Dizia, e penso que ainda diz, a canção do meu saudoso António Variações:
“Tu está só e eu mais só estou, que tu tens o meu olhar (...)”
Coincidências da vida. Que raio, tanta miúda que tem o meu olhar e não é por isso que fico menos só. Se calhar é mesmo por serem tantas...
O tempo corre em velocidade de fórmula 1 quando eu acho que descobri o motor a explosão. Irra, sempre um (dez) passos atrás. Penso que me moldo, que me vou adaptando a diferentes realidades, a diferentes formas do vivido. Em simultâneo com este pensamento tenho a certeza, que eu próprio me dou, que vou perdendo terreno face às novas gerações – é escusado teimar em dizer que sou um tipo a-tradicional, estou, em veritas, a envelhecer física e mentalmente.
Qualquer publicação tem um título, por mais ridículo e desinteressante que seja (o que inclui, grosso modo, as minhas e, por consequência, as do João – o Adriano que ‘hostejo’ neste blog). Todavia, esta não irá ter. Porque deveria, aliás?
Sou um tipo lixado e por muitas das vezes aborrecido. Escrevi, neste blog, ficção, excertos da realidade, sobre temas da minha área científica de interesse (é mais que uma), entre outros, vários, assuntos. Norma constante é que, por hábito, escrevo sobre algo em que possa opinar. Nem mesmo isto pode ser negado pelo leitor.
Que título?, é possivelmente uma publicação em que, como dizem os meus mestres, a filosofia se sobrepõe à história. Porém, nada de complicado (não sou kantiano ou não kantiano, cartesiano – ou mesmo damasiano, ou bachelardiano). Sem título representa apenas um vazio. Um vazio que não remeto à generalização, a uma hermenêutica filosófica, mas tão somente à representação de um ser, neste caso eu.
Um vazio sem título que me faz ver o caminho em frente em sinal de nébula: se acredito que já fui, porque me recuso a acreditar que serei? A resposta encontra-se em mim e breve seria a resposta para o leitor se eu a quisesse dar (melhor, se fosse fácil dar).
Sozinho estou, sozinho poderei ficar... ou não. Tenho amigos crentes no amor, naquele que se refere a uma predestinação – como que se existisse uma alma gémea, ou a ‘nossa’ outra metade.
Recuso-me a acreditar nisto. Mesmo em tempos recentes, aprendi a acreditar que existem condicionalismos, mas nunca determinismos em forma pura.
Esta publicação não tem título porque o não merece, mas também porque a hei-de continuar. Quem sabe, até talvez não sozinho... como agora, sem salva vidas onde me agarrar e com uma certeza de sufoco pela frente (aos meus amigos que mais me apoiam, que me desculpem – com toda a sinceridade – mas estou fraco; e fraco de espírito, principalmente).
But if my spirit is lost
How will I find what is near
Don't question I'm not alone
Somehow I'll find my way home
My sun shall rise in the east
So shall my heart be at peace
And if you're asking me when
I'll say it starts at the end
You know your will to be free
Is matched with love secretly
And talk will alter your prayer
Somehow you'll find you are there
;)