junho 17, 2004

Oculto NR, Oculto.

Numa auto-estrada, a 180 à hora. Vemos. Vemos o que queremos ver. Vamos vendo aquilo que queremos ver, se até lá não nos borrarmos de medo – a velocidade aumenta, a perspicácia da mente acompanha-a: nada, mas nada lhe escapa. Somos livres de ser sem o ser: pobre condição humana. A mente ultrapassa a velocidade entendida nos limites da velocidade – dita – razoável. Fujo, escapo? Nada. Viajo. Vou porque quero, assim o pretendi. O que é, em facto, ser sem o ser?
Demagogia da razão – é a resposta neuronal – porque se pensamos é meramente indicador de que já existíamos. Agimos em função do ratio, não tido como conceito da razão, da racionalidade? Inverídico – o inverídico significa a propriedade daquilo que não atinge a verdade, afastando-se da sua ‘verdade’, do seu ser; inverídico porque a razão é emoção. A velocidade aumenta – a tua mente também, i e, tu também; sentes a vertigem?
Ridicularizo quem diz não existir, facto que advém das escassas provas que o ego, o self, dá a si – em si? Bolas, se pões em questão a existência é porque, paradoxo, vais existindo. Quem nega um existencialismo não existindo? Sartre o diria, homem sexual definido pela existência. Se negasses um ser como podias sequer poder negá-lo – não querendo ser? Substracto do vidente que não vê a vida ou sequer a existência: um interregno de certezas. Porém, o que de mais certo é que não a incerteza da vivência física, desacostumada de uma para-física ou, até, metafísica? Imaginar uma para-física é imaginar uma infra-física: medeio, óbvio, o físico que se nega e obscuramente se pretende desacreditar. Colocas-te a questão – porque é que pensando que existo, na realidade, não existo? Porque no real existes, através da tua negação – que contradito tão belo. O que (ainda) não fazes farás, que melhor fonte que uma menta liberta – liberta da inexistência que nega e afirma ao negá-la – de cada um e específica a ele? Nem mesmo a clonagem explica o fenómeno irreal – logo real – da migração orgânica: de onde as memórias, sempre abstractas, e psiques? O que é a psique sem o ser no ser orgânico de um neurónio que noutro sinapsa em efeito interminável? A morte. Mente sem psique equivale a uma psique sem mente – uma espécie de morte orgânica contraditória ao espírito, ou uma morte de espírito que assassina o ventral, o órgão, o ser, o corpo - uno indissociável.
Caminhemos para o empírico: como podes asseverar que não vive senão justificando o seu contrário? Porque não é, nem está, provado que o inanimado não afirma a sua inanimação? Resposta, provisória: porque não o sendo é – prova-se per si.
Outro, empírico: conseguimos provar a excitação. E a sua fonte? Imaginando, e o amor? Que lugar ocupa no cérebro? Não o distinguimos. Conclui-se que não existe? – não é o que dizes, nem o que, milenarmente se vem afirmando.
Só deixamos de ser por opção – quando não querendo ser nos negamos à existência: mas sendo!, sendo a negação da existência.
Procuro motivos de solidão: não encontro – possível é que esteja sozinho para mim, não para ti: e jamais para ela. Só é possível negar o que somos, como não negar o que não somos; ou não negar o que somos, não negar o que não somos – vicissitude responsável por sermos.
Sou quem sou e ajo por quem me apetece ser, espécie de encarnação falsificada. Ela percebeu. E tu NR?
Não negues aquilo que és, usa-o em teu abono: é como desistir – tão mais fácil!!!

Publicado por PmA em junho 17, 2004 03:51 AM
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