Ainda eu cheirava a cueiros quando vi estes desenhos animados made in Japan, dos quais apenas restaram uns espectros – marcantes – na minha memória.
Tratava a história de uma soberba amizade entre um pequeno pássaro, presumo que um pardaleco, e uma bela e encarnadíssima rosa.
Ora, é sabido que a natureza, como em tudo, tem dos seus timings. A rosa, ser do reino vegetal, foi dotada de uma esperança de vida bastante limitada – aos nossos olhos, pelo menos. Rumando pela incontornável forma de ser da dita natureza, a bela rosa de vivo encarnado vai deixando esmorecer a sua cor, deixando prever o (seu) fim que se avizinha.
Dado o seu amor incomensurável por esta flor, o nosso pássaro questiona-a quanto às possibilidades de adiar o inadiável. Depois de fervoroso e apaixonante diálogo em que se discutira o deixar de ser da sra. rosa, a conclusão do que havia a ser feito assomou-se-lhes à “cabeça”. O passarinho, fascinado pela “eterna” beleza da rosa, aceitara a proposta que esta lhe fizera: se enterrasse o seu peito contra um espinho da criatura já pouco encarnada – a rosa –, deixando o seu coração ser trespassado por este e esvaziando-se do seu sangue, que passaria pelo corpo da flor, a rosa voltaria a ser bonita e airosa de novo, viva, esplêndida e encarnadíssima. O preço era único: o pardaleco pagaria com a sua vida o prolongamento da da sua amiga.
Assim foi, e assim assisti a um passarito a entregar-se à morte numa morte lenta e dolorosa – faziam questão que assim fosse transmitido.
Da fábula trazem-nos bruscamente para o “real”: o facto é que esta atitude, por mais pura que fosse, não rejuvenesceu a rosa mas antes conduziu à morte precipitada do bicharoco: ambos definharam, ambos faleceram, numa sintonia quase perfeita.
Nunca esqueci o raio destes desenhos animados. Julgo que nunca irei esquecer.
Afinal, que moral da estória? Que moral para a história?
Tudo/ todos tem/ têm o seu tempo? Para quê morrer por amor se o amor, ele também, irá morrer?...
Porque o amor não é racional.
Como se pode explicar uma coisa que não tem explicação?
Só se pode sentir...
;)
O amor pode ser amoral, mas jamais imoral.
Nunca o ente amado, se ama, pretende a morte do outro causada por desejos narcísicos.
Certo, mas o outro dá de livre vontade...
Afixado por: NR em maio 24, 2004 01:38 AMVidas não se trocam. Vivem-se eternamente enquanto duram.
Foi uma bela lição que aprendi.
Afixado por: PmA em maio 24, 2004 01:46 AMLá estás tu a tentar explicar algo...
não se pode explicar.
:P
Caríssimo NR,
Tudo tem uma explicação, quanto muito vivemos ainda na ignorância acerca de muitas verdades. Esse já é um argumento que eu aceito.
;)
Carissimo PmA,
já lhe chamei chato hoje?
se não aqui fica: Chaaaaaatooooooooo.
:P
(não tinha nada mesmo para dizer...)
É pá, pareces um desportista de craveira: 'o que interessa é participar'.
:P
Afixado por: PmA em maio 24, 2004 08:20 PME sou mesmo!
;)
Sei que nâo tem a vêr uma coisa com a outra.A bastantes anos creio que ja estava fora,os usurarios d'e um transporte publico na Italia repararam que um câo nâo saia da paragem..ele esperava pelo seu mestre,que tinha sido morto num accidente,comunicaram com as autoridades mas nada a fazer.O animal voltava sempre ao mesmo local...até se deixar morrer.
Chama-se Bush----Espéro que a historia nâo se esqueça......como um carniceiro ao lado Hitller
A História é, acima de tudo, a memória que lhe dão (ao facto passado)
Afixado por: PmA em maio 26, 2004 12:23 AM