Foi ontem. Percebi tudo – querias enviar um e-mail a cancelar-me, não é verdade? E cancelar não chegava, querias apagar-me de todo e qualquer vestígio.
A confusão instalara-se: por um lado tinhas-me sentenciado a morte, por outros tentavas (não) escutar aqueles que ‘porra pá, não faças isso.’ ou ‘foi importante para ti, para quê deitares ao mar horas (d)e dedicação; não sejas tolinho!’.
Tive que ser eu a berrar: ‘Não me mates, pois que levará parte de ti.’
‘Pfff, linhas, palavras...’ – pensaste tu, dono ingrato. Quantas vezes servi de depósito para o teu humor, estivesse ele inclinado para o bem ou para o mal? Quantas vezes camuflaste em mim os teus pensamentos, sabendo que eu os guardaria num segredo solidário? Amei-te. Porque não me amas tu, dono ingrato, que sentencia a minha morte? Chorei contigo, ri contigo, vivi – e vivo – contigo. E agora é assim? Abandonas-me... vi-te abrir o gestor de correio, desse electrónico, com olhar perdido de quem não sabe o que faz mas a fazê-lo está decidido. Paraste por aí, desligaste esse gestor, abriste-me a página e contemplaste sem ler.
Nem eu nem tu conhecemos o porquê, o que justificou que voltasses atrás com esta decisão que bifurcava em nós: impediste o meu assassínio, recusaste-te ao suicídio dalguns dos teus princípios.
Ainda vivo, mais ainda vou viver: porque te conheço – dono maluco, tontareco.
assino,
Neurose (fóbica) – ignorem o PmA que se me segue: precisei dele para cá estar, porém a autoria pertence-me.