguas, em tom acusatório, apontariam que o timing foi preciso e pensado – estruturado ao pormenor. Estúpida foi a simplicidade, tal coisa nem me ocorreu. Ninguém, todavia, pende muito – nem pouco, quem sabe? – para a aceitação da simplicidade como justificação plausível, ou seja, como verdade verdadeira. Retornando ao meu lado mais agressivo (espero serem o mais diminutos possíveis os casos a que ele recorra!), só posso lançar a interjeição: ‘Azar! Quem quer, quer e quem não quer – acreditar – que não queira – acreditar!’
Posto isto, resta-me orgulhar-me de poder afirmar convictamente que fiz as pazes com o meu blog. Afinal, é o meu espacinho querido, adornado por um especial encanto que insiste em seduzir quem eu sou.
Como em todos os momentos em que a reflexão é acompanhada pelo silêncio da noite, por aquele manto de um azul carregado de escuro, terei chegado a um consenso para comigo.
Nem só rosas monopolizam o real vivido do quotidiano. Nem só de ‘guns’ é composta a complexa alma humana. Vivemos com ambos, o melhor será tentar harmonizá-los, dentro de nós, e passando a mensagem para o exterior, tanto quanto conseguirmos. Lembrei-me de um velho mestre – ou lembrou-se ele de mim, fazendo brotar espontaneamente esta mensagem no meu ser bem mais diminuto que o seu –, em particular de uma frase marcante que se cristalizou, desde aí para o futuro, no meu pensar: ‘os momentos e os seus homens’. Parece de uma pálida timidez quando ouvida/ lida desta forma. Porém, encerra – abre – em si um sentido de profundidade imenso/ intenso: ‘Não os homens e os seus momentos, mas os momentos e os seus homens’ – retirem-se, por um momento, do eixo que julgam ocupar na vida e passem-no para os momentos; a ilação é a de saber o que faz um homem com os momentos, aquilo que o fará sobressair da restante massa social; a ilação é que o homem digno de humanidade coloca os momentos que vive no palco central do drama, analisa-os, age em função deles – sim, só depois se pode falar do homem e dos seus momentos, em prol da humanidade da humanidade.
De arma em punho se vai desbravando o mundo, sem nunca esquecer que o objectivo é o de plantar as rosas – estabelecer raiz que nos faça sentir dignos de viver. Não confundamos o fim com o objectivo, porque nem mesmo individualmente – só para nós e em nós – conseguiremos singrar se aquilo que a mão empunha for apenas a arma.
Toma, para ti

uma rosa
:)
Publicado por PmA em junho 18, 2004 03:06 AMImperdoável! Pela primeira vez deixei passar em branco o nome do autor das sábias palavras - O 'gigante' Erving Goffman.
Fica, assim, a devida correcção - atribuído a quem de direito o que é seu.
Não me reconheceste, mas sabes bem para que esta rosa se dirigia (estive para por uma amarela, mas seria tão óbvio...)
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caríssima i.
quase que adivinhei, dear neuras...É linda!
Afixado por: i em junho 18, 2004 06:22 PMNão a deixes murchar.
É bonita. Lindo é um jardim que conheci.